Finalmente chegou a hora, a hora da festa. Eu já estava acomodada em um dos quartos de visita quando finalmente decidi me arrumar.

Coloquei um vestido preto que tinha usado em minha formatura do Ensino Médio, eu gostava dele pois ele era bem discreto; ele era alguns centímetros acima do joelho, e o pescoço era coberto por pedras pedras.

Soltei meus cabelos, e finalmente olhei pro espelho. Meus cabelos loiros destacavam naquele vestido, meus olhos ficaram num verde escuro, e finalmente o batom vermelho completava o disfarce perfeito pra uma forasteira.

Ouvi batidas na porta, e gritei pra que entrasse logo. Era a pessoa que eu mais queria ver, James.

– Sam, você está mais linda do que hoje cedo no aeroporto. E minha mãe lhe pediu pra entregar isso. — Ele balançou umas sandálias pretas de salto, do qual combinaria perfeitamente com meu vestido, e começou a sorrir pra mim.

– Por que está me olhando assim? — Comecei a rir e logo peguei os sapatos, calçando-os na maior delicadeza que alguém poderia ter. — Ficou legal?

– Agora você está perfeita, vamos descer. Tenho que lhe apresentar pra alguns amigos meus. — Ele começou a rir e me puxou pela cintura, me guiando para o salão de festas.

Quando cheguei lá só via gente com ternos de gala, e usavam um símbolo no lado esquerdo do peito que não consegui identificar. Mas enquanto eu estava olhando pros símbolos, senti que alguém estava olhando pra mim, e logo ele veio conversar com James.

– James, James.. Sempre com belas companhias. Quem seria essa mais bela dama? — Ele pegou minha mão e a beijou, na hora que ele levantou procurei o símbolo que tinha visto no terno de outros caras, ele não tinha nada. Os olhos castanhos dele olharam diretamente pros meus, enquanto os cabelos cor de areia caiam sobre sua testa.

– Samantha Rose este é Alexandre Fehn. Fehn, esta é Sam. Ela é minha amiga, então não tente nenhuma gracinha em cima dela. — James falou com um tom tão possessivo que cheguei a pensar que ele estava bancando o "namorado ciumento". Respirei fundo e olhei pra Alexandre e sorri.

– Posso falar com a senhorita em particular? — Ele cochichou em meu ouvido, e James estava batendo o pé do meu lado, olhando pra janela.

– Pode, claro. Já volto James. — Não deu tempo nem de ele falar "ok", já fui saindo logo atrás de Alexandre.

Ele me levou a um lugar isolado da casa, um lugar que estávamos a sós, eu e ele.

– Eu sei quem você é de verdade. E você não pode confiar nesse cara, ele quer matar você e vai te matar assim que tiver a chance. — Ele continuava a me olhar, enquanto aguardava a minha resposta e segurava as minhas mãos.

– O que? Do que você está falando? Eu não tenho a miníma idéia de quem você seja. — Logo tirei as mãos dele das minhas, e o empurrei. — E quem você pensa que você é pra falar assim de James? — Continuei a sustentar o seu olhar, com um ar tenso.

– Eu e você sabemos do que eu estou falando. Você é a única filha e herdeira de Katherine e James Tolomei. Eu sou seu salvador, o seu Romeo. E vim te salvar de James por que ele te quer morta, é isso que ele sempre quis, junto á seu tio Auguste, claro. Eles são um clã por assim dizer, minha Giulietta. — Ele voltou a fitar meus olhos, mais eu não conseguia pensar em mais nada a não ser meus pais, e a pesquisa, meu tio, o clã, tudo fazia sentido.

– O que? Como pode ter tanta certeza disso? E, pra sua informação não existe isso de Romeo e Giulietta, isso tudo é mentira, bobagem. — Comecei a olhar pro chão, buscando sentido em tudo aquilo que ele falava.

– Você acha que é obra do destino você e ele terem se conhecido no Aeroporto? Pense comigo, Samantha, seu tio estava te vigiando o tempo todo, ele sabia o que você iria fazer. E como eu posso ter tanta certeza? Confira a parte de trás dos seus sapatos, tem uma luz vermelha piscando. E sim isso é um rastreador. — Ele me fitou de um jeito tão sério que comecei a levar em consideração tudo aquilo que ele estava falando. — E se não existisse, como eu poderia saber que o seu sobrenome verdadeiro é Tolomei? Fomos feitos um pro outro, a família Salimbeni e Tolomei deve permanecer junta.

Comecei a procurar o rastreador em meu sapato, e finalmente achei. Tirei aqueles sapatos na hora, tinha esperança que ele poderia fazer algo pra me ajudar a descobrir quem eu era de verdade.

– O que vamos fazer agora? — Olhei pra aqueles olhos castanhos, cheios de expectativa.

– Vamos fugir. — Ele me pegou e logo foi correndo comigo em direção ao portão.

Meu último pensamento antes de deixar aquele casarão foi: "Adeus família Becker, até nunca mais."