The Story Of Us
16 Capítulo XVI
Notas iniciais
– Clarisse Mary Parker levanta! – minha mãe gritou pela quarta vez tentando me acordar – Vou ter que apelar para o copo d’água gelada?
– Não precisa. – disse desesperada – Já levantei.
– Ótimo.
Levantei da cama e peguei meu celular do criado mudo, vendo que haviam infinitas mensagens não lidas e o relógio marcava seis e quinze da manhã... Ótimo estou atrasada. Corri para o banheiro, tomei uma ducha rápida, escovei os dentes e me maquiei; no quarto sequei o cabelo e vesti uma saia jeans clara, uma blusa de manga curta soltinha e um casaquinho cinza de manga três quartos por cima. Para completar arrumei o cabelo, coloquei um brinco, colar e anel e por fim calcei uma sandália rasteira prateada no pé.
Peguei uma bolsa qualquer que combinasse com o visual e desci as escadas correndo para tomar o café da manhã. Sentei na mesa, dei um bom dia geral e me servi de torrada com geleia. Assim que terminei a refeição levantei para ir embora, mas fui impedida pela dona Heloise.
– Clary, filha, avise o gato do seu namorado que o jantar vai ser hoje às oito horas.
– Okay mãe, não vou esquecer. – disse com um sorriso.
– Espera um pouco, vocês podem repetir? – meu pai pediu desviando o olhar do jornal assustado.
– O jantar vai... – comecei a falar
– Não a parte do jantar. – papai interrompeu, me deixando tensa.
– Will não me venha com essa história de repetir, você entendeu exatamente o que eu disse. Hoje teremos um jantar às oito horas com o namorado da Clary e seu pai. – mamãe explicou e sem deixar tempo do papai reclamar completou – E nada que o senhor diga vai mudar isso.
– Amor como sempre você venceu, mas nada vai me impedir te ter uma conversinha com o novo membro da família. – meu pai avisou e voltou a ler o jornal.
Engoli em seco e caminhei até a porta com a bolsa no ombro. Antes de sair lancei um olhar de desespero a minha mãe que piscou para mim com um sorriso confiante no rosto, me fazendo acreditar que o jantar seria perfeito. Entrei no carro ainda sobre efeito da tensão percorrendo o meu corpo, conectei o celular no som e tentei relaxar durante o caminho para a escola, dominada por minhas músicas preferidas.
Cheguei na escola às seis e cinquenta, graças a Merlin não me atrasei, e fui para a classe depois de estacionar o carro. Mal entrei na sala de aula e senti que alguma coisa ruim havia acontecido, ignorei essa sensação ruim e olhei o ambiente em busca dos meus amigos. As mochilas dos meninos estavam ali, mas nem sinal deles e ao lado avistei as meninas. Antes que pudesse dizer alguma coisa, fui interrompida:
– Clair, que bom que você chegou! – Taylor disse exasperada e eu a olhei confusa e espantada pelo seu desespero – Você é a única capaz de acalmar a Aly, nós já tentamos de tudo e não funciona.
– O que aconteceu? – questionei preocupada.
– É melhor ela te contar. – Tay disse – Sun, Juh vocês vão comigo pegar o material no armário? – perguntou
– Claro. – as duas responderam juntas e deram uma breve risada.
Assim que fiquei sozinha com a Alicia pude perceber que ela no mínimo havia passado a noite em claro, mas não era só isso; seus olhos estavam inchados – sinal de que havia chorado por horas – e de longe percebia-se que seu corpo inteiro tremia. Me aproximei dela e parei ao seu lado, esperando por alguma reação sua, no entanto ela não se mexeu.
– Aly o que aconteceu? – perguntei devagar
– Ele... Mensagem... Voltar... – ela falou palavras desconexas enquanto soluçava.
– Alicia respira fundo e me diz o que aconteceu. – falei firme, mas calma.
Esperei pacientemente enquanto Lice se ajeitava na cadeira e respirava profundamente, inspirando e expirando lentamente, e assim que estava melhor direcionou seus olhos castanhos para mim. Eu esperava que ela pronunciasse algo ou começasse um ataque, mas ao invés disso ela jogou seus braços envolta de mim me abraçando.
– Clair diz que você roubou um telefone na rua e junto com o Leo decidiu me mandar mensagem de mau gosto. – Aly disse durante o abraço e eu gelei.
– Como assim mensagem? – esqueci o resto do que ela disse e perguntei temendo a resposta.
– Uma mensagem anônima, mas eu tenho certeza de quem a mandou. – disse num misto de ódio e angustia – Lê a mensagem você vai entender o meu desespero.
Peguei o celular com receio do que poderia conter a mensagem, aquela sensação ruim que eu havia sentido a pouco voltou e flashes da noite anterior voltaram como uma tortura sem fim, confirmando de que tudo havia sido real e não se tratava de um pesadelo. Respirei fundo e num surto de coragem olhei para a tela do celular da minha melhor amiga e li o que mensagem dizia:
Você achou que tinha se livrado de mim pequena, mas eu ainda tenho planos para nós dois... Me aguarde.
Assim que terminei de ler senti como se alguma coisa tivesse acertado a minha cabeça. Tudo a minha volta começou a girar, uma dor de cabeça insuportável me atingiu e a escuridão começou a me envolver aos poucos como se clamasse pela minha companhia. Minhas pernas fraquejaram e cederam a gravidade me fazendo ir em direção ao chão, e antes de perder totalmente a consciência pude ouvir um grito distante da Alicia e dois braços me segurarem antes de eu atingir o chão.
~*~
Abri os olhos e percebi que não estava mais na sala de aula. Olhei em volta e reparei que estava deitada em uma das macas da ala hospitalar e ao meu lado sentado, desconfortavelmente, em uma das cadeiras se encontrava o meu moreno.
– Nicky. – chamei e tentei me levantar sendo impedida por uma forte tontura.
– Oi Lírio, que bom que você acordou. – falou gentilmente acariciando minha bochecha – Você está bem? – perguntou, agora preocupado.
– O que aconteceu?
– Alicia te mostrou uma mensagem, você perdeu o equilíbrio e eu cheguei bem a tempo de te segurar antes você caísse no chão. – explicou
– A mensagem... – comecei a falar entrando em pânico.
– Clary esquece isso, ok? Agora você precisa descansar. – Nicky me interrompeu – Vou avisar a Sra. Walsh que a minha bela namorada acordou. – sorriu e me deu um beijo antes de se afastar.
Alguns minutos depois vi Nicholas se aproximar com a Sra. Walsh, uma mulher de 50 anos, cabelos escuros e olhos castanhos e muito bondosa. Assim que chegou ao meu lado lançou-me um sorriso e perguntou:
– Como está se sentido Srta. Parker?
– Ótima, — respondo e tento me sentar novamente falhando no meio da ação – tirando o fato desta tontura irritante querer me prender na cama. – conclui.
– Fique tranquila, a tontura é um dos meios do seu corpo pedir por mais um tempo de descanso. – explicou – Descanse mais um pouco e você, Sr. Collins, trata de voltar para as aulas. – disse virando para o Nicholas.
– Mas...
– Sr. Collins sua namorada precisa descansar, portanto não há nada para se fazer aqui. Além do mais eu já permite que o senhor faltasse em uma das aulas enquanto esperava a Srta. Parker acordar.
– Ok, já estou indo. – falou erguendo os braços e se debruçou na maca me dando um beijo na testa – Te vejo depois.
Assim que o Nicholas foi embora fechei meus olhos e deixei a inconsciência me levar por mais um tempo. Acordei, sem saber quanto tempo havia dormido, me sentindo nova e bem melhor. Levantei da maca, verifiquei se meu celular continuava no bolsa da saia e fui atrás da Sra. Walsh para pegar o papelzinho que permitiria a minha saída da ala hospitalar.
Conversei brevemente com a Sra. Walsh – que me deu algumas recomendações para se eu voltasse a ter algum mal estar – e sai da enfermaria indo direto para a classe. No caminho verifiquei meu celular dando uma olhada rápida nas mensagens não lidas, algumas delas eram da minha mãe que perguntava sem parar se o Nicholas já sabia do jantar.
Guardei o celular, adentrei a classe e todos os olhares foram direcionados para mim, andei até o lugar vago — ao lado da Aly e na frente do Nicky – e sentei. A aula não demorou muito a acabar, porque já estava no fim, e assim que o sinal tocou todos saíram alegres para o recreio.
Durante o intervalo todos os meus amigos se envolveram no desafio de entreter a mim e a Alicia para nos fazer esquecer do ocorrido. Posso dizer que eles conseguiram porque em nenhum momento parei de rir. Infelizmente o intervalo chegou ao fim e ainda não havia dado tempo de falar com o Nicholas sobre o jantar, eu falaria no final das aulas.
As quatro aulas que seguiram passaram rápido e eu não prestei atenção em nenhuma palavra que havia sido dita, o que é ruim pois em breve entraremos em semana de prova. O sinal tocou e o tumulto para sair teve início, arrumei minhas coisas, guardei os livros que não usaria no armário e me despedi das meninas indo até o Nicky.
– Oi moreno. – falei – Tenho um comunicado para te dar
– Que comunicado seria esse? – perguntou curioso e me trazendo para mais perto dele.
– O jantar que a minha mãe comentou com a gente ontem ficou para hoje às oito horas, tudo bem?
– Combinado Lírio. – respondeu – Às oito em ponto estarei na sua casa pronto para aguentar Christian Collins e enfrentar o Sr. Parker. – falou distraído e eu lhe dei um sorriso acolhedor.
– Até mais tarde moreno. – disse, dei um beijo nele e fui embora.
~*~
O alarme do meu celular tocou indicando que já era sete horas, desliguei a televisão e subi para o meu quarto iniciando a o desafio de ficar perfeita em uma hora. Tomei um banho quente e relaxante, sai, enrolei na toalha, escovei os dentes e fui para o quarto secar o cabelo. Peguei meu vestido azul marinho justo que vai até metade da minha coxa, um casaquinho da mesma cor só que de renda e vesti; depois fui até o espelho e foquei no que faria no cabelo, optei por uma trança embutida que deixei caída pelo meu ombro esquerdo.
Já estava quase pronta, faltava apenas a maquiagem e os assessórios. Fiz a maquiagem usando principalmente tons azul e preto e minha cama virou uma confusão: corretivo, delineador, sombras, blush, batom, rímel e assim vai... Escolhi uma sandália de salto alto preta, o colar que o Nicky me deu sempre no pescoço, um brinco de argola e uma pulseira preta que eu amo.
Estava dando a última olhada no espelho antes de descer quando escutei um barulho de motor na rua. Corri até a janela do meu quarto e vi um Audi SVU preto parando em frente a minha casa. Nem esperei a confirmação de que era o Nicholas e o pai, coloquei o sapato e desci a escada chegando na sala no exato momento que a campainha toca.
Abri a porta e vi o meu moreno, lindo como sempre e com um lindo sorriso no rosto, e o seu pai vestido, formalmente e com feições sérias. Dei um passo para o lado dizendo que eles poderiam entrar, eles mal haviam chegado direito e minha mãe apareceu com um grande sorriso no rosto dando um abraço apertado no Nicholas.
– Oi querido como você está lindo. – ela disse e o soltou se virando para Christian – Você deve ser o pai do Nicholas... É um prazer conhece-lo sou Heloise. – se apresentou.
– Me chame de Christian Heloise. – disse e deu um abraço na minha mãe e se dirigiu a mim dando um sorriso falso e piscando o olho — Devo dizer que você tem uma bela filha Heloise, definitivamente puxou a beleza da mãe.
Abri um sorriso forçado e lhe dei um abraço por educação, porque mesmo tendo se passado algum tempo eu não havia esquecido a maneira que o Sr. Collins tratou o Nicholas e a mim na sua casa. Nadei finalmente até o Nicky, que estava claramente tenso com a situação, e o abracei sussurrando em seu ouvido:
– Você está muito elegante Sr. Collins. – o senti sorrir
– E você está deslumbrante meu Lírio. – sussurrou em resposta e me puxou para um beijo.
– Eles não ficam lindos juntos? – minha mãe perguntou a Christian, mas a resposta veio do meu pai.
– Foram feitos um para o outro, meu amor. Mas agora não é o momento para namorar, certo? – disse para que nos separássemos – Sou William Parker, pai da Clarisse, mas me chame de Will. – meu pai se apresentou apertando a mão do Sr. Collins.
Abracei o Nicky pela cintura e ele passou o braço pelos meus ombros e ficamos ali observando nossos pais conversarem como se fossem velhos amigos. No entanto tudo que é bom dura pouco, meu pai virou na nosso direção e fez um gesto para que o Nicholas o acompanhasse até o escritório; mamãe voltou para cozinha para terminar o jantar e eu fiquei na sala sozinha com Christian.
Durante uns cinco minutos eu fiquei sentada no canto do sofá sem mover um musculo enquanto o pai do Nicholas me observava como se eu fosse uma presa prestes a ser atacada. Ele acabou com o desconforto quando decidiu se sentar no sofá e finalmente dirigir alguma palavra para mim.
– Clarisse você é realmente muito bonita, mas acho que não é tão inteligente como o Nicholas havia falado... – falou ele com petulância na voz e eu o olhei confusa – Você poderia ter qualquer homem que desejasse no entanto escolheu um moleque irresponsável e incapaz de cuidar de você. – concluiu
– Eu escolhi o homem que eu amo e não acha que o Nicky seja irresponsável ou incapaz. – disse indignada e ficando de pé.
– Ainda tinha esperanças de te fazer desistir. – falou calmo
– Por que?
– Primeiro porque meu filho não compreende o que é amar alguém e segundo porque você não deve passar de mais uma interesseira.
As suas palavras me atingiram como um soco no estomago e eu não fui capaz de manter o equilíbrio, sendo obrigada a me sentar novamente no sofá e esperar a tontura passar. Assim que estava melhor virei para Christian disposta a lhe dar uma resposta a altura, mas antes que pudesse falar algo meu pai e Nicky entraram rindo na sala como se fossem velhos amigos. Parei o que ia fazer e fui até o meu namorado dando um abraço nele, que pareceu entender o que havia acontecido.
– O jantar está servido. – minha mãe avisou.
Todos, inclusive o meu irmão, nos direcionamos até a sala de jantar para o melhor banquete de todos. O resto da noite foi tranquila, sem intrigas ou problemas de discussão; meu pai e Nicky haviam se dado super bem e Christian sabia esconder muito bem o seu desagrado sobre a escolha do filho. O que para o momento é algo bom.
O jantar acabou e infelizmente Nicholas e Christian tiveram que ir embora, alguma coisa sobre uma reunião importante no dia seguinte. Dei um beijo no Nicholas e acenei de onde eu estava para o seu pai – depois da nossa conversinha não estava muito afim de ter contato com ele. Quando eles foram embora eu ajudei minha mãe a arrumar a casa e subi para o quarto, mas não sem antes escutar meu pai dizer:
– Filha o Nicholas é um bom garoto, espero que ele te faça muito feliz.
– Obrigada pai. – disse sorrindo
No quarto tirei a maquiagem, desfiz o cabelo e troquei de roupa. Já na cama e pronta para dormir dei uma olhada no celular haviam várias mensagens, mas a que mais me chamou a atenção foi a da Aly que continha a mais pura e cruel das verdades.
Eu sei que você também recebeu uma mensagem Clair. E mesmo se nós rezarmos para ser mentira não vamos mudar o fato de que foram eles que as mandaram :(
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