The Tales
3 Capítulo 3 - Claro Como Cristal
Notas iniciais
Nunca gostei muito da história da Cinderella porque é meio conveniente o amor dela ser um príncipe rico. Eu mudei um pouco o futuro dela, mas tudo que acontece na história dela acontece nessa. Só que as razões são outras e a fada madrinha é um pouco mais original.
Uma figura de roupa preta espreitava um armazém na cidade de Carmel Hills. Homenssaíram do tal armazém, eles trajavam ternos e não pareciam ser muito bem apessoados.Eles iam entrar na van, colocaram as malas na parte de trás da van e andaram em direçãoàs portas. A figura surpreende o homem que ia entrar do lado do passageiro. Primeiro umsoco no estômago e então um chute no joelho. O rapaz tenta sacar uma arma, mas a figuraencapuzada consegue derrubar a arma e soca o rosto do homem. Ele cai desmaiado. Então
a pessoa que está vestida de preto é atacada por trás pelo outro homem. Cai no chão, masconsegue chutar a perna dele e se levantar. Chuta a arma do homem para longe e acerta outrochute bem em seu rosto.A figura encapuzada anda até a traseira da van e a abre, dando de cara com uma grandequantidade de malas de dinheiro. Pega algumas malas e vai embora. Enquanto isso, Julia estáem casa lendo algo sobre as organizações criminosas que poderiam estar por trás do sequestrode Mark.Terminou dormindo em cima de tais arquivos, então tomou um rápido banho para ir aoescritório de Thiago. Ela ainda não havia se acostumado com o fato de estar trabalhando comoestagiária de um advogado. Nunca pensou que fosse trabalhar com algo tão relacionado àlegislação e coisas do tipo.Quando chega até o escritório, é recepcionada por Igor. Ele estava limpando uma das janelasda frente do lugar. O rapaz avisa que Thiago está com alguns clientes e que ela deveria pegaralguns arquivos nas gavetas. Arquivos da letra D.Então ela pega a chave com Igor e abre a gaveta de arquivos da letra D. Não tem amis de 2, naverdade. Um deles se refere à Diamond, Marina e o outro à Dagger, Mark. Ela pega os dois,mas fica um pouco confusa porque imaginava que o sobrenome de Mark era Smithes.- Aqui estão as pastas que o senhor pediu. – Disse Julia ao entrar na sala.Thiago estava em sua mesa conversando com um rapaz de aparentemente 25 anos e umamulher loira de mesma idade.- Obrigado. – Disse Thiago ao receber as pastas. Então ele sorriu e olhou para os seus clientes.– Estes são Stefan e Marina Leon. Estão contratando nossos serviços.- Prazer. – Falou Julia cumprimentando cordialmente os dois com um aperto de mão.- Esta deve ser a noiva do rapaz que desapareceu. Li sobre você no jornal local. – O rapazfalava de forma fria. Ele forçou um sorriso. – Prazer em conhecê-la.- Uma das transações do senhor Leon foi interrompida por uma figura encapuzada que rouboutodo o dinheiro ganho. – Julia ficou surpresa com a informação que Thiago lhe forneceu. Nãosabia que assaltos aconteciam na cidade.- A polícia está investigando? – Foi boba em perguntar. Era quase certo que a polícia estariainvestigando um assalto.- Não. – Disse Marina com um sorriso e depois fitou seu marido com um pouco deressentimento. – Meu marido não quer a polícia metida em seus negócios.Depois de suas palavras, Stefan apertou a mão de sua esposa e a olhou com um sorriso. Seuolhar era completamente cheio de ódio, Julia ficou um pouco amedrontada com isso. Saiu dasala e esperou que os dois fossem embora.Henrique e Duda estavam discutindo sobre algo. Ela dizia que não queria ficar na cidade parasempre e que lá não havia chances de ela conseguir ser uma boa psicóloga. O rapaz dizia queela não tinha que fazer psicologia, podia fazer algo que pudesse lhe dar alguma garantia navida.- Você deveria aprender a colocar seus pés no chão e ver que as coisas não são do jeito que agente quer! – Ele falou um tanto alterado com sua irmã.Ela o olhou com ódio nos olhos , mas preferiu ficar calada. Então virou as costas e olhou paratrás rapidamente.- Vou dar um tempo! – As palavras dela pareciam uma bomba cheia de raiva.Igor entrava na lanchonete quando Duda passou correndo pela porta. Preferiu não pensarmuito sobre isso. Quando chegou até o balcão pediu uma torta para Henrique.- Cadê a Julia? – Perguntou Henrique, sabia que a moça sempre almoçava com Igor no horáriodo almoço.- Ficou dando uma olhada em uns arquivos. Eu acho.- Uma repórter investigativa trabalhando de estagiária para um advogado. Nessa cidade temosde tudo. – Disse o cozinheiro entregando uma pequena torta para Igor.- Até um vagabundo trabalhando de faxineiro. – Disse Igor tomando um gole de café. Os doisriram.Paula entra e anda até o balcão, ela não olha para Igor. O rapaz sorri e coloca a mão sobre adela.- Hoje eu vou sair mais cedo. Quer fazer alguma coisa? – Ele pergunta tentando fazê-la olharpara ele.- Não. – Ela de diz de forma fria enquanto Henrique lhe entrega uma sacola com bolo demorango dentro.- Por quê não? – Igor pergunta um pouco confuso.- Porque eu tenho cosias melhores para fazer hoje. – Diz a garota saindo da lanchonete.----------=----------=----------=----------=----------Sentada sob uma cadeira de balanço, uma garota com vestimentas reais, tricotava o queparecia ser um suéter de lã. Era delicada e jeitosa com as agulhas, vez que outra perdia ofoco e acabava por se cortar, soltando um leve suspiro de dor. Levantou-se, pousando seusinstrumentos de costura em cima de uma alta e acolchoada cama de casal, e dirigiu-se até ajanela do nobre quarto pela qual se encontrava.
– Princesa Ella, perdoe-me não avisá-la com antecedência... – um homem esguio encontrava-se do lado de fora do quarto, trajava, assim como Ella, vestimentas reais. Porém, as suasindicavam com clareza seu cargo no reino: Mensageiro Real. – Porém, o Príncipe Robertmandou avisá-la que não voltará hoje de sua caça real. Tenha uma boa noite, VossaMajestade. – Ella balançou a cabeça com um quê de compreensão e acenou para o homemque se curvou, mesmo que de longe. Ele saiu, fechando a porta atrás de si, e deixando Ellanovamente sozinha e perdida em seus pensamentos.O tiquetaquear do relógio indicava que mais um dia começara na vida de Ella. Era meia-noiteem ponto. Ella olhou para o relógio e uma onda de lembranças veio à tona na cabeça daPrincesa. Lembrou-se das flores da Meia-Noite, que seu pai lhe mostrara alguns anos antes demorrer. Mas logo, suas lembranças mudaram. Estava agora recordando da última vez que ocomeço de um novo dia fora tão importante em sua vida.Era uma noite de comemoração no Reino. O décimo sexto aniversário do Filho do Rei, PríncipeRobert. Todas as jovens, entre quinze e dezessete anos, do Reino haviam sido convidadaspara a grande cerimônia no Castelo Real. O Rei pretendia encontrar uma esposa para seu filhona noite de seu aniversário, deixara por livre arbítrio do Príncipe, a escolha da futura noiva.Porém, teria que casar-se com a jovem, dois dias após seu décimo sexto aniversário, pois o Reiestava ficando doente, sentia sua morte chegar, e precisava de algum sucessor na coroa.De fato, Ella havia sido convidada, sabia disso porque tinha lido as correspondências daMadrasta. Porém a madrasta lhe proibira de sair de casa na última semana. Ella já imaginava oporquê, não queria que ela fosse ao baile Real. Pois sabia que as chances de Ella ser escolhida,eram grandes.----------=----------=----------=----------=----------Marina entrou no restaurante, seguida de Julia. A moça loira arranjou uma mesa e pediu queuma garçonete lhe atendesse.- Você é dona de tudo isso? – Perguntou Julia observando o quão majestoso era o restaurante.E isso não dependia de sua fome por ainda não ter comido.- Sim. Bem, na verdade isso tudo é de meu marido. – Ela não parecia muito feliz com a palavramarido.Julia tinha que parar de se importar com o problema dos outros. Ela já tinha suas mãosocupadas com seu noivo desaparecido, não podia tentar concertar casamentos.- Parece que você casou muito cedo. Bem, você tem a minha idade e parece já ser casada háum tempo. – A estagiária disse um pouco distraída pelo prato que lhe foi servido.- Eu tive que casar faz um tempo. Não conseguiria viver no inferno que eu vivia. – Vendo aconfusão no olhar de Julia, Marina viu a necessidade de explicar melhor. – Minha relação comminha madrasta e minhas duas irmãs não era das melhores.Conversaram por mais alguns minutos. Então Julia entrou no assunto que a deixava pensativa.O ataque que aconteceu aos investimentos de Stefan. Marina falou que não sabia muito dosnegócios de seu marido, mas ela acha que com certeza envolvem ações criminosas. Julia disseque isso fazia sentido, principalmente pelo fato de ele não ter ido à polícia.Depois de um pouco de conversa, Julia descobriu que as irmãs adotivas de Marina moravamnum apartamento alugado por Stefan e trabalhavam no restaurante dele. Parece que suamadrasta está muito doente, a garota preferiu não toca no assunto.Julia falou que esse ataque poderia ter sido causado por uma razão pessoa. Então perguntouse Stefan tinha inimigos, Marina riu e falou que não deve ter uma lista grande o suficiente pararesponder a pergunta. Foi quando Julia perguntou se Marina estava vendo alguém de formaextraconjugal e prometeu que esta pergunta estaria fora dos registros quando viu a reação daloira.- Qual o nome dele? – Perguntou Julia tentando ser delicada. Sabia que esse assunto não erapra ser discutido num restaurante, mas não havia muitas opções.- É um velho amigo, por quem eu tenho tido sentimentos. Houve uma noite em que nós nosbeijamos. Eu duvido que ele tenha feito isso. – A garota não estava tentando se explicar paraJulia, mas para si mesma. Então lembrou-se da pergunta da outra. – O nome dele é Renan.Renan Stoll.Antes de ir embora, Julia pensou numa pergunta que parecia ser necessária. Ela não conseguiaentender o que a fazia querer perguntar aquilo, mas era algo importante.- Quem te apresentou à Stefam?- Foi o seu chefe. Thiago marcou um encontro há algum tempo. – Respondeu a loiracalmamente, enquanto saia do restaurante seguida por Julia.As duas se despediram e Julia foi para seu apartamento. No meio do caminho ela se encontroucom Paula, que saia de um bar junto do Senhor Pipes. A moça não sabia como reagir, isso nãoera algo que ela esperava.O problema que Julia via não era a diferença de idade, mas o fato que o Senhor Pipes odiavatodas as pessoas. Bem, ela tinha essa impressão do mais velho. E outro fator que fazia Juliaficar confusa é que Paula costumava sair com Igor. Um rapaz que o Senhor Pipes realmenteodeia.- Oi... Paula, certo? – O cumprimento de Julia parecia meio falso.- Sim. Bom te ver, Julia. Como está nos últimos dias? – A moça latina perguntou, seu tomconseguia parecer mais falso que o de Julia.- Muito bem. Bem, eu vou deixar vocês. – Julia se despediu e virou. – Bom te ver de novotambém, Senhor Pipes.O homem fitou Julia com raiva. Ela andou mais um pouco até que viu uma figura encapuzada,mas não conseguia ver o rosto. Ficou um tanto curiosa e entrou no beco. A figura não semexia. Algo nos olhos da figura parecia ameaçador, mas calmantes ao mesmo tempo. Elanotou que a pessoa usava uma máscara de algo que aparentava ser ouro.- É você, não é? – Ela perguntou um tanto furiosa, não imaginou que fosse encontrar essapessoa tão cedo. – Você é o R?Foram as últimas palavras de Julia antes de uma luz forte a cegar. Quando recuperou sua visão,não via mais a pessoa ali. Começou a tremer. A moça não fazia ideia do que fazer agora. Andouaté seu apartamento, tremia. Mas não podia falar sobre aquilo para ninguém. Afinal, essa ésua investigação pessoal.----------=----------=----------=----------=----------Era uma noite de comemoração no Reino. O décimo sexto aniversário do Filho do Rei, PríncipeRobert. Todas as jovens, entre quinze e dezessete anos, do Reino haviam sido convidadaspara a grande cerimônia no Castelo Real. O Rei pretendia encontrar uma esposa para seu filhona noite de seu aniversário, deixara por livre arbítrio do Príncipe, a escolha da futura noiva.Porém, teria que casar-se com a jovem, dois dias após seu décimo sexto aniversário, pois o Reiestava ficando doente, sentia sua morte chegar, e precisava de algum sucessor na coroa.De fato, Ella havia sido convidada, sabia disso pois tinha lido as correspondências da Madrasta.Porém a madrasta lhe proibira de sair de casa na última semana. Ella já imaginava o porquê,não queria que ela fosse ao baile Real. Pois sabia que as chances de Ella ser escolhida, eramgrandes.Naquela noite, Ella ajoelhou-se no banco de mármore do jardim da casa da Madrasta, e pôs-se a chorar. Podia ver os fogos de artifício de longe, e desejava mais que tudo, ter uma vidamelhor. Livre da vida que sua madrasta a propunha, uma vida de escravidão. Quando umalágrima caiu do rosto de Ella em direção ao chão, uma flor surgiu. Era ainda um botão, mas Ellapodia ver a beleza da flor, mesmo antes da mesma brotar.Passos ecoaram pelo jardim, o coração de Ella disparou. Se sua madrasta a visse naquelemomento, Ella seria condenada pelo resto de sua vida. Num sobressalto, levantou-se earrumou seu vestido.Em pé, bem a sua frente, encontrava-se uma linda mulher. Difícil de ser descrita em palavras.Era esguia, e trajava um lindo vestido dourado com detalhes prateados. Duas lindas asasbatiam em suas costas. Ella logo soube que aquela mulher era uma fada. Uma fada madrinhapara ser mais exata, pois segurava uma pequena e delicada varinha de condão prateada. Elasorriu ao ver a expressão assustada de Ella.– É uma flor da meia-noite. – disse a Fada apontando para a flor que brotara magicamente dochão – E eu, minha doce Ella, sou sua fada madrinha. Estou aqui para dar-lhe a melhor noite desua vida.Com alguns movimentos ligeiros, a fada transformou Ella em uma linda princesa. Agora, Ellajá não mais trajava roupas de escrava, roupas velhas e desgastadas. E sim, roupas de Rainha.Trajava um vestido azul celeste, era longo e bonito. Tinha detalhes prateados no decote e naalça. Ella estava linda, muito mais do que suas irmãs adotivas.
– O-obrigada – Ella disse gaguejando enquanto olhava seu reflexo em um pequeno espelhoque a Fada criara para ela. – Muito obrigada, mesmo. Como posso lhe agradecer?– Ainda não pode – respondeu a Fada analisando Ella da cabeça aos pés. – Mas, toda a mágicatem um preço, futuramente vou lhe pedir um favor. Você terá que cumpri-lo, ou algo pior doque a morte acontecerá com você.Ella sorriu e abraçou a Fada, que ao perceber que Ella ainda encontrava-se descalça, franziu ocenho.– Você ainda precisa de um detalhe memorável, minha querida. – E então, num toque demágica, um par de delicados sapatinhos de cristal apareceu à frente de Ella. – Essa noite é sua,minha querida. Aproveite da bondade do príncipe, pois ele não será assim para sempre.Ella calçou os sapatos e antes que pudesse dizer qualquer palavra de gratidão, a Fada sumira,e em seu lugar, encontrava-se uma majestosa carruagem, e no chão da mesma, um pequenobilhete, com os escritos: Esteja de volta à meia-noite.----------=----------=----------=----------=----------Duda estava com Julia andando pela zona mais pobre da cidade. Embora as pessoasparecessem perigosas, algo ali deixava Julia desconfortável. Não que ela seja preconceituosa,sabe que as pessoas estão no estado que estão porque a vida não é justa. Idiotas como oSenhor Pipes e criminosos como Stefan são quem tem dinheiro nesta cidade.A moça mais nova tirou o dia de folga para levar Julia até o tal de Renan. Parece que eletrabalha fazendo trabalhos voluntários nessa área da cidade. Quando ela chegou num tipo desalão onde se alimentavam os pobres se sentiu mal ao ver as pessoas. Isso a fazia se sentir tãoculpada por viver num apartamento. Mesmo que seu apartamento não fosse tão chique, aindaera melhor do que não ter casa.Eduarda não parava de falar sobre como seu irmão era injusto em não permitir que ela saísseda cidade para fazer sua faculdade. Julia disse que adorava tanto Duda como seu irmão e quenão ia se meter. Depois de chamar Julia de traidora, Duda foi embora e disse que esperava porela pra jantar na lanchonete.Renan foi até Julia, disse que podia parar um pouco, mas só tinha uns 20 minutos ou menos.Não gostava de sair enquanto havia pessoas lá.- Não quero perder seu tempo, então gostaria de saber onde você estava anteontem à noite. –A garota foi direta. Tinha quase certeza de que Renan era culpado.Por mais que Marina fosse uma boa garota, ela tenha impressão de que Renan apenas a usava.A situação dos dois a lembrava do que aconteceu com seus pais quando ela era mais nova.- Posso saber o porquê da pergunta? – O rapaz perguntou curioso. Mas depois de olhar paraJulia, viu que não podia perguntar. – Passei a noite recebendo as pessoas no hospital público.- Tem alguém que possa provar isso?- Sim. Todas as pessoas daqui. Mas eu quero saber o porquê desta pergunta.- Eu não devia lhe informar. Mas o senhor Leon teve um dano aos seus negócios. Parece quealguém roubou o dinheiro ganho em uma transação.Os olhos de Renan dilataram como se ele estivesse montando um quebra cabeças. Ele acabade descobrir algo, então Renan disse algo que Julia não esperava ouvir.- Fui eu. Eu que roubei o dinheiro.Depois de falar com Thiago no telefone, ela descobriu que houve um roubo na noite anterior.Algo fazia parecer que Renan estava mentindo, por isso ela resolveu fazer mais uma perguntaa ele.- Onde você estava ontem à noite?Quando o rapaz não respondeu corretamente à pergunta, Julia pediu que ele a acompanhassee então foi para a delegacia. Lá, se encontrou com Thiago e Matheus. Depois de uma longadiscussão, Matheus disse que ele não poderia prender Renan sem provas e que Julia havia lhedado uma razão perfeita para prender Stefan.Parece que Stefan é o chefe de uma das organizações criminosas que comanda a cidade eestá diretamente relacionado com o bairro pobre da cidade. Parece que ele rouba as pessoascolocando seus homens cobrando impostos pelas ruas de tal bairro.Julia pediu que Matheus a acompanhasse até a central de doação da cidade, que é localizadano bairro onde Renan trabalhava. Ela pediu para o senhor que organizava as coisas para checaros últimos cheques recebido.Ela pega os últimos cheques e se vê surpreendida.- Marina Leon. – O nome da pessoa que assinou todos estes cheques.Foi a moça que atacou os capangas de Stefan, ela que estava sabotando o próprio marido.Julia não conseguia entender, Marina realmente parecia uma jovem inocente e pacífica. Eradifícil imaginá-la lutando contra homens do tamanho de guardas roupas e roubando malas dedinheiro.----------=----------=----------=----------=----------O som de passos fez Ella acordar num sobressalto. Endireitou-se na cadeira de balançoe percebeu que havia adormecido ali mesmo. O vento frio das noites de outono sopravafortemente, ameaçando apagar a qualquer momento as velas que iluminavam o ambiente.Levantou-se delicadamente e fechou a janela da sacada.– Desculpe, esqueci-me de fechar a janela. – O coração de Ella disparou. Sentado sobre suacadeira de balanço, encontrava-se um velho amigo de Ella. – Como está indo a vida no castelo?Pelo jeito anda muito boa, ao contrário da minha…– Robin! – Ella disse com uma pontada de felicidade. Fazia meses que não via Robin. Correuem direção ao garoto e deu-lhe um abraço de urso.– O que você está fazendo aqui? Digo, é ótimo tê-lo aqui, mas você sabe que Robert não medeixa receber visitas de…– Plebeus – Robin respondeu livrando-se delicadamente do abraço de Ella. – Sim, eu sei. Masocorreram boatos de que o Príncipe estava caçando, então resolvi arriscar vir te fazer umavisita. Escalei a sacada.– Isso é típico de sua parte. – Ella riu suavemente, sentando-se na beirada de sua cama – O quelhe traz aqui?Robin endireitou-se em sua cadeira e encarou Ella seriamente.– Pobreza. – ele disse – Você deve saber que os camponeses estão todos passando fome. Atéfiquei surpreso ao saber que, você, que há alguns meses era uma de nós, não quis nos ajudar.Ella empalideceu. Não sabia nada sobre os camponeses. Robert nunca lhe dava notícias sobreo que estava acontecendo.– Robin, me desculpe eu… – a voz de Ella falhou nunca se sentira tão culpada na vida.Sentia junto com culpa, uma pontada de raiva de Robert. O príncipe sempre fora egoísta eegocêntrico, nunca dava atenção o suficiente para Ella, estava sempre caçando. Dizia nuncater tempo para o Reino, era ausente. Nunca comparecia a nenhuma comemoração. – Robertnunca me diz nada. Ele me prende do resto do mundo. Estou destinada a ficar presa nestecastelo para o resto de minha vida… Eu não sabia que seria assim. – Ella conteve suas lágrimas,sentia uma vontade imensa de chorar.Robin dirigiu-se até onde Ella estava sentada, e com um impulso, tacou-lhe um beijo. Ella sabiaque era errado, era traição estar beijando Robin. Mas não pode deixar de retribuir aqueledoce, porém voraz, beijo. Quando Robin soltou-se de seus lábios, sua expressão tornou-sesombria.– Venha comigo para a aldeia. – disse – Leve o máximo de joias que puder, vamos dá-las aosnecessitados. Vamos salvar o Reino.----------=----------=----------=----------=----------Os dois se dirigiram até o restaurante da garota. Thiago lhes informou que Stefan iria ter umareunião de negócios ali. Os dois chegaram lá, Matheus disse que eles estavam presos e que eramelhor saírem logo dali. Os homens levantaram as armas e colocaram seus dedos nos gatilhos,mas antes de atirarem faltou energia.Todos ficaram preocupados e olharam ao redor. Um a um, os homens foram abatidos até quesó restava Stefan de pé. Ele tentou atacar a figura encapuzada, mas foi abatido pela mesma ejogado no chão com brutalidade. Matheus sacou sua arma e pediu que Marina levantasse osbraços.A moça atacou o xerife e então jogou a arma longe. Julia se aproximou dela devagar. Sabiaporque ela tinha feito isso. Seu marido fora responsável pela desgraça de muitas pessoas e elatinha que fazer algo. Marina se entregou, mas ela não aprecia se mesma. Seus olhos pareciammais valentes que o normal. Tudo que a moça dizia era:- Tenho que salvá-los.Tudo foi resolvido. Matheus prendeu Stefan por roubo e atividades criminosas, Marina ficoulivre. Ela não podia ser presa por roubar do próprio marido e estava apenas devolvendo paraas pessoas de quem ele roubara.Mas a jovem loira teve alguns problemas psicológicos. Uma linda moça que trabalha nosanatório local, chamada Fernanda, explicou que Marina está tento um conflito interno. Écomo se duas pessoas estivessem brigando dentro dela.- Ela vai ficar bem? – Renan perguntava preocupado. Talvez Julia estivesse errada sobre ele.- Não se preocupe. Tudo vai ficar bem. Ela só precisa ser consultada semanalmente. – Dizia ajovem psicóloga.- Obrigado. – Disse Julia ao se despedir.- De nada. Quero que saiba que se você precisar de consultas sobre seus últimos... traumas,pode vir aqui. – A doutora era muito cordial e delicada com suas palavras.- Claro, vou manter isso em mente. – Falou a moça indo embora com Renan e Marina.Julia foi até a lanchonete depois disso. Duda a parabenizou por ter desvendado um crime edisse que por isso ela ganharia um bolinho. Henrique disse que Julia não estava perdendo nadadepois de ter sido demitida. Acrescentou também que Thiago lhe dava arrepios.Aparentemente os dois irmãos tinham feito as pazes. Eduarda falou que Henrique ia deixa-laaplicar seu currículo em uma boa faculdade e então eles veriam no que isso iria dar. Julia ficoufeliz pro Duda ter sua chance de realizar um sonho. Só que a moça estava um pouco revoltadapor estar desempregada.Mesmo assim, não queria um trabalho onde ela teria que burlar a lei e mentir. Foi por coisasassim que ela decidiu trabalhar com investigação jornalística. A moça acredita que a verdadeexista para que todos a conheçam. Por mais que seja boa trabalhando com a verdade ficou umpouco conflitada quando recebeu um convite de Matheus.- Você pode vir trabalhar comigo. Seria uma boa ajudante e ainda iria investigar o caso do seunamorado. – O xerife não era muito simpático, mas falava sério.Julia não sabia o que dizer. Por mais que precisasse de um emprego, não sabia se conseguiriatrabalhar com Matheus. Ele não parece o tipo de pessoa que tem paciência para lhe dar comos outros.Mas ela já tinha a sua escolha agora.----------=----------=----------=----------=----------Uma semana se passara desde a noite na qual Ella saíra do castelo e se juntara a Robin. Osdois tinham a missão de ajudar todos os aldeões que necessitavam de sua ajuda. Padeiros,alfaiates, lojistas… E todos que pudessem ser ajudados com o número de joias que roubaramdo Castelo.Ella e Robin haviam se tornado heróis para os aldeões. E Ella cumpria sua missão comoPrincesa, quase Rainha. Saía todos os dias, à meia-noite, do Castelo e ia ajudar Robin.Porém, a missão de Ella e Robin não pôde ter um fim. O Príncipe descobrira o plano de Ella e atrancara em um quarto no Castelo. Ella estava condenada a passar a eternidade presa. E Robin,estava condenado à morte. Robert não os perdoaria.– Chorar não irá liberta-la desde quarto – uma voz familiar ecoou pelo quarto escuro pela qualElla se encontrava.Ella abriu os olhos procurando por algum vestígio da Fada, mas ela não estava ali.– É inútil me procurar, ainda não estou aí. Mas posso ajuda-la. Porém você me deve um favor.– Por favor, fada madrinha, eu dou-lhe o que quiser! – Ella disse desesperadamente.– Destranquei as portas de seu quarto. Mas antes de sair, deixe para mim uma pequena joiaazul que você carrega em seu bolso direito. Eu preciso dela mais do que você possa imaginar.Se não o fizer, eu não poderei ajuda-la mais.Ella balançou a cabeça em afirmativo, e com um movimento rápido, deixou a joia em um cantodo quarto e disparou em direção à porta, que outrora estivera trancada.Correu em direção ao pátio, onde Robin estaria sendo condenado. Provavelmente, já estariamorto. Desceu uma serie de escadas, e quando finalmente chegou ao pátio do castelo,encontrou Robert deitado no chão, com suas mãos e pés algemados e Robin segurando umaespada de prata, levantando-a para o alto.– Eu, Robin, desafiei o Rei Robert, que assumira o trono quando Rei Peter morrera há dois dias,e o venci. Sendo assim, declaro-me o novo Rei.- Saúdem Rei Robin.A multidão que se encontrava no pátio do castelo entrou em êxtase. De fato, todos odiavamRobert, até mesmo os Duques e Duquesas comemoravam.Os olhos de Ella se encontraram com os de Robin. Ela sorriu e correu em direção a Robin. Tudoestava bem. Mas algo lhe dizia que aquele não era seu feliz para sempre. A voz da fada lhesoara estranha quando estivera presa no quarto. Ignorou os pensamentos negativos e juntou-se a comemoração.
– Saúdem o Rei Robin e a Rainha Ella!
Notas finais
Uma viagem. Tudo que acontece nesse capítulo é mais explicado no futuro. Nada acontece por acaso.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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