—Tem certeza que quer ir desta forma a aquele baile? — Pergunto a minha prima, que vestia um longo vestido preto, com vários babados; arrumando seus longos cabelos castanhos escuros em um alto rabo de cavalo. Enquanto eu ajeitava minha gravata, olhando-me no reflexo do espelho do banheiro, daquele hotel de luxo.

São exatamente 19h, arrumávamos para ir em um baile que fomos repentinamente convidados. Estamos passando nossas férias de Julho em um país do continente Europeu, Inglaterra. Convidados por um amigo de nossa escola, e para ser mais específico, de minha classe, herdeiro de riquezas inglesas, nos convidou para passar o mês em seu país de origem. Sem precisar pagar nada, nem mesmo nossos quartos de hotéis, passávamos tranquilamente as férias, nos divertindo. Sendo hoje, nossa primeira noite em um baile a fantasia.

O convite foi entregue por ele mesmo, nesta tarde. Foi repentino, mas aceitamos. Por ser um baile a fantasia, teríamos de arranjar algo para vestir.

—Obviamente — Minha prima responde, se olhando no espelho, ao meu lado — E você, vai desta forma? — Ela pergunta, olhando-me de baixo para cima. Qual era o problema? É um baile a fantasia, afinal.

—Claro, por que não? — Lhe respondo com outra pergunta. Ajeitando a gola da camisa.

—Sei que é um baile a fantasia, mas vestida deste jeito, será confundida com um dos mordomos da mansão — Ela diz segurando a risada, fazendo-me suspirar impaciente. Abotoando alguns botões do paletó escuro que vestia— Ainda há tempo de mudar de ideia...

—Você que deixa as coisas mais difíceis — Digo, olhando-a de baixo para cima, aquele vestido exagerado — E o que é você está fantasiada? — Questiono. Qual era o problema? É um simples terno escuro.

—Não é óbvio? Sou uma princesa — Ela responde com uma voz melosa, fazendo-me rir descontroladamente. Não consegui conter a risada, era impossível. Seu tom de voz, principalmente esta frase, nunca imaginei que escutaria vinda de minha prima. Uma garota moleca, que vivia ralada por cair de skate, passava seu maior tempo de boné e vestindo camisetas largas, estávamos com os papéis trocados.

—P.Princesa...? — Gaguejo por um momento, me segurando para não rir mais.

—É, qual o problema? — Responde a mesma com outra pergunta, se olhando no espelho, logo passando um batom escuro, de uma coloração vermelha.

—Princesa gótica, não é? — Pergunto irônica, recuperando o fôlego e voltando a ficar séria.

—Sim, já que, princesas normais, não teriam tanta graça.

—Teria graça se você se vestisse de Mulan— Digo-a, prendendo meus cabelos longos e castanhos escuros em um rabo de cavalo baixo. Ela combinaria com esta personagem, obviamente, por ser descendente de japoneses.

—Se gosta tanto assim dela, por que você mesma não veste? — Ela pergunta retocando a maquiagem.

—Não reclame, uma princesa precisa de um par, certo? — Digo-lhe sarcástica, arrumando os redondos óculos, a frente de meus olhos escuros. Fazendo-a soltar um leve sorriso e concordar.

—Concordo, não iria gostar de dançar com alguém desconhecido ou o seu amigo — Ela diz esta frase com desgosto, mas poderia negar, meu amigo era meloso com nossa pessoa e dançar com desconhecidos estava fora de cogitação.

—Mas então, princesa, vai demorar muito? — Lhe pergunto olhando para meu relógio de pulso, que marcavam 19h 23 minutos — Temos meia hora para o horário do baile, senhorita.

—Calma, falta apenas a coroa — Ela responde, saindo em direção a sua cama. Pegando rapidamente uma caixa veludada de um porte médio, de uma coloração avermelhada.

—O que é isso? — Lhe pergunto curiosa.

—A coroa — Ela simplesmente responde, abrindo a caixa e deixando a mostra uma linda coroa, cheia de joias — Linda, não é?

—Sim! — Exclamo, era lindo, lembrava-me das épocas de quando praticava ginástica aos meus cinco anos de idade. Ela a segura com cuidado e ajeita em sua cabeça, não iria negar que aquilo não combinava com seu vestido preto, mas se abrisse minha boca, apenas receberei: "E eu com isso?", como resposta — Então vamos, Miss Leila Naomi — Lhe estendo a mão.

—Sim, Mister Tsubaki Aoishi— Ela segura minha mão, mas logo rimos descontroladamente com aquela encenação.

Ao recuperar o fôlego, uma enorme limusine nos aguardava a frente da entrada do hotel. O motorista abre a porta para nós, nos acomodamos nos acentos e partimos a mansão do baile. Passando-se alguns minutos, a frente do local, nos entre olhamos e entramos.

—Uau... — Surpreendemos ao ver aquele enorme salão de luxo. Havia tantas pessoas que chegava-me a ficar com calafrios de ansiedade — Pronta? — Pergunta a garota ao meu lado, com um enorme sorriso em seus lábios, fazendo-a concordar ao balançar a cabeça. Seguro sua mão, e adentramos a multidão, a procura de nosso amigo.

—Tsubaki! Leila! — Foi ouvida a voz de nosso amigo. Seguindo em direção de onde veio a voz, um rapaz alto de cabelos curtos e arrumados, de uma coloração escura, vestindo uma roupa social cinza, foi visto, acenando para nós.

—Antoni— Digo-lhe cumprimentando — Obrigada por nos convidar.

—O que está dizendo, eu que agradeço por terem vindo — Ele diz com um sorriso gentil, recebendo o mesmo de minha pessoa — Esta coroa combinou com você, Leila. Realça seus olhos escuros — Ele diz a olhando nos olhos e logo a cumprimentando.

—Obrigada — Ela agradece desconfortável — Ei Tsubaki, vamos dançar? — Ela pergunta apontando para as pessoas que dançavam em uma parte do salão.

—Claro, Leila— Digo-lhe — Antoni, te vejo mais tarde.

—Claro — Nos despedimos e logo fui dançar uma música agitada com Leila.

A noite se passou rapidamente, já haviam se passado duas horas que estávamos aqui. Comíamos alguns aperitivos, dançamos e conversávamos, até o momento em que não aguentava mais, precisava descansar por um tempo.

—Vou tomar um ar fresco — Digo a Leila, que dançava animada, fazendo a gritar por um "Okay" e logo me retirando do local. Vou a entrada do local e permaneço sentada em um dos degraus da pequena escada que havia.

Apreciava o céu estrelado daquela noite, estava lindo. Perguntando-me como todos de meus conhecidos estariam fazendo, caio em pensamentos, sendo rapidamente dispersa por gritos, vindo do salão. Recebendo minha atenção, me levanto surpresa, vendo minha prima saindo as pressas do local e me puxando pelo braço, para fora do local.

—Vamos sair daqui, Tsubaki— Ela diz ofegante. Ela não vestia mais seu vestido preto e nem mesmo aquela coroa, apenas estava com uma camiseta larga e um curto shorts jeans.

—O.O que foi que houve? — Lhe pergunto confusa. Não conseguia entender, o que estava havendo? — E cadê seu vestido? Sua coroa?

—Eu joguei elas no lixo — Ela responde normalmente, deixando-me mais confusa.

—Jogou fora?! Por quê?! — Lhe pergunto indignada, a coroa e o vestidos eram lindos, apenas não combinavam entre elas.

—Depois lhe explico! — Ela acelera o passo, fazendo com que eu quase tropeçasse em meu próprio pé, mas que logo recupero o equilíbrio e continuando a ser puxada e arrastada pelas ruas de Londres.

—Me explique agora, senhorita Leila Naomi! — Brigo, em um tom de voz alta, que poucas pessoas a nossa volta escutariam.

—Está bem, está bem. Mas pare de gritar — Ela pedia.

—Prossiga, então.

—Sabe aquela coroa que estava usando? — Ela pergunta com um sorriso de canto em seus lábios, fazendo-me concordar com um apenas "Sim" — Então, pelo que parece, era roubada.

—O quê?! — Pergunto boquiaberta, não acreditando com o que estava acontecendo — Diz que é mentira!

—Adoraria dizer, mas não — Ela diz junto a pequenas risadas.

—No que fomos nos meter?! — Pergunto já com lágrimas nos olhos — O que vamos fazer agora?!

—Fugir, obviamente — Ela responde hesitante, enquanto lágrimas escorriam por minhas bochechas rosadas.

—Vamos sair daqui, agora!

Ela me arrasta para o aeroporto mais próximo, onde Antoni nos aguardava.

—Antoni! — Leila exclama ao vê-lo.

—Graças a Deus, vocês estão bem! — Ele diz aliviado em nos ver, se aproximando de nós.

—Antoni... — Digo chorosa.

—Não fique assim, Tsubaki, vou levar vocês para casa — Antoni diz, pedindo para acompanhá-lo até seu jatinho particular.

Ele nos deixou em casa, onde ninguém sabia do paradeiro. Nossos corações estava apertado, estávamos com medo de que algo acontecesse conosco, o que seria de nós a partir de agora? Somos consideradas ladras, criminosas! Não quero isso!

—Eu limparei a barra a vocês, pois fui em que a convidei para passar suas férias em meu país natal e fui eu que presenteei Leila com aquela coroa — Diz Antoni pelo telefone, no dia seguinte.

—M.Mas... aquela coroa, de quem era afinal? — Pergunto a meio de soluços.

—Da Rainha — Fico pasma ao escutar sua resposta, era mesmo verdade?

—T.Tem certeza?

—Sim — Sinto as lágrimas escorrerem novamente — Se acalme, não acontecerá nada. Eu darei um jeito.

Após estas palavras, passaram-se meses. Leila viera passar seu final de semana em minha casa, sentadas em minha cama de casal, Leila abre seu notebook e grita:

—O que é isso?! — Recebendo minha atenção, que escutava músicas em meu celular, ela repete — O que é isso?!

—O que? — Pergunto-lhe curiosa, fazendo-a mostrar um noticiário.

"Criminosos por roubo a coroa de nossa Rainha, estão soltos"

E abaixo, nossa foto naquele dia.

—I.Isso está por toda...

—Por toda Europa, Tsubaki! — Ela exclama, mas logo levando um beliscão de minha pessoa, para que abaixasse o tom de voz. Com um olhar: "E se fossemos escutadas, o que faremos?!" — D.Desculpa... Mas agora, estamos perdidas! Antoni não serviu para nada, pelo visto.

—Isso logo passará por vários outros lugares... não é? — Pergunto insegura, segurando a mão de Leila com força.

—Provavelmente... — Ela responde hesitante.

—Você devolveu a coroa, não é? — Pergunto — Então, por que continua no nosso pé?

—Bem... — Ela diz tirando duas pedras de uma coloração lilás de seu bolso — Talvez seja por isso.

—I.Isso estava na coroa?! — Pergunto pasma.

—S.Sim... estava preso no meu cabelo, naquele dia.

—Leila, você não fez isso...

—B.Bem... elas são bonitas, tem que concordar...

—Ah... Droga!

—------------------- // --------------------

—Então professor, o que achou? – Leila pergunta ao professor que fechava o vídeo.

—Então... – Ele pensa, passando a mão em sua nuca – Tsubaki, sei que você é um ano acima do que Leila e você ajudou ela a fazer seu trabalho, mas eu pedi para que fizessem uma curta metragem.

—Mas professor, é uma curta metragem, admita que foi divertido! – Digo com um sorriso em meus lábios.

—Então, esta história, de onde vocês tiraram ela? – Ele pergunta confuso – Parece até algo de um noticiário.

—Você acha? – Pergunta Leila com um sorriso malicioso nos lábios, arrancando uma alta risada minha. Logo, ela também começa a rir e a meio deles, diz – Professor, é apenas uma curta metragem, pode dizer que ficou bom, pois demorou muito para fazer!

—Concordo! – Digo.

—Tudo bem, tiraram dez pela criatividade – Ele diz contrariado.

—Oba! – Comemoramos. Enquanto eu observava o rosto do professor, demonstrando que estava confuso.

—Ei, Tsubaki – Leila me chama aos sussurros, tirando de seu bolso, duas pedras de uma coloração lilás. Fazendo-me soltar um leve sorriso.

Notas finais
Comentários??
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!