The Train
1 Capítulo 1 - Uma pequena introdução
[P.O.V. Sen]
Desde pequena, vivi na rua. Não me lembro de uma altura em que estivesse no conforto duma cama à lareira, enquanto me ligava em realidade virtual, e os meus pais a olharem por mim. Só me lembro das noites à chuva que passei com o meu irmão, em becos estreitos e escuros, com medo que alguém nos apanhasse...
Mas isso não importa mais. Agora eu vivo na última carruagem do Memphis, o comboio maior do mundo. Já não preciso de chorar, ficar à chuva e roubar... tanto. Quer dizer, se não roubasse não podia comprar coisas, não é?
— Sen! Já chegámos ao vale Tenilo. — disse o meu irmão irritante, Shuzo. Era 3 anos mais velho que eu e muito sério. Só tentem fazer uma piada com ele...
— Finalmente! Onde está a água?
— Estamos no deserto. — disse a Roxane, a nossa "irmã" francesa toda chique. Tinha exatamente a mesma idade que eu (15 anos), mas parecia ter 12 anos, pela maneira que se comportava...
Ouvimos o robô da coluna que havia no teto da nossa carruagem dizer algo como "Bem vindos ao vale Tenilo, o sítio mais fresco e bonito do deserto Onihu! Aproveitem e refrescam-se, comam as maravilhosas sobremesas de tâmaras e dêem vários mergulhos na enorme lagoa!"
— AHA! Eu disse que havia água!
Depois disso fiz a dança mais ridícula que alguém já viu.
— Sim, há água. De facto, o vale Tenilo é o sítio mais habitável de todo o deserto. Água, comida, habitações... — disse a Kuro, a minha robô. Os seus cabelos dourados sintéticos, o tecido a imitar pele quase pálida e as lentes azul-claras faziam com que ela fosse ainda mais bonita que eu (E ela é um robô... Sou assim tão feia?).
Esqueci-me de nos descrever, não foi? Bem, eu sou a Sen Kurofuji, sou metade japonesa e metade norueguesa. Tenho 15 anos, o meu cabelo é preto e chega até ao meu peito, e os meus olhos são grandes e castanho-escuros. Sou um pouco baixa... E não tenho nenhuma habilidade (Sou parte dos 20% azarados da população...)
Depois, o meu irmão Shuzo (que é tão alto que me arrepia, comparado a mim) tem cabelo preto e olhos da mesma cor. Tem 18 anos e é um mandão... Ele controla os materiais em sua volta. Muito fixe!
A Roxane Jeannin, a nossa amiga francesa toda chique, é quase da minha altura, mas ainda é um pouco mais baixinha. Tem o cabelo castanho-claro, ainda mais comprido do que o meu, e olhos azul-turquesa. Ela controla o ar em sua volta... (Nunca fica com calor!)
E, para terminar, temos a Kuro. Como já tinha dito antes, ela tem o cabelo dourado até à cintura (para não dizer outra coisa), olhos azul-claros e é um pouco mais alta do que eu. Tem classificação D e é um robô semi-autónomo.
Pronto! Acabei a "pequena" introdução! Podemos retomar à parte interessante (eu!).
Vesti o meu biquini e peguei nas bóias de piscina e corri até à lagoa. Nem sequer parecia um deserto! Parecia uma praia! O Shuzo e a Roxane foram comer umas tâmaras e depois vieram ter comigo. A Kuro ficou a nadar (ela adora nadar, apesar de ser um robô...) enquanto nós jogávamos a jogos.
Enfim, parecia que tínhamos 4 anos.
"Que seca, ninguém quer saber das tuas brincadeiras infantis" esperem! É agora que começa a aventura!
Eu fui à casa de banho (banheiro). Depois de algum tempo, quando me preparava para sair, ouvi dois homens na entrada a falar.
— Tens as peças? — disse um.
— Tenho. Tens o dinheiro? — disse o outro.
— Claro. Agora despacha isso, não quero deixar a chefe a esperar.
Ambos tinhas dois mantos e tatuagens estranhas nas mãos. Uma era uma espécie de olho, e a outra era um símbolo que parecia algo vindo de um livro de fantasia... Eu tirei uma fotografia (sorte que eu trouxe o tira-fotos-instantâneas para cá!) e escondi-me.
Quando nós voltámos para a carruagem, mesmo à meia noite, eu peguei no computador e pesquisei as tatuagens. E descobri algo aterrador...
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