The True And Love
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Luana’s P.O.V.
Enquanto caminhava pelo gramado verde do Central Park, comecei a sentir alguns leves impactos contra minha pele... gotas de chuva!
Olhei raivosa para o céu. Adorava chuva, a não ser que eu estivesse fora de casa, com apenas um casaco, há mais de meia-hora de distância de meu carro e com meu celular no bolso, onde provavelmente ficaria molhado.
Maldito Gerard!, rosnei em pensamento.
Apertei o passo, mas conforme eu acelerava minha caminhada mais gotas caíam, com ainda mais força, parecia uma competição.
Quando dei por mim já estava totalmente encharcada, podia sentir minhas roupas mais pesadas por culpa da água, a chuva estava forte e o chão já continha uma leve e fina camada de água.
Percebi que não adiantava correr, já estava molhada e não podia mais fazer nada, então resolvi aproveitar um pouco a chuva.
Parei, ficando estática sob a chuva, de cabeça baixa. Ouvia os trovões ao longe no céu anunciando que ainda viria mais água, sentia o cheiro da água beijando a terra, lembrava-me minha infância, parecia preencher uma parte pequena de um vazio que mantinha presença dentro de mim.
Quando dei por mim já estava sentada no chão, meu rosto virado para o céu, absorvendo cada gota de chuva que caía sobre ele.
Deitei minhas costas no gramado agora molhado, estiquei meus braços para que a chuva tocasse cada parte de meu corpo. Não sabia por que estava fazendo isso, mas sentia a necessidade.
De repente senti as lágrimas virem aos meus olhos, sem nenhum aviso prévio ou coisa do tipo, apenas vieram.
Sentei-me novamente, agora enterrando meu rosto entre minhas mãos. Tudo podia ser diferente, não precisava ter sido assim, nós não precisávamos ser assim agora, nós devíamos ser diferentes.
— Luana? – ouvi uma voz masculina chamar ao longe.
Olhei rapidamente e logo vi a figura masculina e familiar que se aproximava, aparentemente preocupado.
— Brad! – chamei, secando minhas lágrimas rapidamente.
— Está chorando? – ele se ajoelhou ao meu lado, assustado.
— Não, é a chuva – menti. – O que está fazendo aqui? – mudei de assunto.
— Uma pessoa marcou comigo aqui para... você sabe, contratar o serviço de vocês, mas acabou não aparecendo por causa da chuva – ele respondeu.
— Hum – disse apenas.
— Vem aqui – ele disse, abraçando-me como se soubesse que eu precisava daquilo.
Abracei-o com força, enterrando meu rosto em seu ombro, ele sempre fora um grande amigo para todas nós.
— Você vai acabar ficando doente – ele advertiu-me. – Onde está seu carro?
— No estúdio – respondi.
— Veio até aqui a pé por quê? – ele ficou indignado.
— Eu precisava segui-lo – lembrei-o.
— Okay – ele suspirou. – Vou lhe dar uma carona.
Brad ajudou-me a levantar, abraçando-me logo depois. Caminhamos juntos até seu carro que estava a uns dez minutos dali.
***
Gerard’s P.O.V.
Assim que comecei a sentir as primeiras gotas de chuva caírem decidi ir embora, não estava querendo ficar doente, e sentia que qualquer coisa me deixaria gripado agora.
Caminhei rapidamente, mas acabei ficando totalmente encharcado pela chuva.
Quando estava já próximo a saída do Central Park, pude ver a figura feminina deitada no chão, parecia apreciar a chuva que caía sobre seu corpo. Era Luana novamente.
Seu rosto estava ainda mais pálido sob a chuva, parecia tranquila. Até que vi sua expressão mudar, de tranquilidade passou para tristeza, e logo pude vê-la sentar-se e enterrar o rosto entre as mãos.
Ela estava chorando.
Demorei alguns instantes para raciocinar que talvez devesse ir ajudá-la, mas assim que dei meu primeiro passo algo impediu-me de ir.
— Luana? – uma voz masculina e desconhecida gritou.
Era um homem de cabelos negros e pele clara, magro e não muito alto, aparentemente fazia o estilo “nerd”.
Luana olhou rapidamente na direção dele e pareceu reconhecê-lo.
— Brad! – ela pareceu surpresa.
Brad é o nome dele..., pensei, percebendo então que estava irritado com isso.
Ele aproximou-se dela e falaram algo que eu não pude ouvir, depois se abraçaram.
Okay, ele é namorado dela!, falei para mim mesmo em pensamento. Afinal, por que eu estava tão irritado?
Depois de alguns instantes os dois levantaram e caminharam juntos, ele mantinha um braço envolto na cintura dela, como se tivessem muita intimidade.
Bufei, irritado. A vida era uma droga, não sabia por que estava pensando isso, mas era uma droga!
***
Luana’s P.O.V.
— Obrigada pela carona, Brad – sorri enquanto ele parava em frente ao estúdio, onde meu carro estava.
— Nos vemos em casa – ele sorriu também.
— Okay – respondi.
Abri a porta e corri pela chuva rapidamente até chegar ao meu carro, desativei o alarme e destranquei-o, entrando o mais rápido possível.
Ali dentro estava quente e seco, os vidros estavam embaçados. Liguei os aquecedores, estava frio ali, ou talvez fosse apenas por que eu estava totalmente molhada.
Conforme o vidro se desembaçava eu pude ver que os carros de Amanda e Ana não estavam mais ali, apenas o de Aline.
— Onde elas estão? – perguntei, ligando o rádio com Aline.
— Foram para casa – ela respondeu. – Ray e Mikey já saíram do estúdio, então elas não precisavam mais ficar aqui. Frank estaria esperando Gerard para dar algumas notícias que ele teria perdido enquanto passeava pelo Central Park.
— Como sabe que ele foi ao Central Park? – perguntei.
— Amanda conversou com Ray enquanto estava lá dentro e ele lhe disse que Gerard ia até lá quando queria pensar.
— Hum – murmurei.
— Você sabe que o que fizeram foi errado, não é? – ela perguntou.
— Desculpe – pedi. – Tentei impedir Amanda, mas você sabe que ela é impossível quando quer.
— Okay, conversamos em casa – ela desligou.
Legal, agora Aline estava brava comigo também.
*
Cerca de quinze minutos depois pude ver a imagem de Gerard chegando ao estúdio, ele estava totalmente molhado e parecia tremer de frio. Ele subiu as escadas e correu até a porta, entrando e desaparecendo de minha visão.
Fiquei por mais trinta minutos ali, encarando o vazio das ruas, até que Gerard e Frank apareceram na porta do estúdio, cada um foi para um lado, Frank correu até seu carro que estava estacionado próximo ao de Aline e Gerard foi até sua cópia do meu carro e entrou nele rapidamente.
— Fim de expediente – Aline disse a mim pelo rádio. – Nos vemos em casa.
Ela desligou antes que eu pudesse responder, logo pude vê-la ligando seu carro e indo embora. Esperei alguns minutos até fazer o mesmo, desconfiariam se vissem-nos indo embora ao mesmo tempo.
Dirigi rapidamente até nosso prédio, já estava preparando-me para a bronca.
Estacionei o carro próximo ao de Amanda, o estacionamento estava vazio e todos os carros já estavam ali. Subi até nosso andar e entrei no apartamento, encarando Brad sentado no sofá ao lado de Ana, os dois parecia nervosos.
— Pelo amor de Deus, não deixe Aline matar Amanda! – Ana quase implorava a mim.
— Como assim? – fiquei confusa.
— Amanda estava descansando no quarto, Aline chegou e perguntou por ela, depois correu até lá e trancou a porta, agora só se houve gritos das duas discutindo – Brad resumiu.
— Droga – bufei.
Fui rapidamente até o quarto de Amanda, pude ouvir as duas discutirem.
— Você não foi profissional! – Aline acusou-a.
— Nós devemos nos aproximar deles, foi o que eu fiz! – Amanda retrucou.
— Hey, deixem-me entrar! – soquei a porta.
— Eu falo com você depois! – Aline gritou para mim.
Uma vez ou outra nós sempre brigávamos, principalmente quando uma de nós fazia algo no “trabalho” que não agradava a outra.
— Por favor! Deixe eu entrar e resolveremos isso! – quase implorei.
Estava com medo de que Aline fizesse alguma coisa contra Amanda, sabe-se lá o que ela podia fazer com raiva.
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