The Third Winchester
17 Revenge of life
Fiquei ali já que não tinha opção. O desespero tinha se esvaído e transformando-se em pura cólera quando percebi que aquele nó era forte demais pra ser rompido pelo menos no estado em que eu me encontrava ali. A imagem de minha irmã saindo de casa me veio à mente como uma bofetada bem dada; eu não entendia o porquê dela ter partido daquele jeito, eu me sentia traída sozinha, e aquilo me fez ser o mais próxima possível de minha mãe.
Quando dei por mim lágrimas traidoras denunciavam que aquilo me consumia por dentro, sabe, eu nunca lidei muito bem com solidão, pelo menos não quando eu é que tinha sido abandonada.
-Mãe, eu preciso de você aqui, eu to com medo- sussurrei.
Depois disso eu me permiti chorar, me senti sozinha e desprotegida sem ela por perto, sem ninguém em que eu pudesse confiar. Senti uma baforada terna no meu rosto e algo quente nas minhas pernas; abri meus olhos e vi Violet sentada ao meu lado na cama, acho que ela sabia que precisava dela por perto.
Dormi me sentindo pelo menos acompanhada, quando acordei tinha uma mulher velha e estranha ao meu lado me encarando atentamente.
-Que bom que acordou meu bem, estava a sua espera- ela me disse.
Olhei pro lado e vi Dean com Sam a seu lado e ele parecia triste, como se não quisesse o que estava por vir.
-Me fale do que você viu na noite da morte de sua mãe- ela ordenou incisiva.
Aquela ordem tinha me pego de surpresa, olhei de novo pro conto e vi Jennifer com a igual surpresa que eu tinha no rosto.
-Certo;quem é você?E o que te faz pensar que eu responderei isso pra você?- perguntei na defensiva.
- Você foge disso não é, quer acreditar que o que quer que tenha visto foi normal, mas vou te dizer, não foi. E é isso o que te dilacera não é?Culpa; você deve achar que aquilo foi sua culpa ou da sua irmã, bem, e de certo modo foi sim- ela me disse calma.
Senti aquela estranha sensação de dor, mas era indireta, então eu bem podia saber de quem era aquilo, Jennifer. Olhei pra ela e ela parecia mortificada com aquelas palavras.
-Bem, já que você não vai falar, acho que vou ter que entrar aí dentro não é?- ela disse dando leves batidinhas na minha cabeça.
-Vai pro inferno- respondi.
-Acabei de sair de lá meu amor- ela rebateu e eu entrei em pânico- vamos logo, quanto mais cedo começarmos mais rápido e menos doloroso será. Jennifer, já que você sente isso também eu sugiro que saia daqui.
Dean puxou Jennifer pra fora do quarto e eu vi a mulher se aproximando com um tipo de pedra pro meu lado. Sam segurou minha cabeça de modo a imobilizá-la.
Olhei em seus olhos que me pediam perdão e não sei por que eu adormeci.
Eu tive um sonho meio estranho, parecia que eu estava num lugar que nunca tinha ido, escuro e vazio, mas que ao mesmo tempo me era muito conhecido.
Ouvi uma risada baixa e gutural ao meu lado que me fez pular de imediato. Era aquela estranha mulher; ela veio se aproximando e segurou minha cabeça, o que me fez gritar de imediato, a dor era imensa e inimaginavelmente intensa, eu não conseguia raciocinar, entender por que ela queria me fazer lembrar o que eu fiz tanta força pra esquecer.
Virei meu rosto e vi uma garotinha encolhida num canto apertando a cabeça fortemente, ela me lembrava alguém assim... Peraí!Aquela era eu!
A garota, que eu não queria aceitar que Ra eu estava com a mesma roupa do dia em que minha mãe morreu; um vestido lilás cheio de babados cobertos pelo sangue que ela emanava de seu corpo morto.
Fechei mus olhos e quando os abri a “eu menor” me encarava assustada, ela aproximou-se de mim lentamente.
-Não deixe, ainda não é hora, tire-a daqui- ela sussurrou.
-Mas como?Não posso nem me mexer direito. — eu perguntei. — e estou com medo, tecnicamente eu estou sozinha.
-Ué, pior vai ser se eles souberem, pelo menos por agora não vão entender o que foi aquilo, vão achar que a culpa é sua- ela explicou- Agora se concentre!
Fiz o que eu pedi e comecei a me concentrar, mas nesse meio tempo aquela mulher horrível vinha ao meu encontro.
-Eu vou saber!- ela gritava se aproximando.
-Ah não vai mesmo!- gritei de volta fechando meus olhos.
A dor de cabeça que me acometeu era insuportável, eu não agüentaria por muito tempo. Abri meus olhos e vi um tipo de luz sair da mão dela, era estranha e obscura, espiralando a minha volta. Aquilo me encheu do meu combustível preferido, a raiva. Senti-me forte e levantei quase não sentindo aquela dor macabra.
-Note bem, eu não te convidei então saia!-Eu gritei pegando-a pelo pescoço.
-Não a desacorde- minha versão menor me avisou- ela pode ficar aqui, e pra sair ela te enlouqueceria irreversivelmente.
-Tá, e o que eu faço?- perguntei.
-Jogue-a pra fora- ela respondeu.
Olhei pra aquela mulher estranha e sorri confusa, o que ela pensava pra querer invadir minha cabeça daquele jeito, e principalmente quere investigar aquilo que eu tanto fiz pra esquecer?
Ah não, ela sairia dali de qualquer jeito. Levantei-a pelo braço e a joguei em qualquer direção. Vi-a desaparecer e sorri, minha outra eu fez o mesmo.
-Agora é sua vez, concentre-se a saia daqui, e principalmente saia de perto deles por enquanto, é certo que eles tentarão novamente.
Assenti e me concentrei, parecia que eu tinha descolado do corpo, quando senti o colchão de novo sorri. Abri meus olhos e a mulher me encarava incrédula. Olhei a todos no quarto em desafio e principalmente para Jennifer com puro ódio nos olhos, aquilo foi golpe baixo.
Senti aquelas ataduras se afrouxarem de tanto eu puxar, e aquela era minha chance. Virei minhas mãos pra fora e me levantei da cama rápido, Dean veio pra me imobilizar me deixando paralisada de novo. Deixei minhas mãos correrem por sua cintura até encontrar o que eu queria, sua arma como sempre estava ali, puxei-a com força e sorri.
-Acho que me soltar é sua melhor opção Dean- avisei.
-É, e por quê?- ele perguntou me apertando mais.
Sorri e disparei a arma no chão, ele me largou e eu pude correr a toda até meu carro, chegando nele eu o abri e dei partida sem me importar com nada mais além de sair dali o mais rápido possível. Eu sabia o que aquilo significava, se algum deles descobrisse, eu me tornaria sua caça.
POV DEAN.
Há algum tempo agente vinha procurando por Annice sem sucesso, e bem quando eu não tinha muito que fazer ela apareceu diferente, com uma frieza que eu não esperava dela. Seus olhos eram gelados e sua boca uma linha fina.
Até depois daquela poltegeist que enfrentamos juntos eu não a sentia próxima de nós, não sabia o porquê, mas depois do que Jennifer nos contou eu fiquei estupefato e sabia que tinha que tê-la por perto.
“Vai começar tudo de novo em breve Dean, será chamado de Finallis e o que Annice representa é a fonte do poder, a matriarca do vencedor.”
Aquilo era demais pra mim, mais um apocalipse envolvendo os winchesters era demais pro meu lindo corpinho e pra minha agora irritada mente, Sam achava tudo aquilo errado, mais eu precisava de respostas e até Castiel tava vindo com um papo estranho pro meu lado ultimamente, de que precisávamos protegê-la e garantir que ela estivesse do nosso lado.
Então tomei uma decisão, ela teria que ficar do nosso lado; e eu teria que descobrir a qualquer custo o que era aquilo tudo. Tá bom, eu sempre achei que ela tinha algo mais do que um mau gênio dos diabos.
Lembrei-me de Jett, uma amiga mentalista do meu Pai, o que ela fazia era entrar na mente da pessoa e procurar pelas respostas, era um método doloroso, mas muito eficaz de ficar sabendo de coisas que eu sabia que ela nunca me contaria por vontade própria. Quando contei o plano pra Sam ele protestou, mas acabou aceitando com medo de que ela fosse um meio demônio o u coisa do tipo, Jennifer quase me matou por suspeitar da irmãzinha dela, bem, por mais que elas fossem gêmeas, Annice sempre foi mais frágil do que ela, e isso era visível. Jennifer não tinha reclamações, comia e fazia de tudo, mas Annice era chata com toda e qualquer coisa que a envolvesse, mais a maior diferença entre as duas era que Annice se tornava fria como gelo quando estava contrariada com alguma coisa, e já Jennifer nunca foi gélida como a irmã, mas com certeza Annice era bem mais doce que ela quando estava bem conosco, nela você não conseguia ver uma adulta, ela sempre tinha aquele ar infantil maravilhoso que nos fazia querer protegê-la a qualquer custo de tudo e todos, ela com certeza era nosso bebê.
Quando a “capturamos” eu pude sentir seu ódio, era quase palpável, ela não nos queria, e muito menos queria estar ali.
Jett chegara horas depois ao hotel em que estávamos nos dizendo o que fazer, desde imobilizá-la até as conseqüências que aquilo poderia gerar. Sam quase surtou, mas acho que ele sabia que era preciso.
Mandei Jô ir falar com ela, eu sabia que elas não se davam mais aquilo me aprecia demais, então esperei pelos resultados, segundos depois Jô voltou de lá vermelha de raiva. Entramos com Jett e Jennifer no quarto, quando ela nos viu ela nos fulminou. Ela confrontou Jett diretamente, mas quando ela falou o que aconteceria ali minha irmãzinha era um misto de pânico e raiva claros e assustadores, Sam continuou ali, impassível.
Minutos depois vimos Jett adentrar na mente dela, a dor do grito que as duas soltaram era dilacerante, eu não queria ver minha irmã assim, mas era preciso. Sei lá quanto tempo depois parecia que Annice estava agitada lá dentro, seu rosto estava tenso, depois raivoso e por fim irônico demais pra que tudo ali estivesse bem.
Segundos se passaram e eu i Jett praticamente sendo arremessado, seu corpo caiu enquanto ela recuperava os segundos.
O que veio depois foi rápido demais, Annice tinha se soltado e eu a agarrei, ela pegou minha arma e atirou no chão me fazendo largá-la e receber um golpe rápido, o que vi depois foi que ela entrou no carro e saiu de lá.
Ficamos todos sem reação ali.
POV DEAN off
Eu chorava de raiva no carro, como eles puderam fazer aquilo comigo?!
Rodei por sei lá quantas horas até chegar a uma cidade chamada Saint Louis, onde achei um hotelzinho pra ficar enquanto eu tentava pensar melhor o que eu faria daqui pra frente.
E NA ALA WINCHESTER...
-Que ótimo Dean, agora ela sumiu de vez, não podíamos ter só perguntado?- Hellen perguntou.
-Ela não diria, e, além disso, precisávamos descobrir o que... — começou Dean.
-Descobrir o que?O que ela é?É isso Dean, e depois, se ela não fosse humana, o que faríamos?Caçá-la?- esbravejava Sam magoado- Dean, você me deu uma chance, então manera.
-Eu e minha irmã não somos nada disso, nem demônios e nem anjos, e nem mestiças,quando eu saí de casa eu fui descobrindo que era diferente,mas eu sempre fui menos sensível que minha irmãzinha, e, além disso, eu não preciso de tanta proteção como ela, ou ninguém percebeu isso?Ela tem um dom, mas ela não quer admitir pra si mesma, por isso as dores de cabeça. – Jennifer disse irritada. — minha irmã não vai ser caçada, mais ela precisa ficar perto da gente.
A gêmea encarou o nada por uns dois minutos, quando uma idéia veio.
-É isso!Eu vou vocês não- ela exclamava.
-Como é que é?- Bob perguntou confuso.
-Eu tenho coisas a conversar com minha irmã, então eu vou falar com ela, é isso!
-É, e como você vai achá-la gênio?- Nataniel perguntou irritado e confuso.
-Uma faca!-ela pediu- me dêem uma faca!
Quando Jennifer pegou a faca ela começou a abrir pequenos talhos em sua mão, Dean a segurou para que parasse.
-Enlouqueceu ou o que? – ele perguntou.
-Dean, eu e ela temos uma estranha ligação quanto à dor, quanto menos eu sinto dor mais perto ela está, é como se dividíssemos nossa dor. — Ela explicou.
-Nada disso funcionará, eu sou a guardiã dela, eu devo protegê-la, mas primeiro vocês precisam salvá-la em Saint Louis- disse Ana entrando na sala.
-Saint Louis?Então vamos!-Sam disse saindo do quarto.
E VOLTANDO A MIM...
Eu resolvi sair daquele quarto horrível pra andar um pouco, nada demais, mas eu precisava urgentemente fazer aquilo.
Dei a volta por trás do hotel e comecei a correr o mais rápido que podia, dei voltas por várias ruas até chegar a uma rua deserta e sem saída.
-Vejo que de novo nos encontramos meu bem, mas parece que dessa vez você cresceu.
Olhei pra trás e vi um homem estranho, mas seus olhos eram negros, e me veio tudo a mente, aquele dia em que eu fui emboscada por ele e sua corja.
-Vejo que você se lembrou minha querida, mas dessa vez suas lembranças serão diferentes não é?Você dessa vez não tem ninguém que te socorra não é?- ele perguntou sorrindo- Bem, vamos acabar logo com isso.
Tentei correr, mas meus pés não saíam do lugar, eu estava paralisada enquanto ele me acertava com golpes fortes e repetidos. Depois de sei lá quanto tempo ele me pegou pelo pescoço apertando lentamente na intenção de me sufocar, e parece que ia conseguir, seria então aquele o meu fim?
-Implore, implore por sua vida e talvez e u te faça sofrer menos- ele propôs.
-Vai pro inferno!- eu respondi num fio de voz.
-A escolha é sua, morra então.
Suas mãos estavam cada vez mais fechadas enquanto eu me debatia debilmente pra tentar me libertar daquilo, a dor de meu pescoço era tanta que chegou a um ponto de que eu imploraria pela morte, eu já não tinha ar, então aquilo seria só questão de tempo.
-Tire as mãos dela!
Eu ouvi alguém gritar seguido por um estouro muito alto, eu apaguei no mesmo instante enquanto caía. Por que alquilo estava acontecendo?
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