The Story Of The Witch

2 Capitulo 2 - Sombras


Notas iniciais
Bem vindos! Boa leitura a todos! O que causou aquele terrível destino ao Prof. Alfredo? Espero que gostem. =)

Cap II – Sombras

Igor

O grito que ouço é tão alto que pulo da cama com os olhos ainda fechados. Assim que minha visão clareia, olho para cama de Guilherme e não o vejo. O grito é dele, conheço seu tom de voz. Calço as sandálias e corro para a porta, que quando abre faz muito barulho. No corredor as luzes já estavam acesas e alunos confusos nele.

– O grito veio da biblioteca! – Grita um aluno de cabelos loiros para o Dir. Bartolomeu que aparecerá segundos atrás.

Assim que o diretor segue para a biblioteca junto com dois professores, vou atrás. O que diabos aconteceu pra Guilherme estar na biblioteca a essa hora, e ainda gritar dessa maneira? Não importa, estou preparado pra o que for. Mas ao colocar a mão em mim percebo que minha varinha está em meu quarto. Droga. Apenas continuo até a biblioteca e quando entro vejo muitos livros jogados no chão, junto com uma prateleira toda destruída. Ao me virar para a recepção vejo Guilherme muito assuntado e o diretor tentando acalma-lo. Ao chegar mais perto não acredito no que vi. O Prof. Alfredo com um enorme buraco em sua barriga.

. . .

Pelo incrível que pareça, nunca estive na sala do diretor. Mas no momento, por mais que ela seja enorme e cheia de objetos legais eu não ligo de estar aqui. Mantenho minha atenção em Guilherme que no momento tinha parado de chorar.

– Por favor Guilherme. – Diz Dir. Bartolomeu ao se sentar em sua cadeira. – Me conte do começo.

– Diretor. – Gagueja, olhando para a mesa do diretor. – Foi igual a minha m-mãe.

– Eu sei. – Coloca a mão em seu ombro. – Fique calmo e me conte exatamente o que aconteceu.

Guilherme já havia me contado, sua mãe foi encontrada morta com sua barriga destruída. Só agora vejo que foi a mesma maneira do professor. O que isso quer dizer? O mesmo assassino? Isso não tem lógica. A sua mãe morreu em um supermercado. Porque quem a matou estaria em Tworn?

– Logo depois do jantar, eu, Lydia, Igor e o Prof. Alfredo nos despedimos para irmos pro quarto. – Seus olhos estavam confusos. – Eu logo fui dormir, e quando acordei resolvi ir a biblioteca, e então o encontrei.

– O que foi fazer na biblioteca essa hora? – Pergunta o diretor sério.

– E-eu fui pegar um livro. – Gagueja. – Tinha perdido o sono.

O diretor me lança um olhar desconfiado, vejo que não sou o único a perceber que algo estava escondido. Foi quando Prof. Rodolpho bate na porta e entra em seguida. Prof. Rodolpho é nosso professor de magias brancas, ou se preferir, magias de cura.

– Conseguiu algo com a análise professor? – O diretor tinha uma voz preocupada.

– Sim. – Prof. Rodolpho parecia um pouco incrédulo. – Não acho que o senhor acreditará.

– O que? – O diretor ergue as sobrancelhas. – Diga o que descobriu.

– Como o senhor me pediu, analisei o ferimento do Prof. Alfredo. – Engole a seco. – E encontrei saliva de Sombras Demoníacas.

– Sombras o quê? – Solto sem querer.

– O quê? – Parece que Guilherme faz o mesmo.

– Tem certeza disso, professor? – O diretor desvia o olhar para sua estante de livros.

– Parece impossível, mas tenho. – Diz Prof. Rodolpho lhe entregando um papel. – Se o senhor me permitir, gostaria de analisar um pouco mais antes do sepultamento.

– S-sim. – O diretor claramente estava com a mente longe. – Claro.

Após isso o professor se retira, deixando somente nós três na sala. Guilherme e eu trocamos olhares e logo após para o diretor.

– O que são Sombras Demoníacas? – Pergunto rapidamente.

– Isso aconteceu com minha mãe? – A face de Guilherme se torna de apavoro, parece que acabou de pensar nisso. – Me diga.

– Sim, meu garoto. – Diz o diretor com a cabeça baixa, mas logo olha para Guilherme. – Foram essas bestas desprezíveis que a mataram, porém a comando de alguém.

Guilherme nesse momento fica sem nenhuma expressão. É impossível identificar seu pensamento. Mas a tristeza e a raiva, estavam visíveis.

– Vão para seus quartos. – Diz o diretor. – Tentem dormir, pois amanhã conversaremos mais.

Guilherme tentou resistir a essa ordem, mas no final não venceu. O diretor me pede para cuidar dele e eu não penso duas vezes. Saímos da sala do diretor e damos de cara com Lydia que nos aguardava preocupada. Explico a ela o que o diretor pediu e ela compreende. Ao chegarmos no quarto, Guilherme vai logo pra cama.

– Quer conversar? – Pergunto baixo. – Sou seu amigo, conta comigo.

– Obrigado Igor. – Força um sorriso. – Eu só não acredito que isso aconteceu, foi um choque.

– Eu imagino. – Digo. – Ele era importante pra você. Me sinto horrível por ter perguntado aquilo no jantar daquela forma.

– Ele não ligou. – Riu um pouco, mas logo parou. – Ele sabia como você era.

– Tenta dormir um pouco. – Lhe dou um soco no ombro. – Vai dar tudo certo.

Eu sabia que era um momento horrível pra ele, ver seu professor, amigo de infância do seu pai morto assim e ainda descobrir o que o matou, e não só ele, como sua mãe também. Apago as luzes e deito em minha cama. Nesse momento minha família me vem à mente. Meus olhos se enchem d’água. Por que me tratam assim? Como se eu fosse um monstro com alguma doença.

Eu gostava do Prof. Alfredo, e ao mesmo tempo tinha umas birras. Graças a ele descobri quem eu era, ou melhor, o que eu era. Ele me mostrou que eu era um bruxo. E por isso minha família me acha um monstro, um doente. E então me mandaram pra cá. Sem mesmo mandar uma carta, com exceção da minha irmã caçula. Sarah, sinto muito sua falta, pequena. Antes que eu perceba meus olhos se fecham e o sono me toma.

Guilherme

Sinto uma luz bem forte no olho, e logo percebo que amanheceu. Igor havia deixado as cortinas abertas e a luz do sol vinha direto pro meu rosto. Sento na cama, esfrego os olhos e vejo o quão bagunçado o quarto está. Ao olhar para Igor vejo uma cena que não gostaria. Igor estava jogado em sua cama, de cueca. Seu travesseiro e lençol estavam jogados no chão. Ele é uma criança grande. Tomo um susto com Lydia abrindo brutalmente a porta. Igor acorda assustado.

– Não consigo mais ficar sem saber o que aconteceu! – Anuncia a menina com os olhos vermelhos, provavelmente por não dormir.

– Você é louca? Pra que acordar alguém assim? – Igor grita.

– Igor. – Lanço um olhar de alerta.

Ele olha para baixo e percebe que está apenas de cueca. Pula a procura de algo para se cobrir e agarra o travesseiro, protegendo a visão dos infernos.

– Igor, eu já tinha visto. – Ri Lydia. – Tem carrinhos na borda dela cara.

O rosto de Igor parece ferver e sou obrigado a dar risada. Peço a Lydia que se sente, e começo a contar tudo que houve, desde a biblioteca até a conversa com o diretor. Não consigo não demonstrar minha tristeza, e lágrimas nos olhos. Lydia me abraça e diz que ficará tudo bem, o que me faz sentir um pouco melhor, mas, eu não podia deixar de pensar naquela cena e muito menos no nome: “Sombras Demoníacas”.

– Vamos ver o diretor? – Igor havia posto uma roupa. – Ou, vamos tomar café?

– Estou sem fome. – Digo pegando uma roupa no armário. – Vão indo na frente, encontro vocês lá, e depois vamos ver o diretor.

Os dois concordam e saem do quarto. Vou até o banheiro escovar os dentes e trocar a roupa, quando ponho a mão em meu pescoço e engulo a seco. Meu cordão havia desaparecido. Um sentimento de desespero toma conta de mim. Eu não posso perder esse cordão. Ele é o que tenho do meu pai, é o que me conforta sem sua presença. Só então que percebo que na noite anterior eu não fiz algo que sempre faço. Apertar o cordão e falar com meu pai, claro que falar como se ele tivesse ali, mesmo não estando. Eu não fiz isso e não entendo o porquê. Sempre faço quando me sinto triste, mas, não fiz. Procuro pelo quarto e nenhum sinal. Foi então que ouço uma pontada horrível na cabeça e uma voz dizendo: “Seu amigo corre perigo. Lembre-se garoto, existem muitos segredos, e o sangue dele tem poder”.

A pontada fica cada vez mais forte, ponho a mão na cabeça e aperto. Mas só piora. Escuto a voz novamente. “Rios podem ser perigosos”. Minha visão começa a escurecer e então não vejo mais nada.

Lydia

Eu e Igor estávamos no refeitório, enquanto eu lia, Igor comia como se estivesse passando fome. No caminho pra cá, fui a biblioteca – Que não está funcionando no momento pelo acontecido. – implorei a minha amiga recepcionista e consegui pegar esse livro sobre criaturas mágicas. Obvio que estou no capítulo sobre Sombras Demoníacas, e pelo que li até agora, são sombras de demônios que tentaram sair do inferno, porém a saída não foi bem sucedida e apenas suas sombras conseguiram sair. Elas são poderosas, porém não tem o poder que os verdadeiros demônios possuem. São selvagens, porém, alguns bruxos malignos já domaram alguns para atender a seus objetivos. Gostam de carne humanas, tendo o fígado como parte favorita. São criaturas que para serem derrotadas precisam de uma forte magia de fogo ou de luz. Lendas dizem que existem feitiços proibidos para selar essas bestas. Essas sombras estavam desaparecidas a uns 8 anos.

– Descobriu algo? – Igor pergunta com a boca cheia.

– Muita coisa, seu nojento. – Reviro os olhos.

– Sério? – Engole. – Em um livro tão velho?

– Livros velhos tem conhecimentos que sua cabecinha nunca entenderia. – Provoco.

– Cala a boca. – Diz com arrogância. – Já reparou que o diretor não veio pro café, né?

– E provavelmente não virá. – Comento. – Essas Sombras Demoníacas são um problema muito sério. Sua cabeça deve estar explodindo de preocupação.

– Isso é verdade. – Limpa a boca. – Não acha que o Guilherme está demorando?

Quando abro a boca, ouço os sinos tocarem. Mas não eram os sinos normais. Engulo a seco. Eram sinos de alerta. Troco um olhar assustado com Igor, que se levanta junto com vários alunos. Até mesmo os professores presentes trocam olhares sérios e confusos.

– Fiquem calmos. – Ouço a voz de uma mulher, provavelmente uma professora que não conheço. – Nada de pânico.

– O que isso quer dizer? – Grita um aluno para a mulher.

– Ainda não sabemos. – Responde. – Vamos descobrir, mas precisamos que fiquem aqui.

Todos trocam cochichos, ansiosos. E não é pra menos. Depois de ontem, qualquer coisa pode nos assustar. Os sinos não param, ao contrário, ficam cada vez mais altos e fortes. O que provoca desinquietação em todos. Onde Guilherme está? Minha mão começa a suar. E quando penso em sair do refeitório algo me prende totalmente a atenção. Um dos inspetores mais velhos entra no refeitório apavorado.

– Estamos sendo atacados! – Grita desesperado. – São Sombras Demoníacas!

Notas finais
Obrigado por lerem. O que acharam dessas criaturas? Não percam o próximo! =)