Notas iniciais
Oi queridos, titia está aqui para um novo e triste e desesperador capítulo que eu chorei igual a uma condenada escrevendo. Perdão por mexer com os sentimentos de vocês (MUHAHAHAH, N ME ARREPENDO DE NADA). Boa leitura pra vocês

– Eu nunca, nunca mais saio pra fazer compras com vocês – May exclamou irritada ao entrar dentro de casa seguida apenas por Skye, e jogou os saltos que usava para o outro lado do cômodo. Carregavam dois grandes pacotes contendo os vestidos e uma sacola com os sapatos.

– Não foi tão ruim assim – a hacker defendeu-se.

– Não foi tão ruim assim? – a chinesa repetiu ironicamente a frase da “filha”. – Eu andei por 8 horas em um shopping de salto alto, passamos por 9 lojas e no fim das contas vocês voltaram na primeira loja porque o vestido certo estava lá – gritou e Skye espantou-se. Era a primeira vez que via Melinda alterar a voz.

– Boa noite garotas – Phil disse com um sorriso entrando na sala – Algum problema? – perguntou ao vez a expressão zangada da “esposa”.

– Pergunta pra sua filha, eu vou tomar banho – a chinesa respondeu dando de ombros e subiu as escadas pisando forte.

– Uau, o que acabou de acontecer aqui? – questionou confuso e olhou para Skye que sorria empolgada.

– Ela falou como se fosse minha mãe de verdade – comentou olhando-o com os olhos brilhando.

– Na verdade, eu queria saber o motivo do ódio dela, mas é bom saber que ela acha que realmente é sua mãe – disse com um sorriso.

– Tanto faz, ela ficou brava porque fizemos ela bater perna o dia todo sendo que ela encontrou o vestido na primeira loja e depois nós voltamos para lá porque nós também queríamos vestidos daquela loja – explicou e Phil fez uma careta.

– Ela odeia isso – comentou tristemente e Skye bufou.

– Ótimo. Eu estou cansada e vou me arrumar pra dormir. Boa noite chefe – desejou levantando-se, e a resposta de Phil aqueceu seu coração.

– Boa noite filhinha.



– Precisava daquele escândalo? – Coulson perguntou à May, invadindo o banheiro. Por sorte, Melinda estava esticada na banheira, completamente coberta de água e espuma, senão com certeza aquele seria o momento da morte de Phil.

– Não, eu assumo. Foi só um péssimo dia – ela respondeu de olhos fechados, inclinando a cabeça pra trás. Tinha os cabelos presos em coque displicente, e o rosto estava úmido. Estava desesperada por um momento de paz – Eu passei o dia todo com três loucas. Skye e Simmons são aceitáveis, falam muito entre si e não tentam discutir coisas rotineiras. Isabelle é outra história – declarou com um suspiro longo.

– Sobre o que ela queria falar? – questionou e foi até o quarto, de onde pegou o banquinho que sempre ficava em frente à penteadeira. Levou-o até o banheiro e posicionou-o atrás da banheira. Com habilidade, iniciou uma massagem nos ombros de May, que revirou os olhos de prazer.

– Sobre relacionamentos, ela queria saber dos meus relacionamentos – disse envergonhadamente, antes de soltar um longo suspiro.

– E você não gosta de falar disso – Phil concluiu tristemente.

– Eu não gosto de falar porque você foi o único relacionamento bem sucedido que eu tive, e mesmo assim... – rebateu com firmeza, porém deixou que as palavras morressem. Vinha evitando esse assunto há anos e não estragaria um bom momento.

– Você não precisa falar sobre o que você não quer – disse suavemente e aplicou mais pressão em seus movimentos, dirigindo-se com gentileza para o pescoço tensionado.

– Isso é ótimo – ela gemeu em resposta e arrependeu-se devido à situação – Quais são os planos para amanhã? – perguntou desesperada para mudar de assunto.

– Podemos assistir televisão o dia inteiro – sugeriu timidamente.

– Acho ótimo, perfeitamente aceitável, e agora, se me dá licença, preciso sair daqui, a água tá ficando fria – pediu e a risada maldosa de Phil soou às suas costas.

– Eu não vou dar um passo para sair daqui – provocou com a certeza que isso a faria ficar na banheira até que ele decidisse sair.

– Bom pra você – ela respondeu e para a surpresa do diretor, levantou-se, revelando seu corpo nu coberto de espuma, e caminhou até o box, onde ligou o chuveiro e começou a remover a excessiva quantidade de espuma que havia em sua pele. Phil viu-se de queixo caído ao contemplar a mulher de sua vida, nua a poucos passos dele, após tantos anos. O tempo havia sido gentil com ela, e tudo era exatamente como ele se lembrava. Apenas as cicatrizes haviam diminuído e outras novas haviam surgido. Uma em especial, nó pé da barriga, próxima à virilha o fez estremecer. As lembranças de como ela havia ganhado aquela ainda o fazia chorar as vezes, e se pudesse, voltaria no tempo, apenas para evitar toda a dor.



(Bahrein, 1999)

Fora a ideia mais estúpida de sua vida. Deixa que ela entrasse no complexo sozinha, para neutralizar um batalhão, mas não podia negar nada aos olhos decididos e ao tom autoritário de Melinda que pediu que ele confiasse nela, minutos antes que ela caminhasse para seu destino. Foram os minutos mais longos de sua vida, com silêncio total nos comunicadores, com o pânico de perder sua noiva e todos os outros reféns. Quando uma grande explosão na ala oeste do prédio aconteceu, ele preparou todas as equipes táticas para entrar, mas antes que pudesse colocá-los em marcha, o grupo de reféns saiu as pressas do prédio, fazendo com que Phil procurasse desesperadamente por Melinda. Encontrou-a atrás de todos eles, caminhando pesadamente, agarrada com firmeza a uma criança que dormia em seus braços.

– Mel – gritou aliviado e correu em meio ao deserto em sua direção. Ao alcançá-la, abraçou-a, antes de sentir todo o peso da chinesa ser depositado sobre ele.

– Phil – ela chorou desesperada e ambos caíram desajeitadamente. A criança em seus braços não dormia. – Eu não pude fazer nada pra salvá-la, eu tentei, eu juro – soluçou e Phil a olhou direito. O rosto manchado de sangue, suor e poeira da explosão. Suas mãos estavam banhadas de sangue, e o desespero o acometeu.

– Melinda, precisamos cuidar de você – pediu segurando o choro, pois sabia que o sangue nas mãos de sua amada não pertencia à garota, que não havia nenhum corte ou marca de bala em seu pequeno corpo.

– Não – a chinesa gritou agarrando-se com mais força ao corpo sem vida da menininha em seus braços.

– Você está ferida meu amor, por favor – implorou de joelhos ao seu lado – Deixe a garota ir, deixe a garota ir ... – repetiu incansavelmente, até que o choro de Melinda cessou, e ela tombou desmaiada em seu colo.



– Nós fizemos o que foi possível, mas já era tarde demais. O quadro dela é irreversível, o corte foi muito profundo – a enfermeira anunciou com tristeza, e Phil passou as mãos em seu rosto, tentando absorver a informação que havia acabado de receber.

– Você não pode contar pra ela, não pode – pediu desesperado e a enfermeira assentiu – Eu vou contar, do melhor jeito que eu puder, quando ela acordar – anunciou, mais para si mesmo do que para a mulher a sua frente, e pediu licença, entrando novamente no quarto onde Melinda ainda estava adormecida. Vê-la daquela forma, com diversos tubos ligados a seu corpo, máquinas respirando por ela, era a maior forma de torturá-lo.



Melinda acordou dois dias depois, gritando. Entrou em pânico com todas as máquinas, e implorou para que não fosse sedada novamente. Não acalmou-se até que Phil aparecesse para abraça-la e expulsar todos os médicos do quarto.

– Me perdoa, eu não queria fazer isso – pediu e Coulson teve que apertá-la com mais força para impedir-se de sucumbir a um ataque de nervos.

– Dorme meu amor, por favor, dorme – implorou e soluçou.

– Phil, fala comigo, o que aconteceu ? – pediu ao ouvir o soluço vindo do homem.

– Você não se lembra do que aconteceu? – perguntou afastando-se.

– Eu me lembro de tudo, mas não é por soldados inimigos que você está chorando – respondeu de forma inteligente.

– Mel, você ... – começou porém, não podia prosseguir – Me desculpa – soluçou e correu para fora do quarto, fazendo com que Melinda gritasse novamente. Quando a enfermeira entrou para tentar aplicar o sedativo, a chinesa implorou ao berros para que a mulher lhe contasse o ocorrido, e foi o que ela fez.



– Isso é verdade? – Melinda perguntou quando Phil finalmente voltou até seu quarto.

– Então já contaram pra você – resmungou e ambos se olharam por longos minutos.

– Phil,por favor me perdoa, eu não sabia de nada, se eu soubesse eu nunca teria entrado naquele lugar – implorou e ele sentiu-se confuso.

– Amor, por favor, a culpa não é sua – respondeu sentando-se à beirada da cama, e durante longos minutos, choraram juntos.

– Você já tinha imaginado alguma vez? – perguntou quando finalmente conseguiu engolir o choro.

– Desde que nós começamos a namorar – respondeu com um sorriso triste.

– Você queria? – pressionou com um soluço, e Phil não respondeu – Você seria um ótimo pai – comentou e secou uma lágrima que escorria por seu rosto – Nossos filhos seriam lindos.

– Mel, não faz isso – repreendeu estendendo a mão para tocá-la, porém May afastou-se.

– Phil, por favor, me deixa sozinha um pouco, eu preciso entender tudo o que aconteceu – pediu encaixando os braços em volta dos joelhos.

– Eu volto amanhã, para buscar você e te levar pra casa – informou com carinho, e beijou-lhe o topo da cabeça antes de sair.



No dia seguinte, quando voltou, não havia nem um sinal de Melinda May. Ela havia sumido durante a madrugada, e tudo o que deixara para trás fora uma envelope endereçado a Phil. Dentro do mesmo, o anel de noivado que havia dado a ela, e um bilhete de adeus.

“Meu Phil, eu imploro que me perdoe por ser tão fraca nesse momento. Você não vai me ver por um bom tempo, e espero que entenda os meus motivos. Como poderia me casar com você sabendo que por dentro estou seca, e que nunca poderei dar a vocês os belos filhos que você merece? Como poderia me casar com você e obrigá-lo a compartilhar da minha dor?Você é o amor da minha vida,mas por agora, não consigo olhar-te nos olhos sem ser consumida pela culpa e pelo desespero. Talvez um dia você possa me perdoar, e então nos encontraremos como se uma borracha fosse passada no tempo. Eu te amo com toda a força do meu coração, e até o fim dos dias eu continuarei sendo a sua Melinda.”

– Terra chamando Philip Coulson – a voz de Melinda o arrancou de sua dolorosa lembrança, e ao vê-la em sua frente, de toalha enrolada no corpo e um sorriso brincalhão no rosto, a maior força de seu ser moveu-se, fazendo com que se levantasse e a puxasse para um abraço forte e um beijo desesperado e cheio de paixão.

– Eu amo você Melinda, amo demais – declarou segurando o rosto miúdo entre suas mãos gigantes.

– Eu também amo você Phil, mais do que tudo nesse mundo – ela respondeu, e preferiu não perguntar de onde vinha toda aquela emoção repentina, embora pudesse ver nos olhos cristalinos de Coulson que ele havia lembrado de algo particularmente doloroso.

Notas finais
Não me matem, pf hahahha. Amos vocês