The Superboy: Episódio 1 - Smallville.
8 Mudanças.
Notas iniciais

Eu apenas enxergava a escuridão, sentia o medo, poderia achar que havia morrido? Eu não sei, logo estava com medo de abrir os olhos e perceber que estou em um lugar onde nunca poderia ver mamãe e papai. Sentia meu corpo tremer bastante, mas logo algo espetava levemente meu rosto, sentia o cheiro da natureza, a brisa tocando suavemente em meu rosto, o chão estava confortante, meus dedos amaciavam gramas. Eu sentia o cheiro, tive que tomar coragem e abrir os olhos e enxergar a luz do dia, lá estava árvore ainda e a casa onde estavam Pete e Greg olhando e gritando pelo meu nome. Ao me levantar, percebi que não havia morrido, mas a queda me assustou bastante, não sentia dor nenhuma, olhava em minha volta e notava a sorte que tinha ao estar vivo.
– CLARK!!! – Gritava Pete em desespero.
– Eu... EU ESTOU BEM, PETE! – Gritei de volta ainda assustado e ofegante.
– ESTAMOS DESCENDO AI, AGUENTE! – Gritou Greg.
Assim que os dois desceram da árvore, eu já havia me mantido em pé. Eles correram bastante apavorados á minha direção, Pete procurava alguma coisa em mim, se havia algum arranhão, ou se havia quebrado alguma coisa.
– Eu estou bem, Pete. – Disse tentante me acalmar.
– Não, não se mexa! – Alertou Greg – Se você mexer uma parte do seu corpo, talvez seu tornozelo ou a perna havia quebrado.
– Pare de besteira! Como pode pensar nisso? – Perguntei.
– Eu assisti em uma série de tv isso! Não se mova.
– Olha... Eu estou bem. – Eu me afastei aos poucos, mas logo de repente cai ao chão e gritei bastante de dor. Greg e Pete entraram em pânico e tentaram me ajudar, mas logo comecei á rir.
– Qual é a graça, Clark? Você acabou de se quebrar! – Disse Pete.
– Não me quebrei nada. Estava brincando com vocês.
– Você caiu de uma árvore de 2 metros. Do seu tamanho, você podia ter morrido, um de nós poderia ter morrido ou quebrado a coluna. – Explicava Greg preocupado.
– Greg... A grama amorteceu a minha queda. Eu estou bem, é sério. Parem com isso. – Menti bastante nervoso.
Greg e Pete se entreolhavam, ficaram confusos, não sabiam como eu havia conseguido sair ileso da queda. Eu queria que esquecessem logo e viam que foi apenas um susto.
Ao chegar em casa, Mamãe havia preparado o almoço, papai a recém havia chegado do celeiro, sentado no sofá bastante calmo e bem descansado.
– Como foi na escola hoje, Clark? – Perguntou Martha ao deixar a panela sobre a mesa.
– Foi legal, Mãe. Foi legal mesmo. – Respondi sem apresentar emoção de empolgação alguma.
– Por que demorou tanto, Clark? – Perguntou Jonathan.
Não queria mentir para os dois, cada problema que eu falava para eles, acreditava que eles entenderiam e poderiam me ajudar á perceber o que estava acontecendo. Mas quem mais me preocupava era meu pai que ficava estressado quando algo dava errado á meu respeito e da minha invencibilidade.
– Eu estava na casa do Pete. Me diverti bastante.
– Ah que bom, querido. Havíamos ficado preocupados.
Para minha sorte, não ligaram para os pais do Pete.
– Que estranho... Então se você se divertiu tanto, por que a mãe do Pete ligou para cá?
Engoli em seco, era meu fim, vi que minha mentira não havia dado certo e sendo que odeio contar mentiras. Olhava para a minha mãe que me olhava com um olhar um pouco insatisfeita por eu ter falado mentiras, sendo que assim que entrei em casa, o humor dos dois não estava dos melhores. Jonathan se levantou, eu não tinha medo de apanhar dele, porque era impossível, mas tinha mais medo era da reação dele e do modo que ele fala comigo.
– Clark... Onde você estava?
Engoli em seco e respondi:
– Estava na casa da árvore com o Greg. Pete estava junto.
– Aconteceu alguma coisa? – Perguntou Jonathan ficando de braços cruzados e mantendo sua pose autoritária.
– Nada. Apenas estávamos conversando. – Respondi com firmeza.
– Por que chegou de um modo que parecia chateado, Clark? – Perguntou Martha sensivelmente como se a voz dela me confortasse aos poucos e ela não queria me dar àquela bronca.
Mais uma vez tive que falar a verdade:
– Estávamos conversando quando Greg me jogou um inseto e...
Logo travei, com medo de como seria a reação dos dois que me olhavam atentamente.
– E...? – Repetiu meu pai.
– Eu... Cai da casa da árvore.
Os dois arregalaram os olhos, Martha levou sua mão ao seu peito como se estivesse prestes á ter um ataque cardíaco, papai me olhava dos pés á cabeça também achando que eu havia me machucado.
– Não aconteceu nada comigo. Sai ileso.
– Pete e esse Greg viram você cair e se levantar e repararam que era para você ter se machucado? – Perguntou Jonathan bastante preocupado.
– Mas é claro. Eu inventei uma desculpa que a grama havia amortecido. Não se preocupe. Eles acreditaram.
– Eu espero que eles tenham acreditado, mas Clark...
– Eu sei, não posso expor minha habilidade em público, mas eu não tenho culpa, ok?! – Interrompi meu pai agora me estressando. Coisa que eu não devia ter feito na qual Jonathan não havia gostado.
– Clark, você precisa entender que...
– POR QUE EU NÃO POSSO MOSTRAR AO MUNDO O QUANTO POSSO SER DIFERENTE E MOSTRAR ESSA DIFERENÇA COMO SE FOSSE ALGO BOM PARA ELES? – Gritei com ferocidade, Martha se afastou um pouco.
– Clark! Não use esse tom de voz comigo! – Vociferou Jonathan.
– VOCÊ NÃO É MEU PAI!
Eu sai de casa, meu pai ia atrás de mim, logo ouvi a batida da porta, me assustei e corri para fugir dele.
– CLARK, VENHA AQUI!
Algo errado havia acontecido: Ao correr em direção ao celeiro, adquiri uma grande velocidade que acabei atravessando as paredes, continuava correndo, sem saber para onde iria, mas de repente parei ao meio da estrada. Não acreditava no que havia acontecido, corri em alta velocidade, uma velocidade diferente de todos os outros correndo. Olhei para minhas mãos e percebi que possuo habilidades melhores ainda, talvez eu possa ter minha chance de achar outras...
Eu voltei para o rancho, mas estava com medo de enfrentar meu pai, ao chegar no celeiro, ele estava olhando para as paredes completamente destruídas com Martha que estava bastante preocupada comigo. Olhava para o dano que havia feito, não fiz por querer, via nos olhos de Jonathan que não acreditava que possuía outro poder.
– Pai... Eu...
– Vamos ter que tratar disso ai. – Disse ele seriamente não querendo tocar no assunto que ocorreu hoje.
Jonathan e eu fomos até uma área isolada longe do rancho, um nada na verdade, só havia terrenos, terra, poucas gramas e uma árvore. Não conversamos o caminho inteiro.
– Clark... Você precisa treinar sua velocidade. Nunca se sabe que no caso, quando for correr na escola, as pessoas verão que você é diferente delas.
– Não posso surpreender?
– Não, Clark! Não pode surpreender. Irá assustá-las.
Antes que eu começasse, senti o toque de Jonathan ao meu ombro.
– Estou tentando proteger você, filho.
Jonathan não gosta de brigar comigo, eu também não gosto de brigar com ele. Eu poderia achar que ele tinha razão, mas a única coisa que me incomoda é do porque possuo poderes, porque sou diferente de todos. Eu gostava de ter esses poderes, mas o que mais queria na vida era ser normal, ser o orgulho dos dois. Bom, me preparei, olhei para um ponto fixo e corri, mas na mesma velocidade. Era uma sensação, a velocidade, o vento batendo sobre a minha cara, meus cabelos esvoaçando completamente. Assim que parei, vi que estava já longe do meu pai, ele parecia gritar algo, mas não conseguia ouvir e logo voltei para perto dele em uma velocidade maior ainda.
– Tente reduzir um pouco a velocidade. – Sugeriu Jonathan.
– Eu estou tentando, pai. Mas eu sou muito rápido, não consigo diminuir.
– É por isso que temos que ir tentando, tentando e tentando. Vamos... De novo.
Depois de inúmeras tentativas, de diversas corridas rápidas acabei pensando que eu tinha que manter o controle logo. Me concentrei, acabei diminuindo aos poucos a minha velocidade com bastante calma e todo cuidado o bastante para acabar não perdendo o controle, logo acabei aumentando, aumentando mais um pouco a velocidade e percebi que podia correr normalmente, se eu pegasse impulso o bastante correria de forma veloz. Era isso que eu tinha, impulso máximo. Jonathan parecia estar satisfeito ao ver que consegui controlar meus poderes.
Oh sim... Anos se passam, estou com 18 anos e... Fazendo o 1° Ano do 2° Grau. Não parece ser tão ruim assim, aliás de contas eu quero ser alguém na vida é claro. Nunca se sabe o que a vida poderá me deixar no futuro. Fiquei feliz, mas bastante feliz em saber que Chloe e Pete tornariam á voltarem á serem meus colegas. Muita coisa havia mudado: Pete começou á ser tornar fotógrafo da escola por influência, indicação e... Sugestão da Chloe pelo simples fato de ela ser a primeira da classe em se tornar editora do jornal da escola conhecida como: The Torch. Chloe ficou realmente bastante feliz em ter obtido esse sucesso, pois seu maior sonho é se tornar em uma grande jornalista. Ela havia me mostrado como estaria organizando as coisas para a escola, como flagras de lideres de torcidas com os jogadores mais populares da escola, entrevista com os grandes professores e é claro... Tudo que é feito na Torch, quem supervisionava todas as atividades era o diretor Chan.
– Eu espero que tudo comece á dar certo. – Disse Chloe bastante empolgada. – Mal posso esperar para ver a cara daquelas patricinhas Hillary e Meggy que tentaram persuadir o diretor. Na verdade tentaram seduzir, foi constrangedor assistir aquilo.
– Oooh... Queria que isso tivesse ter acontecido comigo. Elas tem um gingado e tanto depois que colocaram aquela música, só faltava tirarem as roupas, foi bastante empolgante. – Comentava Pete de forma atrevida olhando para as fotos da câmera de todos os alunos que havia tirado e não se importando com Chloe ao seu lado.
Dava para ver que Chloe fez uma careta para Pete, ela não se importava pelo simples de duas simples garotas começarem á fazer coisas “obscenas” para o diretor que com certeza não havia o agradado e achado bastante sem contexto um convencimento tão vulgar na qual... Bom... No meu caso... Acho que acharia legal, sendo que nunca havia visto garotas dessa forma. Imagino como seria a Lana... Digo... Por que estou pensando nessas besteiras?
Enfim, o diretor havia escolhido á dedo a Chloe. Imagino que ela estava sentada em seu canto observando de forma... Aterrorizada e bem firme em sua postura, imóvel e quieta ao ter presenciado uma cena bastante desnecessária da parte de Hillary e Meggy. Fico realmente feliz por Chloe ter conseguido o que mais queria.
– Temos aluno novo. – Disse Pete ao ser o primeiro á entrar na sala.
Eu entrei em seguida e logo pude ver aos fundos um garoto meio estranho: Seus olhos pareciam pintados em marrom, mas deve ser sono que ele tinha. Possuía cabelos curtos, na verdade até o pescoço na cor castanha, magricelo e bastante sério. Olhava para a janela que dava para entender que não queria olhar para os seus colegas.
Nós três nos sentamos ao fundo da sala, eu o observava por mesmo ele sendo novo, dava para ver que ele não era de querer fazer amigos.
– Em todo caso... Notou algo de estranho na nossa classe?
Olhei para todos os cantos da sala e havia um problema: Lana não estava na mesma sala.
– Lana não faz parte da nossa turma? – Perguntei, Pete balançou a cabeça, Chloe revirou os olhos e tornou á olhar para frente.
Eu fiquei um pouco chateado em saber que Lana Lang, a garota dos meus sonhos, não faz mais parte da nossa turma. Agora meus dias, mesmo tendo excelentes aulas, serão um pouco diferentes. Nunca mais poderei observar Lana, nunca mais poderei contemplar aquele lindo rosto, aqueles olhos sonhadores e aqueles cabelos nas quais me deixam com vontade de tocá-los, o perfume viciante dela e...
– Clark!
Eu ouvi a voz de Chloe que me olhava com um caderno e uma caneta na mão.
– Você está ai?
– Ah... O que foi, Chloe? – Perguntei olhando para os materiais dela não fazendo ideia do que poderia ser.
– Bom... Já que Pete se empenhou bastante em sua profissão como fotógrafo, gostaria que você fosse o entrevistador.
– Entrevistador? Isso é sério? – Perguntei forçando á não rir.
– Mas é claro.
– E o que irei ganhar com isso?
Chloe por uns instantes permaneceu muda, olhava para mim sem encontrar palavras, ela olhava do meu peitoral até meus olhos, sem ação nenhuma, balançou a cabeça e disse:
– Você...
– Terá tempo livre. O diretor disse que podemos não estar presentes nas aulas devido ao fato de estarmos fazendo nossa parte pela publicidade da escola. – Respondeu Pete por Chloe de repente e bem especifico. Fazia até movimento com as mãos.
– Hum... Interessante. Bom... Em todo caso... Eu aceito fazer parte do The Torch.
Chloe esboçou um sorriso bastante sem graça, na verdade ela estava se sentindo sem graça e me ofereceu o caderno e a caneta. Eu a peguei e anotei abaixo do nome do Pete que ficou feliz ao ver que eu fazia parte do jornal.
– Ahh... Irá ter mais gente para o nosso... Trabalho?
A minha pergunta parecia ter feito a Chloe de sempre ter voltado ao normal que respondeu de forma empolgada:
– Mas é claro que sim! Eu preciso formar a minha equipe!
– E aquele cara estranho? Ele pode ser durão, pode nos ajudar á forçar os alunos á darem entrevistas e opiniões á respeito da escola se eles acharem uma total idiotice.
– Não, ele me assusta. – Disse Chloe olhando para ele de cara fechada. – Vamos pensar em algo maior. Algo na qual nos faça garantir nosso futuro nessa escola. Já pensaram como poderia ser grandioso? Podemos conseguir diplomas e nossos destinos se cruzariam em uma empresa do maior ramo jornalístico! Eu vou começar e vai ser agora o que iremos fazer.
Chloe virou-se rapidamente, mas voltou para mim para pegar o caderno e a caneta, olhei para Pete que começou a fazer um gesto com dedo o rodopiando em volta de sua orelha dando a expressão de que ela poderia estar doida. Chloe não era doida, apenas era uma pessoa desesperada pelo o que mais quer, mas em todo caso... Até que estou ansioso também para este tipo de trabalho a respeito do jornal da escola.
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