Notas iniciais
Oi gente, estou postando essa sexta porque sou muito legal sabe (rs) e achei que não ia conseguir postar amanhã, ou domingo. E vocês não podem ficar mais de uma semana sem novos capítulos, né? Hehe aproveitem a violência.

-Sophie? – sussurrava uma voz tranquilizadora ao meu lado- Sophie, acorde.

-O que aconteceu? – murmurei sem nem pensar, quase não dava para entender minha frase.

-Oh, Sophie, você levou uma bela surra. — a voz ao meu lado parecia mais tranquila, talvez agora que soubesse que eu estava viva.

Tentei abrir os olhos, mas a única coisa que consegui foi uma fenda luminosa por onde eu enxergava apenas meus cílios. Minha cabeça ia se reorganizando aos poucos, e as lembranças do que acontecera iam retornando. A luta... Sim, me lembro da luta, os vários socos que distribuí, a garota que me interrompeu, os garotos que me atacaram feito monstros quando me viram debilitada e a última coisa que eu vi antes de fechar os olhos, um sorriso. Também comecei a me lembrar do sonho... Ah! O sonho!

O estúpido, estúpido sonho! Aquele foi o sonho mais estúpido de toda a minha vida! Até aquela vez em que sonhei que eu tinha beijado o John Travolta era menos estúpido do aquilo. Ah! Eu não acredito que meu cérebro pôde criar um sonho tão ciumento, estúpido, frágil, de garotinha melosa quanto àquele! Cérebro estúpido! Sonho estúpido! Daisy estúpida! Sophie estúpida! Eu não estava acreditando, eu não queria acreditar que eu realmente tinha pensado naquilo, que eu realmente tinha criado aquele ciúme todo na minha cabeça.

Enquanto me lembrava de cada detalhe da noite mais estúpida da minha vida, também retomava a consciência por completo. Aquele era um momento crucial para mim. Eu precisava desabafar com alguém que sempre fica ao meu lado. Eu precisava da minha melhor amiga.

-Livvie... –sussurrei com uma voz meio sofrida.

Parecia que eu saía de um tiroteio.

-Ela não está aqui. –falou a voz ao meu lado.

Mas, se não era a Livvie, quem raios estaria ao meu lado numa hora dessas?

Abri meus olhos por completo, encontrado o teto da enfermaria e, deduzi pelo nível de desconforto, que eu estava deitada na maca. Virei meu rosto para a pessoa ao meu lado e encontrei quem eu menos esperava lá. Fiquei muito surpresa. Eu esperava mais o Papai Noel do que ele.

-Luke?! –não pude esconder a surpresa.

-Oi Sophie.

-Mas o que você está fazendo aqui?

-Eu vim ver como estava, oras. Por que a surpresa?

-Porque, bom, faz muito tempo que eu não te vejo e eu esperava a Livvie.

-É, eu entendo sua reação. –ele deu aquele sorriso reconfortante típico seu – Como está se sentindo?

-Um pouco melhor, mas minha cabeça ainda dói.

-Quer tomar um chá? –estendeu uma caneca com um cheiro delicioso em minha direção.

-Obrigada.

Enquanto eu tomava aquele chá quente, Luke me contava o que aconteceu após meu desmaio.

-Foi uma loucura! Nunca tinha visto o time adversário ao seu ficar tão violento. Depois que você desmaiou, Livvie e eu corremos desesperadamente até o tumulto que estava a sua volta. Miguel estava ali perto e nos ajudou afastar os curiosos e os que ainda queriam te bater. Nós a levamos até aqui e a deitamos na maca, enquanto praticamente todos da escola paravam a luta para ver a grande Sophie completamente inconsciente.

Eu escutava com atenção e tentava esconder meu horror. Então, só Miguel, Livvie e Luke me ajudaram. A minha lista de inimigos está maior do que pensei.

-Os dois queriam voltar para a luta, mas eu sabia que se te deixasse sozinha, a enfermeira não ia dar conta dos meninos cheios de raiva. Então, aqui estou.

-Ah Luke! Obrigada! Você é uma graça.

Ele deu de ombros com um sorrisinho de criança. Foi aí que eu percebi que estava claro. Mas não era a claridade da pequena lâmpada da enfermaria, era a luz do Sol! Luke passou a noite inteira ao meu lado! Não é possível que a bondade dele fosse a esse ponto.

-Você passou a noite inteira comigo? –minha voz não demonstrava surpresa e sim gratidão.

Ele ficou um pouco sem graça.

-Eu dormi ali. –apontou para a poltrona da enfermeira. Não era a coisa mais confortável do mundo.

-Ah Luke, obrigada! –eu sorri intensamente para ele, que deu outro sorrisinho de criança e chegou a corar um pouco.

Eu não podia contar mais nem com a minha melhor amiga. Tudo bem que Livvie não tinha a obrigação de passar a noite naquele lugar que cheira a remédio por causa de mim, mas ficar comigo até a luta acabar pelo menos. Não. Luke. Ele é meu amigo de verdade, ele se importa comigo de verdade. E eu achando que ele não gostava de mim e só falava conosco às vezes por causa de Livvie.

Que pensamento horrível! Ele é tão bondoso e educado. Creio que goste de todo mundo.

-Então, Livvie está no quarto?

-Eu acho que sim. Não a vi mais depois que voltou para a luta.

Coloquei a caneca vazia em cima da mesinha ao lado da maca e tentei ficar de pé, cambaleando um pouco. Luke me segurou.

-Você tem certeza de que está bem?

-Tenho sim. E que horas são? Não vamos perder a aula?

-São seis e meia ainda. Eu te acordei porque parecia estar tendo um pesadelo...

-Ah sim, fez bem. Eu não estava tendo um pesadelo, eu às vezes faço isso.

Ele achou meio estranho, murmurando um “ah”.

-É melhor eu ir para meu quarto tomar um banho e ir para a classe. Não quero perder a aula. –dei um sorriso falso.

-Claro. –ele me soltou, ainda parecendo preocupado.

-Muito obrigada, Luke. Mesmo.

-Imagina. –ele sorriu.

Dei um beijinho rápido em sua bochecha e depois saí da enfermaria antes de poder ver sua reação, tentando não correr de vergonha. Achei que era a coisa certa a fazer naquele momento, mas eu não sou boa com agradecimentos e muito menos expressões de afeto.

Quando cheguei ao quarto, Livvie estava dormindo. Tive vontade de acordá-la e jogar na cara dela que eu estava bem e que não foi ela que garantiu isso. Mas me segurei e fui tomar banho.

Enquanto me trocava no banheiro, ouvi-a acordar. Suspirei fundo e garanti a mim mesma não ficar brava com ela. Respirei mais algumas vezes, com calma e com os olhos fechados, e abri a porta. Mas, no exato momento em que vi seu rosto, fiz o que sempre faço: explodi.

-Bom dia Livvie! –na hora ela percebeu minha irritação.

-Bom dia... –ela respondeu numa voz fraca.

-Ontem foi uma ótima luta, não acha? –fui indo para cima dela com passos lentos e ela recuava na mesma velocidade- A primeira luta que eu perdi! Ó, eu apanhei feio, amiga. –não conseguia me controlar e estava com uma expressão de sarcasmo- E, quando eu acordei, a primeira pessoa que eu pedi foi minha querida melhor amiga que eu achei que estava ao meu lado! E adivinhe, ela não estava!

Peguei-a pelo ombro, apertando. Seu rosto parecia a de um gatinho pedindo misericórdia, mas eu não estava com dó, porque eu não enxergo direito quando explodo. Levantei-a do chão com facilidade e a aproximei do meu rosto.

-Sabe quem estava? Luke! Luke que eu achei que nem gostasse de mim. Aparentemente, ele gosta de mim mais que minha melhor amiga!

Atirei-a no chão, mas, por sorte, ela caiu na minha cama.

-Sophie! Para! Você vai acabar me machucando!

-Mas não está entendendo que é realmente o que eu pretendo?

-Desculpe! Eu estava com sono!

-Por isso você voltou para a luta?

-Eu queria terminar aquela luta, eu achei que não tinha problema! E Luke disse que ele queria ficar, então eu só...

-Me abandonou no momento que eu mais precisava!

-Sophie você está brava comigo por uma coisa tão besta!

-Besta?

Empurrei-a com força para fora da cama e ela foi parar em baixo da outra, onde ficou encolhida.

-É! Besta! Eu ficaria com você se Luke não tivesse dito que ele queria! E eu precisava voltar para aquela luta!

Deitei no chão, olhando-a com um sorriso ácido.

-Por que aquela luta, querida?

-Porque eu estava ajudando Kathy!

Ela falou de uma vez só, como se estivesse atirando as palavras em mim. Depois se encolheu mais, fechando os olhos, como se achasse que eu ia esmurrá-la até a morte.

-Você... estava ajudando a francesa? –meu tom tinha ido de sarcástico para abalado.

Ela abriu os olhos e olhou para mim. Eu levantei e sentei na cama. Então ela tinha deixado de ficar com sua melhor amiga num momento crucial para ajudar a novata perfeita na luta?

-E você realmente acha que alguém ia bater nela? Você acha que ela precisava de você mais que eu?

-Você estava desacordada. –Livvie tinha saído de baixo da cama.

Eu olhei para ela sem raiva. Eu não estava mais brava, eu estava magoada. Então fiz uma coisa que me arrependo muito. Fechei meu punho direito com força e o arremessei contra a barriga delicada da minha amiga, ou ex-amiga.

Ela voou pelo quarto, batendo de costas com a parede e caindo no chão, desmaiada.

-Livvie? –foi mais um suspiro do que uma palavra.

Notas finais
Todos chora por ela ter batido na Livvie mimimi coitadinha. Ansiosos? Eu estou ansiosa para os reviews *-*
Bezos.
PS: o sonho do John Travolta foi baseado em fatos reais... Pois é, tenho sonhos estranhos as vezes ._.'