The Suburbs.
4 De madrugada.
Pov's Luna on.
Havia se passado uma semana depois do nosso “pequeno roubo” na sorveteria. Ryan tinha arrumado um emprego em uma lanchonete próxima ao bairro, íamos lá quase sempre e uma dessas vezes o patrão dele quase o matou por estarmos atrapalhando o mesmo. Tipo, agora.
– Eu já avisei que se vocês virem aqui, é melhor fingirem nem me conhecer. – avisou Ryan bufando e revirando os olhos ao nos ver rindo.
– Aí relaxa, seu chefinho que é revoltado! – falei e ele riu.
Ficamos mais algumas horas ali e tivemos que ir embora, já que Ryan trabalhava até no finalzinho do dia. Já David e Logan continuam os meus bobalhões, as vezes acho que eles estão precisando de uma namorada, por que né. E bem, eu e James estamos seguindo com a nossa amizade normalmente, pelo menos eu acho. Ele anda meio estranho nesses últimos dias, seu irmão chegaria de viajem daqui a um mês, o que também seria seu aniversário.
– O que vamos fazer amanhã? – perguntei.
– O de sempre. – James respondeu fraco e eu assenti.
(...)
02:33 p.m
– Cala a boca, você não pode fazer isso! – Ouvi uma gritaria do outro lado dá rua e não sabia de certo o que era, mas parecia muito bem a voz de James. Levantei as presas e me encolhi perto da janela do meu quarto para ver.
– Eu já disse que não vou, aquele idiota está vindo pra cá somente para isso? Não, você está ficando louca?
– James, para de gritar! Você acha que eu queria assim? Ele irá vir, eu posso até falar com ele, depois que seu pai foi embora isso aconteceu e ele quer que você se torne um bom rapaz!
– Ah... Então quer dizer que eu não sou? Tudo bem, faça o que quiser! – os gritos pararam e eu ouvi a porta dá frente ser batida, era James.
Saí correndo para porta tentando não fazer barulho para que minha mãe não acordasse. Estava de pijama mesmo, mas em uma hora dessas, quem se importaria?
Abri a porta e a fechei rapidamente e corri em direção ao James, que estava de costas e manteve seu passo firme e rápido ao caminhar.
– James? – o chamei e ele me ignorou. Ele ficou chutando as pedrinhas no caminho e eu só o seguindo. Começava a esfriar e eu já me xingava mentalmente por ter saído de pijama e não ter trazido nenhum agasalho.
– Ótimo, fique aí nesse frio e eu vou pra casa antes que eu morra congelada! – disse em um tão mais bravo e me virei para ir embora, mas James me segurou.
– Desculpa... – murmurou.
– Não, tudo bem. O que aconteceu? – perguntei.
– Nada. – respondeu se virando novamente.
– Como nada James, eu ouvi aquela gritaria e fiquei preocupada.
– Minha mãe, quer dizer, o meu irmão está voltando de viajem e ele quer que eu entre para a guerra. – respondeu sem me olhar.
– Mas, pra isso ele quer que...
– Sim Luna, eu terei que deixar todos, tudo isso aqui, meus amigos e você. – Contou, me interrompendo. Meu olhos começaram a marejar pelo fato de que se ele for, irá nos deixar por muito tempo. O abracei.
– Você não pode ir, James. – Disse ainda em seus braços.
– Eu sei pequena, eu não quero e não irei ir, nem que ele me force. – disse sorrindo e eu fiz o mesmo.
– Vamos voltar? – perguntei e ele negou com a cabeça.
– Mas James, está frio aqui fora e não tem outro lugar para ficarmos.
– Tem sim, vem. – James me arrastou até o barranco que íamos quando éramos menores, ali tinha uma ‘casinha’, na verdade, nós mesmos construímos para ficarmos ali e passamos diversos momentos naquela mini-casa.
Estava um pouco empoeirada, mas continuava a mesma. Com alguns cobertores, eu e James conseguimos arrumar uma espécie de cama no chão e eu voltei para casa para pegar algumas coisas também. O lugar estava limpo, mesmo com alguns moveis cheios de poeira, acho que os meninos tinham vindo aqui dar um trato, mas como garoto não sabe fazer essas coisas, ficou oh... A mesma coisa.
Deitei-me ao lado de James e ele me abraçou, estava morrendo de sono e ali nos braços de James conseguir me aquecer um pouco, assim já me perdendo nos meus sonos profundos, assim como James, que fechou seus olhos e dormiu.
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