Notas iniciais
Espero que gostem ^^

O sol que invadia meu quarto na manhã de domingo cegava meus olhos, estava ficando tarde, eu precisava dormir. Mesmo que o sol não nos transforme em cinzas, ele causa um certo desconforto, e se ficarmos expostos demais nos deixa com queimaduras bem sérias. Mesmo depois de 400 anos nunca me acostumei com a forma que vivemos, tendo que dormir durante o dia, e “viver” na noite. Não que eu esteja reclamando, a vida como vampiro não é tão ruim quanto os livros dos humanos contam, ainda mais no século xx, onde os humanos já acabaram com a matança de sua própria raça.

Nunca entendi por que eles fazem tantas guerras, nós precisamos deles vivos para nos alimentar, se não nós já teríamos dizimado eles da face da terra, mas o sangue de animais não é tão delicioso quanto o dos humanos.

Preciso falar para um dos serviçais colocarem mais cortinas aqui, o sol da Itália no verão é uma tortura. Levanto-me e tiro o vestido com que estava na reunião da noite passada, coloco minha camisola de seda vermelha sangue e por cima o meu roupão, também de seda vermelha. Solto meus cabelos e deixo-os caírem sobre meus ombros em cascatas. Saio do quarto e no corredor me deparo com vários quadros, estatuas e armaduras, o tipo de coisa que só se tem em castelo, que no caso, é onde estou. No fim dele vejo uns dos homens que servem no castelo, ele é alto, forte, pele morena e olhos negros como a noite.

— Abraham, está ocupado?

— Para a senhorita, nunca.

— Ótimo preciso que mande alguém trocar as cortinas do meu quarto, aquelas não impedem com eficiência que o sol não entre.

— Imediatamente, minha senhora. Algo mais?

— Estou com fome, sabe me dizer se tem alguma coisa no refeitório?

— Da ultima vez que vi só tinha duas garotas, mas posso fazer algo se você preferir. – ele falou com um tom provocante, mas não iria lhe dar esse prazer.

— Não precisa, só quero que faça o que já lhe pedi. Passar bem.

Dobrei a esquerda no corredor, o refeitório fica no andar mais baixo do castelo, as refeições são proibidas de virem ao andar de cima sem estarem acompanhadas. Aqui moram muitos iguais a mim, e como o castelo é afastado da cidade procuramos manter nossa comida perto da gente, assim não temos que ir tão longe para comer, a não ser que queiramos algo diferente. Desço as escadas, passo pelo hall que, mesmo estando amanhecendo, está movimentado. Vou até uma porta que fica um pouco escondida atrás da escada, entro e sigo escada abaixo. Aqui é mais quente do que o esperado, é todo de uma cor suave e algumas velas iluminando, a um ambiente bem amplo com vários sofás e mais a frente um corredor cheio de quartos, que são onde dormem as mulheres e homens mortais que moram aqui, no castelo. Em um dos sofás está sentada uma mulher, loira, alta, olhos castanhos, um belo corpo, e nenhuma marca em seu pescoço, ela vestia um vestido preto, curto e com mangas longas. Seu nome era Ella, já havia visto-a acompanhada de meu pai, é assim que se chama o vampiro que nos transforma, ele é o mais poderoso aqui, e sempre escolhe as melhores para si. Sentei-me ao seu lado, ela levantou seus olhos para mim e disse:

— No que posso lhe ajudar? – todos adoravam me ajudar.

— Sinto fome. – sussurrei enquanto me aproximava de seu pescoço, a senti se arrepiando com a minha aproximação.

Ela fez um leve movimento com a cabeça em afirmação, era tudo o que precisava para morder seu pescoço, assim liberando o tão desejado liquido que percorria suas veias. O sabor doce tomou conta de minha boca, e o prazer que invadiu todo o meu corpo me deixando excitada e sedenta por mais. Os gemidos que escapavam da boca da garota denunciava que isto estava sendo quase tão bom para ela quanto para mim, já que a mordida de um vampiro libera uma alta quantidade de endorfina no corpo, fazendo com que a presa sinta um enorme prazer em vez de uma dor alucinante.

Parei antes que matasse ela, estava inconsciente, mas era o efeito da mordido, deitei-a no sofá e me levantei para ir embora. Em frente do sofá estava um espelho de corpo inteiro, olhei meu reflexo com admiração, minha boca ainda suja com o sangue de Ella, meus cabelo castanho um pouco bagunçado, eu diria que estava irresistível.

Cheguei ao meu quarto e notei que as cortinas haviam sido trocadas com pedi, agora eram de tecidos negros e pesados, quero ver o sol entrar agora. Estava tirando meu roupão para me deitar e finalmente dormir quando escuto alguém andando no corredor, sei que é alguém vindo até mim, então me levanto e abro a porta antes de Samuel batê-la.

— O que aconteceu, Samuel? – pergunto antes de qualquer coisa.

Samuel é o bruxo vidente do castelo e, por conseqüência, também é de meu pai. Samuel é um homem de idade, seus cabelos já começaram a clarear ficando quase da cor de sua pele, mas seus olhos continuam claros desde a época que nos conhecemos, há 30 anos atrás.

— Eu vi algo, mas não posso lhe contar aqui. – seus lábios não se moveram, as palavras que escutei saíram de sua mente, não de sua boca. Embora vampiros tenham grande poder sobre a mente, não são todos que podem lê-la.

— Vou vestir meu capuz, me encontre na campina, chego lá em um segundo.

Todos os vampiros têm um capuz negro, para o caso de precisarmos sair na luz do sol, espero que no próximo século inventem algum tipo de creme para usarmos, não vou poder passar toda a eternidade usando capuz. Saí facilmente do castelo sem sequer ser notada, cheguei à campina antes mesmo que Samuel, por conta das arvores e de suas sombras o sol estava suportável. Sam chegou todo suado, ele se apressou para chegar aqui.

— Cheguei antes de você, meu caro. – falei como uma brincadeirinha, mas ele não sorriu.

— O que vi foi algo sério, Katherine.

— Então diga logo.

— Eu vi você matando o Conde Drácula.

Ele falou com horror, e eu pude ver na sua mente exatamente o que ele viu. Eu, matando meu próprio pai.

Notas finais
Primeira fic sobrenatural que fiz ^^'
O que acharam? Continuo?