The Story Only I Did Not Know
1 Capítulo 1
As lágrimas corriam livremente por meu rosto, deixando marcas na mesa de madeira à minha frente. “Como eu queria que… Você… Estivesse aq—” Pensei inconclusivamente, sendo interrompido por um soluço alto que havia saído de minha garganta sem permissão. Tentei me levantar com o intuito de pegar um copo d'água, mas pisei em falso, desabando no chão de madeira.
Fiquei um tempo ali, caído no chão frio umedecido por minhas lágrimas, sem coragem de me levantar. Me apoiei em uma cadeira próxima, que felizmente não desabou com meu peso, e olhei em volta enquanto tentava erguer meu corpo.
Tudo naquele apartamento me lembrava Taemin. Tudo.
O sofá no qual caíamos no sono depois de assistir filmes. A geladeira que sempre guardava pelo menos um pacote de Banana Milk. A mesa de canto, coberta com porta-retratos preenchidos com fotos de nós dois. O piano que ficava em cima do tablado de cor amadeirada, no qual ele praticava suas composições.
E o pior: tudo tinha o cheiro dele.
A verdade me atingiu fortemente por um minuto, dilacerando-me por dentro e acabando com aquela pequena chama esperançosa que, apesar de tudo, continuava firme e forte dentro de mim. Aquela que ainda acreditava que o barulho desajeitado de sua chave entrando na fechadura ainda iria soar e que ele iria entrar pulando pela porta, como sempre fazia.
Mas nada disso aconteceu. O silêncio do apartamento não foi preenchido com suas doces risadas, mas sim com os soluços profundos que saíam de minha boca. Não havia ninguém para me ajudar, para me dar forças. Minha esperança havia se desvaído completamente. Meu mundo não era nada sem aquele doce menino chamado Lee Taemin.
Consegui me levantar, me aproximando da bancada da cozinha e olhando inexpressivamente a paisagem através da janela aberta. O sol estava baixo, anunciando o começo da noite. O relógio o apoiava, mostrando que já eram seis horas da tarde.
“A hora que Taemin chegava da aula de japonês.”
Novamente, a tristeza me atingiu fortemente, e minhas pernas, antes trêmulas, falharam completamente, me derrubando. Minha face se chocou com a bancada e caí para trás, minha cabeça batendo fortemente no chão.
Fechei os olhos, atordoado, sentindo a dor do impacto nos dois lados de minha cabeça. Sangue escorria de meu nariz e tingia meu rosto de um rubro vivo.
Quando abri meus olhos novamente, com muito esforço e medo de que a dor aumentasse ainda mais, tudo parecia estar o contrário do que deveria. O apartamento estava iluminado por inúmeros raios de sol que penetravam pela janela aberta. O chão brilhava, como se estivesse perfeitamente encerado. Não havia mais sangue, pelo contrário; minhas roupas estavam perfeitamente limpas, e eu podia sentir um agradável cheiro de colônia vindo de mim.
Ouvi o tão familiar e desajeitado som da chave entrando na fechadura, durando alguns segundos pela euforia de Taemin. Ri levemente, me levantando do confortável sofá no qual eu não me lembrava de estar deitado e me dirigindo à porta, me prontificando para receber o pequeno. Ele finalmente venceu sua luta contra a fechadura, abrindo a porta com um sorriso radiante em seu rosto.
— Konnichiwa! — Taemin disse, preenchendo o silêncio do apartamento com sua doce voz. — Como passou o tempo no qual eu estive fora, hyung?
Ele jogou sua bolsa e cadernos em cima da bancada, correndo para meus braços já abertos. Era incrível como nossos corpos se moldavam um com o outro tão naturalmente, como se fossem um só. O abracei forte, deixando que seu cheiro doce invadisse minhas narinas.
Taemin suspirou, tentando aproximar-se mais ainda de mim, embora já não houvesse distância entre nós. Sorri levemente ao sentir seus braços se apertando ao redor de meu pescoço, e comecei a dar beijos em seu cabelo.
— Sentindo… Sua… Falta… Taeminnie… — Eu disse, entre beijos. Ele deu uma risada leve, e não pude deixar de acompanhá-lo.
— Eu também senti sua falta, hyung. — Ele disse, distribuindo beijos em meu pescoço. Estremeci ao sentir sua respiração quente, sorrindo ao relembrar o imenso efeito que aquele menino tão doce tinha sobre mim.
Abaixei minha cabeça, fazendo nossos lábios se encontrarem. Os selamos por alguns segundos, antes de nos afastarmos e sorrirmos um para o outro. Memorizei o rosto de Taemin, estudando-o minuciosamente, gravando cada minúscula cicatriz e imperfeição. Por alguma razão, parecia a última vez que eu teria aquele luxo; o de observar o rosto do menino que eu amava.
De repente, tudo se tornou embaçado, e nem meus braços nem meus lábios conseguiam encontrar Taemin. Eu estava novamente no chão de meu apartamento, mas o cenário havia mudado: haviam paramédicos ao redor de mim, e, mais ao longe, eu podia ver três silhuetas trêmulas de meus companheiros de banda.
— Minh-o! Mi-nho! Conti-nue ac-ordado, por fa-vor! Continue! — Os gritos de Kibum saíram entrecortados, misturados a soluços altos. Jonghyun o abraçava fortemente, parecendo tentar segurar suas lágrimas. Jinki estava parado ao lado dos dois, seu rosto esforçado para parecer inexpressivo me encarando, até que sucumbiu como os outros e escondeu o rosto nas mãos, o corpo tendo espasmos por causa dos fortes soluços.
— Continue acordado, garoto! Você consegue! — A voz grossa de um paramédico à minha frente dizia, em um tom forte. Eu não entendia. Por que todos estavam me dizendo aquilo? Eu queria dizer que estava bem, que estava me sentindo bem, mas não achava forças. Tudo o que estava acontecendo ao redor de mim era ignorado por meu corpo, que continuava ali, imóvel.
De repente, uma forma esguia entrou pela porta entreaberta. Olhei para ela, encarando-a, totalmente chocado. Como se ela me desse forças, recuperei os movimentos de meu corpo, mas não consegui me levantar. Apenas fiquei deitado na pequena poça de sangue que havia se formado em volta de mim, observando-o atravessar a sala majestosamente.
Tudo havia desaparecido. Eu não conseguia ver mais nada além dele. Aquele cabelo ruivo, aquele sorriso doce, aquele olhar inocente e despreocupado. Como aquilo estava acontecendo? Como ele estava ali? Taemin estava morto, pelo amor de Deus!
Ele chegou ao meu lado, se abaixando para que seu rosto ficasse à altura do meu. Me olhou com um sorriso bobo, como se nada tivesse acontecido. Finalmente meu corpo reagiu, me fazendo sentar e o tomar quase que agressivamente em meus braços, o abraçando fortemente para me convencer de que tudo era real.
— Taemin! Taemin, meu Deus! O que você está fazendo aqui? O que aconteceu? Você se machuchou? — Eu disse, eufórico, tocando seus braços, seu rosto, qualquer coisa que estivesse ao meu alcance. Me deliciei com a sensação de sua pele macia em contato com minhas mãos.
— Nada aconteceu, hyung. Você está bem agora, eu prometo. — Ele disse, com o rosto compreensivo, como se soubesse o quão atordoado eu estava. — Apenas vim aqui te convidar para um passeio. Vamos?
Um sorriso radiante invadiu seu rosto, fazendo o convite de um impossível de ser recusado. Sorri também ao ver seu rosto tão alegre, assentindo.
Me levantei e andei lentamente até a porta, sendo guiado pela mão de Taemin. Deixando meu corpo, meus amigos, minha família, tudo. Ele saiu do apartamento sem olhar para trás, como se me aconselhasse a fazer o mesmo. Porém, meus instintos me fizeram fazer o contrário.
Kibum, Jonghyun, Jinki, todos estavam reunidos em um abraço. Suas lágrimas caíam livremente sobre o chão amadeirado. Minha mãe estava abraçada em meu corpo, deixando que meu sangue manchasse sua pele. Sussurrei um “saranghae” mudo, desejando-a força para o tempo no qual eu estaria fora.
O resto das pessoas eram irrelevantes, apenas vultos embaçados que andavam rapidamente. Ouvi meu nome ser gritado repetidas vezes, em vozes desesperadas. Uma lágrima ameaçou cair, porém foi destruída por um sorriso quando Taemin puxou minha mão, impaciente.
— Vamos, hyung?
— Vamos, meu amor. — Eu disse, me virando e penetrando da escuridão do corredor.
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