The Story
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Aquele dia eu fiz as mesmas coisas que faço sempre, parecia um dia comum, eu fui chamada, deveria analisar um corpo em um galpão. Ouvi falar sobre a nova detetive que viria de Boston, Boston... Tanto tempo que eu não volto á essa cidade. Continuei fazendo meu trabalho, Martinez e Gregory conversavam sobre as mulheres que ficaram no final de semana, aquele assunto me dava raiva, a maioria dos policiais e detetives homens tratam as mulheres como fonte de diversão, eu tive vontade de dizer algumas coisas aquele dois homens das cavernas, mas tinha um trabalho para fazer, estava tão concentrada que não vi quando Casey entrou e ao me virar para conhecer a nova detetive meu coração bateu mais forte, minhas mãos estavam suando, poderia ser um ataque cardíaco, mas era só medo, Jane estava ali, a nova detetive era a Jane Rizzoli.
Quando cheguei ao necrotério lutei para voltar ao normal, ainda tinha uma autopsia para fazer, mas não conseguia parar de pensar como seria ter Jane por duas semanas aqui, não nos falamos há uns quinze anos...
***
O termino com a Jane foi mais doloroso do que eu pensei, parecia que alguém havia aberto o meu peito e colocado um bisturi no meu coração, mas não bastasse isso ele ainda movimentada o instrumento inserindo mais fundo. Abri a porta de casa e vi minha mãe na sala.
— Maura?_ Ela perguntou.
Eu não consegui responder, já havia chorado muito e cada vez mais lágrimas apareciam, parece que eu era feita de choro, entrei no meu quarto e me joguei na cama, olhei para o lado e vi minhas malas prontas, covarde, idiota, garota mimada pela mãe, isso que eu era, a carinha que a Jane fez, ela estava confusa, eu machuquei ela e me odiava por isso, o pior de tudo é que Jane não seria minha amiga, como eu poderia explicar tudo?
Liguei para Lydia disse o que tinha acontecido no parque, falei que a Jane precisava dela, disse que não podia explicar tudo, mas que não a fiz sofrer porque quis, passei para Lydia meu novo endereço para que ela me escrevesse, ela se despediu de mim e eu desabei novamente em um choro compulsivo, minha mãe bateu na porta, mas eu não queria ver ninguém especialmente ela.
O primeiro ano em Paris foi uma tortura, a cidade era linda, perfeita para um casal apaixonado, mas isso só me doía mais, porque a pessoa que eu queria comigo vendo essa vista não estava aqui, ela estava em Boston me odiando. Eu podia ver a torre Eiffel da minha janela, á noite ela ficava linda iluminada, eu me debruçava na janela imaginando como Jane iria ficar impressionada com a vista, o sorriso dela, seu modo empolgado de falar... Paris tinha museus importantes, bibliotecas, vários lugares para sair e me divertir, mas nada me fazia esquecer a Jane, pelo contrário como disse eu me imaginava com ela a cada lugar que ia.
Esperei uma carta que nunca veio, toda vez que entrava em casa encarava o telefone por alguns minutos torcendo que ele tocasse, se tocava por coincidência eu atendia perguntando “Jane?”, mas ouvia uma voz qualquer em francês, respondia educadamente e chamava a minha mãe.
Consegui entrar para uma boa universidade, mas nem isso me deixou animada, não comia com a minha mãe e se não precisasse sair para algo da faculdade eu ficava no meu quarto, fiz alguns colegas, mas nenhum amigo como a Jane e a Lydia, não amigos que eu pudesse contar tudo.
No ano seguinte eu tomei uma decisão, nada de sofrer, nada de pensar em Jane Rizzoli, tudo bem que fui eu que terminei, mas ela podia ter se correspondido comigo para saber o porque eu fui embora, será que o nosso amor foi uma besteira de adolescente como a minha mãe disse? Não, eu não podia confiar nas palavras da Constance.
Quando terminei a faculdade de medicina e me decidi pela minha carreira como legista Constance desaprovou, achava que eu iria escolher algo com prestígio como cardiologia ou neurocirurgia, não me importei com a opinião dela, outra decisão minha foi voltar para os estados unidos, ela fez o mesmo, mas eu decidi ter a minha própria casa, há uns dois anos o meu pai havia morrido e me deixou todo o seu dinheiro, minha mãe vivia de uma pensão que eu depositava todo mês, ela achou isso uma humilhação, mas teve que aceitar.
Conhecei o Jack depois de estabelecida em Nova York, fui dar uma palestra e ele era o professor responsável pela turma, começamos a conversar e eu achei ele um cara legal, acabamos saindo e estamos juntos desde então, fazem três anos, acho que ele quer que a gente more junto, mas eu não me sinto confortável, além disso, Cailin mora comigo, ela é a minha irmã, meia irmã filha do meu pai com uma mulherzinha chamada Hope Martin com a qual meu pai teve um caso, meu pai deixou alguns bens para Cailin, mas seu dinheiro veio para mim, eu me senti culpada por ele não pensar muito em Cailin e lhe dei uma certa quantia, Cailin não aceitou, mas disse que gostaria de morar comigo, queria me conhecer, como ela já era maior de idade fez as malas e se mudou.
Quando estava pesando os órgão do cadáver Jane entrou com Casey, ele perguntou sobre os avanços na autopsia, sempre apressado, sempre cobrando resultados antes do tempo, informei o que sabia e esperei os dois se retirarem, não foi o que aconteceu, Casey praticamente obrigou Jane a ficar, discutimos e quando eu percebi que estávamos chamando atenção, me calei. Continuei a autopsia e evitava olha-la, mas ao virar para pegar um instrumento percebi Jane coma cabeça inclinada olhando para um ponto fixo, era para o pé do cadáver, ela desceu da mesa e chegou mais perto, ia levantar o pé, mas eu lhe dei uma luva, ela usou a luva e depois fez o que ia fazer.
— O que é?_ Perguntei.
— Parece uma tatuagem.
— No pé!?_ Perguntei surpresa.
— Talvez ele não quisesse que vissem o que está escrito_ Jane ergueu uma sobrancelha e disse frustrada_ Eu não consigo ler, está em outro idioma.
— Deixe-me ver _Disse e ela foi pro lado_ É francês, significa irmandade, não lembro de nenhuma gangue chamada irmandade.
— Acho que você saber francês vai ajudar no caso_ Ela disse e percebi seu tom de voz ao lembrar que eu fui para a França, não respondi nada, Jane andou até a porta.
— Onde você vai?
— Preciso ligar para a minha família, se eu passar um dia sem falar com Angela ela surta.
Sorri ao lembrar da dona Angela, mas o sorriso ficou oculto pela máscara que eu usava e agradeci por isso, não podia ter bons momentos com a Jane, não podia porque eu odeio ela, porque ela não quis saber de mim todo esse tempo, porque ela está mais linda do que eu me lembro e se eu me deixar levar...
Terminei meu trabalho, entreguei os resultados e após fazer uma prévia do meu relatório vi uma mensagem no meu celular, Jack viria me buscar, sorri com o seu gesto romântico, peguei minha bolsa e entrei no elevador, quando o mesmo abriu e eu sai do departamento vi Jane conversando com Casey, ele parecia interessado nela, pobre homem.
Jack chegou um tempo depois, ele me beijou, trocamos carícias e entramos no carro, eu o amo, ele é o homem perfeito para mim e nenhuma mulher do passado vai mudar isso, só era questão de sobreviver por duas semanas.
Eu e o Jack namoramos um pouquinho no carro e então eu me despedi e entrei, Cailin havia pedido uma pizza e estava esperando chegar, olhei para ela largada no sofá da sala, pernas para o alto e a repreendi com o olhar.
— Como foi o trabalho?_ Ela disse.
— Normal_ Disse, não poderia dizer para ela que a mulher que eu amava, a Jane a qual eu já havia contado a Cailin estava trabalhando no mesmo lugar que eu. Cailin me olhou mais alguns segundos e sorriu, virando-se novamente para TV.
Tomei um banho, troquei de roupa e quando desci ela estava me esperando para comer, eu estava amando ter uma companhia, chegar em casa e não encontrar ninguém é solitário, Cailin colocou os braços em volta do meu pescoço e beijou meu rosto.
— Eu tenho uma coisa pra te contar_ Ela disse travessa_ Estou saindo com alguém.
— Quem é o namorado do mês?
— Maura para! Eu tenho o direito de me divertir, além disso, não é um cara_ Abri a boca surpresa, eu não sabia que Cailin era bissexual_ Uma mulher?
— Sim, estou experimentando.
— Cailin cuidado para não se machucar e machucar essa garota.
— Eu vou lembrar disso, agora eu só quero comer essa pizza.
No dia seguinte antes do trabalho fui ao estande de tiro, quando eu sabia que o dia seria difícil dava uma passadinha por lá só pra descarregar a raiva, o estande ficava no terceiro andar, quando terminei, guardei minha arma no armário, arrumei meu cabelo e fui para o elevador, esperei alguns minutos e quando ele se abriu eu vi Jane parada olhando para mim, ela esperava que eu entrasse, eu poderia ter entrado, mas seria obrigada a conversar com ela, além disso, elevadores e pessoas que não podem ficar juntas não dão certo, contudo eu parada lá perdida em pensamentos enquanto encarava seus olhos pretos e seus lábios também não estava funcionando... O elevador fechou e eu soquei a parede, sacudi a mão e temi ter quebrado, mas havia só machucado, passei pelos detetives com um saco de gelo na mão, não queria chamar atenção, mas Casey gritou meu nome.
— Algo sério Isles?_ Jane virou para me olhar, foquei minha atenção em Casey_ Não, nada sério apenas um machucado_ Eu não estava olhando para ela, mas sentia seus olhos queimando a minha pele. Eu a odeio, foque na raiva Maura, foque no tempo que você perdeu pensando nela, pense em quantos relacionamentos foram estragados porque você comparava todos com ela, é... Esse amor nunca foi bom para mim, eu fiz o que tinha que fazer, deixei-o ir.
“Sim, esse amor não é bom o suficiente, é hora de deixá-lo ir embora, nossos fartos corações se separaram senti isso em meus ossos. E Deus sabe que é difícil encontrar aquela pessoa, mas na hora certa todas as flores se viram para encarar o sol”.
Fale com o autor