The Unforgiving sv

1 Mais rápido


Notas iniciais
Faster!

Eu me lembro de quando a cidade era cheia, de quando compartilhavam a sopa de legumes com ervilhas e uma baguete aos domingos e o bairro pobre cercado de um governo corrupto. Apesar disso o povo era feliz, todos tinham uma amizade grande com cada um do bairro e protegiam uns aos outros como se fossem seus filhos, afinal eramos uma família com opiniões e gostos diferentes o amor pelo povo e o ódio pelo governo. O governo era diferente de qualquer outro, apenas foi feito por um grupo de pessoas com armas que dominou a cidade e todos, se é que poderia chamar aquilo de governo, era apenas caras armados querendo mandar em um lugar sem lei, porem graças a Deus respeitada. A cidade era como um lugar abandonado que cada um se virava sozinho mantendo sua casa e sua família, parecia mais esquecida que Chernobyl, pior que ficaria mais parecida.

~~

Era segunda, a lua brilhava através da janela aberta e as nuvens cinzas dava sensação que iria chover, minha mãe entrou no quarto e me entregou um punhado de arroz com amendoim e um copo com água, ela me deu um beijo na testa e saiu do cômodo. Assim que eu terminei agradeci pela comida, apaguei a luz, tirei meus sapatos, deitei na cama e cai no sono. Minha mãe entrou no quarto escuro e recolheu o prato, ela passou pela soleira e esqueceu a porta aberta. Um vento forte entrou pela janela fazendo a porta bater, o barulho foi tão alto que me fez acordar assustada, olhei no meu rádio despertador era 4:30. O vento frio me fez percebe que larguei a janela aberta, estava chovendo e havia um clarão amarelo por traz das árvores do parque, uma hora dessas o sol ia fraco, não poderia ser ele. Fechei a janela e voltei a dormir.

Assim que amanheceu meu rádio relógio tocou e acordei, era outro dia, minha rotina era simples, eu ajudava minha mãe em casa e brincava com minhas amiga. Como de costume coloquei na estação onde passava as noticias diárias da nossa cidade e ouvia enquanto trocava de roupa.

"O governo pede que se mudem de cidade, deixe-a abandonada o mais rápido possível, a cidade deve ser isolada antes do meio-dia. Sem mais informações."

Por que o governo pediria isso? Eu me perguntava. Acabei de me trocar e fui para a cozinha onde minha mãe preparava o almoço.

- Filha, vá pegar o jornal e as latas de leite por favor.

Fui até a porta e peguei o jornal, e para minha surpresa, tinha cinco latas de leite uma cesta de pães e frutas. Eu entrei pela porta quase derrubando tudo, a cesta e o caixote eram muito pesados pra mim. Todo começo do mês o governo manda apenas duas latas de leite.

- De onde você tirou tudo isso, Brice?!

- Estava na porta mamãe, olhá, tem um bilhetinho.

Eu entreguei o bilhete para minha mãe, ela leu em voz alta, nele dizia que para entender o motivo precisava ler o jornal. Ela pegou o jornal e leu em voz alta.

- 1. de Julho de 2023. O governo esta pedindo para que a cidade seja abandonada antes do meio-dia, a cesta e o caixote de leite sustentara vocês por algumas semanas na viajem, e até que possam achar um emprego na nova cidade, o transporte sera em um novo trem confortável instalado pelo governo, embarque nele antes do meio-dia . O motivo é a suspeita de alta radiação nuclear. Isso é um aviso!. — Minha mãe terminou de ler.

- Só isso? Onde esta o local do trem? Como vamos chegar?

- A gente se vira Brice, agora vá arrumar suas malas rápido. Não da pra explicar, você só tem 9 anos, não entenderia.

- Eu acho que estavam falando sobre isso na rádio hoje.

- E por que não me avisou?! — Minha mãe estava começando a ficar brava — Da próxima vez que você ouvir algo assim é pra me avisar ou...

- Mamãe, Kevin esta chorando... — Eu interrompi minha mãe, ela foi ver meu irmão e gritou para que eu arrumasse minha mala. — Obrigada Kevin. — Sussurrei.

Coloquei minhas roupas, alguns brinquedos, meu porquinho de pelúcia e os necessários, como cobertores e toalhas.

Faltava meia hora para tarde. Terminei de arrumar minha mala e fui pra sala, minha mãe chega logo em seguida com a mala e uma bolsa com as coisas de Kevin.

-Mamãe, e Connor?

-Eu não sei filha... — Minha mãe disse num tom triste.

Fomos procurar o tal trem, o bairro estava com placas para qual direção ir, a multidão andando e era só se enfiar no meio. Eu olhei pra traz e vi Antônio despreocupado sentado, lendo jornais antigos. Pedi para minha mãe esperar um pouco e fui em direção à janela da casa dele, onde podia ver a sala.

- Tônio, você não vem?! Não leu o jornal de hoje?

- Blah! É uma baboseira isso. Não acredito nesse governo.

- Venha, por favor.

- Desculpa Brice, eles só querem acabar com a cidade inventando mentiras! Não vê como são traiçoeiros? Eu não abandono aqui por nada.

- Venha logo filha, estamos atrasadas. — Gritou minha mãe.

Deixei Antônio em paz, o tempo era curto, entramos na multidão e caminhamos até o trem. Assim que chegamos um homem alto entregou uma pulseira vermelha escrito "Aégis" o nome da nossa cidade, e uma numeração, provavelmente um tipo de "identificação". O trem era realmente maravilhoso, um quarto para as crianças com brinquedos, e camas, eu dormia com minhas amigas, e minha mãe em um quarto com outras mães e pais com filhos de 4 anos abaixo, o povoado todo reunido com falta de alguns, inclusive Antônio, ele não sabe o que esta perdendo! Gostaria de saber se ainda teria nossa sopa de legumes com ervilhas e uma baguete distribuída a todos aos domingos, eu estava feliz mas ao mesmo tempo com medo. Dois dias de viagem naquele vagão e uma paisagem linda.

Era realmente incrível. Sentirei saudades de lá.

Adeus papai.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.