The Story Of Us
22 Capítulo XXII
Notas iniciais
POV Clarisse Mary Parker
Hoje a escola havia nos liberado das aulas para fazermos o passeio que escolhermos pela cidade. Nosso grupo optou por ir nos principais pontos turísticos e a noite tínhamos ingressos para o musical do Queen.
Acordei com o alarme do celular tocando e levantei ainda com sono para me arrumar. Antes de ir tomar banho abri as cortinas e sacudi Nicholas na cama, afinal ele iria com a gente. Fui para o banheiro e fiz minha higiene matinal; sai do banho sequei o cabelo e vesti a roupa que havia separado – meia calça de inverno, vestido de manga comprida.
Voltei para o quarto e o Nicholas já estava de pé. Ele se dirigiu para o banheiro enquanto eu terminava de me arrumar, coloquei minha botinha de salto, vesti meu sobretudo e arrumei minha bolsa cruzada. Nicky não demorou muito para sair do banheiro pronto e fomos até o refeitório comer alguma coisa antes de sair.
Depois de tomar café pedimos um taxi e fomos para o palácio de Buckingham, nossa primeira parada. Assistimos a troca da guarda e depois passamos pelo Big Ben e andamos na London Eye. O dia não poderia estar sendo melhor, até que todos decidiram ir no The View, o prédio mais alto de Londres e meu medo de altura começou a atuar.
Chegamos na recepção do prédio e os meninos foram comprar os ingressos. Assim que eles voltaram subimos em três elevadores diferentes e paramos no sexagésimo nono andar. Todos correram para a grande varanda para apreciar a vista, já eu fiquei próxima do elevador olhando as pessoas. Aly descobriu que dava para subir mais quatro andares de escada e todos a seguiram – menos eu.
Sentei em um banquinho para esperar eles voltarem, mas fui surpreendida pelo moreno de olhos esverdeados que parou na minha frente. Depois de um tempo ignorando estar sendo observada pelo Nicholas levantei a cabeça e retribui seu olhar.
– Tem medo de altura Clary? – ele perguntou.
– Não... – falei como se fosse obvio – Só estou com frio.
– Enquanto você pensa em um argumento melhor para tentar me enganar, me acompanhe. – ele pediu estendendo a mão.
Fui com ele até a porta que dá acesso a área externa e um calafrio subiu pela minha espinha. Nicholas já estava perto da borda da varanda quando virou para trás esperando minha reação. Balancei a cabeça negativamente e ele se aproximou segurando a minha mão me trazendo uma coragem descomunal.
Apertava mais a sua mão a cada passo que dava para chegar ao final da varanda. Ver Londres de tão alto é uma visão linda, mas também é demais para mim. Por impulso abracei o Nicholas sem pensar duas vezes escondendo meu rosto em seu peito, e assim que ele retribuiu meu corpo reagiu ao contato de nossos corpos. Senti como se todas as sensações que Nicky me causava fossem trazidas a tona, mesmo eu as tendo as reprimido.
– Você sente isso Lírio... – seu sussurro me fez soltar um suspiro – Seu corpo reage ao meu, seu inconsciente clama pela minha atenção e seu coração precisa dos meus cuidados... Nós pertencemos um ao outro. – explicou ele
– Nicky...
– Não tem como você negar Clarisse, suas reações já dizem tudo. – me interrompeu.
Antes que pudesse abrir a boca para retrucar novamente Nicholas uniu nossos lábios em um beijo urgente cheio de saudade e amor. Não tinha como rejeita-lo, afinal eu precisava dele do mesmo modo que ele precisava de mim. Nos separamos para recuperar o ar perdido e começou a rir de alguma coisa atrás de mim, virei para ver o que era e me deparei com os idiotas dos nossos amigos rindo das gracinhas do Marco.
Apesar de estarmos chamando a atenção tudo estava muito silencioso... Cadê a Alicia? Olhei em volta para confirmar e ela não estava ali mesmo. Peguei a mão do Nicky e andamos até nossos amigos, eles iam começar o falatório quando eu perguntei:
– Onde está a minha pequena? – todos olharam em volta e constataram o que eu já sabia
– Vocês perderam a Aly em Londres? – Nicholas falou indignado – Perderam a noção do perigo?
– Relaxa Nick. – Juh disse descontraída — A Lice disse que iria chamar uma pessoa que ela queria apresentar ao grupo oficialmente. – explicou
Enquanto todos perguntavam quem eu e Taylor trocamos um olhar cumplice e caímos na gargalhada. Será que a Alicia tinha mesmo conquistado o seu príncipe russo? Não tive paciência para aguardar uma resposta, andei até as escadas e subi até onde meus amigos estavam antes. Assim que terminei de subir o último lance me deparo com a minha melhor amiga aos beijos com Alexander Romanov.
– Que pouca vergonha é essa? – questionei fazendo os dois se separarem.
– Clair você tem um prazer por chegar nos piores momentos, né? – Lice disse brava – Se você ainda não percebeu estou curtindo um pouco o meu namorado.
– O seu o quê?
– Está surda criatura? Eu e o Skan estamos namorando.
Revirei os olhos enquanto a minha amiga biruta contava os detalhes do seu inicio de romance. Deu tempo dos nossos amigos chegarem e história não estava nem na metade, mas fazer o que se minha melhor amiga tem uns parafusos a menos?
O resto do dia passou normalmente, apenas com um integrante a mais no grupo. No musical vi Matthew e Megan se agarrando, o que me deixou de um certo modo feliz. Quando voltamos para a escola adormeci triste, sabendo que amanha quando acordasse voltaríamos para Columbus e consequentemente toda a magia de Londres ficaria para trás.
~* ~
Eu não conseguia falar de jeito nenhum com o Nicholas, esse garoto literalmente sumiu do mapa e eu não fazia a menor ideia de como. Hoje é domingo e acreditem eu nunca fiquei sem fazer nada em um domingo... Entenderam a gravidade da situação? Ainda não... Terei que voltar para o começo da história.
Voltamos ontem de viagem e o Nicholas recebeu uma ligação, não sei de quem, e disse que tinha que voltar para casa urgentemente. Depois disso ele sumiu! Quando acordei hoje voltei a tentar falar com ele, mas quem disse que adiantou? Estava cogitando a ideia de contatar a policia quando decidi ligar para o Marco.
– Clair?
– Ah Marco, graças a Deus você atendeu. – falei aliviada
– O que aconteceu?
– O Nicky desapareceu, não consigo falar com ele desde ontem. – disse desesperada – Eu que pergunto: o que aconteceu? – só escutei a respiração lenta de Marco por um tempo, ele parecia pensar.
– Caralho! – pareceu lembrar de algo – Hoje é dia 20 de março, certo?
– Isso, por quê?
– Hoje é o aniversário de dezoito anos do Nicholas e consequentemente faz dezoito anos que a Sr. Collins morreu. – explicou e eu fiquei impressionada – Ele não gosta de lembrar do aniversário, então evitamos parabeniza-lo.
– Nem sei o que dizer...
– Ele deve ter brigado com o pai, por isso o sumiço. Clair conversa com ele, o Nick vai te escutar... – Marco pediu
– Onde encontro ele?
– No cemitério perto do parque.
– Obrigada.
– Boa sorte loira. – ele desejou antes de desligar
Descia as escadas rapidamente, feliz por saber onde o Nicholas estava e preocupada por saber o que aconteceu. Peguei a chave do carro e sai sem avisar ninguém. Em cerca de quinze minutos já estava estacionando em frente ao cemitério, desci do carro e caminhei até uma espécie de casa onde esperava conseguir informações. Perguntei sobre o túmulo de Rebecca Collins e assim que me explicaram o caminho, comprei um buque de lírios para deixar na sepultura.
Fui andando em meio aos túmulos, uns com flores outros completamente abandonados, até que avistei um garoto moreno ajoelhado diante de uma placa de mármore...Era o Nicholas. Andei lentamente em sua direção até que fosse possível toca-lo e me ajoelhei ao seu lado, sem que ele percebe-se. Por estar muito próxima dele pude escuta-lo conversar com a mãe.
– Mãe eu sei que não estou comemorando meu aniversário, mas eu não mereço comemorá-lo... Concordo com o Chris... papai. Hoje é um dia para sofrermos pela sua morte, principalmente eu que fui o causador. – lágrimas de culpa escorriam pelo seu rosto e deixei escapar.
– Não foi sua culpa. – foi apenas um sussurro, mas devido a proximidade ele conseguiu escutar.
– Clary... O que faz aqui? – perguntou olhando para mim.
Agora pude o observar melhor. Seus cabelos estavam mais bagunçados do que o normal, os olhos vermelhos e inchados por causa do choro... O garoto que havia visto ontem, com um ar divertido e feliz, foi embora e só tinha sobrado tristeza e o cansaço.
– Vim atrás de você Nicky. – respondi exasperada – Como você some desse jeito sem falar nada.
– Eu só...
– Não me venha com desculpas. – o interrompi séria – Você me deixou preocupada. – o puxei para um abraço.
Nicholas demorou mas retribuiu o abraço, com muita intensidade e envolvendo diversos sentimentos. Por mais que ele falasse que era forte e que queria passar por aquilo sozinho este abraço transmitiu o quanto ele precisava de alguém. Não sei ao certo por quanto tempo ficamos ali abraçados, mas sei o que me fez voltar a vida.
Gotas geladas começaram a molhar toda a minha roupa e eu percebi que as nuvens estavam aproveitando o momento sentimental descarregarem também. Levantei lentamente junto com o Nicky e antes de irmos embora nos despedimos da senhora Collins.
Tchau mãe, eu te amo. – Nicholas disse num fio de voz
Tchau Rebecca, – disse me ajoelhando e deixando o buque que havia comprado ao lado da lapide – e obrigada por dar vida ao Nick, ele é tudo para mim. – completei me levantando.
Olhei para o Nicholas, que agora possuía um pequeno sorriso no rosto, enquanto o mesmo me puxava pela cintura sussurrando um obrigado. E assim abraçados em baixo da chuva, saímos do cemitério.
Estacionei o carro em frente a casa do Nick e enquanto ele estacionava na garagem atravessei o jardim até a porta principal. Grace me recebeu e para minha infelicidade Christian Collins lia o jornal no sofá próximo a lareira, ele levantou e caminhou até onde eu permanecia parada no exato momento que o Nicholas entrou na sala.
Percebi que o clima estava ficando tenso e antes que uma discussão começasse puxei o braço do Nicholas delicadamente, como se dissesse para subirmos. Desviamos do olhar fuzilante de Christian Collins e subimos para o quarto do Nicky que ainda não estava totalmente recuperado do momento com a mãe.
Nicholas deitou na cama de casal e me puxou para os seus braços assim que me aproximei. O tempo passou e já estávamos conversando normalmente, mas eu sabia que bem no fundo o Nicky ainda estava despedaçado e eu não podia deixar ele assim.
Demorei um tempo para pensar em uma solução, mas assim que a ideia surgiu a coloquei em prática. Dei a ideia de fazer um encontro do nosso grupo hoje a noite e assim que ele concordou avisei que iria para casa organizar tudo.
Me despedi do meu moreno e desci as escadas rapidamente. No entanto ao invés de ir embora me dirigi até o escritório do pai do Nicholas e o adentrei sem nem bater na porta. Parei diante da mesa onde se encontravam papéis e documentos da empresa e um computador. Cruzei os braços e fiquei aguardando Christian terminar a ligação.
– Posso saber quem te deu permissão para entrar? — perguntou nervoso e levantando da cadeira.
– Ninguém. — o enfrentei — Eu quero entender o por que você trata seu filho tão mal.
– Isso não é do seu interesse garota, é um problema meu e do Nicholas.
– Aí que você se engana Sr. Collins. — rebati — Tudo que diz respeito ao bem estar daqueles que eu amo é do meu interesse. — expliquei — Como alguém consegue dormir a noite sabendo que seu filho, sangue do seu sangue, te odeia? Como ao menos consegue fechar os olhos ou trabalhar... Eu realmente preciso saber.
Terminei de falar e um silêncio mórbido cercou o ambiente. Christian me olhava fixamente e sua expressão transmitia o quanto estava nervoso, mas daquela vez ele não me intimidaria. Enquanto recuperava o fôlego depois do meu discurso o observava cada reação do homem a minha frente.
– Você não conhece as circunstâncias que me levaram a ser assim. — ele respondeu por fim
– A morte da sua mulher ter sido causada pelo nascimento do Nicky? — questionei — Não vê o quanto isso soa ridículo? Ele era apenas um bebe,- exclamei exaltada — não tinha como ele fazer nada, foi uma decisão da sua mulher o que aconteceu.
– Você não sabe do que está falando. — sua pose de homem impassível ainda não tinha caído, mas sabia que havia o abalado.
– Quer saber pra mim chega, eu já fiz a minha parte. – disse respirando fundo – A vida é sua, as decisões são suas e as consequências que elas gerarem vão ser enfrentadas por você. – expliquei – Faça o que quiser com o que eu te falei, mas entenda que por trás da pose de homem forte do Nicholas existe um filho desamparado que precisa do seu amor.
Assim que terminei de falar tudo que estava entalado na minha garganta virei de costas para o homem sem sentimentos e sai da mansão Collins torcendo para que alguma coisa do que eu tenha dito fizesse o coração do grande CEO Christian Collins amolecer.
POV Nicholas Collins
Depois que a Clary foi embora fiquei no quarto sem saber o que fazer, não queria sair, muito menos descer e ficar com o meu pai. Deitei então na cama e fiquei olhando para o teto sem pensar em nada em especial, apenas agradecendo por ter um anjo com a Clarisse na minha vida.
Fiquei ali sem ao menos me mexer até ouvir batidas na porta do quarto. Sem animo para levantar e abrir a porta apenas gritei, alto o suficiente, para quem estivesse do outro lado ouvisse:
– Quem é?
– Sou eu Nicholas. – a voz do meu pai soou séria do outro lado.
– Não quero falar com você Christian, vai embora. – pedi.
– Nós precisamos conversar.
Escutar aquele pedido foi a gota d’água que faltava para a minha paciência com ele ir embora. Levantei da cama e abri a porta com raiva, dando de cara com o olhar frio e impassível de Christian Collins.
– Conversar... Você quer conversar papai? – questionei ironicamente – Sobre o quê? O fato de que eu matei a mulher que você ama e por isso devo sofrer ou sobre como eu sou um filho ingrato e não aceito desaforos? – terminei com a sobrancelha arqueada.
– Nich...
– Não quero ouvir. – avisei e quando ia fechar a porta ele retrucou.
– Falei com a sua namorada, Clarisse. – gelei, o que ele disse para ela dessa vez? – Ela é muito especial, me lembra a sua mãe.
– Eu sei que a Clary é especial e se você disse algo que a magoou eu...
– Pode ficar tranquilo que eu não falei nada, pelo contrário ela que abriu os meus olhos. – Christian disse e eu o olhei impressionado – Eu sempre fui um péssimo pai, sem ter motivo algum para isso. Sua mãe teria vergonha de mim.
Eu não sabia o que dizer. Nunca pensei que veria o renomado CEO Christian Collins se abrindo para alguém, muito menos para mim. Me aproximei dele e toquei no seu ombro de modo compreensivo, mas antes que pudesse dizer algo ele prosseguiu com seu discurso.
– Não sei se você será capaz de me considerar seu pai algum dia, mas espero que possa me perdoar por todos os erros que cometi com você, meu filho. – assim que terminou de dizer caminhou até a porta, mas antes de se retirar olhou os meus olhos e disse – Feliz aniversário Nicholas. – dito isso saiu fechando a porta.
Se antes estava confuso agora desconfiava de estar sonhando. Sentei na ponta da cama e tentei colocar alguma ordem em todos os pensamentos que rondavam a minha cabeça. Passou-se uns quarenta minutos e mesmo não tendo processado tudo que havia sido dito anteriormente, uma dúvida pairava sobre mim. O que g=havia levado Christian a se abrir desse jeito?
Por fim decidi colocar todos os rancores que guardava em segundo plano, como muitos já me disseram para fazer, e abri espaço para os sentimentos do ingênuo e pequeno Nicholas tomarem conta de mim. Sai do quarto rapidamente e comecei a andar em direção ao escritório do Christian.
A cada passo mais perto do meu destino, as diferenças existentes entre eu e meu pai tentavam me impedir de fazer aquilo que eu deveria ter feito desde o momento que percebi que cada briga, cada discussão só servia para nos afastar mais e mais.
Adentrei o escritório dele sem nem questionar se isso seria prudente e fui até sua mesa parando diante dele. Christian, que no momento lia algum relatório da empresa, levantou da cadeira que estava sentado e aguardou meu próximo movimento.
– Eu não sei se sou capaz de dizer que te amo, mas uma coisa eu sei que posso fazer. – disse – Temos que que ultrapassar este muro que construímos entre nos dois juntos, pela mamãe. – expliquei
Ficamos apenas nos olhando por um bom tempo. Mas assim que Christian virou de costas eu perdi todas as esperanças de que um dia poderíamos nos entender e me preparei para sair dali. Já devia estar no final o corredor quando escutei ele me chamar.
– Nicholas, espera. – pediu e caminhou até onde eu estava – Eu já perdi a sua mãe e sei que não mereço nada além do que você me dá, mas eu já perdi tempo demais me prendendo a morte da Rebecca e agora eu percebo que é inaceitável eu perder essa nova fase da sua vida. – ele disse me olhando diretamente nos olhos e estendeu um álbum de capa dura com o meu nome – Sua mãe e eu montamos um álbum sobre tudo que aconteceu durante os nove meses de gravidez.
Peguei o álbum das suas mãos e no momento que ele deu sinais de que continuaria a falar seu celular começou a tocar. Christian olhou no visor e me pediu desculpas, deveria ser algum problema na empresa. Ele estendeu a mão, mas eu a recusei lhe dando um abraço e depois que ele desapareceu no corredor subi para o meu quarto leve, como eu não me sentia a muitos anos.
Me joguei na cama e abri o álbum com um certo receio. Cada página que eu virava encontrava fotos que eu nunca imaginei que veria ou que existiam... Meus pais abraçados enquanto conversavam, as fotos do ultrassom, foto do meu quarto sendo montados, as roupinhas jogadas pela cama. Além de todos estes detalhes também haviam mensagens de duas ou três linhas escritas por ambos, os desejos bizarros da minha mãe, meu pai indo a loucura com seus ataques e por ai vai.
Assim que terminei fechei os olhos e meus pensamentos voltaram para os acontecimentos recentes. Em como sofri com a perda da Clary, como reconquistei a mesma, conversei com o meu pai pela primeira vez desde que me entendo por gente e também as descobertas sobre a minha mãe até então conhecida. Tem como minha vida dar uma volta maior?
Não sei quanto tempo passei ali alheio a tudo e perdido em pensamentos, mas batidas insistentes na minha porta me fizeram voltar a realidade. Era Grace, que com o telefone na mão, conversava com algum dos meus amigos, provavelmente. Peguei o telefone o coloquei no ouvido.
– Adivinha quem é? – a voz da Alicia preencheu meus ouvidos
– Aly...
– Exatamente, sabe eu estava considerando matar você por ter sumido do mapa sem deixar pistas, mas como estou na minha semana boa vou apenas dar um tapa em você na festinha que vou dar aqui em casa. – ela disse na sua bipolaridade típica.
– Festinha? – perguntei indeciso
– Parabéns você entende inglês. – sua resposta irônica não demorou – Todos já foram convidados e faremos uma sessão cinema. – explicou – Te espero na minha porta às oito e meia, não tolero atrasos, tchau.
Escutei o famoso tu, tu, tu assim que a Alicia terminou de falar. Olhei para a porta onde a Grace continuava parada e lhe devolvi o telefone. Avisei que sairia com meus amigos, que provavelmente voltaria tarde e que ela podia ir. Em seguida fechei a porta e fiquei vendo televisão até faltar dez minutos do horário imposto pela minha amiga, me troquei e decidi que chegaria atrasado só para irritar a minha baixinha predileta...
Estacionei o carro na porta e toquei a campainha. A porta foi aberta pela Aly, que começou um dos seus típicos ataques, desviando de seus tapas caminhei até a minha loirinha e sentei ao seu lado dando um beijo em seus cabelos sedosos. E ali sentado na sala rodeado pelas pessoas que eu considero minha família posso dizer que coloquei um ponto final na história de Nicholas Collins o pegador sem pai e sem amor e comecei a escrever a primeira linha da história que eu vou ter orgulho de lembrar quando estiver velhinho.
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