The Time Machine
18 Meu Sacrifício
Notas iniciais

Um tempo depois...
Narcisa estava á beira da morte, tudo estava ainda mais difícil agora que a matriarca estava esperando sua hora.
–Chame Scorpius e a garota Lovegood. –Pediu.
–Vou mandar chama-los mãe. –Draco saiu do quarto, seus olhos estavam inchados.
Mais tarde naquele mesmo dia Scorpius e Bianca chagaram juntos á Mansão Malfoy.
–Entre Scorpius. –Astoria apareceu na porta com a cabeça baixa.
Scorpius sentou-se ao lado da avó na cama dela, a mulher estava quase morrendo, ambos sabiam disso.
–Você me chamou, diz pra mim que não vai ficar em silêncio, por favor. –O loiro suspirou olhando para a avó.
–Eu chamei você aqui porque preciso te dar um conselho. –A mulher encarou-o. –Scorpius você a ama? –Perguntou.
–Quem? -Ele sabia de quem a avó falava.
–A garota Lovegood. –Disse.
–Ela mentiu pra mim. –Abaixou a cabeça.
–Não perguntei o que ela fez, perguntei se você a ama. –A mulher foi clara.
–O que adiantaria afirmar? –Arqueou a sobrancelha.
–Vou lhe contar uma história, escute-a bem. –Começou. –Um dia nessa casa morou um loiro de olhos azuis,como os seus, ele amava uma garota e eles namoravam escondidos, um dia a mãe dele convenceu á garota de que o melhor para o loiro seria que ela o deixasse livre, que ela o libertasse, essa mãe garantiu á aquela moça de que ela teria um casamento estável e família linda e ela aceitou aquilo porque achava que estava protegendo o rapaz que amava. –Já chorava. –Anos depois aquela mãe percebeu o quão mal ela fez, nem o filho, nem muito menos a moça estavam felizes separados. –Encarou ainda mais o neto. –Aquela mulher era eu e a única coisa boa que o meu erro trouxe á essa família foi você. –Segurou-lhe a mão. –Scorpius, escute o que sua avó diz, fiquei em silêncio tempo o suficiente para ter as palavras certas para dizer agora.Meu neto, se você a ama lute por ela, esqueça os erros dela, pois eu tenho certeza de que ela só o fez para protegê-lo. –Garantiu.
–E se eu estivesse com Rose agora ou ela com Albus? –Contou.
–Um dia, quando você era pequeno, você entrou aqui e me disse que gostava da garota Weasley e achei ter visto em seus olhos o brilho que um dia vi nos olhos de seu pai, mas no dia em que você entrou nesse quarto com a menina Lovegood eu vi em seus olhos aquele brilho. –Tentou achar algo mais para falar. –Se você realmente a ama diga, porque meu querido, corações podem ser dilacerados por palavras que jamais foram pronunciadas. –Ela estava certa. –Faça a escolha certa Scorpius, uma escolha pode mudar sua vida inteira. –Disse
–Eu amo você vó, mas não posso ficar com alguém que não confio mais. –Saiu do quarto.
–Não a deixe ir Scorpius, sei que a ama, lute por ela. –Aconselhou.
Scorpius assentiu e abraçou a avó e sussurrou “Amo a senhora.” E saiu.
Bianca entrou.
–Menina, sente aqui. –Pediu. –Sei o quanto você ama meu neto, sei que se sacrificou por ele, sei que você guardou o segredo para protegê-lo e sei que esse amor que você sente por ele não morrerá nunca. –Bianca já chorava. –O amor de vocês é como essa fênix que está no seu pingente, uma hora ou outra ressurgirá das cinzas sempre. –Sorriu de canto. –O meu erro custou a sua felicidade, criança. O amor de Draco e Hermione foi transferido para Scorpius e Rose, eles são predestinados. Por mais que eu goste de vocês juntos o amor de vocês é amaldiçoado, mas se você o ama ,como eu acho que ama, lute por ele, lute contra o destino e serão como uma fênix. –Aconselhou.
–Lutar contra o destino será tão difícil e impossível, eles ficarão juntos assim como o destino quer que seja. –Bianca abaixou a cabeça.
–Ele ama você, e você tem duas alternativas, ou você luta por ele ou você desiste. –Disse.
–É perigoso lutar contra o destino, muitos de nós podem se machucar. Eu não desisti dele, mas não posso impedir que ele seja feliz. A felicidade dele é a minha, amar é sacrifício. –Chorou.
–Eu espero que você esteja certa criança. –Narcisa sorriu para ela.
Duas horas depois Narcisa se foi.
No outro dia...
Rose corria pelos corredores de Hogwarts com quatro envelopes em suas mãos.
–Hermione. –Gritou e a morena se virou assustada.
–Rose. –Disse com um misto de surpresa e medo.
–Em primeiro eu quero lhe pedir perdão pelas coisas que falei e fiz, pelo meu comportamento infantil e por ter desprezado você. –A ruiva desabafou.
–E eu quero que você me perdoe por ter mentido para você. –Hermione disse e Rose assentiu, as duas se abraçaram.
–Essa é a minha carta. –Entregou o primeiro envelope. –Esse do Scorpius, esse do Albus e esse a Bianca mandou pelo Al. –Entregou-os. –Entregue-os para nós quando completarmos dezessete anos. –Pediu.
–Entregarei. –Pegou os envelopes.
Scorpius, Albus e Draco estavam prestes a ter sua primeira conversa quando uma música começou a soar pelos alto falantes.
–O que está acontecendo? –Scorpius perguntou.
–Uma despedida. –Hermione disse chegando perto deles.
–De quem? –Rose perguntou.
–Está na hora Draco, hora de voltar para casa. –Abaixou a cabeça.
–Foi você que pediu essa música? –Draco perguntou.
–Não. Acho que Minerva quis dar um toque de drama. –Hermione sorriu de lado.
–Eu só quero me despedir de você. –Draco virou-se para Scorpius.
–Desculpe por eu ter tido um comportamento de criança. –Abraçou-o. –Conte essas para mim quando eu nascer. –Pediu.
–Contarei. –Sorriu.
–Albus. –Hermione apertou a bochecha do rapaz. –Rose. –Fez o mesmo com a ruiva. –Eu amo vocês, obrigada por tudo e me perdoem pela bagunça. –Os abraçou.
Draco e Hermione seguraram um na mão do outro e começaram á andar. Foi então que Scorpius juntou os pontos.
“Você é o meu sacrifício.” Bianca havia dito isso á ele e a música que acabara de tocar dizia “Isso trás lágrimas aos meus olhos, meu sacrifício”.
–Ela mentiu para nós novamente. –Scorpius disse se preparando para correr.
–Ela não achou outra maneira, ela vai se sacrificar. –Albus deduziu em pânico.
Scorpius saiu correndo, Albus e Rose o seguiram, mas ele corria bem mais rápido que eles. Rose tropeçava em seus próprios pés e Albus segurava sua mão puxando-a sem deixa-la cair.
Draco e Hermione chegaram até o jardim que era onde a máquina estava, Bianca estava mexendo nos botões que ela havia colocado do lado de fora da máquina.
–Sejam felizes. –Bianca os abraçou.
–Seremos. –Hermione disse.
–Prometam-me? –Perguntou.
–Prometemos. –Draco respondeu.
–Entrem na máquina. –Pediu com os olhos cheios da lágrima.
–Não haverá mesmo sacrifício? –Hermione pediu uma confirmação e a loira assentiu com a cabeça.
Draco e Hermione já estavam na máquina, mas para ela funcionar o destino cobraria um preço alto e Bianca estava disposta á pagar.
–Bia o que está acontecendo? –Hermione perguntou ao sentir o vento forte e o chão tremer.
–Bianca não faça isso. –Scorpius gritou enquanto corria para impedi-la.
–Não há nada que possamos fazer. –Bianca respondeu.
–Bianca o que está acontecendo? –Hermione gritou e tentou abrir a porta.
–Conserte as coisas Hell’s, faça valer a pena o meu sacrifício. –Pediu.
–Sacrifício? –Perguntou. –Você disse que havia encontrado outra maneira. –Hermione esmurrava a porta tentando abri-la.
–Eu não vou deixar. –Scorpius tentou se aproximar. –Você não vai morrer. –Gritou ainda um pouco longe dela.
Bianca lançou um feitiço antes que ele a alcançasse, o loiro ficou paralisado.
A loira olhou para ele, os olhos de ambos estavam cheios de lágrimas.
–Sinto muito. –Abaixou a cabeça e apertou um dos botões.
Então algo, talvez uma flecha invisível, atravessou o peito da loira que se manteve em pé por seis segundos e depois caiu de joelhos.
–Bia. –Hermione, Albus e Rose gritaram num uníssono.
Scorpius saiu do efeito do feitiço e correu até a loira, apoiou a cabeça da moça em seu corpo e as lágrimas escorriam.
–Scorpius me perdoa. –Pediu. –Todo esse tempo eu só quis o seu perdão. –O corpo perdendo as forças. –Eu amo você. –O peito subia e descia. –Me perdoa? –Tentou encara-lo, mas seus olhos não obedeciam mais.
–Eu amo você. –Scorpius chorava. –Eu te amei por todo esse tempo e eu te perdoo. –Acariciou o rosto da loira que sorriu. –Continue respirando, apenas continue respirando. –Implorava. –Sinto sua falta. –Apertou a mão da garota. –Não me deixe, por favor. –Pediu. –Apenas continue respirando. –Implorava. –Me perdoa e continua respirando. Sinto muito por ter sido um idiota e ter feito e dito aquelas coisas idiotas. Continue respirando. –Pedia ainda mais essa vez. –Não me deixe sozinho. –Pediu.
–Eu não vou, estarei sempre no seu coração, sã e salva. Você ficará bem. –O peito subia e descia.
–Eu quero que você esteja aqui e viva. –Segurou a mão da loira ainda mais forte.
–Acredite em mim, é o melhor. –Conseguiu por fim encara-lo. –Eu amo você, sempre amarei. Lembra-se da fênix? –Scorpius olhou para baixo e lá estava o pingente. –Apenas saiba que eu... –Sufocou. –Amo você. –Revirou os olhos. Estava arfando. –Sempre. –O braço esquerdo escorregou e bateu contra o chão, seus olhos imóveis, seu peito inerte, sua boca sem sangue. Ela havia partido.
–Não. Não. Não. –Scorpius negava-se a aceitar. –Volta. –Pediu abraçando o corpo sem vida.
Tomou coragem e fechou delicadamente os olhos da garota, seria a última vez que ele veria aqueles olhos azuis.
Hermione levou a mão á boca chorando, Draco permitiu-se chorar também, Rose abraçou-se á Albus, ambos choravam.
–Não me deixe. –Scorpius continuava implorando.
Um vento ainda mais forte começou, ele olhou para a máquina e pela última vez viu o rosto de Hermione, a máquina simplesmente sumiu, ele olhou para trás e tudo estava sendo apagado, tudo estava branco.
–Rose segure-se em mim. –Albus pediu e a ruiva enterrou a cabeça no peito do rapaz.
–Tudo vai mudar. –Rose disse aos prantos. –Me desculpe por tudo, me desculpe por não ter admitido o que eu sentia por você, apenas me perdoa. –Pediu.
–Eu nunca ficaria magoado com você, você que tem que me desculpar por ter escondido tantas coisas de você. –Abraçou-a protetoramente. –Eu acho que te amo. –Sussurrou.
–Eu também acho que te amo. –Estava chorando.
Rose ergueu-se um pouco e manteve seus lábios colados aos de Albus enquanto todo seu corpo começava a adormecer.
Eles também foram apagados, os últimos eram Scorpius e o corpo inverte da garota que ele amava. Ele abraçou-se ao corpo dela.
–Eu te amo e sempre vou te amar e não importa em qual mundo estejamos, não importa com quem eu esteja, eu sempre vou amar você Bianca Lovegood. –Selou-a. –Nosso amor é como uma fênix sempre renascerá. Sempre. –Fechou os olhos e sentiu seu corpo ficar dormente.
Tudo estava apagado. Tudo aquilo jamais existira de certa forma, apenas para Hermione e Draco que seriam os únicos a carregar o peso das lembranças e a culpa.
Bianca havia se sacrificado isso era verdade, mas antes disso ela já havia sacrificado outra coisa. Seu amor por Scorpius Hyperion Malfoy.
Narcisa estava certa, ao menos naquele futuro uma Granger nunca ficaria com um Malfoy.
Bianca estava certa ao dizer que amor era sacrifício e amar era ser sacrificado e ela o havia feito sem pensar nem uma única vez. Ela o amava e sempre o amaria.

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