The Story Of Us
17 Capítulo XVII
Notas iniciais
Acordei com um balde de água gelada na cabeça, abri os olhos e pisquei algumas vezes tornando a imagem do meu amado irmãozinho Tyler, com um sorriso maroto no rosto, nítida. Estava pronta para gritar com aquele pestinha quando decidi ponderar as consequências e ignora-lo, o que o faria ficar irritado por não ter conseguido me atingir.
Levantei da cama, fui para o banheiro tomar um banho e fazer minha higiene diária. Voltei para o quarto enrolada na toalha e Ty não estava mais ali. Coloquei um short e um moletom como blusa e desci para o café. No andar de baixo encontrei todos sentados a mesa e anunciei minha presença:
– Bom dia família.
– Bom dia filha. — minha mãe foi a única que respondeu — Suas malas já estão prontas? Viajamos amanha cedo. — fiz uma careta deixando claro meu esquecimento.
– Ops, parece que alguém esqueceu da viagem... Que dó! — Ty disse
– Tyler presta atenção no seu café e não na conversa dos outros. — papai se manifestou — E você Clary vá arrumar suas malas depois que terminar o café, sem falta. — terminou de falar e voltou a ler o jornal.
Sentei na mesa, comi meu café da manha e subi direto para o quarto. Peguei minha mala do alto do armário e comecei a separar as roupas que levaria para a casa da minha avó em Detroit. Já que é chato narrar preparações para viagens vou explicar tudo para os meus queridos leitores confusos.
Desde o jantar que Nicholas e o seu pai vieram aqui se passou duas semanas, neste período as mensagens ocultas pararam, eu entreguei a inscrição para o intercâmbio em Londres — comemorei até ficar sem voz com a Aly — e também sobrevivi a uma semana infernal de provas na escola. Mas agora a-c-a-b-o-u e isso significa férias de natal!
Foi isso que vocês perderam meus atentos leitores. Na verdade Clair você esqueceu de falar da viagem. Obrigada por lembrar consciência, acho que essa foi a primeira vez que você mostrou utilidade. Como minha amável consciência acabou de lembrar, minha avó paterna nos chamou para passar o natal e o reveillon na sua casa e com toda a família. Acreditem eu amei e odiei esta ideia; amei porque eu adoro ver meus avós, no entanto não posso dizer o mesmo dos meus primos e tios e além do mais vou ter que passar duas semanas longe do Nicky.
Terminei, finalmente, de arrumar a mala e decidi sair de casa para curtir meus amigos antes e viajar. Peguei um short verde, uma blusa de manga comprida branca com uma estampa delicada e uma sandália rasteira. Já pronta escolhi uma bolsa cruzada, desci, peguei as chaves do carro e sai ligando para o Nicholas em seguida.
– Lírio a que devo a honra de escutar a sua doce voz? — atendeu animado
– Oi moreno, eu estava pensando em sair hoje com todo mundo. — falei
– Uma ótima ideia loira, considerando que você viaja amanhã. — disse e deu uma longa pausa — Eu chamo os meninos, ok?
– Perfeito... Te vejo no shopping em quinze minutos. Tchau amor.
– Tchau Lírio.
Mal desliguei e já estava discando o número das meninas marcando o encontro em grupo. Cheguei no shopping e subi direto para a praça de alimentação — nosso ponto de encontro oficial — para esperar meus amigos chegarem, isso depois de estacionar. Não demorou muito mais que dez minutos para todo mundo aparecer, e com o nosso grupo reunido escolhemos um filme para ver.
Confusões aqui, encrencas ali e finalmente conseguimos ver algum filme que todos concordassem em assistir. Após o cinema fomos almoçar e em seguida nós dirigimos ao fliperama, onde cada um foi para um canto e eu aproveitei para ficar um pouco sozinha com o meu moreno que estava muito quieto, isso não poderia ser um bom sinal.
– Está tudo bem moreno? — questionei me aproximando — E não me diga pera não me preocupar, você é meu namorado e é meu dever cuidar de você. – expliquei.
– Clary eu estou bem, sério. — ele disse me puxando para mais perto.
– Tem certeza? Porque eu posso dar um jeito de te incluir na viagem.
– Tenho certeza e além do mais vou ter a companhia do Marco, vou sobreviver ao Sr. Collins. — disse forçando um sorriso — Só trate de voltar logo.
– Voltarei e vou te recompensar pela minha ausência. — disse piscando.
– Já disse que te amo? Por que eu te amo pra caralho. — dei uma risada da sua declaração.
– Também te amo. — o beijei e quando as coisas estavam ficando boas a Alicia e o Pedro fizeram o favor de atrapalhar.
– Chega né casal... Todos sabemos que vocês se amam e que são muito OTP, mas eu quero curtir a minha melhor amiga antes que ela viaje. — Aly disse rapidamente.
– E seja amaldiçoada pelo Nicolau I. — Pedro completou fazendo uma careta.
– Nicolau I? — Nicholas perguntou confuso.
– É o cachorro empalhado da avó da Clair. — Pedro explicou e Aly caiu na risada.
– Minha avó tinha um Chihuahua que se chamava Nicolau e ele meio que era o companheiro inseparável dela e tudo mais. Só que, como o ciclo da vida dita, ele morreu de velhice com 16 anos e a minha avó, Maggie, ficou muito mal. Meu avô, não suportando aquilo, comprou outro Chihuahua, o nomeou de Nicolau II e mandou empalhar o Nicolau I para dar de presente a vovó. – contei.
– E todos viveram felizes. — Lice acrescentou.
– Aquele maldito cachorro me da calafrios. — eu e Pedro comentamos ao mesmo tempo.
Me afastei dos dois meninos que começaram a conversar com a Alicia e nós dirigimos para os jogos do fliperama onde as outras meninas estavam. Permanecemos ali por mais algum tempo e decidimos ir embora, mas não antes do Nicholas pegar um ursinho naquelas maquinas para mim; era um ursinho marrom que o Nicky deu o nome de Pillow.
Cheguei em casa às cinco e meia, subi para o quarto, me troquei numa velocidade impressionante e me joguei na cama. Passei um bom tentando dormir e nada, então optei por ficar lendo um livro até que cai no mais profundo dos sonos.
~*~
Acordei com o despertador tocando e por não querer acordar coloquei o travesseiro na cabeça como uma maneira de abafar o som, mas não deu certo. Virei na cama, peguei a primeira coisa que minha mão alcançou – uma almofada no caso – e joguei no despertador que caiu no chão emitindo um alto estrondo.
– Clarisse que barulho foi esse? – minha mãe perguntou do andar de baixo.
– Não foi nada mãe. – gritei em resposta.
Levantei e fiz o mesmo processo que repetia todo o dia. Coloquei um vestido roxo de rendas — nem como justo nem como solto e que descia até a metade da minha coxa – por cima um casaquinho branco que minha avó havia me dado de aniversário e um sapato de salto alto também branco. Terminei de me arrumar e desci com a minha mala para a sala; meu pai estava colocando as coisas no carro e a mamãe colocava o café na mesa.
– Clary saímos em dez minutos, coma alguma coisa.
– Sim senhora.
Assim que acabei de comer peguei minha bolsa e fui até o carro já me acomodando para uma longa viagem até Detroit. Minutos depois todos estavam no carro e partimos em direção a estrada, enquanto meu pai dirigia e meu irmão jogava joguinhos no celular eu peguei meu fone de ouvido para escutar música.
Depois do que pareceu uma eternidade papai estacionou o carro em frente a uma casa de estrutura simples, de três andares e com um jardim lindo na entrada. Não demorei nada para reconhecer, era a casa da vovó. Desci do carro aos tropeços e não me dignei nem a pegar minha bolsa sai correndo em direção a sacada. Cheguei a porta de entrada, fui até o terceiro vaso de planta, peguei a chave reserva e adentrei a casa correndo ansiando para abraçar a minha avó.
Passei pelo Nicolau II que saiu pela porta latindo, pelo Nicolau I — empalhado e posicionado em cima da lareira — mas nenhum sinal da pessoa que eu queria tanto ver depois de um ano. Me joguei no sofá da sala e enquanto encarava Nicolau I percebi que não havia procurado no lugar mais óbvio... A cozinha.
Já estava quase na cozinha quando o aroma de uma torta de maçã recém saída do forno invadiu meu sistema olfativo. Entrei então no ambiente com o cheiro inebriante e me sentei em cima da bancada, aguardando ser notada pela idosa mulher de cabelos loiros que acomodava a torta perto da janela.
– Clary, você mas do que ninguém deveria saber que saltos denunciam as pessoas. — minha avó disse ainda de costas.
– Entenda vovó que tudo saiu de acordo com o plano, afinal não acho prudente matar a senhora do coração... — respondi com um sorriso no rosto.
– Oh, agora eu entendi a sua entrada nada silenciosa. Mas me diga uma coisa Clarisse Mary Parker a sua avó não recebe um abraço?
Desci no mesmo instante da bancada e corri para os braços de Margaret Parker, a melhor avó que eu poderia pedir aos deuses. O momento avó e neta não durou muito, porque o pirralho do Tyler invadiu a cozinha e roubou a minha avó de mim me obrigando a dar alguns passos para trás e possibilitando que Maggie pudesse cumprimentar os outros também.
Depois disso subi as escadas até o quarto que eu dividia com a minha prima Brooke e abri minha mala no chão. Tirei os saltos e quando a brilhante ideia de tomar um banho relaxante invadiu meus pensamentos, comecei a escutar as vozes dos meus tios e primos no andar de baixo. Ótimo... Almoço em família.
Desci e fui cumprimentar todos os meus queridos familiares. Minha avó eu já apresentei, ao seu lado estava meu avô, Joe Parker — cabelos acinzentados, a barriga um pouco avantajada e olhos azuis, que me dão inveja. Meus avós tiveram três filhos: Spencer Parker que tem cabelos e olhos castanhos, meu pai William Parker e Bridget Finley que é morena de olhos azulados.
Tio Spencer casou com Gwen, a qual tem cabelos loiros acastanhados e olhos escuros, e tiveram dois filhos: Luke — loiro de olhos marrons, 18 anos e mentalidade de 5 — e Brooke — cabelos escuros aloirados e olhos verdes, 16 anos. Já a tia Bridget casou-se com Enzo Finley, que é moreno de olhos azuis acinzentados, e tiveram três filhos: as gêmeas Alison e Agatha — cabelos e olhos marrom chocolate, 15 anos — e o James — moreno de olhos verdes, 12 anos como o Tyler.
Depois do almoço, que eu posso dizer que foi tudo menos tranquilo, os adultos foram para a sala de estar colocar a conversa em dia e eu me dirigi com os meus primos para fazer qualquer coisa mais interessante. O resto do dia foi tranquilo: jantamos, conversamos, brincamos e tudo mais que famílias fazem. Por volta da meia noite já estava na cama conversando com Brooke e dormi.
– AHHHH
Acordei com o grito da Brooke ao meu lado e levantei alarmada. Estava escuro e eu não enxergava nada, então acendi o abajur ao meu lado e a cena a minha volta me deixou perplexa. O chão estava cheio de farinha e penas de travesseiro por todo o lado, mas o pior era a cama da Brooke... De alguma forma um balde de mel havia sido jogado em cima dela e as penas e a farinha grudado no mel, minha prima havia de transformado numa galinha!
Enquanto eu tentava entender o ocorrido Luke, James e Tyler já estavam de pé no batente da porta rindo que nem condenados, sendo seguidos pelos homens da casa que ao verem que não passava de uma pegadinha baixaram a guarda. Quando Luke pensou em falar algo Brooke foi mais rápida:
– Foi você seu idiota, não é? — gritou ela.
– Quem dera... Eu daria tudo para ver a sua cara. Quem teve essa brilhante ideia merece minha eterna gratidão. — Luke respondeu ainda rindo da irmã.
– Obrigado Luke, nós sabemos que somos gênios do crime. — Jay disse fazendo todos os olhares virarem para ele e Ty.
– James, Tyler eu mato vocês. — Brooke gritou — Aguardem a vingança.
Meu irmão e James saíram correndo e os adultos foram atrás para lhes dar um sermão, mas sem tirar o sorriso divertido do rosto; Luke voltou para o seu quarto para descansar sua beleza — como ele disse — e Brooke depois de pedir minha ajuda foi para o banheiro para tentar melhorar sua situação. Vai ser uma longa madrugada....
Alguns dias depois...
Acordei animada sabendo exatamente que dia era hoje, 24 de Dezembro, véspera de Natal. Fui para o banheiro, tomei um banho e vesti uma calça legging azul marinho, uma blusa de manga comprida rosa e amarrei meus cabelos num rabo de cavalo. Quando estava pronta desci para tomar meu café.
Algumas pessoas estavam acordadas, dei um bom dia geral e fui para o cozinha fazer um sanduiche e pega uma xicara de café. Enquanto esperava meu sanduiche torrar fui verificar se o Nicholas havia respondido minhas mensagens, ele me disse há uns dias atrás que brigou com o pai e depois disso parou de mandar mensagens ou ligar. Eu estava preocupada.
Terminei de comer e fiquei conversando com o Luke e tentando ajuda-lo nos seus conflitos amorosos. Vovó foi começar a fazer a ceia de Natal, meu pai e o tio Spencer foram comprar alguma coisa que a Maggie pediu e vovô falou que o resto ficaria responsável por preparar a casa para as festas de hoje a noite.
Eu e Allison começamos pensar em como arrumaríamos a mesa, quando Gwen apareceu e me falou que havia alguém na porta procurando por mim. A principio um arrepio subiu minha espinha, mas depois que percebi que era basicamente possível ser ele aqui me dirigi até a porta. Sai na sacada que dava para o jardim da frente e eu não acreditei nos meus olhos, Nicholas estava ali na minha frente.
– Nicky! – falei animada e corri até ele que me abraçou.
– Oi Lírio, não aguentei ficar lá sem você. – explicou e me deu um beijo – Eu pedi para a Aly o endereço da sua avó e eu vim.
– Você não existe Sr. Collins. – disse rindo
– Clarisse vem ajudar os seus primos. – minha mãe gritou
– Acho melhor entramos. – falei – Estamos arrumando a mesa e os últimos enfeites.
Assim que entramos apresentei Nicholas para todos que não o conheciam e minha amada priminha Brooke só faltava babar em cima do meu moreno. Depois do momento conhecendo o namorado da Clair eu puxei Nick para me ajudar a arrumar mesa que estava uma confusão. Em meio a todas as tarefas passadas pelos adultos o dia passou rapidamente e quando dei por mim já estava subindo para me arrumar para a tão esperada noite de natal.
Coloquei o vestido que eu havia trazido especialmente para o natal, fiz a maquiagem, coloquei as joias e arrumei o cabelo. Desci e encontrei toda a família conversando e se divertindo e não consegui evitar ficar parada em um canto observando o Nicholas conversar, com um lindo sorriso no rosto, com meu primo Luke. Nicky notou a minha presença e veio até mim.
– Você está linda loirinha. – ele disse beijando minha testa.
– Obrigada. – corei – Então ainda acha minha família legal? – questionei fazendo uma careta
– Este está sendo o melhor natal que eu já tive. – comentou – Obrigado.
– Vamos voltar para a festa antes que ela venha até a gente.
– Ótima ideia.
Voltamos para a sala e teve início o amigo secreto que foi seguido de muitos outros jogos, isso rendeu muitas risadas. O tempo passou rápido, o relógio finalmente marcava meia noite e todos desejamos feliz natal indo em seguida para a mesa onde um delicioso banquete – feito por Margaret Parker – nos aguardava.
Depois dessa noite passamos mais nove dias em Detroit e infelizmente chegou o triste dia da volta para Columbus. Muitas despedidas foram feitas e encontros foram marcados e então com as malas já no carro partimos, eu no carro do Nicholas e meus pais logo atrás.
~*~
As férias haviam acabado e eu levantei sabendo que o primeiro dia de aula me aguardava assim que eu abrisse os olhos. Coloquei uma calça jeans clara, uma regata branca justa comprida, um casaco cinza por cima e nos pé calcei meu all star cinza de salto. Arrumei minha bolsa e desci indo direto para a escola.
Passei pelos portões e a multidão de alunos se reencontrando preenchia o pátio de entrada. Caminhei até a minha sala e cumprimentei todos meus amigos e passamos todo o tempo livre conversando sobre as férias. O sinal tocou e por incrível que pareça as aulas passaram lenta e tortuosamente, acho que pelo simples fato de eu estar morrendo de tédio; assim que o sinal tocou indicando o recreio eu agradeci ao senhor e sai com as meninas.
Voltamos do intervalo direto para mais uma sessão de tortura; os meninos disseram que tinham algo para fazer e logo subiriam. Estávamos chegando na classe e a Juh lembrou que havia perdido o seu livro de matemática e que precisava de outro para não ser marcada pelo professor, Taylor foi ajuda-la a arrumar um. Aly decidiu de última hora ir ao banheiro e saiu correndo, e já que Sunny passou o intervalo com o Siwon, andei o resto do caminho sozinha até a sala e sentei em meu lugar.
Alguns minutos depois a diretora chegou acompanhada de dois garotos — alunos novos provavelmente — e quando meus olhos focaram nos novatos e eu finalmente reconheci aqueles cabelos loiros e os penetrantes olhos castanhos paralisei, sem reação... Aquilo não poderia ser verdade.
Fale com o autor