The Time
7 VI
bri os olhos rapidamente, como se estivesse despertando de um sono ruim.
Meu olho doía e estava inchado, então não consegui abri-lo. Aliás, nem meu olho bom eu consegui. As luzes do ambiente eram fortíssimas.
Uma sombra tampou aquela luz incômoda. Ajustei a visão e vi que era John Carter. Me debati, mas eu estava presa, pelos pés e mãos, em uma maca.
— Se acalme, querida. – ele passou a mão pelo meu rosto. – Só quero sua ajuda.
— Não sou samaritana. Me solta agora! – vociferei.
— Só se você me ajudar.
— Ajudar a trazer sua filha morta de volta? Esquece. Já ferrei demais as realidades, linhas do tempo...
Levei um soco no nariz. Bati a cabeça na maca nesse processo. O sangue começou a escorrer, mas como eu estava deitada, comecei a engasgar.
— Não fale de Amanda. – ele fechou a cara e saiu.
Amanda?
Alguns médicos ou cientistas, não sabia ao certo, vieram me ajudar. Soltaram minhas mãos e me permitiram ficar sentada. Me deram um pano branco para que eu limpasse o sangue que escorria.
Eu estava molhada da chuva e aquela sala fria piorava tudo.
— Se eu te ajudar... – comecei e ele se virou para mim. – Você me deixa ir embora? Deixa os Parkers em paz?
— Mas é claro que deixo você ir. Quanto aos Parkers...Não garanto. Sempre foram pedras no meu sapato.
— Eles só queriam impedir um mundo caótico. – respondi.
— Mais caótico que isso? – ele abriu os braços. – Eu disse para os pais deles me ajudarem, não custava nada...Eu só queria ela de volta...MAS NÃO! – ele gritou e ficou alterado. – Só pensavam neles mesmos.
— Mas nada justifica você tirar a vida deles! Tirar tudo que Erik, Ashley e Jay tinham!
— Eu faço o que eu quero! Eu mando em tudo! Sou o dono de tudo!
— Como Amanda morreu? – perguntei sem rodeios.
— Isso não te interessa.
— Se quer minha ajuda, preciso saber a causa da morte dela. – menti.
— Seus poderes funcionam assim?
— Como sabe dos meus poderes?
— Seus amiguinhos não lhe disseram nada? Estas máquinas. – ele tocou uma enorme CPU. – Ela sente esse tipo de coisa. Então, quando sentiu esse poder absurdo que poderia trazer Amanda de volta, começou a mexer os pauzinhos.
— Do quê você está falando?
— Erik não te contou? – ele possuía um sorriso no rosto. – Eu o paguei para te trazer aqui. Para mentir que ele possuía poderes também, assim seria mais fácil de você acreditar.
Comecei a chorar. Erik havia mentido para mim o tempo todo. Como pode?
— Sinto muito, querida Samantha. Ele não é seu amigo. Mas eu sou. Se você me ajudar, seremos os deuses de todas as realidades.
Eu não entendia. Ele queria ser dono de tudo ou trazer sua filha? Ou será que era os dois?
Respirei fundo. Eu não havia nada a perder. Erik não era meu amigo, ele havia me enganado e mentido para mim.
— Eu te ajudarei.
Ele sorriu e colocou os braços para trás.
— Sabia decisão. Como você havia perguntado antes, Amanda se suicidou...
— Sinto muito. – eu disse ainda meio perdida.
— Eu também sinto. – ele retirou uma foto do bolso e me entregou.
Aquela era Amanda. Minha amiga. Minha melhor amiga.
Eu nunca havia perguntado, mas sabia que ela havia perdido seu pai. E eu sabia que seu sobrenome era...Carter.
— Qual o nome completo dela? – perguntei tremendo.
— Amanda Chloe Carter.
Cada nome parecia uma facada dolorosa e sem fim. Ela havia existido ali, mas não havia aguentado e tirado a própria vida.
— O quê preciso fazer? – perguntei.
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Eu estava sentado no chão gelado e molhado. Jay, Ashley e Yano estavam parados me observando incrédulos.
— Como você pode, Erik? – disse Yano com ódio na voz.
— Eu só queria que ficássemos bem...Que tivessemos o quê comer... – me levantei. – Mas eu mudei de ideia assim que a vi.
— E nos meteu em uma enrascada pior! – gritou Jay. – Eu adoro a Sam! Como você podê?
Baixei o olhar. Eu me sentia tão culpado. Jay nunca aumentava o tom de voz e ele fez isso comigo.
Sam era uma das melhores pessoas que eu havia conhecido e eu a havia enganado.
— Erik – começou Yano. – Se você deseja se redimir, tem que salvá-la. E mesmo se não quiser, eu vou salvá-la. Sam é uma boa e ela não merece o destino que você quis para ela.
Olhei para o céu fechado por nuvens muito escuras e desejei, naquele momento, ter o poder de voltar no tempo e desfazer tudo que eu causei.
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O pessoal do Carter me colocou dentro de uma máquina e fecharam a porta de vidro.
— Você só tem que fechar os olhos e desejar voltar no tempo pro dia 26 de Abril. A máquina faz o resto. – uma mulher loira disse.
— Okay. – respondi.
John Carter entrou na terceira máquina. A do meio continuava vazia.
— Quem vai entrar na do meio? – perguntei.
— A senhorita Amanda. – a mesma mulher respondeu. – Quando ela voltar.
Outro grupo ligou as máquinas e eu fiz o que me pediram. Estendi a mão e fechei os olhos, desejando voltar no dia da morte de Amanda.
Quando abri os olhos, lá estava ela. Parada em cima do prédio observando o mundo se movimentar.
— Amanda?
Ela se virou para mim rapidamente.
— Quem é você?
— Você não me conhece, mas quero te ajudar. Vem comigo, sai daí. — estendi a mão e fui andando lentamente até ela.
— Não! Eu já me decidi. Me deixe em paz! – ela me deu às costas.
— Isso não é uma escolha, Amanda. Eu entendo agora. A morte é inevitável, mas vem no seu tempo. – lembrei do meu pai naquele dia fatídico. – Você se foi cedo demais. Não é sua hora ainda!
Ela não me ouvia, então corri e segurei pelo braço.
— Você não vai morrer hoje!
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Yano estava comigo. Eu havia deixado Jay e Ashley em uma sala de câmeras segurança nos alertando de tudo. Estávamos na Base de Pesquisas Científicas e por incrível que pareça, não havia muita segurança.
Logo após derrubarmos alguns guardas, nos deparamos com um grupo de cientistas que se renderam facilmente.
— Onde está Samantha? – perguntei furiso.
— Quem é Samantha? – perguntou o único homem do grupo.
— É a menina que volta no tempo? – perguntou uma mulher de cabelos pretos.
— Essa mesmo. Onde ela está? O que estão fazendo com ela?
— O senhor Carter quer que ela volte no tempo para salvar a filha. Eles estão na sala dezesseis, a última desse corredor. – ela apontou para o corredor a direita.
Fomos correndo e as portas de vidro me deram o vislumbre do que acontecia. Sam gritava de dor enquanto se retorcia no chão daquela cápsula. Carter estava na última, mas não parecia sofrer tanto quanto ela. E na do meio, estava uma figura fantasmagórica que ainda se formava.
Um relâmpago seguido de um trovão iluminou ainda mais aquela sala. Bati na porta com força, os cientistas se assustaram e começaram a ficar perto uns dos outros.
— Abram esta porta! Agora? – comecei a esmurrar a porta, mas só saía sangue da minha mão.
— É blindada e provavelmente a prova de som. – disse Yano avaliando.
— Não tem nada de blindado aqui. – abri a bolsa e retirei uma arma maior.
— Tá maluco, E...
Antes que Yano pudesse me repreender e impedir, atirei naquela porta. O vidro estilhaçou e cortou meu rosto.
— Você tá bem? – perguntei a Yano.
— Não tô morto. – ele limpava o sangue que escorria do rosto.
Pisamos pelos cacos de vidros e entramos na sala.
— Desliguem essa máquina, agora! – gritei.
Eles estavam com medo, então me aproveitei disso. Apontei a arma para eles, Yano fez o mesmo.
— Desliguem essa merda de máquina, agora!
Um homem que estava sentado na cadeira do painel, desligou. Yano continuou apontando a arma para todos, enquanto eu fui até Sam. Coloquei minha mão no leitor e abri a porta.
Ela estava caída no chão, inconsciente ou quase isso. A peguei no colo e a coloquei na maca.
— Sam...? – falei passando a mão por seu rosto. – Consegue me ouvir, Sam?
Ela não se mexeu.
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Erik me chamava. Eu ouvia sua voz no íntimo da minha mente. Mas meu corpo não obedecia e tudo estava escuro.
Uma tempestade estava tão próxima de mim e eu sentia a aniquilação que continha em suas gotas.
Eu voltava no tempo, mesmo sem querer voltar. Eu via inúmeras realidades, inúmeras vidas.
Quando consegui enxergar uma luz, vi que era a coisa mais bela que qualquer ser poderia ver. Era uma estrela, azul e quente que explodia. E de cada explosão, uma realidade se formava.
Ao longe, havia uma pessoa. Me aproximei e vi que era Amanda.
— Por que você me salvou? – sua voz ecoava naquele lugar.
— Seu pai a queria viva. – respondi.
— Se ele me quisesse viva, não teria me matado um pouco a cada dia. Eu escolhi me livrar daquele tormento e você me tirou isso.
— Eu não tinha noção...Eu só...Não quero mais que as pessoas morram...
— Você sofre, Samantha. Quer se livrar desse sofrimento? – a voz que perguntou isso era tototalmente diferente da de antes.
— Eu quero.
Amanda assentiu com a cabeça. A estrela explodiu uma última vez, mas seus fragmentos foram sugados para dentro dela e se consumindo, apagando aquele brilho azul.
— Por que ganhei esses poderes?
— Para salvar a todos.
Acordei com tudo. Parecia que eu estava me afogando em um mar de desespero.
— Sam!
Erik estava ao meu lado. Eu o abracei forte e enquanto o fazia, vi a figura de Amanda sorrir e se dissipar.
Ele me ajudou a levantar da maca e me apoiou. Jay e Ashley apareceram.
— O quê estão fazendo aqui? Mandei ficarem na sala! – gritou Erik. – Que se dane! Vamos embora.
Yano andava para trás enquanto apontava arma.
— Ninguém saí daqui. – aquela voz maldita vociferou.
Nós viramos para trás e vimos ele apontar uma arma. Ele estava sangrando e chorando ao mesmo tempo.
— Você mentiu para mim, Samantha. Disse que traria Amanda de volta.
— Amanda desejou morrer, por que você era um pai abusivo! – gritei com todas as minhas forças. – Deixe ela descansar em paz!
— Eu vou matar todos vocês! – ele disse com ódio na voz.
Tudo ficou em câmera lenta. Ele apertando o gatilho, a bala voando e atingindo Ashley no peito. Que logo em seguida, caiu no chão.
Outro relâmpago. Mas dessa vez, a energia caiu junto, sobrando apenas as luzes de emergência. Os cientistas se aproveitaram e saíram correndo.
— Seu maldito! – Yano gritou e descarregou a arma em John.
— Ashley! – eu gritei e caí de joelhos ao seu lado.
Jay chorava e Erik parecia perdido. Eu pressionava a ferida a fim de fazer parar de sangrar.
— Ash, me perdoa. Vai ficar tudo bem.
— Ei, Sam...Obrigada por ter sido a melhor irmã. – ela sorriu e depois os olhos ficaram vitrificados.
Erik caiu em choro. Jay colocou as mãos na cabeça e nem fazia algum barulho. Yano sentou no chão.
Não. Ashley não morreria ali. Ela ficaria viva e não importaria o que acontecesse comigo.
Levantei, fechei os olhos e desejei voltar no tempo. Mas não funcionava.
— Vamos! Merda! Você é meu poder! Funciona... – comecei a chorar novamente. – Uma última vez, por favor...
— Uma última vez, Sam?
— Uma última vez. – fechei os olhos.
John estava prestes a atirar uma última vez. Eu estava ao longe observando nossos eus do passado. Corri o mais rápido que pude quando vi a bala atravessar a sala. Atravessei meu eu e tornei aquele momento meu futuro.
Eu levei o tiro. Caí por cima de Ashley. A dor do tiro estava normal. O que realmente doía, era meu cérebro. Parecia que ele estava fritando. Eu me contorcia e me revirava. Meu nariz jorrava sangue.
— Sam! Eu tô aqui, Sam.
Era Erik. Sua voz estava tão longe.
— Erik, faz alguma coisa! – gritou Yano. – Ah, merda!
— O quê é aquilo?! – Ashley gritou.
— O fim da nossa realidade. – Erik respondeu com pesar.
Virei a cabeça para a janela e vi raios vermelhos destruindo tudo que tocava.
Meu corpo já não me obedecia mais. Comecei a parar de tremer e me contorcer.
— Sam! Não, por favor! Fica comigo! — Erik gritava e chorava.
A última coisa que me lembro é dos raios destruindo as janelas daquela sala e do triste rosto de Erik para meu corpo sem vida.
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