The Uncommon Life
10 O Destino de The Uncommon Life
Bom, como bastante gente esteve perguntando o que aconteceu com The Uncommon Life, resolvi fazer um capítulo basicamente explicando o rumo que a história vai tomar.
Decidi transformar The Uncommon Life em uma light novel! Estou retrabalhando e reescrevendo toda a história para ficar ainda melhor. Conforme os capítulos foram passando, parece que eles foram perdendo cada vez mais a "beleza" que existia no começo da série. Portanto, estou fazendo toda a história do zero, para que ela não tome rumos que eu não gostaria, como aconteceu aqui.
Para quem não sabe, light novels são muito populares no Japão, são como livros, mas com algumas ilustrações em mangá. Light no sentido de ser uma leitura de fácil entendimento. Alguns exemplo de light novels que existem por aí (e que se tornaram animes) é Toradora (minha principal inspiração hehe), Another, Haganai, Sword Art Online, Golden Time e muuuitas outras.
Estou investindo na escrita seriamente e tenho várias história no bolso. Espero poder publicar The Uncommon Life de verdade (em mídia física ou digital) e trabalhar em várias outras histórias.
Se alguém tem talento ou sabe como desenhar ao estilo mangá e sabe como trabalhar com coloração digital , pode entrar em contato.
Aqui está oficialmente declarado o fim de The Uncommon Life como fic, MAS um novo começo para The Uncommon Life light novel! Não postarei mais a história, mas do mesmo jeito, só para não deixar tão vago, aqui está o primeiro capítulo. Espero que gostem e não se decepcionem com o projeto!
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Cada passo que Ryu dava parecia ser um passo a mais para abraçar a morte. Estava indo para seu ponto de encontro, uma pequena ponte que permitia a passagem de carros e pedestres. Era certamente um local perigoso para abraçar a morte, mas certamente Ryu nunca pensou em se jogar.
O sol já estava caíndo quando ele chegou, e Kit já o esperava.
– Então…Finalmente chegou.
– Sim. O que foi?
– Eu vou ser clara e direta, Ryu.
A morte estava tomando forma.
– Eu acho que não vai dar certo.
– O que? – Ryu perguntou. – O que não vai dar certo?
– Nós…
– O que? Por quê? – Ryu estava realmente surpreso.
– É como se você fosse uma parede de gelo. Você diz coisas que nem seus olhos demonstram. Estar com você é quase que estar sozinha.
“É isso mesmo o que eu sou? Uma parede de gelo?”
– Você me faz rir, sim…
– Então! Eu não faço você feliz? – Ryu estava segurando seu tom de voz para não demonstrar desespero.
– Rir não é ser feliz, Ryu. Causa prazer, sim, mas depois, quando fico sozinha de novo, é como nunca ter rido.
O sol estava triste em ver aquela cena, tão triste que resolveu fugir. Tudo o que demonstrava era pequenos brilhos no horizonte.
– Desculpa se sou assim tão frio…
– É sim, eu sei disso. Acabou.
– Como você é ruim… – Sussurrou quase com ódio.
– E você diz essas palavras com tanta facilidade com quem há tão pouco tempo foi sua namorada? Isso comprova ainda mais quem você é.
– Você não tem ideia de quem eu sou.
“Na verdade eu também não.”
– O que importa é o que você está sendo. Você está fazendo com que eu, assim como todos os outros, o deixe sozinho.
– Eu confiei em você… – Era difícil dizer porque os olhos de Ryu estavam aguados. – Desapareça.
Dessa vez foi a vez de Kit a olhar com ódio:
– Com prazer. Afunde em seus próprios demônios.
Ela virou de costas, altiva, e caminhou para longe do solitário menino. Quanto ao menino, ficou parado, observando aquela que um dia o fez feliz partir. Olhou para o chão com uma mistura de arrependimento e ódio. Ódio de si mesmo.
“Por que sou assim? O que eu sou? Não consigo segurar o que falo, não consigo expressar direito o que sinto…”
Por um momento pensou em correr atrás dela, mas engoliu a amargura e seguiu o caminho contrário. Escutava uma música triste e tinha mais perguntas que respostas.
“Por que não tenho nenhum amigo? Sou tão ruim quanto Kit acha?”
E com essas perguntas andou até em casa. Já estava escuro, e a última coisa que queria fazer agora era ver a cara de qualquer pessoa que fosse, nem seus pais. Assim que chegou, deitou-se em sua cama.
“Olhe para mim, Ryuhei de seis anos. Você teria orgulho do que vê? Não, sei que não.”
Era até deprimente, mas seu único amigo de verdade, desde sua infância era seu cachorro de pelúcia. Ganhou no dia de seu primeiro aniversário. Seus pais saíram de manhã, bem cedo, para comprar o presente de aniversário. Queriam algo especial, logo foram à loja de brinquedos.
Era um tanto quanto distante de onde moravam e na direção contrária da do centro. Era uma pequena loja decorada animadamente e de estilo antigo, com telhado completamente detalhado por pequenas telhas marrons. Os pais de Ryu examinaram a vitrine tentando encontrar algo masculino, mas ao mesmo tempo próprio para a idade. Ironicamente, compraram um cachorrinho de pelúcia muito masculino, certos de que aquele seria o presente perfeito.
Dito e feito, Ryu adorou seu companheiro. Sob a influência de músicas de ninar clássicas, conseguiu ter a capacidade de dar um nome de um clássico artista, Bethoveen. Da mesma forma, naquela idade o que o pequeno bebê conseguia pronunciar era algo como bitovi, mas o nome ficou.
Não duvidem da masculinidade de Ryu só porque ele é um menino de 15 anos que dorme com seu cachorrinho de pelúcia. Geralmente as crianças passam a dormir sozinhas assim que amadurecem e perdem o medo de fantasmas. Fantasmas sempre assombraram Ryu. Não o tipo convencional de fantasmas, mas seus próprios fantasmas, dentro de si. Dormir sem Bethoveen era o mesmo que dormir fora de casa, no frio e sem ninguém. Mesmo sabendo que a idade de dormir com brinquedos já passara, não se importava. Logicamente, mantinha em segredo. Imagine o estrago que teria em sua vida se todos descobrissem esse fato um tanto quanto constrangedor sobre ele.
Falou baixinho, olhando para seu fiel companheiro:
– Olhe para mim. Você não teria orgulho, teria?
Não esperava uma resposta. Continuou falando, como se sua alma gritasse:
– Como eu queria que você fosse uma pessoa de verdade... – Abraçou o cachorrinho. – Talvez você pudesse me entender, quem sabe me curar.
Os olhos plásticos e esbugalhados continuavam a olhar fixamente para Ryu, sem dar qualquer sinal de entendimento. A luz fraca do abajur do quarto reluzia nos olhos negros do cachorro e revelavam uma profundidade surpreendente.
“Quem quer que tenha feito esse brinquedo, com certeza caprichou.” –Pensara Ryu diversas vezes.
Na solitude da noite, todos os acontecimentos do dia pareciam terem ocorrido em outra vida. Ele e Kit estavam juntos a mais ou menos três meses. Conheceram-se por acidente, ou não tão acidentalmente assim. A ousadia de Ryu (também pode ser traduzido por arrogância) conquistou a menina instantaneamente. Um rapaz que não tem nada a perder, assim que Ryu era antes de perder tudo novamente. Porém, essa arrogância se tornou pior. Ele gostava mesmo de Kit, mas ela não parecia exercer nada sobre ele. Geralmente, quando uma pessoa realmente gosta da outra, tem a vontade de se tornar melhor do que já é. Isso não chegou a acontecer. Ryu afundava cada vez mais em sua solidão, mesmo estando ao lado de alguém.
Talvez tenha sido isso que causou o afastamento de sua tal dita namorada. Estava completamente abalado. De certa forma foi culpa sua, e ele sabia muito bem disso, o que o deixava ainda pior.
Perdido em pensamentos, dormiu agarrado em Bethoveen. Assim que pegou no sono, seus pesadelos começaram. Ryu tem pesadelos desde sua infância. Talvez os tais fantasmas assombrando sua mente. Sonhou com Kit falando coisas terríveis e o deixando – o que de fato acontecera –, com a escuridão tomando conta de tudo ao seu redor, apenas com a companhia de ninguém além de si mesmo. Porém, quando já estava mais próximo do nascer do Sol, vislumbrou um campo florido e ensolarado. Uma menina loira estava lá, e seus cabelos, com a mesma cor dos girassóis que enfeitavam a paisagem, tremulavam com o vento. Este trazia aroma único, que lembrava tranquilidade e alegria. Era um cheiro único. Afetado pelas imagens em sua mente e o estranho aroma que inconscientemente sentia, dormiu como uma pedra até o amanhecer.
A manhã de sábado de Ryu se iniciou cedo. Ouviu os sons de pássaros cantando e um pequeno filete de luz entrando pelas persianas. Um cenário perfeitamente clichê. Estranhamente, percebeu que estava no chão.
“O que diabos aconteceu?”
Sua alergia a pó marcou presença, começou a espirrar assim que abriu os olhos. Estava com a cabeça debaixo da cama, e raramente não há pó lá. Em um dos espirros, bateu a cabeça na própria cama.
– Aw... – Gemeu.
De repente, ouviu uma voz vinda de cima.
– Você está bem, Ryu?
Era uma voz feminina. Vinha da cama de Ryu.
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