The Void Mystery – O sonho do Whisky.

“A paz pode ser encontrada somente com a sabedoria da dor...”.

Numa sala estranhamente escura e somente com uma cama, agora servida a um homem que aparenta ter entre 40 a 45 anos, um pequeno menino olha aquilo tudo e pensa consigo mesmo: “Será que meu pai vai ficar bem? Eu não estou preparado para comandar isso tudo!”. Mas mesmo assim, ele vê o sofrimento de seu ente querido, que tenta erroneamente lutar contra uma doença tão misteriosa quanto seu portador. Possivelmente um câncer, mas nada comprovado. Não tinha essa aparência, e os anciãos não sabiam o que era. Nada em seus velhos e empoeirados livros o dizia.

A pequena criança diz a seu pai:

–Papai, o senhor está bem? Vai melhorar não é?- Ele com uma voz de choro cita essa frase e quer muito que seu pai confirme as suas expectativas, mas parece que ele não tem a resposta esperada.

–Não sei meu filho. Possivelmente não. Quero que você faça algo para mim. Quem me enfeitiçou foram aqueles pôneis de Ponyville. Eles desacreditaram do nosso poder e da nossa magia. Faça uma coisa para o papai, mostre a eles quem é o verdadeiro dono dessas terras, e mostre a eles quem somos nós. Após essa limpeza, mostre a eles a pureza e transforme toda Equestria em um lugar melhor. Como eu te ensinei- E os logo após isso, os dois disseram juntos com uma voz forte:

–Vida longa aos Sobrerains! –

Um silêncio vem e o pobre unicórnio chama pelo pai. Claro, em vão. Os mordomos tentam acalmar a criança. Mas ela se rebela e quer dar o último abraço em seu ente querido. Infelizmente, o mesmo não se encontra mais entre nós. Os médicos reais fazem uma série de esforços para tentar reanimar o falecido rei, mas nada parece adiantar. Magias, chás e nada. Duas horas se passaram e, de fato uma reunião foi feita entre os superintendentes. Nada foi declarado, mas parece que não tem jeito. A pequena criança vai ser o novo rei daqueles que pareciam ser o povo mais próspero da Everfree. Impressionantemente existiam reinados naquela floresta, todavia ela fora tão mal explorada que parece que o único mapa que existia estava sobre o domínio da Academia Real de Canterlot (ARC), uma das maiores bibliotecas de Equestria, fundada pela nossa antiga líder Twilight Sparkle. Que ela fique com Celestia. Foi uma boa líder, com todos aqueles ministérios. Mas voltando a narrativa, existiam sim reinados de pôneis naquela que parecia ser uma terra de ninguém. E o maior deles era o dos Sobrerains, um povo muito mal conhecido, mas que tinha potencial de dominar Equestria inteira se quisesse. Aos doze anos, o indivíduo sobrerain já poderia fazer coisas que um alicórnio adulto jamais sonharia em fazer. E o mais forte deles era o jovem Nandre. Os nomes deles eram estranhos, assim como seus costumes. Tudo naquele reino era um mistério.

–Uhhh, depois de aquele robô tentar matar a gente, um pouco de descanso cairia muito bem! – Nazista nunca foi muito bom em deixar o momento como estava, mas devo admitir todos nós estávamos pensando nisso. Um bom relaxamento de cascos e uma boa noite de sono era o que todo mundo naquela vã precisava. Paramos em um hotel estranho com um nome xucro de boate. Nem parecia um hotel, parecia um cabaré com quartos. As prostitutas andavam livremente assediando os homens que passavam por ali. Uma tentou até me agarrar, mas eu resistir. Sabia que com a minha autoridade eu poderia muito bem dar voz de prisão para todos que estavam naquele estabelecimento, porém não queria estragar o meu disfarce, então só disse um: “hoje não meninas”. Admito que elas tinham TUDO que me deixava louco. Tinham meias, olhos azuis e tudo que fazia minha cabeça pirar, mas tudo aquilo que eu tinha planejado simplesmente seria arruinado por um desejo carnal tão banal.

A BigSis tentava esconder ao máximo toda aquela cena para a Mini Maga, mas parece que não estava adiantando.

–Irmã... O que são aquelas moças de meia? Está fazendo tão frio assim?- que inocência...

–Sim bebê, você não está sentindo?- E ela fazia um ventinho com a boca perto da orelha da criança.

–Para, faz cosquinha!- Achei aquela cena um pouco fofinha, mesmo assim, tinha que analisar cada passo que aquele grupo de doentios fazia. Atrevi-me e perguntei uma coisa a irmãzona enquanto estávamos subindo aquelas velhas escadas de madeira que parecia que não fora reformada há anos.

–BigSis... Posso te fazer uma pergunta?- Tentei ser o mais breve possível. Ela parecia cansada e a menininha estava dormindo nas suas costas. – Quantos nomes você já teve? Acho que não faz mal perguntar, faz?-

–Hahaha, não, não faz mal perguntar, a não ser que você conte para alguém, aí terei de te matar, mas eu confio em você. Já tive vários nomes. Rouse, Migtin, Butter Flowers e agora é Cristin. Mas, assim, nem eu mesmo sei qual é o meu nome. Parece que foi ontem que tive um chip instalado na cabeça para não revelar minha identidade... – Eu, como um bom mal educado, fiz o favor de interrompê-la.

–Como assim um chip na cabeça?- Minha curiosidade era tanta que parecia nunca acabar, nem pensei na possibilidade dela poder ter me matado naquela hora. Não pensei por esse ângulo.

–É... Quando a gente se forma, lá na academia, somos obrigados a termos um chip de exclusão na cabeça. Esse chip garante que eu nunca mais saiba quem é a minha família, ou qual é o meu real nome. – Isso é tenso, eu sei, mas aparentemente não estava surpreso. Imaginava que fariam coisa bem pior naquele lugar. –Mas o porquê de todas essas perguntas? Por acaso você não é nenhum espião, ou é. – Com todo o perdão, fiquei com o cú na mão naquela hora... Achei que ela tinha descoberto. –Hahaha! Estou só brincando bobinho, você é só o garoto da faxina!-

–É... Sou sim- Depois dessa pequena conversa na escada, o Caipira deu a nós um ultimado totalmente irresistível: Quem não aparecesse atrás da vã naquele instante, iria perder uma rodada de whisky Applejack, dos bons.

–Ok! Já estou indo!- A Mini Maga deu um pequeno gemidinho e logo voltou a dormir. –Me deixa colocar ela na cama. Vai indo, eu já encontro vocês lá. –

Fui atrás da vã, como o Caipira tinha nos dito. Parecia uma pequena confraternização de amigos, daquelas que a gente só vê na televisão, mas que em troca dos marshmallows, eram copos de whisky gelado. Sentei-me perto do Velho e ele disse se eu queria um pouco, eu recusei. Tinha que me manter sóbrio a noite inteira, se eles soltassem alguma coisa enquanto estivessem bêbados, poderia saber facilmente. Ele insistiu mais uma vez e eu recusei novamente. “Tudo bem, mas você não sabe o que está perdendo”, disse ele com um ar de deboche. Falando em deboche, a Cristin também estava lá, mas bem mais perto do Caipira que eu imaginava, posso dizer que estava com certo tipo de ciúmes, mas não era algo alarmante. Depois de todos beberem um pouco, já estávamos rindo alto e contando histórias das nossas vidas. Contei de alguns casos que eu tinha feito, mas nada que me denunciasse. O Velho também deu uma de malandro, e quis superar as minhas narrativas com experiências de vida dele. Todos achavam que era uma farsa gigantesca, mas ele sempre mostrava uma cicatriz para mostrar a veracidade de suas palavras. Em suma, foi uma noite muito calorosa. Depois de tudo isso, tive de limpar a bagunça. Eles estavam bêbados, mas eu não. Então quem fica sóbrio, paga o pato. Essa era a regra. “Tudo bem”, pensei comigo. “Eles estão ruins demais para vim ajudar, e eu estou morrendo de sono também.”. Logo após eu pensar isso, veio uma leve brisa atrás da minha crina, e que acompanhava uma palavra bem estranha: “De quem é a culpa se não for sua?”. Isso deu um arrepio tão grande em mim, que parecia que eu tinha visto um fantasma. Depois desse incidente sinistro minha visão ficou negra. TOTALMENTE negra. Mas parece que dentro daquela escuridão eu conseguia ver dois olhos. Olhos vermelhos como sangue e que pareciam que clamavam por uma coisa muito mais séria do que somente atenção. Eles emitiam um som estranho. Era como um chamado, mas bem confuso quase indecifrável. Os olhos chegavam mais perto, e aquela voz perturbadora aumentava a cada passo que aquele suposto pônei dava. Pensei que fosse algo que tinham colocado na minha bebida, mas espera... Eu não bebi! Era mesmo real! Uma aparição? Um espírito? Poderia ser tudo, mas poderia ser não ser nada. Era uma coisa surreal. Tudo naquela ilusão era surreal! Eu tentava dizer algumas palavras, mas minha voz não saia. E aquele som ensurdecedor não parava... Os olhos pararam. Olharam-me profundamente e me disse: “Tu és aquele que vai mandar a minha mensagem. Diga a eles que essa não a vossa terra. É MINHA!” Após um grito que congelou a minha alma, escutei bem ao fundo o Velho dizendo... A-cor... A-corda... Acorda!

–O que aconteceu com você meu jovem? Quem disse que essa terra não é dele? Diga-me!-

–Calma, Velho! Vamos deixar o garoto se explicar! – O Nazista foi compreensivo comigo àquela hora. Afinal foi ele que me achou semi-desmaiado falando coisas sem nexo.

–Cala a boca Nazi! Você só achou o moleque porque estava com uma puta de trás da vã!- O Velho retrucou...

Acordei suavemente aos braços do chão. Sim, ninguém me socorrera naquele estado.

–Humm. Minha cabeça... O que aconteceu? Onde estou?- De fato eu não tinha a menor ideia de onde eu estava, ou com quem eu estava.

–Você desmaiou. Isso que aconteceu. Agora nos diga: O que aconteceu? – Contei toda a história que vi. Mas eles não acreditaram muito. Eu debati com eles, mas assim como eu num primeiro momento, acharam que eu bebi escondido. Não foi isso que aconteceu, tenho certeza.

–Ok, ok. Vamos embora daqui. Temos que chegar em Hoofway City, encomendei umas armas legais para vocês!- Disse o Velho.

Antes de entrar na vã, veio um pequeno ressentimento do que havia sentido noite passada, mas logo se foi. Retornou quando vi... Na moita daquela assombrosa floresta, os mesmos olhos vermelhos que me perseguiram naquele horrível “delírio”.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.