The Sunrise
4 Blue eyes
Notas iniciais
05 de fevereiro
Acordo no meio da noite por causa daqueles olhos. Mas há algo errado, eles não são castanhos, são azuis. De quem são esses olhos? Por que estou sonhando com eles? Sinto que estou suando, então levanto, ligo o ar condicionado e me sento na cama, olhando o escuro e lembrando dos olhos, aqueles olhos cor de azul. Acabo pegando no sono.
***
Acordo novamente, mas dessa vez com o barulho do despertador e implorando para ser um sonho. Não quero ir para a escola, não quero ver um monte de formigas ambulantes vestidas. Me rastejo para o banheiro com cara de morta para fazer minha higiene matinal. Quando termino desço a escada. Logo no final tropeço e caio me batendo no chão.
— Puta que pariu! Caralho! Ai! — exclamo.
Levanto emburrada e vou tomar o meu café rapidamente. Ao terminar saio sem pegar carona pois estava precisando de ar. Andando olhando para todos os cantos vejo um carro preto com o vidro um pouco aberto, e do lado de dentro haviam olhos azuis como uma lagoa cristalina. Sinto meu corpo se arrepiar e suar frio. O ar falta e eu encosto na parede. O que está acontecendo comigo? Porque eu estou assim? São só olhos... Por mais que sejam azuis. Ajeito meus cabelos pretos enquanto volto a caminhar sem entender o que aconteceu a poucos segundos. Depois de uns minutos de caminhada, vejo uma placa escrito: "BEM VINDOS A ETEC CARLILOS". Na hora reviro os olhos querendo estar morta. Entro com passos lentos exatamente quando o sinal toca e as meninas da minha sala passam por mim correndo. Sem a mínima vontade, continuo andando, entro na sala e vejo vários lugares. Quase levanto a mão e dou graças a Deus. Sento na mesma fileira de sempre mas no meio, e uma professora toda linda e bombada entra. — Boa tarde! Meu nome é Maria e sou a professora de Educação Física de vocês. — começa
— Vamos para os vestiários e depois seguiremos para a quadra. Eu nem sabia que existia vestiário. Todos saem da sala à caminho do vestiário que fui descobrir a existência hoje. Quando chego e abro o armário que me pertencia até me assusto. Tem roupa para tênis, natação e ginástica. Coloco a roupa de ginástica que é um shortinho, um top cinza e uma blusa de academia preta que quase mostrava meu piercing no umbigo. Prendo meu cabelo num rabo de cavalo e ele continua enorme. Começo a caminhar até a quadra, vendo as meninas com as calcinhas de ginástica. A professora divide a classe em grupos, pares e ímpares, e logo percebo que iria ser uma queimada. Eu até que sou boa quando não estou com raiva. Fico no time dos ímpares pois meu número é 17. Percebo que todas as garotas começaram a olhar para um ponto atrás de mim. Viro devagar, me deparando com os meninos só de bermudão de futebol, alguns com a blusa agarrada que marcava cada quadradinho do tranquinho de cada um. Cheguei a perder o ar com tanta beleza que reinava naquela quadra. Eles se posicionam em seus devidos times e aí sim a tal queimada começa. Tive sorte pois no meu time tinha os mais fortes, tanto menina quanto menino, então eu ali era a personificação da inutilidade. Vejo a bola vir em minha direção. Se no time tinha gente boa eu não poderia fazer feio. Pego ela e queimo uma menina do outro time. Ao ir para trás sorridente, tropeço e caio sentada. Quando eu levanto a cabeça vejo uma mão estendida para mim. Olho mais para cima e encontro um sorriso encantador. Seguro na mão da pessoa e me levanto, olhando bem para ele.
— Obrigada.
— De nada. Só acho que se fosse para você cair, que caísse sozinha sem um pé para te ajudar. — sorrio e me viro, voltando para o jogo.
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