The Undercover
9 Chapter 8
Notas iniciais
– Acho que hoje nós começamos oficialmente, afinal, vamos jantar com os vizinhos – Skye comentou no café da manhã, depois de comer meio prato de ovos com bacon.
– Eu tenho que fazer um doce – May constatou com um gemido irritado. Não estava com a menor vontade de cozinhar.
– Se você quiser eu faço – Coulson sugeriu e um sorriso iluminou o rosto da chinesa.
– Acho ótimo, você cozinha e eu aproveito o sol – respondeu e mordeu mais um pedaço de pão doce.
– Eu acompanho – Skye acrescentou animada e as duas trocaram um olhar cúmplice – Vou me trocar – declarou e saiu quase correndo da cozinha.
– Não sei se gosto ou odeio essa relação de vocês – ele reclamou e ela sorriu.
– Acho melhor gostar, porque senão vai sobrar pra você – May respondeu e deu uma piscadela – Vou trocar de roupa – e saiu da cozinha logo em seguida.
As duas voltaram quase meia hora depois, prontas para a piscina.
– Tudo isso pra entrar na piscina do quintal? – Coulson perguntou incrédulo, pois as duas pareciam vestidas em grife.
– Não vejo nada demais com a minha roupa – May respondeu e ela olhou incrédulo. Ela usava um biquíni que deixava muita pele exposta e muito a imaginar.
– Espero que os vizinhos também não vejam – disse carrancudo e as duas reviraram os olhos e foram para o quintal. Skye esticou-se em uma espreguiçadeira, e ajeitou os óculos escuros no rosto. May abriu mão de seu óculos em cima de uma das espreguiçadeiras e deu um mergulho elegante. Coulson observava de longe, e ao ver a chinesa submergir, sorriu um pouco bobo e novamente em menos de dois dias, foi levado por uma memória.
Tailândia, 1991
Estavam no topo de uma pedra, há mais de 8 metros da água e riam como dois loucos. Passava das 2:30 da manhã, e desde da hora que haviam começada seu piquenique, aproximadamente 22:00, já haviam bebido mais de duas caixas de cerveja.
– Ai droga Melinda, isso é uma ideia tão estúpida – Phil disse nervosamente, sem conter o riso.
– É por isso que nós precisamos fazer – ela respondeu e tirou seu vestido – Vamos logo Phil – pediu e começou a tirar sua roupa íntima, e em seguida, arrumou-as em uma pilha. Depois de um momento de hesitação, ele seguiu seu exemplo, e empilhou suas roupas em cima da toalha de piquenique.
– Me dá a sua mão – pediu e ela sorriu, segurando a mão de seu parceiro com força, e caminhou com ele até a ponta do precipício – Nós vamos pular de uma pedra a 8 metros de altura na água, isso é loucura – gritou empolgada e ela riu sonoramente.
– No três – disse e começou a contar. Um, ele a olhou confiante, dois, eles deram um passo para frente e antes do três, correram e se jogaram. Foi uma queda rápida, e o vento frio era cortante, e ao baterem na água com força afundaram rapidamente. Olharam-se debaixo d’água e abraçaram-se antes de voltar a superfície.
– Nós fizemos – ele gritou novamente, apertando-a contra seu corpo.
– Nós fizemos – ela gritou em resposta e o beijou em seguida, arranhando sua nuca e gemendo seu nome em devoção.
Ele foi tirado de seu devaneio pelo barulho da chaleira fervendo, e concentrou-se em fazer o almoço, tentando não se distrair com o passado. Isso foi há muito tempo, nós não somos mais os mesmo, disse a mesmo antes de pegar um copo de água e beber como se sua vida e sanidade dependessem disso.
– Então, você e o Coulson – Skye disse sugestivamente colocando os pés na água.
– O que que tem? – May perguntou deitando-se na espreguiçadeira.
– Ah por favor, vocês estão fingindo que são casados há um dia, mas parecem casados há mais de 30 anos – a hacker respondeu como se fosse óbvio.
– Esse é o objetivo – disse simplesmente, mas a mais jovem não desistiu.
– O que já aconteceu entre vocês? – questionou curiosamente e recebeu um olhar zangado através as grandes lentes dos óculos escuros da chinesa.
– Nós somos amigos da vida toda, como FitzSimmons – explicou dando de ombros e a hacker revirou os olhos.
– Certo, eu vou fingir que acredito – reclamou irônicamente e jogou-se na piscina.
– Almoço está pronto – Phil gritou de dentro da cozinha uma hora depois, e as duas se secaram e dirigiram-se para o interior da casa – Temos salmão grelhado – disse orgulhoso e as duas exclamaram animadas.
– Adoro salmão – Skye comemorou e sentou em uma das cadeiras – Qual é o plano para hoje? – perguntou referindo-se ao jantar com os Nathan – Porque nós temos só uma parte da história inteira da família.
– Temos que inventar detalhes, tipo, que faculdade nós frequentamos, pra qual escola você foi, qual foi sua primeira palavra e coisas do tipo – Coulson respondeu quase imediatamente.
– Nós não precisamos inventar tudo, só adaptar algumas coisas – May completou e os três assentiram – Vamos trabalhar nisso depois do almoço, enquanto você faz a sobremesa – disse apontando para Coulson – Agora, salmão – e com isso, serviu os outros dois com generosas porções do peixe.
Depois do almoço, e depois de um merecido banho para as garotas, os três se reuniram novamente na cozinha. Skye trouxe seu laptop para pesquisas e May, um pequeno bloquinho de notas.
– Certo,vocês podem começar por onde e como vocês se conheceram – a hacker sugeriu, e os mais velhos se entreolharam.
– Na faculdade em 1981 – ele respondeu e recebeu um olhar da mais jovem que o incentivou a falar mais – Eu tinha 18 e ela tinha acabado de fazer 17.
– Ótimo, e que faculdade foi essa? – ela perguntou, tentando montar algo convincente.
– Harvard – May disse com convicção – Nós dois fazíamos Direito. Ele derrubou café em mim no primeiro dia. Eu gritei com ele por meia hora e ele me deu a camiseta dele.
– Uou, essa foi ótima May – Skye disse animada e não pôde deixar de se perguntar se aquela era a história real ou apenas uma invenção – Okay, próximo tópico...
– Vamos logo May, vamos nos atrasar – Phil chamou no pé da escada. Skye estava encostada na porta de saída, equilibrada em um salto alto e vestindo um vestido curto, e segurava uma bandeja com Clafoutis de cereja. Já o agente sênior usava uma camisa branca sem grava, e uma calça jeans, e tinha os óculos bem colocados em seu rosto.
– Já disse que já estou quase pronta – a chinesa gritou em resposta, e 10 minutos desceu, usando os saltos mais altos possíveis e uma combinação de uma blusa aberta nas costas e uma calça elegante que fez o queixo de Coulson arrastar no chão.Ela tinha o cabelo levantado em um rabo de cavalo lateral e usava joias maravilhosas.
– Acho que esperar vale a pena – ele flertou e ela revirou os olhos.
– Podemos ir? – Skye perguntou e os dois assentiram. Antes de sair, Coulson passou um braço ao redor da cintura de May e sorriu.
– Somos um casal querida – sussurrou e ela sorriu de volta, estreitando os olhos.
Os três caminharam em silêncio pela calçada que os levava à casa vizinha, e a mais jovem tocou a campainha assim que chegaram. Laura Nathan abriu a porta segundos depois.
– Como é bom ver vocês – ela disse ao vê-los e abraçou um a um – Entrem por favor – pediu abrindo espaço e os três passaram – Nossa, vocês estão absolutamente lindas – elogiou e as outras duas sorriram.
– Você que está maravilhosa – May disse sinceramente, afinal, ela realmente estava. Usava um vestido florido e ajustado, muito bonito e nos pés uma sapatilha clara.
– Você não sabe como sinto falta dos saltos, mas desde que tive o bebê o médico aconselhou que eu mantivesse os pés no chão – comentou animada guiando-os em direção a sala de estar, onde Richard brincava com as crianças.
– Eu daria tudo para poder dispensar os saltos – a chinesa respondeu e ambas riram. Coulson riu logo em seguida, pois era surreal ver Melinda May conversando sobre sapatos.
– Crianças, venham dar boa noite aos nossos vizinhos – Laura chamou e suas filhas levantaram-se do tapete e foram até as visitas.
– Sou Claire – a mais nova e ruiva disse e sorriu antes de estender a mão para que fosse cumprimentada. Quando todas a corresponderam ela se afastou e voltou a brincar.
– Eu sou Eleanor – a mais velha, de cabelos loiros e olhos verdes apresentou-se animada e sorriu. Apertou a mão de todos e juntou-se a irmã.
– Elas são lindas – May elogiou assim que Richard aproximou-se para cumprimentá-los.
– E muito educadas – Coulson complementou e apertou a mão do homem.
– Quem dera a nossa fosse assim – a chinesa brincou e Skye revirou os olhos. Todos riram no instante seguinte, e logo começaram a conversar de assuntos diversos.
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