The Uncommon Life

8 Chapter 8 - The Uncommon Introduction


Acordamos juntos com o toque do despertador. Segunda-feira havia chegado e, além de ser nosso primeiro dia indo de metrô ao colégio, seria nosso primeiro dia de trabalho.

Amy estava com energia logo cedo. O dia ainda estava um pouco escuro. O verão estava acabando, mas ainda assim seria um dia quente.

Colocamos o uniforme e nos dirigimos à estação de metrô. Nossa escola ficava à duas estações de distância.

Chegamos a tempo para assistir a primeira aula. Não demorou muito para que Tepei, o maior fofoqueiro da sala, berrar para todos:

- Eu vi a Amy e o Ryuhei descerem do trem juntos hoje de manhã! Será que estão morando longe dos pais agora?

Isso foi o suficiente para a sala inteira entrar em cochichos. Quando eu abri a boca para explicar, fui interrompido por um bom amigo. Kai ergueu-se dizendo:

- Então quer dizer que vocês já fizeram... — Graças aos deuses ele não conseguiu terminar de falar. Um punho misteriosamente acertou seu nariz. E olha que coincidência! O punho era de Kanto!

Recuperando-se, Kai olhou para o outro como se quisesse matá-lo só com o olhar. Para salvar a briga, o professor assustador de física entrou na sala e lançou seu ameaçador, mas impassível, olhar para os dois. Todos nós nos sentamos esperando uma bronca, mas o professor acabou seguindo a aula normalmente.

O intervalo chegou e os dois foram os primeiros a se levantarem. Eu e Amy percebemos e seguimos logo atrás. A turma inteira já esperava uma grande agitação no recreio. Rin, preocupada com Kanto, se misturou entre os colegas e nos acompanhou de perto.

Logo os dois chegaram a um lugar espaçoso suficiente. A briga estava prestes a começar. Esperava que Kanto tivesse auto-controle, por isso não interferi. Um grupo de pessoas se formou ao redor de ambos. Kai foi o primeiro a falar:

- Você acha que manda aqui? Acha?

Kanto permaneceu em silêncio, mas Kai continuou:

- Sou eu que mando! E vou te ensinar isso agora mesmo!

Ele avançou em um movimento rápido e pulou em suas pernas, o derrubando na grama. Kanto já havia montado sua guarda no chão e prendido Kai com as pernas cruzadas em sua cintura, o mantendo afastado.

A multidão gritava ia a loucura gritando: "Briga! Briga!"

Aquilo foi tudo. Avancei. Amy falou algo inaudível no meio de toda a gritaria. Peguei Kai em uma chave de pescoço e o puxei para trás, mas fui interrompido por um dos monitores do colégio:

- O que vocês pensam que estão fazendo? — Falou de forma dura e rude. A multidão se dispersou rapidamente e Amy se posicionou ao meu lado. — Quem disse que vocês podem brigar?

Amy, sem perder tempo, falou enquanto segurava meu braço fortemente:

- Foi Kai que implicou com Kanto! E o Ryu só estava tentando separar os dois!

- Isso eu vi... — Falou o monitor compreensivo, mas retornou a falar duramente. — Não importa quem começou, os dois quebraram uma regra do colégio. Venham comigo!

Os dois seguiram a autoridade de má vontade. Eu e Amy resolvemos voltar para a sala. Os pensamentos sobre o que acontecera no intervalo estavam sumindo e sendo substituído pela ansiedade para o primeiro dia de trabalho.

Depois de mais ou menos três horas de aula, a manhã havia acabado.

- Temos apenas duas horas para almoça e chegar ao trabalho. — Falei para Amy.

- Tive uma ideia, Ryu! — Falou com um tom alegre. — O que acha de almoçarmos no próprio restaurante em que vamos trabalhar?

- Acho uma ótima ideia! — Falei me divertindo. — Podemos fingir sermos simples clientes.

Pegamos o metrô de volta para casa e deixamos nossos materiais. Trocamos de roupa e nos caminhamos ao restaurante. Ela usava um vestido azul claro muito curto, mas um shorts marro claro por baixo. Colocou um laço vermelho em seus cabelos que combinou perfeitamente. Eu estava vestindo uma jeans escura e uma camiseta quadriculada azul aberta, junto com uma camisa branca.

Chegamos na frente do restaurante e olhamos para cima. Estava escrito "Spring's Rain" em um letreiro estilizado laranja. Andamos até a porta e ela abriu-se sozinha. Um ar gelado saiu de dentro.

Assim que entramos, Amy falou:

- Como esse lugar é enorme!

Os bancos estofados eram vermelhos e as mesas tinham um tom bege. As outras decorações do local eram de um laranja fraco. Havia algumas pessoas almoçando. A garçonete que nos atendeu nos levou a uma mesa. Pedimos o prato especial do dia.

Algum tempo depois, os pratos chegaram. Recheados de batata frita, o bife de carne bem passado parecia suculento, ainda mais com o estranho molho em cima. A comida estava deliciosa. Seja lá quem havia cozinhado, merecia um prêmio!

Terminamos de comer e nos levantamos. Nesse instante, um homem alto se dirigiu até nós. Ele estava usando uma roupa inteiramente branca de cozinheiro e seu avental não chegava até os pés, deixando seus sapatos pretos expostos. Apresentava um rosto aparentemente cansado e parte dos seus cabelos loiros caíam sobre um dos olhos.

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- Pensava que vocês iriam continuar nos enganando por mais tempo. — Falou o desconhecido com a voz um pouco arrastada e séria.

- Só queríamos ver como o restaurante era... — E fiz uma cara de dúvida. — Mas como sabia que nós somos os novos empregados daqui?

- Tenho a foto de vocês dois. E pedi para me avisarem quando duas crianças entrassem. — Apesar de sério, falava calmamente. Não parecia ser japonês. Ao notar nosso olhar, complementou: — Sim, sou americano e sou o chef do Spring's Rain.

Então ele havia feito aquela comida! Estava uma delícia! Amy falou um pouco alto demais:

- Sério que foi você quem fez o nosso almoço?

Ela estava completamente admirada. Talvez por ele ser um estrangeiro ou talvez por ele ter cozinhado tão bem.

- Bom... — Começou ele. — Se eu sou o chef, logicamente eu faria a comida.

- Claro! — Falou se sentindo meio sem jeito. — Você precisa me ensinar a cozinhar assim!

Não posso mentir, senti uma pontada de ciúme, mas logo Amy complementou:

- Quero cozinhar assim para nós, Ryu!

O rosto do homem expressou uma leve curiosidade. Eu perguntei:

- Mas qual é o seu nome?

- Claro, desculpe. Sou Sam. — Respirou profundamente. — E vocês são Ryuhei e Amy, certo? Vocês vão trabalhar aqui de segunda a sábado. Podem chegar a partir das quatro da tarde durante os dias de semana, trabalharão em função do jantar. Sábado quero vocês aqui cedinho, para trabalharem no almoço.

Ouvimos tudo atentamente e concordamos. Ele continuou:

- Bom, podem ir conhecer o resto do pessoal. Eles devem estar lavando a louça agora.

Caminhamos em direção ao lugar onde ele apontou. O lugar era ainda maior na parte da cozinha e administração. Cruzamos com a garçonete que nos atendeu:

- Então vocês são os novatos aqui! — Ela falou alegremente. — Muito prazer! Sou Satomi!

- Sou Ryuhei.

Amy gaguejou um pouco para falar. Ainda não estava completamente acostumada a falar com estranhos.

- Sou Amy!

Continuamos em direção à cozinha. Havia outras duas meninas e um homem de cabelos escuros trabalhando. Ele se virou e falou gentilmente:

- Olá senhores...

- Somos Ryuhei e Amy. — Falei.

- Claro! — Sorriu erguendo a mão levemente. — Sou Mizuki! Vocês já devem ter conhecido o gatão do chef Sam, né?

Uma menina um pouco mais velha que nós se pronunciou:

- Mizuki! Não fale assim do chefe!

A outra, aparentemente com uns 20 anos falou:

- Essa cozinha é uma bagunça! Sou Yue. — Ela parecia estar levemente embriagada.

Aquele lugar parecia ser animado. Um chef sério, uma garçonete saltitante, um souschef (sub-chefe) gay, uma menina enciumada e uma moça aparentemente bêbada. Queria conhecer melhor como era o ambiente. Antes que pudéssemos falar alguma coisa, Sam apareceu atrás de nós.

- Bom, tempo de visita acabou. Voltem amanhã, às quatro em ponto.

Nos guiou até a saída e observou nós nos afastarmos.

- O que achou do pessoal, Amy?

- Parecem ser todos muito legais! Pensei que todo mundo no trabalho fosse malvado.

- Pois é. Estou ansioso para aprender a cozinhar!

- Quero ver você cozinhar tão bem quanto o chef!

Chegamos em casa. A primeira coisa que fui fazer foi ver se tinha alguma coisa para cozinhar. Não tinha nada. Estávamos com muita preguiça de sair e comprar alguma coisa, então simplesmente pedimos pizza por telefone.

A cozinha teria que esperar.

Notas finais
Espero que vocês tenham gostado! Comentem o que acharam :D