The Survivors

1 Não é viver, é sobreviver


Notas iniciais
Olá!
Bem, este é o primeiro capítulo deste projeto que criei. Vão ficar a perceber melhor a história, visto que na sinopse eu dei uma noção muito vaga.
Espero que gostem e fiquem desse lado!
Beijinhos ♥

Toda a minha vida vivi escondida, sempre a tentar proteger-me não só a mim, como mais tarde, ao meu irmão mais novo. Não tive aquela infância de sonho de que falam os livros, aqueles que claro, não foram destruídos. Ninguém a teve para ser sincera, esse conceito deixou de existir assim que as bombas nucleares foram disparadas. Ainda assim tive alguma sorte, com os meus pais no governo eu sempre consegui o que queria durante algum tempo, até que invadiram a sede do governo e mataram cada um dos que lá estavam. Eu assisti. Como é que estou aqui? Eu já disse que vivi escondida.

Não disse o meu nome, e se o vou dizer não é porque realmente importa, porque não é verdade. Quem quer saber de uma testemunha que presenciou a pior parte da História da Terra? Ultrapassando a Inquisição e as Guerras Mundiais, todas essas catástrofes conseguem ser menos trágica que a autodestruição da nossa própria espécie. Continuando, o meu nome poderia ter sido esquecido por todos, inclusive eu, mas o meu pequeno irmão consegue lembrar-me dele todos os dias em que finjo acordar, porque na verdade nunca adormeci e fiquei a pensar que a qualquer momento vamos ter que fugir de novo, ou como é que nos deixamos chegar a este ponto, ainda não encontrei uma resposta. Sem mais conversa fiada e aborrecida, o meu nome é Zoe Clark e tenho 17 anos.

O meu irmão é tudo o que me resta nesta vida, a única razão pela qual eu não paro de fugir e tentar procurar um lugar seguro. Cheguei a um ponto da minha vida em que ele é a única motivação que tenho para continuar a sobreviver. Dizem que a vida é uma dádiva a que nos temos que agarrar com unhas e dentes, mas certamente, o idiota que disse isso devia ser o líder de um grupo de ajuda para pessoas com problemas mentais cujo único objetivo de vida é morrer sem deixar vestígios de vida por aqui, não uma espécie de ser humano que se esconde em tudo o que é buraco para não inalar muitos gases radioativos ou não levar com uma bomba que o vá detonar.

Lembro-me do dia em que os meus pais foram assassinados como se tivesse sido agora mesmo. Tudo estava um caos, no entanto, eu tinha esperança de que tudo melhoraria, apesar de os meus pais estarem preocupadíssimos com tudo. Começou o alarme e gente gritava, então a minha mãe abriu a conduta de ar, o meu pai trouxe o meu irmão que gritava e chorava e eu disse que não podíamos ir sem eles, isto enquanto chorava. O meu irmão esperneava de forma a que o meu pai o largasse, mas ele não fez, eu repetia as palavras "Eu não sei que fazer. Eu não consigo" imensas vezes. Lembro-me do que a minha fez. Agarrou-me a cara com as duas mãos e olhou-me nos olhos muito seriamente e disse-me "Eu acredito em ti! Agora leva o teu irmão daqui e protege-o, eu sei que tu consegues fazer isso! Toma conta de ti e do teu irmão, Zoe. O teu nome é um nome de batalhadora que eu sei que tu és. Batalhadores são guerreiros lutam pela vida, sobrevivem, protegem, eu sei que tu vais mostrar que estamos certos! Vai tudo correr bem. Ok?". Eu chorava e ela também, abracei-a e ela fez o mesmo separando-se em lágrimas. As últimas palavras que lhe disse antes de ela fechar a conduta de ar comigo e com o meu irmão no interior foram "Eu amo-te", ela disse-me o mesmo e comecei a ouvir tiros. Rastejei rapidamente com o pequeno rapaz que chorava assustado, eu também estava, mas tinha que ser forte, por ele. Conseguimos sair sem sermos notados, escondemo-nos na floresta, num esconderijo que foi seguro o suficiente para ficar naquela noite. Porquê na floresta? Porque era o que circundava toda a sede governamental. Optaram por contruí-la lá para que fosse de difícil acesso e para proporcionar uma fuga mais facilmente.

Que idade é que eu tinha quando tudo isso aconteceu? Tinha 12 anos e o meu irmão tinha 7 anos. Foi há cinco anos atrás, tentei de tudo, mas faça eu o que fizer, a dor nunca desaparece. Aliás, já me mentalizei que ela vai permanecer comigo durante esta coisa que chamam de vida, e que morrerá comigo.

Durante estes cinco anos, aprendi a esconder-me muito bem. Andei durante este tempo todo de lugar em lugar, sem ter um local que pudesse chamar de casa. Digamos que aprendi que nenhum lugar é seguro, e que não podemos confiar em ninguém. Quando a guerra chega, podes fazer duas coisas, ser o herói estúpido que vai lutar e morre na "praia", ou podes fugir e ir mantendo-te viva, sobrevivendo. Eu escolhi a segunda que, é talvez a mais difícil. Morrer é fácil, manter-te vivo não. Requer muito esforço, digamos que sou perita nisso.

De momento vivo no subsolo. Descobri que na verdade, é um dos locais mais fáceis de se sobreviver. De dia tento procurar comida, mas acima de tudo, água não contaminada, o que é uma tarefa complicada hoje em dia. Durante este tempo fui encontrando gente com quem fazer uma espécie de negócios, aprendi noções básicas de muita coisa, como por exemplo, ervas que podem ser usadas como antídotos, ou como tratar feridas e coisas afins. Aprendi a caçar e a reconhecer o perigo a quilómetros de distância. Aprendi a sobreviver.

Continua...

Notas finais
Agora cá em baixo, deixem-me ficar a saber dos vossos pensamentos sobre a nossa Zoe Clark. Como puderam ver é uma miúda muito forte e que já passou por muito.
A história vai ser contada única e exclusivamente do ponto de vista dela. É muito cedo para entregar tudo sobre a personagem, mas com o tempo, vamos saber mais sobre ela.
Espero que tenham gostado e até ao próximo capítulo.
Beijinhos ♥