The Story Of Us
10 Capitulo X
Notas iniciais
Acordei na manhã seguinte depois de um sonho bem conturbado. Fui tomar banho para esfriar a cabeça e lembranças inconvenientes invadiram a minha mente:
Flashback on (8º ano)
Já na escola conversava com as minhas amigas como sempre, estávamos jogando Stop e já que ele exigia muito foco e rapidez estou literalmente ignorando o mundo a minha volta! Começou mais uma rodada... letra H: nome, C.E.P, comida, objeto, TV... Estava super concentrada até que a Juh chamou a minha atenção.
– Clair olha quem chegou. – disse e apontou discretamente para a porta.
Dirijo meu olhar discretamente em direção ao local apontado, a entrada da classe, e lá se encontrava o trio mais cobiçado de toda a escola: Nicholas Collins, Marco Cortez e John Brown. O fato da minha amiga ter me chamado não diz respeito aos dois últimos, não... Eu só tenho olhos para o meu moreno dos olhos esverdeados! Eu devo ter me perdido em pensamentos sobre o Nick devido ao comentário que se seguiu...
– Clairzinha fecha a boca ou você vai acabar alagando a classe. – Aly disse rindo.
– A classe é pouco Lice, vai alagar a escola! – Taylor “corrigiu”
– Vocês são más!
Depois de dizer isso, cumprindo o papel de garota completamente apaixonada, que eu tenho, virei em direção ao quanto da classe onde os meninos ficavam para continuar a observar o meu amor... Porém ao fazer isso eu não tive a visão que eu esperava, ele estava conversando com a Patrícia Evans, a sua maior seguidora e a “rainha da escola”.
Voltei minha atenção para as meninas e para a professora que acabara de chegar. As aulas se passaram rapidamente, como sempre, e ao final destas arrumei minhas coisas, passei no meu armário, me despedi das meninas e sai da classe indo em direção ao portão da escola, onde Hernandez, meu motorista e também grande amigo, me esperava para me levar embora.
Durante está simples e curta caminhada até o meu destino eu vi a cena que eu nunca pretendia ver, sabia que acontecia, mas não queria ver... A cena que fez o meu coração se partir em mil pedacinhos. Eu vi o Nicholas, o meu amado Nicholas, aos beijos com a idiota da Evans! Depois de entender que aquilo estava realmente acontecendo, não consegui ficar mais nenhum segundo ali presenciando aquela cena, sai correndo sem nem saber por onde estava indo... Eu só queria ficar longe daquilo e esquecer que um dia aquilo aconteceu!
Cheguei no carro, as lágrimas ainda insistiam em cair. Hernandez chegou a me perguntar o que aconteceu, mas não lhe dei atenção, apenas coloquei os fones de ouvido e mergulhei no mundo só meu... Sem Nicholas, sem Evans, sem ninguém... Eu só queria esquecer essa dor!
Flashback off (8º ano)
Sai do banho e me olhei no espelho, eu não acredito que eu chorei, chorei por causa do Collins e daquela imbecil da Evans... Que raiva! Fui para o quarto, me recompus e por fim me arrumei para mais um dia de escola, desci para o café e mais lembranças voltaram do além para me assombrar.
Flashback on (8º ano)
Passaram-se alguns dias desde que vi o Nick se agarrando com a Evans e mesmo depois de presenciar aquela cena horrível, ao meu ponto de vista, e perceber que ele realmente estava gostando de fazer aquilo eu não conseguia deixar de ama-lo.
Mas em fim, estava na classe descansando o cérebro depois de uma longa aula de filosofia, a qual eu não prestei um pingo de atenção. Durante a aula inteira eu fiquei pensando no Nick e desenhando no caderno, claro até bater o sinal e fui conversar com as meninas. Alicia estava me contando uma briga que aconteceu entre o Leo, seu melhor amigo, e sua irmã... Ai ai ai, um dia estes dois ainda vão admitir que se amam! Estava realmente me divertindo, rindo e tudo mais até que a Evans veio e acabou com tudo.
– Olha Vicky que fofa a Parker está sonhando com o inalcançável! – Patrícia disse rindo
– Inalcançável? – Victoria perguntou não entendendo
– É Vicky... A iludida e inocente da nossa querida amiga Clair está sonhando com o... – a atenção da classe era inteira dela no momento, todos a olhavam enquanto ela humilhava mais uma pessoa e, neste caso, era eu — ... Nicholas, o MEU Nicholas! – ao ouvir seu nome Nick começou a prestar atenção na situação.
– Mas ele nunca será dela, né Paty? – Vicky perguntou entrando na brincadeira da amiga.
– Vamos ver né... – ela disse e eu a olhei – Meu amor, — ela falou indo até Nick, ela não ia fazer o que eu estava pensando, ela não podia – você nunca vai amar ou ser dessa aí, vai? – ela fez!
Ele ficou sem reação no momento, nós éramos amigos, mesmo ele não gostando de mim do jeito que eu gosto dele. Ele não poderia concordar com ela! O Nicholas que eu conheço não seria capaz de me magoar assim, seria? Depois de um tempo pensando Nick desviou o olhar de mim e deu um sorriso para a Patrícia.
– Eu sou seu Paty, isso não vai mudar! – falou e deu um beijo nela.
– Perdedora. – ouvi Vicky sussurrar no meu ouvido.
Ouvir aquilo, ver aquilo, fez com que todos os sentimentos que eu havia experimentado alguns dias atrás voltassem a tona! Não consegui ser forte o bastante, levantei da cadeira rapidamente, olhei para as minhas amigas e sem deixar que nenhuma delas me impedisse sai correndo, corri como se aquilo fosse mudar algo, como se essa simples ação fizesse o Nicholas mudar a sua resposta! Cheguei no pátio e sentei sobre uma árvore deixando todas as lágrimas escorrerem.
– Clair... – era Aly – Não liga para o que aquela idiota disse, pensei que você soubesse que ela joga sujo! – falou tentando me consolar, mas ela não entendia.
– Aly, não foi o que ela disse... Foi o que ele disse! – falei chorando – Me diz por que?
– Ei não fica assim. Tenho certeza que ele falou sem pensar, só para se livrar da situação. – disse
– Não Aly, ele sabia o que estava falando. Ele riu junto da Evans e seu grupinho.
– Pensa pelo lado bom... – a olhei surpresa – A Tay, Sun e Juh ficaram para bater nelas por nós! – rimos – Essa é a Clarisse que eu conheço, com um sorriso no rosto. Agora vamos esquecer isso!
– Não, eu nunca vou esquecer Aly! – falei decidida – A partir de agora a única coisa que eu sinto por Nicholas Collins é ódio, puro e límpido ódio!
– Por que?
– Ódio por ele gostar da Evans, ódio por ele me fazer ficar apaixonada, ódio... Ódio por tudo! – falei e a abracei voltando a chorar.
– Não fale nada que vá se arrepender depois. – me alertou
– Eu não vou me arrepender, não dessa vez. – estava decidida.
Flashback off (8º ano)
– Clary, você está bem filha? – minha mãe me perguntou preocupada
– Sim mãe, estou bem! – foi ai que eu percebi que eu estava chorando. Ela fingiu acreditar.
– Então me faça um favor, vá acordar o seu irmão, ele não levantou ainda!
Oba hora da vingança... Subi as escadas me recompondo, fui até o quarto dos meus pais e peguei creme de barbear. Voltei para o quarto do Tyler e o ajeitei, coloquei muita espuma na sua mão e depois soprei o seu rosto, até que... A partir de um ato involuntário ele levou a mão ao rosto o melecando inteiro de creme! Sai do quarto e cheguei a cozinha no mesmo instante em que escutamos o grito de Tyler:
– Clarisse!!!
Minha mãe me olhou assustada e eu me fiz de desentendida, segundos depois meu irmão apareceu na porta da cozinha com o cabelo e rosto repleto de espuma branca, acabando assim com a minha impunidade.
– Clary querida, — minha mãe começou gentilmente – peça desculpas para o seu irmão... AGORA! – gritou nervosa e meu irmão deu um sorriso vitorioso.
– Mãe...
– Pede desculpas!
– Desculpa maninho... – disse, peguei minha bolsa e quando estava na porta completei – Por não ter feito pior!
Sai correndo e só desacelerei quando estava a duas quadras de casa, então passei a andar.
POV Nicholas Collins
Acordei com o sol batendo no meu rosto, ai que saco eu não acredito que eu esqueci de fechar a porcaria da cortina. Coloquei um dos travesseiros sobre minha cabeça numa tentativa falha de bloquear a luz solar e voltar a dormir e para colaborar ainda mais o alarme do meu relógio começou a tocar... Que ótima maneira de se começar o dia!
Fui para o banheiro, tomei um banho bem demorado e assim que sai já me sentia melhor, tirando o fato de que algo me incomodava e eu não sabia o que era... Me troquei arrumei a mochila e desci em direção a cozinha para tomar o café da manhã. Ao chegar no andar de baixo deixei minha mochila na sala e senti um cheiro maravilhoso de ovos e pão torrado... Hummmm delícia! Entrei na cozinha e falei:
– Bom dia Grace! Que mesa mais bonita.
– Bom dia querido... Dormiu bem? – perguntou sorrindo
– Sim, mas agora não quero falar disso e sim dessa comida que logo, logo não estará mais no prato.
Comecei a comer e reparei que Grace me olhava de um jeito estranho, era um olhar de tristeza mistura com pena! Mais por que será? Aquele incomodo voltou e foi aí que eu me toquei... Como eu pude ter esquecido?
– Grace que dia é hoje? – perguntei temendo a resposta.
– Hoje, meu amado filho, é dia 26 de Outubro... – falou meu pai entrando na cozinha – Mais conhecido como o aniversário da sua mãe e obviamente você esqueceu! Por que eu não estou surpreso?
Nem me importei em responder aquela pergunta, todo ano era a mesma coisa: meu pai acordava, jogava na minha cara que era aniversario da minha mãe e ia embora trabalhar, nem se importando com o que ele me fazia sofrer! Levantei da mesa antes que ele dissesse mais alguma coisa, peguei uma maça e fui até a sala pegar a minha mochila e ir embora dali. Antes de sair escuto Grace me chamar:
– Nicky, querido, não fique assim. – falou me abraçando – Seu pai fala sem pensar, ele te ama... E muito! – disse e me beijou na bochecha.
– Eu percebi, ele me ama muito! – falei ironicamente e sai batendo a porta.
Peguei o carro e fui para uma banca de flores... Comprei um lindo buquê de Lírios, o qual eu mandei montar especialmente para ela! Fui então em direção ao cemitério, estacionei o carro e andei por entre as sepulturas de mármore até que cheguei na que me interessava. Era uma lápide de linda de mármore preto com o nome de minha mãe e uma inscrição cuidadosamente escolhida, dizia-se:
“Em memória da amada Rebecca Collins, melhor filha, melhor esposa e melhor mãe!”
É verdade o que está escrito... Ela foi e sempre será a melhor esposa que meu pai possa ter, eu sei disso! Fico feliz que eles tenham se amado tanto e espero que um dia eu me case com uma mulher que me ame do mesmo jeito que minha mãe amava o meu pai... E ela também foi a melhor mãe, mesmo eu não a tendo conhecido, ela foi a melhor e sempre vai ser!
Coloquei as flores na frente da lápide e me ajoelhei no chão... Meu celular começou a apitar e vi que eram os meninos, eu não iria para a escola tinha muito o que conversar com a minha mãe, avisei que não iria e desliguei o celular:
– Ahh mãe... Por onde começar, tanta coisa aconteceu nestes três anos que eu não venho te ver! – respirei fundo e comecei — Sabe por mais que eu e o papai não nos damos bem eu sinto que nosso amor fraternal existe em algum lugar, entende? E eu acho que você tem a ver com isso... – disse e suspirei – Mesmo eu não te conhecendo eu sinto um grande afeto por você e agora sei que eu posso dizer sem sobra de dúvidas eu te amo mãe! – sorri ao dizer isso – A Grace me fala tanto de você e me entregou a sua carta ano passado, quando eu fiz 16, eu te entendo é difícil tomar decisões e eu sei que você sempre vai estar comigo!
Há esta altura do meu discurso eu já estava com lágrimas nos olhos... Eu nunca tinha vindo falar com a minha mãe, eu nunca tinha me expressado em relação à ela de nenhuma forma. Sempre que eu vinha aqui era por obrigação eu deixava uma flor e ia embora, mas desde o ano passado quando eu li a sua carta tudo mudou... Eu entendia o lado dela!
– Mas mudando de assunto mãe, todas estás mudanças que você está vendo em mim foram por causa de uma garota... Mas você já deve saber, né? – ri – O nome dela é Clarisse Mary Parker, nome lindo não? Ela é loira e tem os olhos azuis mais lindos deste mundo! Sabe mãe eu sempre amei a Clary, apesar de nunca ter demostrado a ninguém até a um tempo atrás... Sempre desde quando caímos na mesma classe pela primeira vez a 6 anos atrás, quando eu vi aquela garotinha loira entrando eu me apaixonei! – suspirei – Mas eu fui burro mãe, eu magoei ela demais e é capaz dela nunca mais me perdoar, e olha que eu nem sei se ela me ao menos gostava de mim! Mas eu vou te dizer uma coisa mãe eu amo a Clary e uma coisa que você me ensinou foi nunca desista daqueles que você ama, afinal você se sacrificou por mim, não é? – falei –Eu te amo mamãe mesmo sem nunca ter te conhecido!
Assim eu passei o resto da minha manhã colocando o papo em dia com a, acho eu, única pessoa que eu poderia desabafar! Afinal as mãe servem para isso, amar e estarem do lado dos seus filhos, seja para aconselhar, brincar, rir ou apenas escutar e dar amor.... Que é o meu caso!
POV Clarisse Mary Parker
Cheguei na escola quase atrasada, mas o professor já estava na classe quando entrei. Pedi licença e sentei com as meninas, olhei então pela classe e não o vi, Nicholas não estava ali... Por que? Comecei a pensar vários motivos, os quais o fariam faltar e só cheguei a uma conclusão, deve ter a ver com o fato dele estar estranho ontem! Mas o que será que pode ser?
As aulas foram bem monótonas e não tinha nada para fazer entediante. Neste momento é o recreio e nenhuma de nós havia realmente notado isso. A Taylor estava brigando novamente com o Marco, ela está quase tomando o meu papel de briguenta da classe; Sunny está ouvindo os seus amados coreanos e por fim a Juh foi se sentar ao lado do John e esqueceu que suas amigas, nós, existem! Claro eu não poderia me esquecer da Alicia...
Deixe-me ver o nosso querido casal A&A está passando por conflitos existenciais e quando eu digo isso, digo porque a Aly já está imaginando tudo: o primeiro beijo, o pedido de namoro, o namoro em si... tudo! Já virou uma paranoia, tudo isso enquanto o garoto nem sabe da existência dela, claro tirando o “primeiro encontro” deles:
Primeiro encontro A&A
Aly e eu havíamos acabado de sair de uma atividade de química e fomos em direção ao pátio para esperar as meninas. No meio do caminho Aly começou a andar de costas enquanto falava comigo, isso não iria dar certo e então... PUFT! Não a Aly não virou um peixe, ela apenas deu um encontrão com um garoto e os dois foram para o chão! Eu avisei...
E você caro leitor, deve achar que termina ai, mas não... A Aly ficou encarando o garoto, que era o Alexander, pelo que pareceu dois milênios! Ele pediu desculpas à ela e eu a puxei para bem longe dele!
– Aly acorda. – estalei os dedos em frente aos seus olhos
– Ele tem olhos marrons... São perfeitos. – falou ainda sonhadora e eu ainda a puxava
– Espera aí, você disse olhos castanhos? – perguntei surpresa e ela assentiu – Finalmente Alicia! – gritei para que todos escutassem
– Ficou maluca Clair? – ela falou me olhando assustada
– Não, só estou comemorando que pela primeira vez depois de muito tempo você se interessou por um garoto que não tem olhos azuis! – expliquei – Você quebrou a maldição, Aleluia! – comemorei.
– Menos Clair... Bem menos!
Fim Primeiro encontro A&A
Depois do resto das aulas, que só para declarar continuaram chatas como as outras, eu peguei uma carona com Aly para chegar em casa. A tarde passou normalmente, isto é, dever de casa, almoço em família, esse tipo de coisa... Depois de um tempo comecei a me perguntar: Será que é mesmo para eu ir hoje na casa do Nick? Decidi mandar uma mensagem:
Nicky está tudo bem? É para ir ai hoje?
Boa Tarde Clary, é sim! Eu não fui para a escola porque acordei indisposto.
Você me chamou de Clary!? Só minha família me chama assim...
Quer que eu não faça mais isso? Você não gosta? – Mal sabe ele o quando eu gostei...
Não, tudo bem. Eu gosto desse apelido, pode continuar me chamando assim, se quiser.
Ótimo, você pode chegar às três, ok?
Ok, até mais tarde.
Ai meu Jesuszinho.... Ele me chamou de Clary, como ele sabe da existência deste apelido? Nem as meninas me chamam assim.
POV Nicholas Collins
Já havia voltado do cemitério e agora, estava num completo tedio já que eu escolhi não ir para a escola e completamente triste devido ao dia que eu me encontrava! Me celular voltou a apitar insistentemente e dei uma olhada, eram os meninos tentando de algum modo fazer com que eu me sinta melhor... Pelo menos algo bom eu tinha: amigos para todos os momentos!
Para mim eles nunca foram só amigos, eles são irmãos, sempre comigo nos momentos bons e ruins e sempre que um deles precisam podem contar cegamente em mim... O barulho do celular me tirou dos meus pensamentos e estava prestes a pedir para eles me deixarem em paz quando eu vi quem era, a única pessoa que talvez pudesse me tirar dessa onda de depressão.
E essa pessoa tem nome, sobrenome e lindos olhos azuis se vocês querem saber... Espera com quem eu estou falando? Que ótima hora para ficar louco hein Nicholas! Ok... voltando para o mundo real, desbloqueei o celular e fui ver o que a minha loirinha queria!
Nicky está tudo bem? É para ir ai hoje?
Boa Tarde Clary, é sim! Eu não fui para a escola porque acordei indisposto.
Você me chamou de Clary!? Só minha família me chama assim...
Quer que eu não faça mais isso? Você não gosta?
Não, tudo bem. Eu gosto desse apelido, pode continuar me chamando assim, se quiser. – sorri ao ler isso
Ótimo, você pode chegar às três, ok?
Ok, até mais tarde.
Ótimo ela viria, pelo menos algo de bom eu vou ganhar neste dia tão depressivo! Ia mandar mais uma mensagem para ela, mas no momento que eu desbloqueei o celular o tiraram da minha mão e eu olhei para trás surpreso, era o meu pai... Achei que ele tivesse saído e que não fosse voltar mais hoje, como era de se esperar!
– Então você convidou aquela vagabunda para vir aqui de novo? – perguntou com desgosto na voz – No dia do aniversário da sua mãe, não te disse mais cedo você não se importa o suficiente com ela! – terminou e me olhou com raiva
– Primeiro não fale assim da Clary e segundo eu me importo com a mamãe, tanto é que eu faltei na escola hoje e passei a manhã conversando com ela! – falei
– Claro, fez isso para depois desonrar a memória dela, dormindo com essa daí e esquecendo que algum dia você teve uma mãe! – ele cuspiu as palavras para fora – Eu ainda não consigo acreditar que a minha Beca (apelido da mãe do Nick) escolheu deixar você viver!
Fiquei em silêncio e não consegui mais conter as lágrimas, por mais forte que eu seja e por mais que eu saiba que minha mãe me amava, doía muito ouvir aquilo saindo da boca do meu pai! Eu o amava e por mais que ele fale que não eu sei que bem lá no fundo ele me ama também... Mas agora eu tenho certas dúvidas. Ele deve ter razão eu sou vagabundo, idiota, sem educação e nem noção, minha mãe não deveria ter me deixado nascer...
– Não vai dizer nada moleque? – continuei quieto – Foi o que eu pensei... – jogou o celular na minha cama – Aproveita a tarde com a sua peguete! – depois de dizer isso saiu do quarto.
Sentei deitei na cama e fiquei olhando para o teto, depois dessa minha briga com o meu pai eu não seria mais capaz de fazer nada, o que me restava agora era ficar sozinho... Eu e as sombras do passado que não paravam de me atormentar, escutei o barulho do carro saindo da garagem, pronto estava sozinho!
Desci as escadas rapidamente com apenas o violão na mão e sem ninguém, quer dizer sem a Grace, me ver fui para os jardins no fundo da casa onde se encontrava a plantação de Lírios da minha mãe e o lugar onde ela costumava fazer suas pinturas... Mas a Grace disse que ela dera àquele lugar o nome de “A Cabana”.
Eu me sentia bem ali, é o meu refugio, como se estivesse com a minha mãe, mesmo não a conhecendo eu sabia que ela estava ali e eu a amava infinitamente! Me sentei no pequeno deque de madeira e fiquei lá tocando e cantando para espantar a tristeza, este era para mim o único jeito para me sentir melhor, mas livre!
POV Clarisse Mary Parker
Descansei mais um pouco e por volta das 14:30 fui me arrumar, estava calor então coloquei uma saia rosa e uma regata branca! Sai de casa e em 20 minutos estava na “Mansão Collins”, e por incrível que pareça cheguei exatamente no horário marcado.
Entrei, dei oi para Grace e fui até o quarto do Nicky... Ao entrar não vi ele, somente a janela aberta e me perguntei: O que será que aconteceu com ele? Desci as escadas e caminhei até a cozinha (agora eu sabia o caminho!) e perguntei à Grace:
– Grace, você sabe onde o Nicholas está? – ela parou para pensar – Ele não está no quarto, estou preocupada!
– Ahh querida... – ela falou com pesar – Ele não te contou, né?
– Contou o que? – perguntei confusa e a preocupação só aumentava
– Hoje seria aniversário da mãe dele! – explicou – E como em todos os anos o Sr. Collins joga as magoas em cima do filho! Sempre que isso acontece o Nicholas vai para uma cabana que pertencia a mãe dele!
– Onde fica?
– Vou leva-la até lá!
Caminhamos até um jardim nos fundos da casa, era magnífico, nem sei como descrever! Andamos mais um pouco e aí pude ver um deque de madeira, uma espécie de casinha aberta em um dos lados e em volta havia a mais linda plantação de Lírios.
– Ele deve estar lá Clair.
– Obrigada Grace.
Andei até lá e vi o Nick tocando violão, fui me aproximando lentamente até que ele notou a minha presença. Seus olhos estavam vermelhos, indicando que ele chorou muito, cheguei ainda mais perto e sentei, na escadinha de madeira do deque, ao seu lado!
– Nicky o que aconteceu? – perguntei gentilmente
– Nada. – ele falou frio – Vai embora, quero ficar sozinho!
– Não... eu não vou embora e deixar você neste estado! Sou sua amiga, lembra?
– Clary, entenda eu não quero que você me veja assim... Como um fraco!
– Nicky, você pode ser tudo menos fraco....
– Meu pai não concorda. – ele me interrompeu
– Posso terminar de falar? – ele concordou – Nicky, seu pai só trata você assim porque ele sofre muito devido a perda da sua mãe! Quando nós perdemos um grande amor, é difícil superar, ao menos tente entender o lado do seu pai...
– Ok Clary, até ai eu posso entender... Mas me explica por que me tratar assim? Como algo descartável, isso não é certo.
– Não disse que era! – disse – Já pensou que por você ser muito parecido com a sua mãe faz o seu pai lembrar constantemente dela e também da sua perda? – ele não respondeu – O seu pai pode fazer tudo isso, Nicky, mas eu sei que no fundo você é muito importante para ele!
– Tá bom.. – falou irônico
– Sério Nicholas, você é a única coisa neste mundo que pode provar à todos o quanto o amor do seus pais significou! Você é fruto do amor deles... – expliquei – Por mais que seu pai fale que não gosta de você, ele te ama como ninguém nunca vai ama-lo. – ficamos em silêncio depois disso.
– Brigado Clary, obrigado por estar aqui e me ajudar. – Nick disse e me abraçou fortemente
Ficamos neste abraço por um bom tempo, até que nos separamos e começamos a estudar. Passei uns exercícios para ele e me pus a observar o jardim, aquele lugar era perfeito!
– Gostou daqui? – Nicky pergunto como se estivesse lido minha mente
– Se eu gostei? Eu amei!
– Eu sempre venho aqui, para pensar. Você também pode vir aqui sempre que quiser.
– Mas este lugar é da sua mãe... Eu não...
– Clary, você pode vir aqui sempre, ok? – assenti – Você é a primeira pessoa que eu trouxe aqui, sinta-se honrada. – brincou
Devo ter ficado muito surpresa com a revelação, porque ele deu uma risada.
– Nicky?
– Sim.
– O que você mais gosta aqui?
– A proximidade com a minha mãe... E você?
– Os Lírios, minha flor preferida!
– Bom saber. – ele deu um sorriso de canto.
– O que você está aprontando Sr. Collins? – perguntei desconfiada
– Nada. – ele falou rindo
– Sei...
Ficamos conversando mais um pouco e depois de um tempo Nicky decidiu fazer algo divertido, ele me convidou para ajuda-lo a dar banho nos seus dois cachorros. E como eu amo animais não hesitei. Caminhamos até um “canil” nos fundos da casa e vi dois Golden Retriver mais lindos do mundo.
– Clary estes são Rusty e Krista. – ele disse apontando para qual era qual.
Soltamos os cachorros e Nick foi pegar a mangueira e o shampoo. Demos banho nos dois e por incrível que pareça eu consegui sair intacta, ele prendeu os cachorros e quando voltou eu apontei a mangueira em sua direção.
– Clarisse abaixa isso! – neguei – Aperta esse botão e vai se arrepender.
– Será? – disse e apertei o botão, mandando um jato de água em sua direção.
– Eu te avisei.
Nisso ele veio correndo na minha direção e iniciou-se uma perseguição, mas já que o Nick conhecia a casa melhor e é mais rápido do que eu ele conseguiu me pegar rapidamente. Ele me puxou pela cintura até onde eu havia jogado a mangueira, ou era isso que eu pensava, ele mudou o percurso de última hora. Me pegou no colo e me posicionou sobre a piscina, agarrei o pescoço dele:
– Eu não vou te soltar Nicholas, esquece. – avisei
– Então terei que tomar medidas drásticas!
Dizendo isso ele pulou comigo em seus braços. A água está incrivelmente muito gelada, me soltei dos braços dele e subi para a superfície, nadei até a borda e deitei no chão sob o sol! Ouvi o barulho da água e logo em seguida a voz do Nicky.
– Vingança concluída.
– Ha ha ha... Muito engraçadinho você, não?! – falei ironicamente
– Admite Clary, no mínimo foi refrescante! – riu – E para mim ainda foi vantajoso.
– Porque você me deu o troco!
– Não, só estou apreciando a vista! – abri os olhos e vi que ele olhava para a minha blusa branca que agora estava transparente.
– Safado!! – falei e dei um tapa fraquinho em seu braço, ele riu
Levantei e andei em direção a minha bolsa para pegar o meu casaquinho, que eu trouxe caso esfriasse. Foi tudo muito rápido, no meio do caminho meu braço foi puxado e eu senti as minhas costas colidirem em uma árvore e meu corpo ser prensado na mesma pelo Nicholas. Em questão de segundos Nicholas acabou coma distancia que havia entre nossos lábios. No começo fiquei relutante, mas depois levei meus braços para seu pescoço e ele me puxou para mais perto.
Estava sendo o beijo mais perfeito do mundo! Eu sentia borboletas no estomago e não queria mais parar de beija-lo, eu nunca havia sentido isso antes... Porém já que o ar se fez necessário terminamos o beijo, mas o Nicky não satisfeito passou os beijos para o meu pescoço. Quando ele parou de me beijar falou contra a pele do meu pescoço.
– Neste exato momento eu poderia pedir desculpas por ter te beijado, ou te largar depois de ter te “pegado”. – falou – Mas sabe de uma coisa? – subiu os sussurros para o meu ouvido – Clary, isso que aconteceu aqui era inevitável. E sabe por que? – balancei a cabeça – Porque desde a 7º série eu sou completamente louco por você!
Congelei, será que eu tinha escutado direito? O Nicholas realmente havia dito que era louco por mim? Agora ele conseguiu, me deixou sem reação!
– Agora você deve estar confusa, mas relaxa loira... Eu vou esperar o tempo que for necessário! – dizendo isso ele me deu um selinho e saiu andando – Você não vem?
Assenti e segui ele, logo em seguida ele tirou a camiseta e fez os exercícios que eu passei, enquanto eu ficava tentando evitar olhar para aquele deus grego!
– Clary... terra chamando! – olhei para ele – Acabei os exercícios. – peguei o caderno e passei a corrigir, até que comecei a espirrar e o Nick disse:
– É melhor você ir para casa descansar. Nos falamos amanhã...
Ele me acompanhou até a porta, quando eu ia ele me puxou e me beijou.
– Se cuida Lírio! – sussurrou
– Que apelido é esse?
– Lírios são suas flores preferidas... – dei um sorriso
– Tchau Nicky. – disse e atravessei a rua
– Tchau Lírio. – falou – Meu Lírio! – consegui escutar antes de entrar no carro.
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