The True Story Of Nat

24 A dedicação de Gael.


Notas iniciais
Espero que gostem.

Acordei com um gosto terrível na boca. Pela janela percebi que era um lindo fim de tarde e eu estava em uma cama de hospital. Tentei levantar mas em vão. Tudo rodava e eu estava muito enjoada.

— Boa tarde, Natália. Meu nome é Mauro e sou seu médico. Você sofreu um acidente de moto e em breve terá alta. Seu pai e o seu namorado estão aí fora prontos para te levar para casa, está bem?

Olhei para Mauro que me sorria de forma acolhedora. Eu o conhecia. Lobão sempre se consultava com ele.

— Eu estou um pouco enjoada mas me sinto bem. Eu não vou ficar com sequelas não é? — perguntei apreensiva.

— Não. Fica tranquila. Você está ótima. Eu vou pedir para o Lobão entrar antes que ele coloque um ovo.

Mauro sorriu antes de sair. Se Lobão ainda se consultasse com ele eu com certeza iria poder confirmar o câncer.

Lobão adentrou o quarto de forma tranquila. Talvez temendo que eu tivesse algum tipo de emoção contrária.

— Nat, você quase me mata de susto! — ele disse já sentando na cama e agarrando a minha mão. — Nunca mais na vida faça isso! Vou te dar um carro. Não quero você em cima de uma moto nunca mais!

— Vai me dar um carro porque é burro! Porque eu não abro mão da minha máquina. Todo mundo sofre acidente e porque eu não iria sofrer um também?

— Porque você é minha mulher e não é todo mundo! — Lobão tentava se controlar pra não gritar no hospital.

— Sua mulher!? Ah, tá. Eu não sou nada sua e só estou com você por pena.

— Por pena ou não é minha sim e acabou! Não me faça perder a paciência! Você vai se curar e vamos namorar. O seu tempo de me evitar acabou!

Lobão se aproximou de mim, foi direto na minha boca e me deu um beijo rápido. Tentei desviar mas não consegui. Ainda não havia voltado os meus reflexos.

— Papai de ouro está aí fora e quer entrar. Eu deixo ou não? — Lobão já aparentava mais tranquilidade.

Pensei um pouco. Eu havia sofrido um acidente e era bem provável que ele estivesse preocupado.

— Ele esteve aqui o tempo todo? — tentei puxar informações do Lobão. Queria saber até onde o Gael se importava.

— Não arredou o pé. Enchia o saco dos médicos. — Lobão dizia tudo isso a contra gosto. Até ele admitia que Gael era bom pai.

— Ele pode entrar ou não? Porque se não eu já dispenso o babaca...

— Manda ele entrar. Quero saber o que ele tem pra dizer. Não custa.

— Custa a minha paciência.

Lobão se arrastou para a porta, chamou Gael baixo e eles cochicharam alguma coisa que eu não pude ouvir.

Quando Gael entrou, abriu o melhor do sorrisos. Veio em minha direção, se sentou ao meu lado e segurou a minha mão.

— Graças a Deus você está bem.

—Estou. — queria tirar minha mão da dele mas por alguma razão eu não conseguia.

— O médico vai te dar alta hoje ainda mas você vai precisar de cuidados. — percebi que Gael procurava uma forma para falar comigo. — Eu já conversei com o seu... namorado. — Gael pronunciara a última palavra com nojo. — E você vai ficar lá em casa.

Olhei para o Lobão com raiva. Ele por sua vez, procurou não me olhar.

— Eu vou pra minha casa! Não quero ficar perto de você! — tirei finalmente minha mão das dele.

— Filha, por favor? É só até você ficar boa! Você é forte e não vai demorar. Daqui a pouco você volta para casa, está bem?

Gael tinha paciência. Me tratava feito uma criança que havia pedido um doce antes do almoço.

— Já disse que não vou pra sua casa e acabou! É surdo!? — precisava manter a banca de durona.

— Tudo bem. Você não quer ir pra minha casa, entendo. — a paciência de Gael me irritava. — Então, eu cuido de você na sua casa.

— Não! Você não vai cuidar de mim em lugar nenhum.

— Filha, se você não ir pra minha casa eu irei...

— Que merda! Chega dessa marra. Você vai pra casa do Gael nem que seja de baixo de tapa, entendeu?

Eu e Gael ficamos perplexos com Lobão.

—Você está ameaçando a minha filha!? — Gael levantou do meu lado já cuspindo marimbondo.

— Estou. E aí vai fazer o quê? —Lobão disse o empurrando.

Gael partiu pra cima do Lobão e eles começaram a se bater. Não eram golpes muito forte mas eu sabia que ficariam mais pesados.

— Para com isso vocês dois, agora! Eu vou chamar o segurança.

Tentei levantar mas perdi o equilíbrio. Lobão e Gael correram até mim assustados.

— Me perdoa, meu anjo. Você está bem?

— A gente não vai brigar mais, filha.

Olhei para os dois querendo rir. Bastou uma tontura para eles esquecerem de brigar.

— Vamos lá pra casa. Eu cuido de você e além do mais lá é a sua casa também.

Gael suplicava e Lobão fazia uma cara do tipo vai com ele.

— Fica tranquila meu anjo, eu vou te visitar. Eu estou com aquela gastrite e não posso cuidar direito de você.

Eu sabia bem de que gastrite ele estava falando.

— Cheguei. Pronta pra sair,Nat?

Mauro entrara de forma animada. Não pude deixar de sorrir.

— Duas semanas de molho e você vai ficar pronta pra lutar com o Anderson Silva. Toma bastante liquido e se alimenta bem e nada de esforço, está bem?

—Vou cuidar dela, pode deixar.

Gael pegou todas as receitas e verificou as instruções médicas.

— Já posso ir, Doutor Mauro?

— Com certeza. Aj, se você sentir qualquer dor, venha até o hospital.

Mauro apertou a mão de Gael e Lobão e me deu uma piscadela antes de sair.

— Duas semanas e nem um dia a mais. — disse cedendo.

Gael me sorriu vitorioso. Tentei ver um vestígio sequer de falsidade mas não via nada. Apenas alegria.

Quando eles saíram para que eu pudesse me trocar, senti um formigamento estranho. Iria para casa do meu pai.

Lobão se despediu de mim jurando que iria me visitar. Entrei sozinha no carro de Gael. Tinha coisas de bebê espalhadas, livros da Bianca e revistas de Muay Thai.

— Que saco. Já reclamei da bagunça desse carro mas parece que eu falo grego.

Gael dirigia tranquilamente, talvez para não me deixar mais enjoada. Ele foi pela orla. Já estava tudo iluminado e lindo também.

— Você gosta do mar? — ele me perguntou curioso.

— Amo. Tirando Muay Thai e moto é a coisa que mais gosto na vida.

— Do que mais você gosta? — ele não resistia em queria saber mais sobre mim.

— Gosto de festa, baladas, beber, sair com meus amigos. Gosto de ser livre e fazer o que eu quiser.

Conhecia o jeito rígido de Gael. Karina mencionara uma vez que ele a prendia muito.

— Eu era assim. Odiava me sentir preso. Não tinha medo de nada. Então eu tive filhos e pronto. Comecei a ter medo de perdê-los e de que algo ruim acontecesse.

— Por isso você prendia a Karina? — rebati tentando provoca-lo.

— É. Eu a prendia com medo dela se machucar nos ringues. Não enxergava que eu mesmo a machucava.

Fiquei calada. Falar mais sobre aquele assunto era doloroso e sem necessidade.

Todo o percurso foi em silêncio até que chegamos na praça. Duca e Bianca namoravam tranquilos nos bancos próximos a banca da Dona Dalva.

— Desce com cuidado pra não ficar tonta, está bem?

Apenas assenti. Desci devagar, enquanto Gael pegava as malas.

Caminhei lentamente até a casa dele e percebi que a essa altura, Duca, Bianca e Dona Dalva já me olhavam.

Quando Gael abriu a porta para entrarmos, Dandara me lançou um grande sorriso e João ajudou com as malas sem reclamar.

— Bem vinda, minha flor. Você está melhor? — Dandara era muito simpática comigo.

— Bastante. Foi só um susto. — retribui o sorriso.

— Filha, eu já coloquei suas coisas no quarto das meninas. Têm uma cama pra você lá. Quer tomar um banho? —Gael me sorria também.

— Quero. Preciso tirar esse cheiro de hospital.

Ele me apontou o banheiro e o quarto. Para o quarto eu não precisava de orientação. Já havia estado ali quando tive uma conversa com Bianca na época em que eu estava sem memoria.

Saí do banho e quando entrei no quarto, Bianca e Karina já estavam.

— Oi. — disse mais por educação do que por vontade de falar.

— Oi. — as duas responderam juntas.

Deitei na cama, pensando em dormir quando escutei batidas na porta.

Era Gael e trazia uma bandeira com sopa, suco de laranja e algumas frutas.

— Você precisa comer e depois você dorme, está bem?

Ele não tirava o sorriso dos lábios.

Comecei a tomar a sopa que estava uma delícia. Nunca havia provado uma sopa tão boa.

— A única coisa que eu sei fazer que presta é sopa. Passou disso mais nada.

Fiquei supresa. Gael cozinhando.

Percebi que Karina e Bianca não tiravam os olhos de mim.

Quando terminei Gael retirou a bandeja satisfeito. Eu havia devorado tudo.

Me recostei nos travesseiros, fechei os olhos e acabei dormindo. Sonhei com o Alan. Estávamos felizes. Acordei com uma sensação imensa de paz.

Tudo estava em silêncio. Olhei no relógio. Era meia noite e meia. Karina e Bianca dormiam.

Ouvi um barulho na porta. Olhei e era Gael. Ele atravessou o quarto, fechou as janelas e depositou um beijo em Bianca e outro em Karina. Pensei que ele não se aproximaria de mim mas eu estava enganada! Ele não só se aproximou como me beijou também.

Lembrei do que Cobra dissera. Gael é um bom pai. No fundo eu sabia disso. Mas o meu maior medo era que ele não fosse bom comigo.

Notas finais
Que a Nat receba todo o carinho do mundo.