The Union Game - Interativa
14 Extremidades, por Murilo Rodriguez (+ Kim F.)
Notas iniciais
Já fazia alguns minutos que eu estava circulando por aquele Campo novo, que até o momento eu não conhecia e, para o meu conhecimento, ele estava um pouco fora dos padrões normais de lugares reais. Era uma faixa grande, porém, definida, ou seja, eu conseguia ver suas extensões e términos. Era totalmente programada. Havia a parte com neve, seguida por uma área desértica, que terminava quando uma cachoeira com uma pequena floresta começava. Eu estava na parte de neve, sentindo um frio imenso, pude perceber que Spyke também tremia de frio. Ambos saímos correndo prontamente para a parte da cachoeira, que provavelmente era a área mais fresca daquele Campo. Passar pelo deserto não foi nada fácil, uma vez que a temperatura lá era super elevada, os pés esquentavam muito e correr por aquela areia fina, não foi nada fácil.
Com muito trabalho acabamos chegando à cachoeira, onde me joguei imediatamente na água refrescante. Spyke sentou-se numa pedra à beira da cachoeira e se recusava a entrar na água para se refrescar. Sorrateiramente, me aproximei dele e o puxei para dentro da água. Era visível que ele havia ficado irritado, mas eu, particularmente, não ligava.
– Spyke, um banho fará bem para você. Estás um pouco fedido! – comentei para o meu gato, que ainda se tremia enquanto saía da água, não era à-toa que há os comentários que gatos não gostam de água. Resolvi me retirar da água também, dando-me por conta que estava sem suprimento algum, porém, a fome chegou logo que esse pensamento me ocorreu.
Spyke miou baixinho, desviando minha atenção para ele, que prontamente, lançou um olhar em direção à área com neve, onde pude perceber que surgiam mais dois competidores. Só podia ser brincadeira! Logo agora que eu estava em paz, podendo recompor um pouco minhas energias, surgem dois para me preocupar. Ava e Caio estranharam aquele Campo da mesma forma que eu, e eu sabia que eles fariam a mesma coisa que eu: vir para a cachoeira. Peguei Spyke rapidamente no colo e corri em direção às árvores, para me esconder enquanto pensava em alguma coisa.
Ava e Caio, acompanhado de Lupus e Chooper vieram em direção á água, porém, não se jogaram nela como eu fiz. Eu subi em uma das maiores árvores, com a intenção de me proteger. Os dois possuíam uma, duas mochilas no máximo com eles. Bom, pelo menos eles tinham algo... Os dois permaneceram na sombra por bastante tempo e eu já havia tentado todas as posições possíveis para me sentir confortável sobre a árvore. Spyke permanecia em silêncio, um pouco por estar zangado comigo, outra parte por estar com medo do que poderia acontecer se eles nos descobrissem.
– Ava, vou dar uma volta por essas árvores – comentou Caio, levantando-se –, sabe-se lá o que podemos encontrar nesse Campo louco.
– Quer que eu vá junto? – ela questionou.
– Só se você quiser ir... – ele afirmou, olhando nos olhos dela. Me parecia que eles não eram apenas aliados, talvez tenha acontecido algo que eu não saiba.
– Não quero ficar aqui sozinha com Lupus – Ava disse, levantando-se também –, vai que aparece alguém. Do jeito que a Dulce é maníaca, não duvido que daqui a alguns minutos ela arranje um jeito de vir pra cá.
– É verdade – Caio sorria carinhosamente para Ava, se aproximou dela e a beijou na testa, em seguida lhe deu um selinho. Chooper estava nos ombros de Caio e Lupus, ao chão, sentado, olhando os dois. – Eu estarei aqui para te proteger. Venha comigo.
Ava se inclinou para recolher a mochila, desejando leva-las consigo.
– Deixe aí, já voltamos – Caio falou e Ava assentindo, deu a mão para Caio e ambos foram explorar o local.
Era a minha chance, eu precisava conferir se havia algo dentro das mochilas que pudessem satisfazer minhas necessidades momentâneas. Acho arriscado. Spyke me falava em pensamento, mas minha fome era maior do que a opinião do meu daemon. Desci rapidamente a árvore e fui em direção as mochilas dos meus rivais. Em uma delas havia algumas barras de cereais, que eu prontamente abri para saboreá-las. Havia também um tipo de pasta, no qual o cheiro era de goiabada, resolvi come-la também. Joguei alguns pedaços das barras de cereais para meu gato, que não se recusou a comer.
Ouvi a voz dos dois voltando e pela proximidade, eu não teria tempo para voltar ao meu esconderijo. Procurei em volta alguma pedra maior, onde eu pudesse me abaixar para eles não me localizarem. Havia uma a cerca de uns dez metros e eu corri rapidamente para trás dela.
– Acho que é só isso mesmo – Ava mencionou. – Neve, deserto e mata.
– Realmente, só isso! – Caio respondeu, focando no “só isso”. – É bem comum encontrar esses três tipos de lugares assim, um do lado do outro.
– Você entendeu o que eu quis dizer, bobo! – Eles se aproximavam cada vez mais das mochilas, o esquilo estava no ombro de Caio e o lobo veio correndo na frente e então, eu percebi meu erro.
– Alguém esteve aqui! – Caio falou.
– Como?
– É, enquanto fomos olhar o lugar, alguém esteve aqui – ele respondeu, apontando para as embalagens prateadas das barras de cereais que deixei ao chão. – Fique atenta Ava, não temos ideia de quem possa ser, embora eu ache muito provável que seja o Murilo.
– Murilo? – ela questionou, parecia bastante preocupada com a situação, não conseguia raciocinar com lógica.
– Sim, ele foi o único a conseguir passar por aquele portal, lembra? – Caio respondeu.
– Sim... – ela se limitou a dizer. Lupus, no mesmo instante começou a farejar a procura de alguém que estivesse pelas redondezas, nesse caso: eu.
Preocupação tomou conta de mim, meu gato talvez não tivesse chances alguma conta o esquilo, ainda mais contra aquele lobo. Eu precisava arrumar um jeito de sair daquele lugar. E foi então que vi a “luz no fim do túnel”, ou melhor, vi um portal na horizontal, sobre a água da cachoeira, ou seja, se eu quisesse passar por ele, teria que subir na pedra que eu estava escondido, pegar impulso e pular nele. Eu precisava ser rápido e pegar impulso suficiente para conseguir alcança-lo, uma vez que ele não estava tão próximo de mim.
– Temos que tentar – Spyke sussurou em minha mente.
– Estou com medo – disse a ele.
– Mas você sabe que é a nossa única chance – ele relembrou.
– Tudo bem. Vou esperar o momento certo e iremos – afirmei.
Ele se calou e se aninhou próximo de mim, e esperamos o momento certo para ir. Ava e Caio se afastaram um pouco da cachoeira, seguindo Lupus que se aproximava da árvore onde eu estivera antes. Era o momento! Levantei-me e subi rapidamente na pedra que me escondia, com certa dificuldade, pois ela estava um tanto quanto escorregadia. Spyke se agarrava em mim, me arranhando.
Quando cheguei ao topo da pedra percebi que Caio me olhava e escutei ele gritar, revelando minha posição para a menina. No mesmo instante eu sabia que eles viriam correndo para me pegar e eu teria que acertar aquele portal. Ava e Caio não eram pessoas ruins, eu tinha consciência daquilo, porém, estávamos em um momento do jogo onde quem não era aliado, era inimigo e tinha de ser eliminado.
Peguei impulso e me joguei para dentro da cachoeira. Literalmente. Não sei se errei o portal ou se ele desaparecera (ou a produção o retirou). Mas, de qualquer forma, eu estava encrencado. Tentei ser o mais ágil possível para sair da água, pois, sabia que meus movimentos se reduziam ali. Mas eles foram mais ágeis. Os dois entraram na água, Caio tentava me imobilizar com a ajuda de sua companheira, eu me debatia para tentar dificultar o trabalho dos dois. Vi Skype pulando para cima de Chooper, na tentativa de prejudicar o daemon e consequentemente, Caio. Saímos da água, os três agarrados. Lupus corria de um lado para outro, não tentava abocanhar spyke, pois, esteve estava agarrado em Chooper e ele poderia acertar o seu aliado.
Eu sabia que acertar Ava deixaria Caio mais irritado e talvez, mais abalado. Acertei dois socos no rosto da garota e, logo em seguida, um chute em seu estômago, que a fez cair no chão e ficar daquele jeito. Agora éramos um contra um. Caio era muito mais forte do que eu, mas eu não iria me render. Caio pulou em cima de mim e me derrubou no chão, eu colocava minhas mãos em seu rosto, puxando-lhe a boca, os cabelos, colocando os dedos em seus olhos. O garoto me lançava socos no rosto e estômago. De canto de olho vi Ava se levantar com dificuldade e pegar algo dentro da mochila. Caio me acertou outro soco na cabeça e eu acabei desmaiando.
Quando acordei, estava amarrado em uma árvore, em pé, sem conseguir me mexer. Spyke estava trancado num tipo de gaiola improvisada, que os dois fizeram com gravetos. Percebi que Caio possuía um forte arranhão no rosto. Belo arranhão, Spyke. Falei em pensamento para meu gato, que não me respondeu.
– Está na hora, Caio, acabemos logo com isso – Ava falou para seu colega.
– Tudo bem!
Caio então, abaixou-se e pegou algo que eu só consegui distinguir quando ele voltou a se levantar. Era um machadinho, que ele segurava fortemente em suas mãos.
– Desculpa cara – Caio falou e em seguida, o machado feio em direção a minha cabeça.
x – x – x – x – x- x – x – x – x
Ver a morte de Rafael não fez bem pra mim. Nada mais fazia sentido, nada mais importava. Eu não tinha motivos para continuar na competição. Porque viver na Central se eu não o teria por perto, se não teria seu carinho, se não teria o meu companheiro, o amor da minha vida? Eu tinha esperanças que nós dois saíssemos com vida desse jogo imundo. Mas agora era impossível, ele desaparecera, Lumina também se fora. As montanhas que ele tentara me fazer subir antes, agora se abaixavam, ficando a menos de trinta centímetros do chão. Era incrível como esse jogo era manipulado, a produção ajudava os membros quando bem desejava, e dificultava visando o conflito. Semp sabia exatamente o que eu pretendia fazer e ele discordava totalmente de mim. Levantei-me com dificuldade e subi aquele degrau que antes era uma parede que impedia nosso caminho. Semp me acompanhava. Dei alguns passos e logo percebi que era finito o espaço que eu podia percorrer. Olhei para baixo e vi, distante, o chão. O precipício era bastante alto e aquele era o fim de Kimberlli Eileen Finnigan. Semp não iria comigo por vontade própria e eu achei justo não insistir. Abracei-o fortemente e em seguida coloquei-o no chão. Eu te amo, Semp. Disse em pensamento enquanto lágrimas percorriam pelo meu rosto. Fechei meus olhos e me joguei naquele abismo. Vi Semp sendo puxado pela força que existia entre nós. Enquanto caía, vi que ele se agarrava na extremidade da montanha, usando suas garras para se fixar e não cair, até que o limite de separação entre nós o impediu de perseverar, e mais outra vez, meu daemon estava junto de mim, despencando.
Notas finais
Espero que gostem e, não me matem x.x
Até o próximo - e provavelmente último - capítulo.
Fale com o autor