The Time Of Hubble
1 O Começo Tempestuoso
Em uma casa que aparentava estar abandonada, Hubble acordou. Levantou-se e se dirigiu para o centro do que, a primeira vista, lembrava um quarto. A sua frente se encontrava a cama, cuja qual havia levantado a pouco, com uma cabeceira do lado. Hubble se encontrava desnorteado, sua memória não lhe ajudava a lembrar o que houvera feito antes. Na verdade, o que era do seu conhecimento naquele momento eram somente seu nome e idade. Isso lhe preocupou, já que não é normal esse tipo de acontecimento com adolescentes de 17 anos.
Tateou seus bolsos para tentar encontrar algum vestígio ou objeto que o fizesse recobrar sua memória, somente encontrou um bilhete que o fez ficar ainda mais confuso. Nele estava escrito: “Olhar no espelho do banheiro.” O mais estranho do bilhete era o fato do mesmo ter sido escrito com a letra do próprio Hubble. Olhou para a porta a sua direita que estava entreaberta e pôde ver o chuveiro; aquele era o banheiro. Fez um pequeno esforço e a porta se abriu por completa, fazendo com que ele se deparasse com uma foto grudada no espelho que existia ali. Nela se encontravam duas pessoas: um homem de cor de pele branco de altura mediana, cabelo preto, de porte físico forte e com olhos verde-claro; do lado dele estava uma mulher que, como o homem ao seu lado, aparentava ter 18 anos, possuía cor de pele branca, cabelo loiro longo e porte físico normal para uma mulher com sua estrutura física.
Ambos pareciam que haviam sido pegos de surpresa, pois os dois não possuíam nenhum tipo de sorriso e obtinham uma linha de movimento ao redor deles o que indicava que os mesmos haviam se movimentado no exato momento da foto. Hubble arrancou a fotografia da fita adesiva que a prendia ao espelho e olhou no verso da mesma. Ao focalizar o que estava escrito pode ver que, como o bilhete encontrado em seu bolso, estava escrito com sua letra a seguinte mensagem: “Procurar DL.” DL?! Poderia ser a inicial de um nome, um endereço, uma senha, muitas coisas. Como somente se encontravam na foto o homem e a mulher, Hubble deduziu que os mesmos teriam algo haver com isso. Também chegou a conclusão de que se quisesse saber o que havia acontecido teria de encontrá-los. Antes de sair do banheiro, olhou-se no espelho. Estava com sua cara pálida ofuscada pelos seus cabelos negros curtos que Hubble cultivava, também era da mesma altura do homem que estava na foto. Seus olhos castanho-claros de nada lembravam os olhos azul-claros da mulher da foto o qual não tivera reparado.
Ao sair do banheiro, dobrou a foto e colocou-a no bolso. Olhou para a cabeceira e viu que ali se encontrava um óculos, colocou-o. Percebeu que sua visão melhorou consideravelmente; deveria possuir um grau baixo de miopia. Abriu a gaveta e encontrou um celular, seu celular. No papel de parede, havia uma foto de Hubble com uma menina que ele rapidamente reconheceu como Yuki. Estava recobrando a memória. Saiu do quarto onde se encontrava e na sala daquela casa macabra, reparou que a foto que havia encontrado no banheiro havia sido capturada ali. Era um lugar deplorável com todos os móveis destruídos e as paredes cheias de buracos. Somente o quarto onde havia dormido conseguira escapar desta destruição.
Quando passou pela porta de saída da casa, já havia recobrado quase totalmente sua memória. Em sua cabeça ainda pairava a dúvida do que havia feito na noite anterior cuja não se lembrava de nada. Pegou seu celular ligou para Yuki que era única pessoa que poderia esclarecê-lo naquele momento. Após chamar por alguns instantes, alguém atendeu:
- Alô? – falou alguém do outro lado da linha
- Yuki? – perguntou Hubble
- Hubble é você? –
- Sim. –
- Onde você esteve todo esse tempo? –
- Todo esse tempo? –
- É, você ficou fora por 6 dias. –
A ligação foi encerrada. Na verdade, Hubble a encerrou. Não acreditava que havia ficado todo esse tempo fora de casa. Entrou na primeira lanchonete que encontrou, pediu um café e sentou em um dos bancos. Saboreou a bebida que havia pedido e começou a organizar o quebra-cabeça que era sua mente aquele instante; decidiu começar do seu aniversario de 17 anos que ocorrera alguns dias atrás, pois, foi nele que as coisas começaram a fugir do seu controle.
***
Hubble estava em sua casa onde dividia com Yuki. Sentado no sofá assistindo televisão, não pensava em mais nada interessante para fazer. Esse momento era raro na sua turbulenta vida de colegial. Ele e Yuki por estudarem na mesma escola e serem ambos intelectuais natos, não possuíam problemas com notas ou outros assuntos envolvendo a vida estudantil. Para ficarem em tal nível de conforto, sacrificavam muitos prazeres que poderiam usufruir de suas vidas pessoais. Mas para Hubble pouco importava, convivera quase que sua vida inteira com sua adorável meia-irmã. Para ele, ela era o bem mais precioso que herdara em sua vida.
- Hubble, você não quer sair um pouco? – perguntou-lhe Yuki.
- Precisamos estudar, daqui a poucos dias teremos mais uma prova e não podemos baixar nossas médias excepcionais. – respondeu Hubble, prontamente.
- Hubble, você está muito paranóico em relação à escola. Nossas médias, como você mesmo disse, são excepcionais. Não importa se formos mal, em pelo menos essa prova. Eu queria sair para me divertir com você, esses dias estão se transformando em momentos raros em nossas vidas. Depois de um tempo, nos separaremos e cada um terá seu trabalho e família; com isso nossos momentos juntos diminuirão quase que totalmente. E... – suplicava Yuki
- Está bem, Yuki. – disse Hubble desligando a televisão e se colocando de pé ao lado da poltrona que antes estava acomodado – Se é para agradar minha irmãzinha preferida, eu vou com você.
- Ah, que gracinha. – disse Yuki, se desmanchando.
Os dois então se dirigiram a porta, já sabiam aonde iriam. A boate preferida de ambos era a Alsina, aonde iam sempre que lhes era possivel. Música eletrônica da melhor qualidade e pessoas ideais de se conversar. Ao chegarem lá, já foram para a mesa a que sempre frequentavam e na mesa ao lado encontraram colegas da escola; começaram a conversar. Após um longo tempo de conversa, Hubble começou a reparar nas duas pessoas sentadas na mesa ao lado que insistiam em obseva-lo. No começo achou que observavam Yuki, mas com o tempo começou a reparar que eles estavam vidrados nele. As pessoas que o obsevavam eram um casal que aparentava possuir a mesma idade.
***
“As pessoas da foto.” Pensou Hubble sozinho na lanchonete. Precisava encontrá-las. De repente, o som da porta da lanchonete se abrindo interrompeu seus pensamentos; sempre interrompia, Hubble gostava de ver quem entrava na lanchonete onde se encontrava. Um homem de aparência mais velha que a dele, moreno e com porte físico forte foi caminhando em sua direção. Possuía um cabelo preto um pouco maior que o de Hubble, usava um All Star xadrez de cor preta e branca, calça Jeans reta de cor preta, uma blusa preta com uma imagem de um relógio na frente de cor branca com ponteiros na cor dourada. Por cima da blusa, utilizava-se de uma blusa social vermelho-sangue com algo escrito nas costas, cujo Hubble não conseguiu ler naquele momento. Ao chegar ao encontro de Hubble, o homem disse:
- Precisaram conversar urgentemente, Hubble. –
Hubble sabia exatamente quem ele era e o que fazer com ele.
***
Hubble preferiu deixar para lá, poderia ser somente uma paranóia de sua cabeça.
- Ei, Hub. Sua testa está suja vá ao banheiro para ver. – falou John, um dos amigos da sua escola
- Está bem. Estou indo lá.
Quando Hubble estava saindo da mesa em direção ao banheiro, vários dos seus amigos chegaram e foram falar com Yuki:
- Você acha que ele descobriu algo?
- Não, acho até que ele esqueceu. – falou Yuki, tirando o bolo que ela havia deixado para John esconder.
- Quando ele chegar aqui, nós batemos parabéns. – falou Yuki para todos
***
- Hubble, ouviu? Nós precisamos conversar.
- Eu não vou conversar coisa alguma com você. – bravejou Hubble
Dizendo isso, Hubble correu para a porta com o único pensamento de encontrar aquelas duas pessoas, as quais habitavam suas lembranças e estavam na fotografia. Enquanto isso, o homem que havia ficado na lanchonete pegou seu celular, ligou e disse:
- Ele está começando a se lembrar, Leoben.
Fale com o autor