Notas iniciais
Mais um capítulo para vocês, estou sendo bastante boazinha. Não esqueçam de comentar, comentários me ajudam a saber onde estou acertando ou errando na história, além de, me incentivar a postar mais rápido.

Ninguém disse que seria fácil, é uma pena nos separarmos, ninguém disse que seria fácil, mas também não disseram que seria tão difícil”.

Coldplay — The Scientist

Me vesti e sai do banheiro precisava pedir desculpas a Maura, confesso que estava envergonhada, mas uma hora teria que sair do banheiro então saí, ela estava sentada na cama com Lydia, me aproximei aos poucos, Lydia olhava para nós duas e se tivesse celular naquela época, ela provavelmente teria gravado um vídeo.

— Hum...Maura me desculpe por não ter fechado a porta do banheiro, mas a Lydia deveria ter te avisado que eu estava lá.

— Jane, eu estava experimentado um lindo casaco rosa, eu não vi quando a Maura entrou no quarto.

— Tudo bem Lydia_ Voltei a olhar para Maura_ Eu sei é estranho, só não use a palavra bizarro.

— Não é bizarro, é interessante_ Ela ficou nervosa e começou a gaguejar_ Para a ciência, é interessante para a ciência.

— Bom, ainda não tem muitas explicações sobre a minha condição, mas eu sou uma menina.

— Eu sei Jane.

— É que você poderia estar confusa por causa...

— A proposito eu não vi muito eu mal olhei.

Lydia colocou a mão no ombro de Maura_ Não Maura, você não viu muito porque não há muito o que ver_ Lydia riu de mim.

— Eu não vou te responder como eu quero por causa da Maura.

— Nossa, parece que temos um pequeno problema aqui_ Lydia focou na palavra pequeno e voltou a rir.

— Como está a sua mão Maura?_ Peguei sua mão entre as minhas e ela não se afastou, temia que ela recuasse, mas isso não aconteceu.

— Foram só arranhões.

— Ainda bem assim a sua mãe não nos mata_ Olhei para Lydia que vestiu um casaco e se olhava no espelho_ Vamos Lydia, a mãe da Maura deve estar voltando.

— Que droga! Eu estava adorando esse dia de rica_ Maura riu colocando a mão na frente da boca_ Podemos voltar aqui novamente?

— Claro que sim, eu só preciso falar com a minha mãe, é que eu tenho eventos para ir com ela, minhas horas de estudo, mas eu tenho certeza que encontrarei tempo.

— Sim pode olhar na sua agenda_ Lydia foi meio áspera, ela acenou para Maura e saiu do quarto, eu fiquei mais um pouco, sentei ao lado dela na cama.

— Foi por isso que bateu no Jimmy Anderson?

Balancei a cabeça concordando_ Ele me chamou de aberração, disse que eu não era ninguém, nem menina e nem menino e muitas outras coisas que sinto raiva apenas por lembrar_ Olhei para o lado, temia que começasse a chorar na frente dela, Maura segurou minha mão firme.

— Na verdade Jane você é tudo_ Ela sorriu e me deu um beijo no rosto.

— Acho que tenho que ir, nos vemos na escola?

— Claro, estarei lá.

Fechei a porta do quarto dela e desci as escadas saindo da casa logo em seguida.

Evitei Maura durante alguns dias e Lydia também fez o mesmo, mas não por maldade, eu apenas não sabia o que dizer e Lydia não queria me deixar só enquanto fazia companhia para a loira, percebi que Maura ficou triste com isso, então ela superou toda a timidez e veio falar conosco.

— É...Vocês querem...Tomar um sorvete? _ Maura disse e depois desviou os olhos, ela era bastante insegura.

—Sim!_ Lydia disse empolgada, depois olhou para mim_ Vamos Jane, por favor.

— Tudo bem Maura, mas não temos dinheiro.

— Eu pago, o David vai nos levar.

Entramos no carro e o motorista nos levou até uma sorveteria, Lydia pediu um sorvete de chocolate , eu pedi baunilha e Maura escolheu o de morango.

— Isso é muito bom, eu quero mais cobertura.

Eu e a Maura rimos da Lydia, quando terminamos de tomar os sorvetes um silêncio se estabeleceu entre nós.

— Se ninguém vai falar eu falo, Maura você viu a Jane nua e não surtou, Jane você acha a Maura legal porque ela não te achou estranha, mas eu sou mais legal ainda porque tó fazendo esse favor de falar um monte só para que vocês não precisem ficar uma olhando para a cara da outra sem ter o que dizer.

— É por isso que não estão falando comigo?_ Maura perguntou e eu concordei_ Jane, vocês são as únicas pessoas que se aproximaram de mim sem interesse, não me importa que tenha um..._ Maura olhou para os lados e disse baixinho_ Um pipi.

Lydia riu alto, riu tanto que chorou.

— De todos os apelidos para se dar a um ...Vocês sabem, esse foi o mais infantil.

— Quer parar?_ Eu disse furiosa.

— Tá bom, parei, Maura diz de novo sério, só mais uma vez.

— Que horas são?_ Maura perguntou alarmada_ Estou atrasada, tenho que ir para casa, vocês querem uma carona?

Aceitamos a carona, infelizmente Maura não pôde descer do carro e entrar nas nossas casas, mas combinamos outro passeio de bicicleta no parque, foi durante esse passeio que descobrimos a data do aniversário dela e faltavam apenas quatro meses, comecei a economizar grana para comprar algo para Maura, mas o que comprar para alguém que tem tudo?

Pensei em apresentar a ela uma coisa nova, Maura não conhecia nada da cultura pop, as músicas que ela ouvia eram músicas clássicas, os livros que ela lia era sobre ciência, às vezes ela parecia ter quarenta anos, quando na verdade ia fazer quinze. Eu não sabia qual seria o presente da Lydia, mas estava curiosa já que ela não contou nem para mim.

Maura continuava aprendendo a andar de bicicleta, até que finalmente um dia ela deu cinco voltas sozinha e sem cair, ela desceu da bicicleta e veio correndo me abraçar, um abraço apertado, caímos na grama do parque e gargalhamos, paramos de rir e nos olhamos, eu já havia olhado o rosto de Maura várias vezes, mas não tão de perto, sua pele, a cor do seu cabelo, seus olhos sua boca, estiquei a mão e retirei uma folha que ficou presa nos seus cabelos.

— Eu consegui_ Ela disse baixinho.

— Claro que conseguiu, não há nada que Maura Isles não consiga fazer.

— Eu pensei que não conseguiria me divertir.

— Veja outra coisa que você conseguiu fazer_ Ela riu.

— Se vocês não se beijarem em cinco minutos eu peço meu dinheiro de volta_ Lydia riu, soltei o ar que nem sabia que estava preso.

— Está com ciúmes Lydia?

— Só se for da Maura_ Ela brincou_ Venha Maura me dê um beijo.

Percebemos que Maura ficou sem jeito.

— Ei Maura ela está brincando.

— Eu sei, eu queria perguntar algo a vocês.

— Vamos pergunte_ Lydia incentivou.

— Vocês já beijaram alguém?

Olhei para Maura, depois para Lydia e para Maura novamente.

— Eu já, meu primeiro beijo foi com um garoto do meu bairro, foi simplesmente... Horrível_ Queria ter dito que já havia beijado também uma garota e que gostei do beijo dela, mas pensei que isso sim iria surpreendê-la, dessa vez Lydia não insinuou nada, ainda bem porque se ela contasse a Maura eu matava ela, o que uma garota de quatorze anos na época tinha medo de admitir, para mim hoje é tão natural quando respirar, minha sexualidade não dita quem eu sou, mas faz parte de mim.

— Bem, meu primeiro beijo foi com doze anos, também não foi muito bom, mas depois vieram outros, eu também já namorei um garoto mais velho, assim por umas duas semanas.

— Ela tem razão, foram duas semanas justinhas_ Eu ri com o canto dos lábios, eu e Lydia encaramos Maura, era a vez dela de falar sobre seu primeiro beijo, depois de vermos como ela ficou agitada e seu rosto ficar vermelho percebemos o motivo da pergunta.

— Sem piadas Lydia_ Eu disse, sabia que Maura estava desconfortável, levantei do chão, dei a mão a ela para levantar-se também e seguimos empurrando as bicicletas, sempre que Lydia pensava em fazer a pergunta a Maura eu a olhava feio, até que ela desistiu. Lydia se despediu de Maura e foi para sua casa que ficava no mesmo bairro que a minha, enquanto eu e a Maura seguimos para a minha casa, ela iria esperar o motorista lá.

— Vem Maura entra!

Ela me acompanhou, coloquei a bicicleta na garagem e entramos, minha mãe estava na cozinha, entrei correndo puxando Maura pelo braço.

— Mãe, mãe a Maura veio comigo, lembra da minha amiga que eu te falei?

Minha mãe lavou as mãos e secou, depois apertou a mão de Maura, não se contentou e a abraçou, Maura manteve os braços levantados, como alguém que é pega desprevenida, mas mesmo depois que passou a surpresa ela se manteve assim, naquele momento eu não entendi a sua reação.

— Você quer suco Maura?_ Minha mãe perguntou e após Maura dizer que sim, Angela colocou suco para ela.

— Vem Maura vamos conhecer meu quarto, a qualquer momento o motorista pode chegar e você vai ter que ir embora_ Subi primeiro e Maura ficou na cozinha com a minha mãe, um tempo depois minha mãe me disse que aproveitou o momento que eu subi para dizer a Maura as seguintes palavras “ Obrigada por não se afastar da Jane, a maioria faz isso quando descobre sobre ela”, não foi por esse motivo, mas anos depois Maura saiu da minha vida.

Meu quarto era cheio de cartazes, bandas de rock, atrizes famosas, retirei esses da parede e guardei em um canto, havia livros e quadrinhos, a minha cama , meu guarda roupa e minha coleção de discos, Maura olhou tudo em volta e ficou em pé parada como um poste.

— O que eu tenho que fazer para que você sente na minha cama?_ Ela sentou-se, ainda tímida_ Sua mãe vai fazer uma festa para você Maura?

— Não será uma festa, vai ter bolo e chá, será como uma reunião para as amigas dela e do papai, eu serei o prêmio a ser exibido, a diferença é que esse ano o bolo será maior e meu vestido será pesado e dificultará a minha locomoção_ Sempre cheias de palavras difíceis, ou pelo menos eu achava difícil na época.

— Eu e a Lydia estamos pensando em invadir o seu quarto, tem uma árvore próxima a Janela, pulamos a cerca do quintal e subimos pela árvore, você abre a janela e entramos, podemos fazer uma festa do pijama, você fornece a comida e nós a diversão, o que acha?

Ela riu_ Vocês farão mesmo isso?

— Claro, não podemos deixar que seu aniversário seja tão chato como está dizendo, eu e a Lydia também temos presentes para você, espero que você goste do meu e não se assuste com o da Lydia_ Ela abriu bem os olhos, pareceu um pouco assustada com a última informação_ Não leve muito a sério, ela não fará nada que possa te machucar.

Novamente ficamos reféns do silêncio, olhei dos olhos de Maura para a boca e me demorei ali, saímos do transe quando minha mãe gritou informando que David estava na sala, abracei Maura me despedindo e diferente do que aconteceu com a minha mãe, ela passou os braços envolta do meu corpo me abraçando de volta, ficamos assim longos segundos até que ela teve que ir. Me senti diferente, meu coração estava batendo rápido, pensei que estava doente, um sorriso bobo aparecia no meu rosto a qualquer momento bastava pensar na Maura, e era percebido pelos meus pais, minha mãe sabia muito bem o que era, mas eu estava longe de descobrir.

***

Fui acordada por uma ligação, atendi o telefone já sabendo do que se tratava.

— Rizzoli, estou indo para lá.

De volta ao trabalho, de volta a rotina, espero que o trabalho ocupe o meu tempo e os meus pensamentos, mas no fundo eu sei que isso não irá acontecer, ás vezes quando fecho os olhos e penso em Maura sou capaz de vê-la sorrindo, toda vez que consigo eu sorrio também, apesar de sentir uma raiva imensa por ela ter me deixado, eu a amo, sempre vou ama-la, mesmo que ela não esteja mais aqui.