The Tales of Republic City

2 Lá e de Volta Outra Vez (Katara)


Notas iniciais
Eu achei que seria simbólico começar a minha coleção de homenagens com a Katara. Pra escrever essa one eu ouvi de maneira repetida a música The Water, do Johnny Flynn + Laura Marling que serve de epigrafe para essa one e pode ser escutada aqui: https://open.spotify.com/track/4sfxlJnfTMhlLjhbuRJtqm?si=fPOe1ZS3T8yo3zrNDXfjpQ Boa leitura! :)

Where the blue of the sea meets the sky | And the big yellow sun leads me home | I'm everywhere now | The way is a vow | To the wind of each breath by and by | The water sustains me without even trying

Katara havia decidido há muitas luas atrás que, ao menos naquela encarnação, não voltaria a pisar na Cidade da República outra vez. Mas ela também já tinha comemorado muitos dias de seu nome para saber que as vezes a vida atravessava e demovia os planos pessoais mais convictos.

Em três dias aconteceria a celebração em homenagem à nova Nação de Ar em comemoração ao seu primeiro ano de vida. Era por isso que a anciã da Tribo da Água estava agora na proa de uma embarcação muito grande e segura, contemplando as ondinhas que se formavam contra a ponta do navio que avançava em direção ao seu antigo lar.

Ela conseguia sentir a energia da água mudando à medida que se aproximava e as lembranças a atingiam em um espaço interno muito fundo que desaguavam em seus olhos úmidos. Em breve estaria com sua família e isso com certeza lhe traria paz e alegria de espírito, mas até lá, Katara estava confortável em honrar a tristeza que sentia.

A vida era um recorte bonito das duas coisas afinal: alegria e tristeza. As duas emoções frequentemente se trançavam em um fio indissociável, formando aquela malha firme que compunha a vida de todas as pessoas. Katara sabia que a sua era bonita e colorida e que parte disso se devia a companhia dele.

Agora o barco já estava perto o suficiente para que ela não precisasse forçar a visão: estavam próximos do Memorial Avatar Aang, um museu construído em cima de uma ilhota pequena, adornado por uma estátua gigante do rapaz que ela passara a vida inteira amando. Uma parte de Katara tinha honestamente achado que aquela visão seria insuportável, mas ela tinha se enganado: era um presente.

Ela contemplou as costas da imensa estátua, até atravessarem o pedaço de mar a ponto de poder vê-la de frente. Um rapazote, oficial do comandante, perguntou entre gaguejos de constrangimento por estar falando com uma lenda viva se ela gostaria que fizessem uma pausa no lugar.

— Oh, não, querido. Podemos seguir viagem. Aang já está comigo. – ela murmurou, as duas mãos postas no coração, dispensando-o com um aceno bondoso. Outra vez com a proa só para si, Katara respirou fundo, sentindo o ar invadindo os pulmões e o vento soprando-lhe o rosto. Era bom estar viva.

Sorrindo para a figura de Aang, sem se incomodar em limpar as lágrimas que agora vertiam soltas pelo rosto, Katara

— Foi uma boa jornada, Aang. Prometo aproveitar esse epílogo por você.