The Ups And The Downs About Love
8 Capítulo 8 - A loucura é como a gravidade.
-Como é que é? – Disse Dick, arregalando os olhos.
-Ben Grayson, isso mesmo. Você o conhece? Sinto muito pela sua perda. O que você é dele? – Perguntou o policial, com a feição preocupada.
Dick não conseguiu falar. Ele me abraçou e começou a chorar. Um abraço apertado e cheio de soluços.
- Ele...ele é irmão do Ben. – Disse Nick, passando a mão no ombro de Dick para confortá-lo.
- Bom, então você pode entrar para reconhecer o corpo, se quiser. Ou vai outra pessoa. – Disse o policial, com uma feição mais preocupada ainda.
-Ela...ela pode vir comigo? – Disse Dick, se soltando de meus braços e apontando para mim.
- Claro. Sigam-me, por favor.
Ultrapassamos a linha amarela, escrita “Crime Scene – Do not Cross”. Passamos algumas barras de ferro e madeira, e encontramos a seguinte cena: um corpo no chão, coberto por uma lona branca; Hanna sentada em uma van de bombeiros conversando com policiais; peritos conversando com o gerente do parque e funcionários e outros analisando o carrinho. Dick olhou para o corpo e logo após olhou para Hanna. Ela parecia chocada, mas não estava chorando. Não tinha sequer um arranhão.
- Me diz como isso é possível!? – Disse para um perito, olhando Dick ser acompanhado por um legista para identificar o corpo.
- O lado dela ficou preso. Depois do acidente, ela não conseguiu sair. O lado dele soltou. Ou alguém liberou a abertura de uma trave ou soltaram algum parafuso. Estamos trabalhando aqui ainda e parece que vamos ficar aqui por um bom tempo. Tudo indica sabotagem. – Disse o perito Grissom, apontando para a montanha russa enquanto explicava e coçando a barba espessa.
- Eu acho o trabalho de vocês impressionante. – Disse, olhando para Dick ajoelhado. – Com licença.
Andei até Dick. Ele estava com uma mão no rosto e a outra segurando a mão arranhada de Ben, que escapou na lona.
- Vai ficar tudo bem Dick. Eu vou ficar com você. Você vai contar com a nossa ajuda e o nosso apoio. Fique calmo. Ok? Olha, vamos sair daqui. Vamos para o hotel. O perito disse que qualquer coisa podemos ligar para ele. Ele vai nos colocar a par da investigação. – Disse, levantando-o e saindo da cena do crime.
Quando chegamos onde os polícias ainda estavam, junto de Nick e Marie, deixei Dick com eles e pedi para voltar para falar com Hanna. Desta vez ela ainda estava sentada na van de bombeiros tomando algo que parecia café. Nunca vi Hanna tomar café.
- O que aconteceu lá em cima Hanna? – Perguntei a ela, enquanto ela mirava o corpo de Ben coberto com a lona.
- Carrinho 14, botão da direita. Carrinho 14, botão da direita. – Repetiu Hanna, muitas vezes.
- Do que você está falando? Você me ouviu Hanna? – Disse, franzindo a testa.
- Ele teve o que merecia. Ela prometeu. Ela nos seguiu. Ela me ligou. Nós fomos e...carrinho 14, botão da direita. Atingir Dick. Matar Selina. Carrinho 14, botão da direita. – Repetiu Hanna.
- Hanna, o que aconteceu? Me matar? Foi você ou foi... – Parei de falar por um instante. A imprensa chegara.
- POSSO FICAR EM PAZ AGORA? – Gritou Hanna, atacando seu café no chão e deitando. Ela começou a se contorcer. Estava tendo uma convulsão.
Me afastei imediatamente. O perito com quem tinha falado há alguns minutos, Gilbert Grissom, me deu um cartão com o número de celular e telefone do laboratório em que trabalhava e pediu gentilmente para que me retirasse.
- Ela teve uma convulsão. Ela está louca, gente. Provavelmente ela vai ser encaminhada para um hospital e depois para um hospício, não duvido nada. – Disse para Marie e Nick que estavam sentados em um banco consolando Dick.
-Se eu encontrar a Harley, eu mato ela. – Disse Dick, com a voz rouca.
- Que pena... Tanta beleza e ela usa isso para o mal? – Disse Nick, passando a mal no ombro do Dick.
- Você não vai se vingar com as próprias mãos Dick! – Disse, com a cara assustada. – E como...como sabe que foi a Harley? Os peritos não acabaram com a investigação ainda. Fica calmo. Vamos pro hotel, tudo bem?
- Eu quero falar com a minha mãe primeiro. Vai comigo Selly, por favor. – Disse Dick, ainda rouco.
- Claro. Olha, vocês dois voltam de trem ou táxi, vocês se decidem. Eu vou com Dick de táxi para a casa da mãe dele, pegamos umas roupas e talvez a Sra. Grayson irá ficar conosco por alguns dias, então eu te ligo, Marie, e peço para arrumar o quarto próximo ao de Dick. Avise a Sammy e o Jason. Vamos, Dick. – Disse, passando algumas notas de dinheiro para Marie.
No táxi, ele não falou nenhuma palavra. Só apoiou sua cabeça em meu ombro e chorou por alguns minutos. Chegamos à casa da Sra. Grayson. Ele já havia parado de chorar, mas seus olhos estavam vermelhos. Era um sobrado, paredes azul-claras. Dick tocou a campainha. A Sra. Grayson atendeu, estava com um lenço de pano em uma das mãos. Quando o viu, abraçou-o bem forte e começou a chorar baixinho, murmurando coisas no ouvido de Dick. Logo depois ela me abraçou, ainda chorando, agradecendo por ter levado-o em casa em segurança. Quando chegamos à sala, avistamos 2 policiais. Um era o perito Grissom e o outro parecia ser o chefe. Avisei a Sra. Grayson que Dick iria continuar no hotel, e que ela, se quisesse, poderia ir junto para não ficar sozinha. O policial chefe, que se apresentou como DB Russel, disse que era uma boa ideia. Falei para Dick ajudar sua mãe a pegar as coisas e também colocar na mochila algumas roupas limpas para ele. Sentei no sofá e fiquei encarando os dois policiais.
-Hum...eu...eu gostaria de falar uma coisa que aconteceu antes de tudo. Acho que como peritos, vocês precisam saber. – Disse, meio constrangida.
- Pode falar Selina. – Disse DB Russel, simpático.
- Bom, nós estávamos indo para o parque e Hanna falou comigo a sós. Ela disse que eu a estava tratando mal e que algo ruim iria acontecer se isso continuasse. Mas eu não estava tratando ela mal. Ben a levou porque queria que nós fizéssemos as pazes. E isso não seria possível, pois ela me sequestrou á algumas semanas junto com a amiga do mal Harley.
- Harley? Quem é essa Harley? – Perguntou Grissom, com o tom de voz desconfiado.
- Ela é uma menina louca, louca de verdade. Ela já foi parar no hospício, mas pagou para tirarem ela de lá com ficha limpa. Eu não sei onde ela mora. Hanna me disse “Ela prometeu. Ela nos seguiu. Ela me ligou.” Todos achamos que foi a Harley. Se puderem verificar, por favor, me mantem informada.
- Muito obrigado, nós vamos investigar isso. Nós ligaremos. Foi muito legal da sua parte oferecer o hotel para ela, Selina. Muito mesmo. Pelo menos vão estar em segurança. Você já pensou em ser perita? – Disse Russel, piscando para mim. Grissom sorriu, como se aquilo era um deja-vu.
- A minha vida inteira. – Disse, sorrindo.
- Talvez podemos te ajudar. Mas não agora. Agora temos... Bom, você saber, muita coisa a pesquisar e investigar. Nós vamos nos retirar. Agradeça a Sra. Natalie por nós, okay? – Disse Grissom, andando em direção à porta.
- Muito obrigada por tudo. Qualquer informação que precisarem , podem me ligar. – Disse para os dois policiais e fechando a porta.
Liguei para Marie. Pegamos tudo que precisávamos, chamei outro táxi e fomos para o hotel. Os dois já haviam parado de chorar e estavam abraçados. Chegamos ao apartamento e conduzimos a Sra. Grayson para seu novo quarto. A cama já estava arrumada para ela dormir. Ela agradeceu, tomou um banho rápido e caiu no sono. Procurei Dick por toda parte do apartamento. Primeiro pensei que ele estava no lugar onde Ben dormia, onde ainda deixara algumas fotos. Uma fotografia estava faltando na cabeceira ao lado da cama. Só havia um lugar onde Dick poderia estar junto com a fotografia do irmão. No terraço.
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