Notas iniciais
Então, acho que vou postar só de fim de semana quando der, desculpa aí :(
PS: mas não me abandonem porque eu não abandonarei vocês, hein?
–Você não vai me decepcionar, está me entendendo? E não vai decepcionar a si mesmo!
–Tudo bem Sophie, eu já entendi que é para eu fazer o meu máximo e tudo mais. Calma.
–Tá. Então, boa sorte. E tente não se afastar muito de mim.
Rupert fez qualquer gesto com a cabeça. Parecia um tanto quanto temeroso, mas tentava esconder isso com uma expressão séria.
O apito soou e a luta começou. É nessas horas, a hora do apito inicial, que uma sensação de prazer me invade. E eu sinto que é meu momento. Que todos param e olham para mim, como uma atriz de teatro quando entra no palco. Eu fui feita para aquilo.
É claro que a maioria do outro time vem direto em cima de mim por que, me tirando da luta, a vitória não parece tão impossível. Mas isso nunca aconteceu. Pelo menos até hoje.
Um menino sardento foi o primeiro a tentar me derrubar. Ele lançou seu punho direito com toda sua força em direção a minha cabeça. Mas eu fui mais rápida, desviando. Depois peguei seu braço e o torci em suas costas. Ele ajoelhou no chão, resmungando.
Enquanto eu ainda estava ocupada com o resmungão, outro garoto, que parecia duas vezes maior que eu, tentou me acertar por trás. Mas uma cotovelada em sua barriga fez se curvar inteiro.
Rupert parecia não estar com a mesma sorte. Ele tinha conseguido dar um empurrão em um baixinho, que parecia estar na 6ª ou 7ª série. Agora ele tentava desviar das garras de sua irmã mais velha. Garras mesmo, por que a menina estava tentando acertá-lo com suas enormes unhas pintadas de vermelho-sangue.
Ela acabou cravando as unhas no pescoço de Rupert, que sangrou um pouco. A menina deu um sorriso cruel, deixando aparecer seu aparelho dentário colorido.
–Ai! –gritou Rupert. Parecia estar ardendo bastante.
A garota ia desfilar um chute em sua canela, o que provavelmente o desclassificaria, mas eu a impedi com meu pé. Depois agarrei a perna dela, puxando-a para cima e fazendo a menina cair no chão de costas.
–Obrigado. –disse Rupert aliviado.
–Não temos tempo para conversa.
Outro menino de olho roxo se aproximava voando.
–Cuidado!
O punho do garoto passou zunindo em cima de nossas cabeças. Teria acertado Rupert se eu não tivesse o abaixado pela cabeça. Ainda abaixada, dei uma rasteira no menino, que caiu duro no chão. Agora não era só o olho que ficaria roxo.
–Parece que estamos naqueles filmes de ação que conversamos e vem alguém para lutar e você diz que não temos tempo para conversar e grita cuidado.
–Rupert, presta atenção! E a posição de luta que eu te falei? Vai!
–Ah tá! Certo.
Ele tentou se ajeitar, desengonçado. Uma menina ruiva se aproximou lentamente de nós. Ela parecia encarar Rupert.
–Sim? –ele disse, com uma sobrancelha erguida.
–Rupert? O que está fazendo aqui? Achei que não lutava –ela tinha uma voz bem fina.
–Eu não luto. Estou aqui por causa de uma... aposta.
–E quem é ela? –a ruiva perguntou, apontando para mim.
–Sophie. –eu disse, meio confusa.
–Sophie? O que você está fazendo com ele? –a voz dela era bem irritante.
–O que você quer dizer com isso? Olha, com licença que estamos lutando aqui! –eu falei já com a paciência abalada.
–Você é o que dele? –Rupert revirou os olhos.
–Daisy, por favor.
–Do que você está falando? Eu sou... amiga dele. –falei amiga, mas não sei ao certo o que eu sou dele.
Ela olhou um tanto quanto irritada para nós dois.
–Eu sou a amiga dele.
–Garotas, garotas, não vão brigar por mim, não é? –ele deu um sorriso torto.
–Como assim? -eu disse confusa.
–Como assim o que? Eu sou quem ele irrita profundamente quase todos os dias. Amiga de Rupert.
Ele deu uma risadinha de deboche.
A frase final da Daisy me esclareceu tudo. Ela era eu. Eu não era a única pessoa que Rupert adorava irritar. Ele tinha outras opções, outros “amigos”. Eu não era a única. Aquilo ecoava por minha cabeça.
Eu fiquei parada, um momento, olhando Daisy. Sua pele extremamente branca, seus olhos caramelos, seu cabelo vermelho como fogo que batia em seu pescoço e as poucas sardas espalhadas pelas suas bochechas e seu nariz. Ela era bem bonita. Perguntava-me se Rupert também tinha a beijado só para ver sua reação.
Esses e outros pensamentos iam se atropelando em minha cabeça. Meu corpo foi ficando mole e minha visão embaçando. Eu achei que era por causa das lágrimas, mas eu não estava chorando. Não conseguia me mexer, apenas pensar que eu não era única.
A última coisa que eu vi antes de minha visão ficar completamente embaçada foi o sorriso torto de Rupert. Ele parecia estar gostando da situação. Gostando que eu percebesse que eu não era a única “amiga” dele e que ficasse abalada com isso. Seus cabelos negros rebeldes, sua cicatriz no queixo que eu havia colocado lá, seus olhos verdes escuros que pareciam ainda mais escuros junto com o sorriso cruel.
Então, aconteceu. Alguém me atingiu pelo lado esquerdo, me dando um soco bem no rosto. Devo dizer que, depois de tantos socos que eu levei na vida, esse foi o mais dolorido. Não porque o garoto era maior, ou mais forte, ou atingiu algum lugar mais sensível. Mas porque eu já tinha sido nocauteada por dentro.
Então, esse é o sentimento do ciúme. Um nocaute por dentro. Era ciúme, eu não vou negar. Cheguei a um ponto que eu não posso mais negar que o que eu senti naquele momento foi um profundo ciúmes de Daisy por Rupert.
Depois do soco, foi fácil me fazerem ir para a enfermaria. Bastou verem que eu estava cambaleando e todos vieram para cima feito animais. Lembro que consegui acertar um ou outro, mas com tantos me atacando ao mesmo tempo, acabei desmaiando.
Eu não me lembro de mais nada depois que algum garoto enorme e mau encarado com o lábio inferior maior que o superior me deu um chute no joelho e outro loirinho me deu um soco de qualquer jeito no topo de minha cabeça.
Notas finais
E os votos pra personagem favorito estão: Rupert 2 x Sophie 1 ~ninguém vota nos personagens do background coitados rsrsrs~
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