The True Forks (com nova autora)
7 O desconhecido.
Notas iniciais
NARRAÇÃO DE CATHERINE
Meus dedos deslizavam pelas teclas pretas e brancas lentamente, sem pressa. Pouco a pouco a melodia se espalhou pelos cantos da casa, enquanto meus olhos se fechavam e minha alma flutuava logo ali, ao lado de meu corpo. Suspirei satisfeita, então sorri com a minha imaginação. E se tudo estivesse mesmo tão perfeito? Cada nota tocava meu coração como um espinho, provocando dor angustiante. Finalizei a canção com o peito já apertado, sufocado por uma sensação horrível. Sensação que eu não sabia pelo qual era provocada. Talvez... Medo.
O vento atravessou a fresta da porta e das janelas, soando um assobiou frio e sombrio em meio ao silencio. Levantei-me arrepiada, e peguei a água quente no fogão, colocando-a em uma xícara que estava pronta na pia. Balancei com calma o pacotinho de ervas do chá que já se encontrava ali, e caminhei em direção ao sofá. Quando estava prestes a sentar, algo me levou até a janela. O vento fraco soprava a cortina, e foi-se crescendo dentro de mim um desejo incontrolável de descobrir o que havia lá fora, se é que havia algo.
A noite estava escura, sem estrelas espalhadas pelo céu. E não, não havia nada lá fora além da minha dignidade, a qual eu havia perdido há muito tempo ao me entregar a impulsos e paranóias desse gênero. Onze horas da noite, e eu tomando um chá de ervas, refletindo sobre meus atos ridículos. Mas a questão não era essa, e sim que... Eu conseguia ver algo nos arbustos, em meio ao breu da rua deserta.
Foi quando a campainha tocou.
Depositei a xícara na mesinha em frente ao sofá, tentando evitar qualquer barulho, então caminhei hesitante em direção a porta. Meu corpo queimou ao tocar a maçaneta.
- Sou eu, o Dean. – eu ouvi alguém dizer atrás da porta.
Respirei depois de longo tempo sufocada por meu medo, então girei a maçaneta.
- Olá. – esbocei um fraco sorriso.
- Está tudo bem? – ele perguntou.
- Ah, sim.
- Achei que estaria acordada. Pude ouvir você tocando enquanto vinha para cá. – ele sorriu.
NARRAÇÃO FEITA PELO DESCONHECIDO.
Assisti a cada movimento sem importância de Catherine naquela noite. Eu gostaria de tê-la matado bem ali, agora, enquanto ela procurava por algo fora da casa, observando pela janela. Sua distração me ajudaria a atacar e calar esse desejo incontrolável dentro de mim. Droga... Seria a hora perfeita.
Escondi-me rapidamente assim que a campainha tocou.
Era Dean.
Eles trocaram algumas poucas palavras antes que ele entrasse. Seus passos eram lentos, mas firmes. De forma discreta, colocou suas duas mãos no bolso.
- Aconteceu alguma coisa? – ela perguntou, andando em direção a ele.
Catherine parou ao seu lado, e ele a encarou.
- Só estou preocupado. – ele fitou o tapete.
- Pode me dizer com o que? – ela tentava olhar diretamente em seus olhos.
- Brad e eu achamos melhor que alguém fique com você aqui... Caso algo aconteça. – ele voltou seu olhar para ela.
Pude ouvir o riso de Catherine, o qual quebrou a tensão estampada no rosto de Dean.
- O que é? – ele perguntou, um pouco confuso.
- Isso explica o seu jeans e a camiseta de pijama.
- Você tem uma ótima observação. – ele sorriu.
- Obrigada. Pode ficar aqui esta noite, tem um quarto extra.
- Um quarto extra para terrestres, certo? – ele ironizou.
Idiota, eu pensei.
Eles subiram as escadas, e eu tratei de sair daquela casa. Havia muito que fazer naquela noite.
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