The Sun and the Moon
2 Minha raposa de estimação
Hoje eu só lembro do tempo com minha irmã como dias felizes, mesmo eu sendo pura e inocente em relação a tudo. Quase oito anos depois do meu aniversário e só agora compreendo o que ela passava todos os dias, às dificuldades. Faz oito meses que encontrei um diário dela, e foi ali que eu percebi o quanto eu não conhecia nada da minha irmã. E eu pensava que ela amava desenhar, mas só desenhava por mim. Uma passagem específica destruiu meu coração.
‘’Apesar de odiar desenhar, talvez assim, fazendo minha irmã sorrir, eu possa encontrar um jeito de continuar.’’
Foi um dos piores dias da minha vida ler as coisas naquele diário, apesar de não mostrar para meus pais, certeza que não iriam entender, então guardei para mim. Até hoje eles meio que culpavam ela, mas no fundo culpavam-se.
Em parte eu também me culpava, era minha irmã, e eu quem levei aqueles caras até ela. O pior de tudo era que meus pais sabiam, e não me culpavam. Desde do que houve naquele dia meus pais começaram a ser mais unidos, eles pensaram muito em divórcio, mas acho que a morte da minha irmã segurou as pontas entre os dois. Irônico sua filha precisar morrer para você continuar com a pessoa que casou.
E eu tenho essas reflexões internas toda manhã enquanto faço meu capuccino. Geralmente meus pais já foram trabalhar, minha mãe corretora de imóveis e meu pai advogado. Passam o dia fora e só voltam de noite, então fico com a casa só para mim e o Sr. JB, meu gato.
Depois de comer meu cereal, coloquei as coisas na pia e fui até meu quarto trocar de roupa, pensando como seria o dia de hoje. Em minha lista mental eu tinha teste de história e entrega do trabalho de biologia. Parei de frente para a janela e fiquei olhando para o céu, eu sempre me vestia de acordo com o tempo. Como parecia que ia chover, já me vesti com calça e moletom, bem agasalhada. Do jeito que eu sou, uma chuvinha já me deixaria gripada.
Peguei minha mochila e despedi do JB, que estava dormindo na minha cama. Acho engraçado o nome que dei para ele, Sr. James Bond. O gato sempre andava na ponta dos pés, nunca fazia barulho, parecendo um espião. Os filmes do 007 sempre foram meus favoritos de espionagem, e nem preciso falar dos atores, então comecei a chamar ele assim. Em um tom mais original, só chamo ele pelas iniciais, JB.
Um trovão me acordou para a vida, então já saí de casa preocupada se chegaria atrasada. Nas terças a primeira aula era de matemática, então não podia chegar nem dez segundos atrasada. Coloquei meu gorro e fui em direção a escola, com a cabeça nas nuvens, torcendo para a noite chegar logo.
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Minha maior tristeza é ter que participar da aula de Educação Física, meu professor implicava comigo por não participar, mas poxa, eu odeio ter que praticar algum esporte. Dançar beleza, mas jogar futebol ou vôlei é um saco. Já tomei algumas advertências, mas eu não vou ser forçada a participar de algo que não quero.
Enquanto rodava o Facebook, minha amiga Julia apareceu do meu lado, sentando enquanto comia um Kit Kat. Aquela garota amava chocolate, comia sempre que podia, mas nunca engordava nada. Do nosso círculo de amigos, a gente tinha muita raiva dela ser a que mais come, mas não engordar nada. Aquela magra sexy que os garotos até babam, tinha ótimo gosto para roupas e já foi chamada por algumas agências para ser modelo. Eu contei sete, com a de ontem. Ela recusava só porque queria focar nos estudos, queria ser médica, não modelo.
— Luna, preciso tirar uma foto com você.
— Não precisa não.
— Preciso sim, a gente quase nunca tira foto.
— Julia, eu não gosto de tirar foto, você sabe.
— Só uma, por favor. — Ela me encarou com um beiço, me fazendo tirar os olhos do celular e a olhar nos olhos. Direto ela pedia para tirar foto comigo, ou minha, mesmo eu sempre recusando, odiava tirar foto, mas ela insistia em que eu era linda e precisava arrasar. Acho que por isso a gente era melhor amiga, conhecemos tudo uma da outra.
— Tá bom, mas só uma. — Obviamente foram no mínimo umas dez. Por mais que eu odiasse, aqueles momentos com ela alegravam meu coração.
Depois de tirar as fotos, avistamos Carlos se aproximar, claramente querendo falar comigo. Julia já se levantou, com um sorriso maldoso para mim.
— Não vai dar uma chance para o cara gamado em você?
— Eu te odeio, Julia.
— Você me ama, isso sim. — Ela saiu com um sorriso no rosto e me deixou ali sozinha com o garoto.
Realmente, ele estava apaixonado em mim, apesar de eu não sentir nada por ele. Fazia dois meses que ele começou a conversar comigo, querendo ficar comigo, e eu só dizia não, tratava ele normal. Para ser sincera, não tratava ele nem como amigo, por diversos motivos, como por exemplo: o fato de alguns garotos que tentaram ficar comigo mesmo eu negando. E depois começam a criar boatos. Você começa sendo amigável com a pessoa e ela presume que você quer beijar ela, isso não tem sentido. Homem não presta.
— Oi Luna, tudo bem? — Ele sentou de frente para mim, sorrindo. Carlos era gentil, mas eu continuava imaginando que ele só queria me beijar. Mês passado ouvi um boato que tinha uma aposta de 100 reais para quem conseguisse me beijar.
— Oi Carlos, tudo sim e você? — Foquei no celular, estava sempre me ocupando com algo para não ter que passar por aquilo, só queria ficar de boa e curtir minhas amizades. Apenas isso.
— Estou bem. Viu que o professor de Educação Física vai juntar turmas esse ano para a Gincana? — Aquilo me pegou de surpresa, todo ano tinha Gincana e normalmente não juntavam salas, então a novidade me deixou curiosa. — Só espero não cair com a sala E.
— Realmente, o povo da sala E é difícil de lidar. — Na nossa escola, as classes eram divididas em 5 turmas, de A até E. Quanto melhor sua nota, mais perto do A você fica, quanto pior, mais perto do E. Eu sou da turma B, e Carlos da C.
Entretanto, isso não significa que só tem gente burra na classe E, já que qualquer coisa influencia em qual classe você vai ficar. Por exemplo, além das notas, o comportamento, pontualidade, responsabilidade com a escola, entre outras coisas. Tinha muitas pessoas inteligentes na turma E, mas eles não se comportam bem, então acabam indo parar lá.
Olhei para o horário e percebi que já estava na hora de ir para a biblioteca, prometi estudar com a Julia e a Natália. Levantei apressada, guardei o celular e por um segundo esqueci completamente do Carlos, que olhava para mim intensamente. Não aquele intensamente de filmes ou livros, era de um jeito estranho.
— Então, tenho que ir, até mais. — Nem ouvi ele despedir e já fui em direção a saída, fugindo do garoto. Nada contra você Carlos, mas o jeito como me persegue e age como se eu fosse um objeto para ser conquistado me irrita bastante.
Fui chegando na biblioteca na ponta dos pés, tinham algumas pessoas estudando lá, e fazer barulho naquele lugar era proibido. Silêncio enquanto se estuda ou lê é o melhor presente que uma pessoa pode receber.
Encontrei as garotas em um canto da biblioteca, Natália estava usando o celular enquanto a Julia bebia um suco de melancia. Sério, como essa garota tem gostos estranhos.
— Suco de melancia, Julia? Você nasceu errado. — Ela me viu e deu uma risada baixa, como eu amava essa garota, tinha um sorriso lindo e uma risada contagiante. Minha melhor amiga é a melhor pessoa do mundo.
— Me deixa Luna, você só persegue meus gostos. — Ela me deu língua logo após eu sentar, e só retribui do mesmo jeito carinhoso.
— Então, vamos estudar para a prova, por favor. — Natália estava séria, e eu entendia o motivo, ela precisava tirar uma nota boa na prova do próximo horário.
Colocamos nossos celulares no canto para tirar a distração e começamos a estudar para a prova de Química. As duas tinham uma certa dificuldade com qualquer matéria relacionada a Exatas, então sempre que possível eu ajudava as duas. A Julia diz que eu tenho um dom para ensinar, que eu conseguia fazer tudo ficar fácil. Até brincavam que eu ensinava melhor que o professor. Mesmo que seja brincadeira, me deixa muito feliz, já que meu objetivo é ser professora, então acaba que vira uma motivação para mim, mesmo eu tendo um monólogo interno negativo.
Depois de quase uma hora, Julia foi até o banheiro enquanto a Natália foi pegar um lanche para a gente. Eu aproveitei e peguei meu celular, não que eu seja viciada, mas eu preciso constantemente ocupar minha mente.
Meu celular tinha algumas notificações no Instagram e Whatsapp, então fui logo ver o que era e responder algumas conversas. Geralmente tinha muitas mensagens de grupos, que eu não participava muito, como de livros ou de séries. E no Insta, tinha duas solicitações para me seguir, de dois garotos. Eu tinha visto eles já, no dia anterior, quando fui comprar um lanche para mim, eles estavam andando de Skate na praça. Fiquei curiosa, então aceitei, eles são bonitos até, e pareciam ser gente boa.
— Então você está arrasando corações Lu, olha só, mais dois gatinhos. — Julia estava atrás de mim, com um sorriso enorme no rosto, já querendo zoar com a minha cara.
— Julia, você poderia por favor me deixar em paz. — Tentei fingir de brava, mas só consegui rir, ela amava me perseguir sobre o quesito romance, já que eu era uma das poucas pessoas da escola que nunca tinha beijado ninguém. — E olha, daqui a pouco vai ter a prova, a gente tem que comer logo.
— Nem ouse de mudar assunto, safada. — Ela começou a me abraçar dali mesmo e fazer cosquinhas em mim, minha fraqueza. Comecei a rir e tentar fugir das mãos da garota, começando um contra-ataque de cosquinhas. A gente estava chorando de rir quando a Natália aparece junto com a tia da biblioteca, que nos expulsa da biblioteca.
— Eu não posso me ausentar por um minuto e vocês já fazem bagunça. — Natália deu uma risada enquanto percorremos o corredor, entregando biscoitos para comer.
— É culpa da Julia me perseguindo. — Afirmei enquanto comia o biscoito, e não demorou para ela retrucar.
— Não inventa coisa, fica aí de enrolação, a gente quer saber quando você vai pelo menos beijar algum garoto. — As duas me pressionaram de ambos os lados, com sorrisos maliciosos e curiosas com o assunto. Para ser sincera, eu também estava curiosa para saber como é estar em um romance, já que desde a morte de minha irmã, eu nunca me foquei em quase nada além de estudar. Só foi neste ano, que fiz amizade com as duas, que me mostraram tantas coisas novas.
— Não sei gente, ainda não sei. — Fiz um beiço e mudei de assunto falando sobre a prova que iria começar, não gostava de ser pressionada nas coisas, queria poder pensar livremente. Só que eu lia tantos livros de romance, como assistir filmes também, que a ideia de ter um namorado parecia ser tentadora.
Chegamos na sala um minuto antes do sinal bater e já ocupamos nossos lugares, Natália respondendo o namorado, Julia bebendo suco e eu comendo biscoito. A gente era um trio muito colado, fazíamos quase tudo juntas, quando o namorado da Natália, Pedro, deixava. Ele é muito babaca, tirava ela de nós, dizia que a gente era péssima influência, sempre conseguia colocar a culpa nela em tudo.
Eu nunca tinha visto relacionamento abusivo até conhecer ela, a Julia quem me contou altas coisas que ele fez com ela, mas parecia que a Natália estava presa nas garras dele. Quando eu descobri, fui dizendo para ela que o Pedro não era o príncipe encantado que ela imaginava, e aos poucos ela ia percebendo o que a gente dizia, mas não mudava o fato que o relacionamento já tinha muito tempo, era difícil para ela.
Foi ele quem começou diversos boatos sobre mim, já que parecia que eu estava tentando terminar o relacionamento dos dois, fui chamada por diversos nomes, sofri bullying por alguns meses até. Foi esse tipo de ação que fez a Natália pisar com o pé pela primeira vez, me defendendo e xingando ele na frente de todo mundo. Pior de tudo foi ele quase bater nela, mas por sorte a mãe da Julia estava por perto.
O professor de química, colocou a prova na minha mesa, logo foi até a mesa da Julia e colocou a prova lá, começando a flertar com ela. Era um dos professores que tentava flertava com a garota, e isso era nojento. Diversas vezes a Julia chorava comigo, já que tinha dois professores que não largam do pé dela, a garota só tem 16 anos, e eles por volta dos 35.
O pior de tudo é que a gente não podia fazer nada, ele conseguiu ameaçar a mim, a Julia e a Natália que poderia fazer a gente reprovar, e ficamos em uma situação horrível. O único lado bom era que não tentaram nada ainda, eu conseguia fugir com a Julia em quase todos os momentos.
Não demorei em fazer a prova, estava simples, de certo modo. A matéria não era difícil, então quando acabei só entreguei e saí da sala. Fui em direção até a biblioteca, um ótimo lugar para fugir de todo mundo, se não queria ser incomodado. Era só sentar perto da tia da biblioteca, que não aceitava nem o barulho de mover a cadeira.
Parei no banheiro primeiro para colocar meus fones e ficar escutando música, se eu tinha que me encontrar com alguém desisti na hora, precisava de um tempo para mim. Caminhei até a biblioteca e peguei um dos meus livros favoritos, Percy Jackson. É engraçado e triste quando os amores da sua vida estão nos livros e não na vida real.
Nesses momentos que eu fico pensando em como existem tantas pessoas ruins por aí, egoístas e esnobes. Eu só queria que minhas amigas fossem felizes, mas é complicado. Infelizmente, a vida é complicada.
Depois de terminar alguns capítulos, uma pessoa se sentou ao meu lado, era o Carlos. Usei toda minha força de vontade para não mover um músculo e continuar a ler. Eu posso ser uma pessoa tranquila, mas não me atrapalhe a ler, inclusive se eu estiver na biblioteca.
Ele ficou me cutucando, e eu virei para olhar para saber o que diabos ele queria. O garoto deu um sorriso e me mostrou o celular dele. ‘’Conversa por celular?’’
Em que mundo, uma pessoa que está de fone de ouvido, lendo, na biblioteca, quer conversar, meu amigo. Eu nasci errado para ter que aturar umas coisas assim, deve ter um holofote na minha testa dizendo: ‘’Por favor me irrite’’.
Fiz um aceno de não e virei minha atenção para o livro novamente, a história estava muito boa, não quero ser irritada. O garoto voltou a me cutucar de forma irritante, reuni toda minha paciência para não gritar com ele. Virei meu rosto para saber o que ele queria. O garoto mostrou o celular e estava escrito ‘’Fala comigo’’.
Peguei uma folha de papel do meu caderno e escrevi um NÃO gigante na folha, entreguei para ele e voltei a ler, aumentando o volume da música do meu celular. Concentrei no livro novamente, ignorando a presença do ser humano. Não era a primeira vez que ele fazia algo assim, toda vez que eu estava sozinha ele aparecia por perto, sempre aparecendo nos momentos em que a Julia vai fazer alguma coisa e eu fico sozinha. O garoto já me seguiu depois da escola, mas para minha sorte eu estava indo para a casa da Natália. Até hoje eu fico com medo de ele descobrir que eu fico em casa sozinha, já que meus pais trabalham o dia todo, e ele aparecer na minha casa.
Do nada, o som da música sumiu e eu conseguia ouvir o som de passar páginas e de escrita. Olhei para o lado e o garoto pegou o meu celular que estava no meu colo, tirou o fone, e levantou para sair da biblioteca como se fosse a coisa mais normal do mundo. Nessa hora a raiva subiu.
Levantei, deixando o livro e minha mochila e fui atrás dele, segurando o garoto pelo braço, antes de ele ao menos sair da biblioteca.
— Você pode devolver meu celular? Por acaso ele é meu, não seu, não te dei o direito de pegar ele. — Falei alto o suficiente para todo mundo na biblioteca ouvir, e nem deixei ele responder. — Ou você achou que podia me roubar enquanto eu escutava música? Esperava mais de você, Carlos.
Todo mundo na biblioteca olhou para mim e para ele, o garoto ficou completamente constrangido, a tia da biblioteca levantou com um olhar fulminante para a gente, que eu não sei dizer se era por ele ter pegado meu celular ou eu estar proferindo palavras. Quando você é encarado por esse olhar, você se arrepende de saber falar.
— Eu só queria falar contigo. — Ele sussurrou antes de devolver meu celular, mas peguei da sua mão e voltei para a mesa, colocando o fone. Guardei o celular dentro da mochila, para não correr riscos novamente, então voltei para minha leitura.
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Voltando para casa, fiquei com muito medo de o Carlos me seguir, então em todo instante eu olhava para trás, odiava essa sensação de ter que ficar olhando por trás do ombro. Mudei de caminho várias vezes, pegando caminhos longos. Chegando em casa, fiquei muito feliz de ver o JB, amava ver meu agente favorito cuidado de casa. Já tranquei a porta e fui abraçar ele, ficando no chão abraçada com meu gato. Que dia estressante, nem me despedi das meninas, só fui embora.
Um barulho no fundo da casa me despertou, nessas horas, principalmente pelo fato de um garoto me perseguir, me acordam para a realidade e fui até a cozinha abraçando o JB, tremendo de leve. Quando cheguei lá, tinha apenas um animal deitado no chão. Dei um sorriso, estava tudo tranquilo.
— Tsuki, você por aqui. — Tsuki é minha raposa de estimação, desde que eu tinha seis anos ela esteve ao meu lado. Foi só depois da morte da minha irmã que ela começou a se tornar mais presente na minha vida. Entretanto, a realidade é que ela é um Espírito. Ela é branca com uma máscara negra. É um pouco maior que meu gato, e por incrível que pareça, só eu consigo ver ela. Nunca conheci ninguém que pudesse ver a raposa.
— Alguém tem que cuidar da casa, você não espera que seu gato faça algo. — Dei uma risada pela resposta dela. Levantei e fui preparar meu almoço, não podia esquecer que eu quem cozinhava minha comida, igual outros dias que esquecia e acabava ficando sem comer.
— Hoje vou legal o JB para passear, você quer vir junto?
— Amaria poder sair dessa casa. — A raposa levantou e sumiu indo até meu quarto, mas fiquei feliz por ter a companhia da Tsuki, ela me confortava nos melhores momentos. Principalmente no dia que descobri que minha irmã se suicidou. E quando eu li a carta de adeus dela.
Eu tinha uns dez anos, meus pais acabaram soltando a verdade no meio de um jantar em família, no Natal. Sem como esconder, me mostraram o bilhete de adeus dela.
‘’Maninha, me desculpe, eu não aguento mais tudo isso.’’
Hoje, eu entendo as dores que minha irmã suportou.
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