The Tales

1 Capítulo 1 - Sombras Misteriosas


Notas iniciais
Esse capítulo acontece só num plano e tempo, então é um pouco mais curto que os outros.
Poderão haver algumas semelhanças com Once Upon a Time, mas realmente não passa da ideia dos personagens de contos de fadas tirados do mundo deles. A história toma isso de uma forma totalmente diferente.

Era um dia chuvoso em Carmel Hills, mas nada que pudesse realmente preocupar alguém. As lojas da cidade estavam todas abertas. A única coisa que não parecia muito comum na cidade era um carro chegando, passando pelos limites da cidade. Não havia muitas pessoas nas ruas, apenas um senhor de uns 35 anos. Ele era Lucas, o prefeito da cidade e sorriu ao ver a chegada do carro.

O carro estacionou na frente da prefeitura, onde Lucas esperava segurando um guarda chuva. Trajava um terno verde acinzentado e uma gravata azul, suas vestes lembravam as cores do mar.

Um homem e uma mulher, de aproximadamente 25 anos, desceram do carro. O homem tinha cabelo curto e olhos cinza, a mulher tinha olhos verdes e cabelo castanho escuro. O mais jovem correu até o prefeito e o abraçou.

– Tio Lucas! Não esperava lhe ver tão cedo. – Ele disse com um sorriso, sua companheira parecia um pouco envergonhada. Logo ele notou e lembrou que seu tio não conhecia sua noive, Julia. — Essa é a Julia de quem lhe contei. – Os olhos do mais velho se alegraram a ouvir a notícia.

Então Lucas andou até a Julia e ofereceu sua mão. A garota parecia um pouco desconfiada, mas apertou a mão de Lucas e sorriu.

– Prazer, senhor prefeito. – Ela disse ainda um pouco envergonhada. Vestia um blazer escuro sobre uma blusa vermelha e uma saia combinando com o blazer. – Essa cidade parece um pouco calma demais.

O prefeito riu ao comentário da garota. Ele os guiou até o prédio da prefeitura, seria falta de educação deixar seu “sobrinho” e a noiva a chuva.

– É bom recebe-la aqui. Logo você vai ver que essa cidade é tudo menos calma. – Disse Lucas sorrindo e servindo um pouco de café para Julia. – Como você e Mark se conheceram? – Claro que já sabia disso, mas não queria demonstrar sua dependência da relação dos dois. A dependência da cidade inteira disso.

Julia olhou para Mark e riu, ela tomou um pouco de seu café. Ele não aceitou o café e ficou apenas checando as fotografias na parede.

– Você pode contar, Ju. – Disse Mark carinhosamente.

A garota então olhou para Lucas e começou: — Eu estava fazendo uma pesquisa para minha faculdade e encontrei Mark num tribunal. Já que ele era um advogado, decidi que iria usá-lo na minha pesquisa e quando vi estávamos num encontro. – Os três riram nesse momento. Mark conseguia ser bem persuasivo às vezes. Com certeza fez uma troca da entrevista pelo encontro. Lucas sabia que era costume de Mark fazer este tipo de coisas. – Então dois anos depois nós noivamos e aqui estamos.

Passaram um tempo ali ainda, então Julia disse que estava sentindo fome. Lucas falou que tinha negócios para resolver e papéis para assinar, então disse para Mark levar Julia até a lanchonete da cidade. Quando deixaram a prefeitura, a chuva já tinha passado. Na saída cruzaram com um sujeito um pouco mal encarado. Ele vestia roupas pretas e um cachecol vermelho. Julia notou um distintivo na jaqueta do sujeito.

– Quem é ele? – Perguntou Julia sussurrando ao seu noivo.

– Acredite ou não, ele é o xerife. Seu nome é Matheus. – Mark não aprecia muito feliz ao ver o outro rapaz. – Não acredito que esse idiota ainda trabalha aqui.

– Por quê idiota? – Perguntou Julia um tanto curiosa enquanto entrava no carro.

– Tivemos alguns desentendimentos quando estávamos na faculdade. – Respondeu Mark entrando no carro e ligando a máquina.

Eles conversaram sobre quanto tempo vão passar na cidade. Mark diz que não precisa passar de 2 semanas, mas se Julia gostar de algo lá eles podem se mudar. Julia diz que foi criada em Manhattan e não iria se ajustar a uma cidade pequena.

O rapaz riu e disse que ela não imagina quão “não calma” essa cidade realmente é. Então eles chegaram a um pequeno restaurante chamado Dedos Doces. Julia riu do nome, mas logo viu que a comida de lá era bem melhor do que as demais que comera na cidade.

– Vão querer sobremesa? – Perguntou Duda, a garçonete e proprietária do restaurante. Tinha uma expressão doce e suave, parecia muito gentil.

– Claro. Algo cheio de chocolate e um pouco quente. – Falou Julia um pouco viciada no sabor da comida.

– Vou avisar pro meu irmão fazer um petit gateau. Você vai adorar. – Falou a garçonete antes de se virar e ir até a cozinha.

Duda era garçonete e proprietária junto com seu irmão Henrique que também era cozinheiro. Pelo que Mark contou à Julia, os dois eram órfãos. Duda era um pouco mais nova que seu irmão e cursava a faculdade local da cidade, ela queria ser uma psicóloga.

Depois de comerem, Mark disse que precisava ir até a prefeitura resolver algumas coisas com Lucas. Duda se ofereceu para mostrar a cidade para Julia. As duas saíram do restaurante e foram andando pela rua principal da cidade.

– Então, como vão os preparos para o casamento? – Perguntou Duda tentando conhecer melhor a outra garota. – Vocês vão morar aqui?

– Vão bem e eu acho que não. Tenho meu trabalho como repórter e não pretendo abrir mão disso. Como é a vida aqui na cidade? – Perguntou Julia, curiosa para entender o que prenderia alguém nessa cidade.

– É um pouco monótona às vezes. Mas todo mundo é preso aos seus próprios dramas aqui. – Falou a garota, com uma expressão um pouco triste.

– Qual é o seu drama? – Perguntou Julia, mas logo notou que Duda não queria responder. Parece ser um assunto sensível demais. – O que tem de divertido pra fazer aqui?

– Ler. – Disse Duda, então as duas garotas riram.

Longe dali, estava a jovem dama de uma loja de espelhos. Paula tinha 25 anos e parecia ser muito calma e gentil. Estava recebendo clientes então Igor entrou no recinto.

– Preciso resolver algo importante com você. – Disse ele com um pouco de preocupação. Os clientes e Paula notaram tal preocupação.

– Isso pode esperar, estou com clientes. – Falou Paula com um tom grosseiro. Não gostava de ser interrompida durante seu trabalho.

– Não, é urgente. – Falou Igor, seu olhar demonstrava um tipo de desespero.

Paula pediu que os clientes se retirassem e se desculpou. Igor sorriu maliciosamente quando os clientes haviam saído.

A garota parecia um tanto furiosa. Seus olhos fitavam Igor com ódio e luxúria ao mesmo tempo.

– Já disse que não deve me atrapalhar enquanto estou trabalhando. – Falou ela antes que o garoto começasse a chupar seu pescoço. – Um dia desses eu ainda paro da falar com você.

Igor parou de lamber o pescoço de Paula por um momento e começou a beijá-la.

– Eu realmente prefiro quando você não fala. – Ele riu enquanto rasgava as roupas de Paula. A garota desabotoava a blusa de Igor rapidamente.

Na delegacia, Matheus atirava dardos em um alvo vermelho na parede. O rapaz não parece muito entretido, por isso toma um gole de café de vez em quando. Duda e Julia entram na delegacia, Duda está querendo mostrar toda a cidade para Julia. E por alguma razão achou que a delegacia.

– Oi, Matheus. Essa é Julia, noiva de Mark. – Falou Duda com um sorriso para o xerife.

Matheus andou até as garotas e cumprimentou Julia. Não sorria, mas seus olhos não pareciam tão ameaçadores quanto estavam na prefeitura.

– Prazer. Duda parece já ter nos apresentado. – Falou Matheus com um sorriso torto. Os olhos do rapaz pareciam um tanto selvagens.

– Sim, ela apresentou. Bem, como é trabalhar aqui? – Perguntou Julia enquanto olhava os detalhes do recinto. Havia pequenas celas ali, ela duvidava que aquilo fosse a prisão oficial. – Não tem muitos crimes aqui pelo visto.

– Nós temos crimes, só não temos muitos criminosos. – Disse o rapaz tomando um gole de café. Quando notou o olhar de Julia para ele, decidiu explicar melhor. – Não sou muito bom em investigação. Sou ótimo rastreador, mas não junto bem pedaços de quebra cabeças.

Duda sorriu e olhou para Julia. A garota se lembrou sobre o que Julia havia dito mais cedo. Sobre como ela queria ser repórter investigativa e foi isso que a levou a entrevistar Mark para um trabalho da faculdade.

– Bem que você poderia ajudar o Matheus durante sua estadia aqui. – Falou Duda sugestivamente para Julia. Então olhou para o rapaz e sorriu. – Ela é repórter investigativa. Vocês teriam sorte de trabalhar um com o outro.

Julia e Matheus se entreolharam. Não parecia ser segredo que nenhum dos dois queria trabalhar com o outro. Eram muito diferentes para sequer manter uma conversa por mais de cinco minutos.

– Eu disse que não planejo ficar, Duda. – Julia falou com uma doçura incrível. Não queria ser rude com a garota ou o rapaz. – Tem mais alguma coisa interessante para eu conhecer?

– Claro. Temos lojas de diversas coisas e um spa. – Falou Duda imitando uma vendedora querendo convencer um cliente.

As duas se despedem de Matheus e andam em direção à porta. O telefone da delegacia toca e o rapaz atende. Duda fica um pouco curiosa ao ouvir a conversa. Matheus parece um pouco agitado enquanto fala no telefone. Então ele fala que já está indo e sai correndo da delegacia.

– O que foi? – Perguntou Duda, um pouco preocupada.

– Precisam de mim na prefeitura. Parece que algo aconteceu lá.- Respondeu Matheus antes de subir na moto e sair dirigindo.

A prefeitura estava rodeada por pessoas. Uma multidão se formou ao redor do prédio. Matheus está tentando entrar no prédio, mas a multidão torna isso um pouco difícil. Quando ele consegue entrar no prédio se depara com devastação total Lucas está ferido falando com Ana Luiza. O xerife ficou um pouco irritado de saber que a repórter já estava lá colhendo informações.

– Desculpe, mas assunto de polícia é mais importante do que seu jornal, querida. – A forma mais gentil de Matheus falar que ele realmente poderá ajudar em alguma coisa. – O que houve, senhor prefeito?

Lucas explicou para Matheus que foi atacado por trás e que alguém levou Mark. O prefeito não consegue dizer quem o acertou. Matheus presume que houve uma briga entre a pessoa em questão e Mark, por isso a destruição no local.

Ana Luiza prestava atenção a cada detalhe e escrevia tudo. Os olhos da moça estavam energéticos, ela mal piscava. Matheus se irritou com o olhar fixo da repórter. Parece que ela não dormia a semanas e ficava acordada com base no café.

– Isso é tudo, senhor prefeito? – Perguntou Ana Luiza, queria saber bem se poderia usar alguma coisa no seu próximo artigo.

– Sim. Você pode me ajudar a encontrar meu sobrinho? – O prefeito se dirigia à Matheus, mas surpreendentemente não parecia tão preocupado.

– O que houve com o Mark? – Todos se viraram para ver Julia com um olhar desesperado. Ninguém estava com vontade de dar as más notícias a ela. – Onde está o Mark?

Quem foi o portador de más notícias foi o tio de seu noivo. Lucas tentou ser delicado ao dar as notícias à Julia. Ela desabou no chão a chorar, Duda tentou lhe confortar. Então Matheus falou com o prefeito que ia descobrir o que aconteceu.

– Eu prometo que vou descobrir onde está Mark e quem fez isso com ele. – As palavras de Matheus eram fortes e sinceras.

Ana Luiza continuava a anotar as coisas, queria ter certeza que não ia perder nada. Logo, toda a multidão havia ido embora. Julia estava com Duda na lanchonete. Não comia nada desde cedo e a noite já havia caído. Henrique, o irmão de Duda, preparou um omelete para a moça comer.

Paula e Igor entram na lanchonete. Paula olha para Julia, ela ainda está muito abatida. Igor comenta com Paula sobre como Mark deu sorte de achar uma garota tão bonita. Então Paula diz que a sorte não é muito útil, considerando que ele foi sequestrado. Ou pior. Paula pede para Igor pedir algo para ela comer enquanto ela vai falar com Julia.

– Olá, me chamo Paula. – Se apresentou à Julia com um sorriso. – Eu só queria dizer que sinto muito pelo que aconteceu e que se você precisar de algo durante seu tempo aqui pode aparecer na minha loja.

– C-claro. Obrigada. – Falou Julia tentando não parecer tão triste. Ela conseguiu forçar um sorriso.

Paula e Igor se sentaram numa mesa afastada do balcão onde Julia e Duda estavam. Uma garçonete os serviu, Paula ficou com ciúmes porque Igor flertou com tal garçonete. Um jovem entra na loja, veste uma camisa azul e um casaco e calça jeans. Ele anda até o balcão.

– Oi, Luan. – Disse Duda gentilmente.

– Olá, Duda. – Disse ele sorrindo. A garota sorriu igualmente. Julia notou que havia um clima entre os dois. – Eu vim pegar a encomenda do meu pai.

– Claro. O Henrique já deve estar terminando. – Ela disse, parecia uma idiota olhando para os olhos do garoto. Então se lembrou que Julia estava de seu lado. – Esta é Julia. Ela era... É a noiva do Mark.

Luan conversou um pouco com Julia, deu seus pêsames como qualquer outra pessoa. Ela já estava ficando exausta desse tratamento. A sua tristeza já começava a virar raiva, raiva da pessoa que fez isso com seu noivo.

Depois que Luan foi embora, Duda disse que iam ter que fechar a lanchonete. Julia se despediu e negou a oferta de Duda sobre dormir em sua casa. No seu caminho para casa, Julia recebeu uma mensagem em seu celular.

“Seu namorado vai ficar bem. Permaneça na cidade e pode acha-lo. R.”


Julia olhou ao seu redor. Ela não sabia como reagir a isso. Ela não queria arriscar perder Mark, sabia que iria ter que acha-lo. Tudo que lhe restava era permanecer na cidade e tentar descobrir quem diabos era esse “R”.


Notas finais
Bem é isso. O próximo capítulo introduz dois personagens importantes e vai mais fundo em um dos contos conhecidos.
Ah, esse R não é muito mistério mas tudo bem.