The Trident Stolen
1 Capítulo 1 - Descubro que sou uma semideusa (Lya)
Lya's POV
Saltei do carro inquieta. Aquela era mais uma das escolas que iria estudar e claro, que iria ser expulsa por algum desastre.
– Ei, tenta não inundar a escola ou botar fogo na sua sala, — disse minha mãe debruçada no banco do carona apoiada na janela — promete? — ela riu e eu a abracei.
– Não. — ela sorriu, saberia que mesmo eu prometendo isso não adiantaria.
Fiquei um bom tempo envolvida nos braços dela, até que o sinal soou por todo o pátio e a multidão que nele havia, se espremia subindo a escada.
–Tente ficar pelo menos um mês. — ela disse enquanto passava as mãos em meu cabelo.
– Duas semanas no máximo. — brinquei, ela riu e lá fui eu, entrando pela porta e sumindo no meio de tanta gente.
Meu nome é Lya Berbman e estava iniciando mais um ano letivo na minha sétima escola com apenas doze anos. Sempre era expulsa por algum motivo catastrófico.
Na minha primeira escola, eu tinha penas 6 anos, fomos em um passeio para o zoológico e acidentalmente a jaula do leão fora espatifada e por pouco ele não engole minha colega de classe. Na segunda vez, já com 7 anos, destruí uma garota da oitava série com uma cadeira. Jurava que ela se transformou em um monstro asqueroso e de repente, puf, se transformou em pó. E assim foi indo até chegar aqui. Estou imaginando por qual desastre farei desta vez para poder ser expulsa.
Finalmente terminei de subir a escada e me encaminhei para a sala 209 — B. Deveria estar atrasada ou a turma era bastante comportada. Ao entrar todos se encontravam sentados cochichando, percebi que olhares curiosos se voltavam para mim, mas algo foi o que mais chamou minha atenção. Havia uma garota na ultima carteira da primeira fileira que me olhava por cima de seus óculos escuros. Ela era pálida, tinha cabelos negros e aparentava ter a minha idade. Mas havia algo que me deixou inquieta: seus grandes e brilhantes olhos amarelos.
Me sentei ao lado dela, infelizmente era a única carteira vaga.
– Lya Berbman. — a voz da garota era fria e seca.
– Sim? Ãhn... bem, como você sabe? — perguntei.
– Sou Trisha.
– Prazer, eu acho.
– Nos meus tempos vagos ajudo a coordenadora a dar boas vindas aos calouros. — sua voz emitiu um pequeno eco.
–Que legal — tentei ser simpática.
– Errado, não é nada legal. — sua voz ficou mais rígida.
– Você... — fiz um gesto com os dedos indicando sua garganta — sua voz, você está bem? — ela tossiu e me encarou.
– Depois da aula, filha dos mares.
– Filha do que? — perguntei sem entender muito bem, ela era bastante estranha, conversar com ela me deixou com um mau pressentimento.
O professor de história entrou, era um rapaz baixo, tinha uma barriga meio saliente como bebesse muito. Usava um boné um pouquinho grande demais para a cabeça dele, tinha cabelos castanhos escuros e possuía olhos da mesma cor. Ele usava muletas e ria de uma forma escandalosa.
– Booom dia, pombinhos, sou o professor de história de vocês como alguns já conhecem e para os novatos meu nome é Toot. — segurei meu riso, o nome e a forma como falava era engraçado. Ele começou a aula e parecia que se dirigia totalmente a atenção para mim. Acho que era por eu ter dislexia e TDAH, não sei direito.
A aula foi rápida e logo tocou o sinal, tentei ficar longe da Trisha, pois seja lá o que ela disse não queria me meter em problemas, pelo menos por uma semana.
Olhei para meu calendário e vi que a próxima aula começaria daqui a 40 minutos, o que significava que daria tempo para poder conhecer a escola. Fui caminhando por alguns corredores, entrei em uma parte que parecia abandonada, estava deserta. Achei um mapa da escola que era extremamente grande, como tenho dislexia, foi difícil ler a plaquinha do corredor e procura-lo no mapa.
– Precisa de ajuda? — sentiu uma mão no ombro e logo me virei, era Trisha.
– Acho que sim.
– Então venha até aqui comigo. — ela pegou minha mão e foi levando até uma sala, com muito sacrifício consegui ler a placa "Laboratório — B" e então entramos.
– Por que viemos para o laboratório? — disse procurando um interruptor, a sala estava extremamente escura.
– Graunch– escutei um rosnado, e então quando acendi a luz, percebi que Trisha não era exatamente uma pessoa. Ela possuía uma calda, não deu para ver direito pois estava na sombra de um armário.
– Você... tem uma calda — arregalei os olhos
– Sou uma Dracaenae da Cítia. — ela saiu das sombras ficando na direção da luz.
Ela tinha pele verde e escamosa, olhos amarelos e duas caldas ao invés de pernas, horrivelmente tenebrosa. Ela vestida uma blusa azul, segurava um escudo na mão esquerda e na direita possuía uma lança.
– Você irá perder — ela rosnou.
– É o que veremos.
Eu não sabia muito bem o que fazer, eu sobrevivera aos outros ataques de coisas sobrenaturais com sorte, sempre havia alguém por perto para estranhar nosso comportamento. Eu apenas me perguntava uma coisa: como eles não viam os monstros?
Corri por algumas bancadas e peguei o apoio de um esqueleto que se espatifou no chão, ele me serviu como uma espada. Investi e acabei acertando sua cabeça, que achatou e fez ela rir.
– Isso não poderá me derrotar — ela dizia e quando olhei, sua cabeça havia voltado ao normal.
– O que você quer? Eu não tenho nada valioso. — gritei
– Eu quero apenas uma coisinha, seu poder — ela enroscou uma de suas caldas na minha perna me derrubando em um armário, fazendo suas prateleiras cair sobre mim. Tentei me levantar, mas estava com um corte na perna que estava doendo muito.
– Diga suas últimas palavras — ela se aproximou colocando uma das caldas em minha barriga para me segurar, sua lança estava a apenas 2cm do meu rosto. Estava cansada, a única coisa que poderia fazer era pedir por socorro.
– Socorro — gritei, e por fim ela afundou a lança.
Escutei um estrondo, estava no paraíso? Abri os olhos e continuava no laboratório. Que milagre acontecera? Eu estava viva. Me sentei e vi um grande buraco na parede e o senhor Toot ao meu lado.
– Como? Isso foi... impossível, ninguém nunca... — ele resmungava.
– O que aconteceu? A mulher-dragão, eu... por favor, não me expulse.
– O que? Cara, isso foi incrível.
– Incrível? Eu... eu preciso sair daqui, ela vai me pegar, ela vai... — estava tonta e cai deitada, ele me ajudou a levantar e percebi que não estava usando as muletas que estavam encostada perto da porta. — você consegue andar... estou muito tonta.
– Preciso te tirar daqui, levarei você em segurança para o Acampamento, quando se recuperar contarei o que aconteceu, bem, pelo menos até que ponto eu vi.
– Acampamento? Minha mãe, preciso avisar a ela. — escutou um passos e vozes se aproximando do corredor.
– Rápido, consegue andar? — Ele pegou as muletas e então me encarou esperançoso.
– Claro.
– Ah, que bom, o acampamento fica longe, teremos que pegar um táxi, e agora... — a coordenadora o interrompeu abrindo a porta, antes que pudesse virar a sala, fugimos pela grande passagem na parede.
Chegamos na avenida principal, não sentia minha perna, olhei e vi que o corte estava grave. Me apoiei em um poste, rasguei uma manga do meu casaco e envolvi na perna. Meu professor Toot me ajudou ir até o ponto do táxi. Entrei no carro, e meu professor logo atras. Ele disse alguma coisa e apaguei no ombro dele.
Fui dormindo a viagem inteira, sonhei com algo estranho, a voz de Trisha, a dracaenae estava me atordoando. Fui acordada pelo Toot, ele pagou o taxista e subimos uma colina, ao topo encontramos um grande arco, onde se lia:
– Acampamento Meio-Sangue. — encarei o professor Toot que não usava mais suas muletas..
– Certo.
Passamos por um grande pinheiro onde tinha em um dos galhos um velocino de ouro, um pouco mais abaixo tinha a quadra de vôlei até chegar em uma enorme casa.
– Bem vinda a Casa Grande, sede do acampamento, onde todos os conselhos de guerra são mantidos para os conselheiros sênior.
– Ual — subi um degrau da escada e minha perna latejou, estava queimando.
– Minha nossa, preciso leva-la para a enfermaria. — ele me pegou no colo e apaguei.
Acordei em uma maca, estava na enfermaria. O local estava lotado, pessoas deitadas sendo atendidas, enfermeiros andando para la e para cá com garrafas e pratos nas mãos. Me sentei na cama e aos meus pés vi o meu professor de história.
– Toot? — me assustei com o que vi, cocei os olhos para ver se não estava sonhando — Você é metade bode.
– O mais correto seria sátiro, mas como você é novata, aceitarei a referência.
– Eu estou ficando maluca. — cai deitada novamente analisando o que acontecera naquela manhã.
– Você é poderosa.
– O que? Eu? Eu sou uma garota problemática, como posso ser poderosa?
– Quando cheguei no laboratório, vi você debaixo de algumas prateleiras e a dracaenae prestes a enfiar sua lança em você.
– Isso eu me lembro, mas e depois?
– Eu só tive tempo de correr até ela e a empurrar, mas fui um pouco lento. Ela enfiara a lança, mas aconteceu algo inesperado, algo que não acontecia faz séculos.
– O que aconteceu?
– Ela fincou sua lança em você, a lança simplesmente se espatifou em mil pedaços e a dracaenae foi arremessada para a parede, causando aquele buraco terrível e depois ela virou pó.
– Cara, isso é meio... coisa de outro mundo.
– Olha, sabe a aula que dei para você hoje? Então, os deuses existem. Aquelas história todas, eram reais. Você é uma semideusa. Seu pai ou mãe o reclamará logo logo.
– Minha mãe... sabe? — ele assentiu.
– Ela não te contou por sua própria segurança.
– Olha, eu não sou muito bom para explicar essa história para você, pois bem, os deuses quando vem para a terra eles meio que ficam, ai criam semideuses que são fruto desse relacionamento. Você é um deles.
– Então minha mãe ficou com um deus? Credo
– E o acampamento ele é para proteger e treinar esses semideuses em caso de algum ataque de monstro como você teve. E assim, os monstros eles morrem e vão direto para o submundo, só que sua essência aos poucos vai... como posso dizer? Se juntando? Até ele renascer.
– Então não adianta mata-los?
– Claro que adianta, por que eles podem voltar daqui a uma semana, daqui a um mês ou até mesmo daqui a um século. Bom, quem poderá te explicar isso melhor para você é o Quíron, o mentor e diretor de atividade no acampamento.
– Ele não é um... sátiro né?
– Claro que não — percebi que forçava para não rir — ele é um centauro.
– Ual, então tem um monte desses bichos por ai?
– Poxa.
– Quer dizer, sem ofender é claro.
– Sim, ah, você ficará no chalé de Hermes até ser reclamada, você irá se enturmar com os campistas, super gente boa.
– Preciso saber de mais alguma coisa?
– Sim, não crie briga com o chalé de Ares, se não estaria frita. — ele passou o dedo no pescoço, o que me fez rir.
Nesse momento um enfermeiro veio e me deu um copo com um liquido estranho dentro
– Beba, vai lhe fazer bem. — ele era alto e bonito, tinha cabelos castanhos e olhos azuis.
– O que é isso que estou bebendo? — quando dei um gole, senti o gosto de coca.
– Néctar — ele respondeu — sentira o gosto do que você mais gosta.
– Que delícia. — terminei de beber e me perguntei por que o remédio mortal não era assim também.
– Agora você irá melhorar, mas cuidado, néctar e ambrosia em excesso queimara você viva.
– Cruzes. — fiz uma careta.
– Novata correto Toot? — o garoto perguntou.
– Chegou agorinha, depois de derrotar uma dracaenae.
– Ei, isso não é nada demais.
– Curioso, você não parece uma menina que saiba lutar. — ele sorriu.
– Vou levar isso como um... bem... não vou levar.
– Prazer, Max, filho de Apolo.
– Lya, filha de algum deus. — ele riu.
– Bom, tenho que atender mais gente, nos vemos por ai. — ele se despediu e saiu andando.
– Mal chegou e já está arrasando corações. — brincou Toot.
– Ah, cala a boca, a única coisa que pensaria era ter um... arg, namorado. — ele riu e continuou a falar sobre a história de deuses e semideuses.
Ele tentou explicar com mais detalhes só que acabei entendo a parte em que o Olimpo estava localizado no Empire State Building em Nova York, entre outras coisas. Depois de alguns minutos nos levantamos, estava muito melhor e fomos até o refeitório, Toot disse que depois do almoço era pra conversar com Quíron.
Não queria que meu pai fosse Apolo, não queria ser meio-irmã de Max, não que eu goste dele, mas que seria estranho, eu não sei arco e flecha, não sei fazer poesia, nem gosto muito do sol. Queria muito que fosse filha Poseidon, eu amo o mar e acho que tem algo a ver sobre a dracaenae dizer que sou filha do deus dos mares. O que me resta é esperar.
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