The Story
7 Capítulo 7
Notas iniciais
“ Estou tão cansada de dividir minhas noites, eu quero chorar e eu quero amar, mas todas as minhas lágrimas tem sido desperdiçadas em um outro amor”.
Mais uma vítima do nosso cara foi encontrada, mas dessa vez ele cometeu um erro, deixou uma digital no local do crime, o que foi uma surpresa para mim, ele parecia bastante meticuloso, Frankie, Korsak e eu acabamos concluindo que a digital não era dele e sim possivelmente de um parceiro, já estávamos trabalhando com essa hipótese, bastava encontrar o parceiro e fazê-lo entregar o assassino, o que nem sempre era fácil, mas era mais do que eu tinha na semana passada.
O substituto do George ainda não havia sido escolhido, isso também dificultava meu trabalho, porque George era difícil de lidar, eu conseguia mais coisas através da Susie, porque eu não podia falar muito tempo com ele sem que tivesse vontade de mata-lo, então mandava Frankie ou Korsak pegar um resultado ou confirmar uma teoria.
A digital estava no banco de dados , Korsak e Frankie foram com alguns policiais efetuar a prisão do homem, tudo ocorreu bem, eu fiquei responsável por interroga-lo, Korsak e Frankie iriam assistir através do espelho, demorei algum tempo, essa era uma das nossas estratégias, deixar o suspeito algum tempo naquele ambiente intimidante, dificilmente essa estratégia funciona com assassinos frios, mas não custava nada tentar.
Entrei com um refrigerante na mão e o servi, ele tomou um grande gole, ótimo havíamos conseguido uma amostra de DNA, que serviria como mais uma prova contra ele.
— Senhor White, eu gostaria de lhe fazer algumas perguntas.
— Isso é permitido? Pensei que só pudesse falar com você após a chegada do meu advogado.
— O senhor precisa de um?_ Ele se mostrou confuso, era um homem com no mínimo vinte e dois anos, eu deveria ter cuidado ao intimida-lo, pois poderia assusta-lo e fazer com que ele pedisse um advogado.
— Não, claro que não_ Ele disse nervoso.
— Onde estava na noite de sexta-feira por voltas das duas da manhã?
— Dormindo na casa de um amigo, Walter ele pode confirmar.
— Tudo bem, eu quero o endereço e o número do seu amigo. Senhor Withe .
— Tom, eu prefiro que me chame de Tom, é Tom Withe Jr_ Ele riu.
Nesse momento eu fiquei surpresa, esse era o filho do Tom, o mesmo Tom que tentou agarrar a Maura, o que esse garoto sabia sobre o assassino?
— Ok, Tom. Encontramos suas digitais no corpo de uma mulher de vinte e cinco anos no local do crime, o corpo dela foi movido para um beco, o mais interessante é...Se você estava com o seu amigo Walter como suas digitais foram parar no corpo da vítima?
Com a pressão certa ele falou, disse que seguiu o pai e viu quando ele matou a mulher, então o pai o fez mover o corpo, ele não sabia sobre as outras vítimas e nem tinha participado das outras vezes. Dessa vez conseguimos um mandato para revistar a casa e encontramos pertences das vítimas na garagem do Tom, eu mesma fiz questão de interroga-lo, claro que desliguei as câmeras da sala e bati a cabeça dele na bancada, o que me rendeu um problema com Cavanaugh, mas no fundo eu sabia que tinha feito o que todos ali queriam.
Cavanaugh me obrigou a fazer um tour com crianças que vinham de duas em duas semanas conhecer o departamento de polícia, eu tinha que apresentar a eles todo o lugar, menos o necrotério, dessa vez ele conseguiu encontrar uma punição desagradável. Outra coisa desagradável foi sair nos jornais e em uma revista, todos queriam saber sobre a detetive que esteve a frente das investigações do assassino do beco, como Tom ficou conhecido. Cavanaugh me orientou a responder as perguntas ou eles escreveriam o que quisessem.
Lydia me pediu para autografar a revista dela, só para mostrar a família que conhecia uma detetive famosa, Frankie e Korsak agradeceram por falar deles, mas é claro que eu falei, afinal pegar o Tom foi um trabalho de equipe, eu citei até a Susie, menos o George e ele ficou “ultrajado” segundo ele mesmo me disse.
Uma semana depois o departamento estava bastante calmo, havia uma guirlanda na porta do chefe, faltavam duas semanas para o natal, logo que eu cheguei ele mandou me chamar, olhei para aquela guirlanda durante alguns segundos, então entrei e sentei na poltrona macia.
— Jane Rizzoli_ Sorri sem mostrar os dentes, um sorrisinho irônico que o fez fechar a cara_ Jane, o que acha de Nova York?
— É uma cidade linda, ao menos nos filmes e nos cartões postais, eu nunca estive em Nova York, não tenho muito o que falar.
— Ótimo , agora você pode conhecer a cidade, o departamento de polícia de lá está investigando um caso bastante parecido com um antigo que nós pegamos, quero que você veja se é apenas semelhante ou se trata do mesmo M.O. Eu sei que falta pouco para o natal e também sei que deveria te dar uma folga depois do Tom Withe , mas você é a pessoa perfeita para averiguar esse caso, precisamos de alguém firme, ou os detetives de lá farão pouco caso de nós e não nos darão muitas informações.
— E se eu quebrar a cara de alguém?
— Eu confio em você, mas caso isso aconteça eu mudo o tour com as crianças de três meses para seis meses_ Ele sorriu.
— Tudo bem, mas me diga que eu ficarei em um hotel mais ou menos.
— Na verdade, ficará em um bom hotel, com um bar e piscina, tudo para nossa detetive estrela, conseguimos uma verba após sua aparição naquela revista, então você merece.
— Quando devo ir?
— Tem três dias para arrumar as suas malas_ Ele sorriu e eu sorri de volta, talvez Nova York me fizesse bem.
***
O natal foi incrível, tivemos neve, eu e a Lydia não reprovamos e a Maura claro, passou de ano com honra e mérito, inclusive ficou de férias duas semanas mais cedo do que eu e a Lydia.
Decidimos jantar com a nossa família e depois ir para a casa da Maura, Lydia acabou jantando com a minha família, a mãe dela bebeu bastante e dormiu cedo, como quase sempre acontecia, meus irmãos ficaram nos chateando durante todo o jantar, tudo porque Frankie ganhou um Atari e Tommy ganhou um boneco de ação.
Quando terminamos de jantar e eu disse aos meus pais que iríamos para casa da Maura, Lydia comentou.
— Esse seu irmão Tommy...Sua mãe derrubou ele no chão quando bebê?_ Acontece que minha mãe realmente o derrubou no chão e Lydia anos depois casaria com ele, é claro que sempre que posso eu lembro a ela de alguns comentários que ela fazia sobre o Tommy.
Ah, eu ganhei um diário, eu não costumava escrever nesse diário, mas deixava Maura e Lydia escreverem coisas para mim, acho que eu ainda o tenho, em algum lugar no meu apartamento.
Tocamos a campainha e entramos, os Isles já haviam jantado e estavam em volta da lareira, o pai da Maura lendo, a mãe falando sobre cinema e Maura sentada no sofá com cara de tédio, quando o mordomo abriu a porta e ela ouviu passos, correu ao nosso encontro e nos abraçou, Constance não ficou nem um pouco feliz com “Os modos rudes da filha”, Lydia e eu colocamos os presentes que trouxemos para Maura em baixo da árvore, o mordomo levou os nosso casacos e nos serviu chocolate quente. Constance achou estranho quando eu sentei no tapete do chão, acho que ela nunca sentou no chão, mas eu queria ficar próxima ao fogo e esquentar as minhas mãos, Lydia e Maura se juntaram a mim.
— Alguém sabe canções de natal?_ Lydia perguntou.
— Não, quer cantar música de natal? Ah...Agora chegou a minha vez de repetir sua famosa frase “ Isso é tão coisa de criança”_ Eu ri de Lydia que quis me bater com alguma coisa e não achou, mas é claro que a Maura pegou uma almofada e deu para ela.
— Então vamos tentar adivinhar o que são os presentes_ Maura sugeriu.
— Eu começo_ Lydia disse_ Tente descobrir Isles qual é o meu presente para você_ Lydia arqueou uma sobrancelha e seu rosto mostrava uma expressão desafiadora.
— É algo que eu possa ler?
— Não, eu não vou te dar outra revista de...
— Lydia!_ Eu e a Maura dissemos ao mesmo tempo, enquanto Lydia ria, claro que ela não ia dizer o resto da frase.
— Tem música?
— Sim, mas não é um LP.
— Eu falei pra você que gostava desse presente?
— Sim, você gostou da atriz e..._ Lydia tapou a boca_ Porcaria, eu disse tudo.
— É um filme, Dirty Dancing*.
— É..._ Lydia disse chateada por ter dado uma enorme dica.
Eu e Maura trocamos um high five.
— Agora Maura, tente descobrir o meu presente.
— É algo que eu possa ler?
— Sim, uma parte dele.
— Como assim uma parte? São dois?
— É que eu não podia te deixar ver o presente, então pedi para o Cesar guarda-lo e coloquei apenas uma parte embaixo da árvore.
— Eu já falei pra você sobre o presente, disse se gostava?
— Sim.
— Tem haver com música?
— Não.
— Qual a cor?
— Branca.
— Branca? Tudo bem, pode dizer o que é, eu não vou adivinhar.
— O presente em baixo da árvore é um cartão, o que o Cesar levou para dentro é uma orquídea. Um dia você estava falando sobre plantas e disse que a orquídea branca é a sua flor favorita, eu achei estranho não serem rosas como muitas mulheres, mas você não é como a maioria das mulheres.
Maura sorriu e pude ver seus olhos brilharem.
— Jane, orquídeas são caras, onde conseguiu uma?
— Eu ajudei a dona da floricultura em troca da flor.
— Está vendo Constance, isso que são amigas_ O pai de Maura comentou e Constance apenas disse “Hunrum”.
Maura me abraçou e me deu um beijo no rosto.
— Ei, eu te dou um filme e você rir da minha cara, Jane te dar uma flor e você beija ela_ Maura abraçou Lydia também e eu fiquei provocando ela.
— Bem o meu presente para vocês será surpresa, por isso nem tentem adivinhar, não darei dicas.
Esperamos até meia noite e trocamos presentes, Maura ganhou dos pais vários livros e filmes, ela adorou o meu cartão e achou linda a orquídea, deu para Lydia um estojo de maquiagem o qual a loira amou e me deu dois presentes, um livro do Sherlock Holmes o qual eu gostei bastante, quando nos conhecemos eu disse a Maura que adorava as histórias dele, o segundo presente ela me deu enquanto Lydia estava no banheiro, eu estava olhando o céu através da Janela do quarto de Maura, ela juntou-se a mim, um vento frio entrou pela janela e eu esfreguei minhas mãos nos braços, fechei a janela e então percebi ela ali.
— Tenho outro presente para você_ Vi um cachecol azul, baixei a cabeça e ela colocou em volta do meu pescoço, depois segurou as duas pontas e foi enrolando na mão fazendo com que eu me aproximasse dela_ Esse cachecol é para te dar sorte e essa sorte aumentará se você usa-lo no natal_ Sorri para ela.
— Ele é lindo, eu sempre vou usa-lo, quando estiver frio, claro_ Ficamos algum tempo nos olhando, percebi que Maura queria me dizer mais alguma coisa.
— Jane..._ Ela olhou para um ponto qualquer_ Qual seu tipo de garota?
— Eu não sei, qualquer garota que seja interessante.
— E... Você está com alguém?
— Não, mas eu estou gostando de alguém, o problema é que eu não sei se ela gosta de mim, ela é hétero e isso torna tudo mais difícil.
— Se ela não perceber o quão especial você é, será uma pena, uma pena para ela, porque vai deixar de conhecer uma pessoa incrível.
Eu estava muito perto da Maura e quando ela virou para me olhar nos olhos, acabamos encostando nossos lábios em um selinho.
— Quer dizer que eu vou no banheiro durante cinco minutos e vocês já estão se beijando!_ Lydia disse com uma cara de deboche.
***
Esse natal eu provavelmente passaria em Nova York, depende do quanto vai demorar para analisar o caso, além disso, Lydia e a minha mãe me obrigaram a comprar roupas para viagem, como se eu estivesse indo passear, compraram casacos, toucas, suéteres...
Convidei Lydia para o meu apartamento, ela iria me ajudar a fazer a minha mala, abrimos algumas cervejas e ela me ajudou a decidir o que levar, sem ela ver coloquei a manta lilás da Maura, depois coloquei algumas roupas que fui obrigada a comprar.
— Não, você não vai levar isso_ Lydia me mostrou uma blusa.
— Porque não?_ Perguntei e ela me olhou com uma cara de “Sério? Preciso responder?”_ Tudo bem, eu definitivamente não colocarei essa blusa na mala.
— Vai levar o suéter da família?_ Ou seja, o suéter que minha mãe comprou para toda a família, todos tem que ir com o seu, ele é vermelho e branco tem flocos de neve e renas_ Se você não conseguir voltar precisa tirar uma foto e tem que vestir isso, ou então Angela vai surtar.
— Coloca isso ai antes que eu me arrependa_ Levantei da cama_ Vou pegar mais cerveja, Lydia não apronte comigo, não mexa na minhas coisas até eu voltar.
Quando voltei ela estava sentada na cama, com uma cara de criança após quebrar o vaso que era da avó. Mexi na mala e não encontrei nada suspeito.
— Nem acredito que você irá para Nova York.
— Eu também não, ainda mais para passear e tirar fotos_ Disse irônica, recebi em troca um tapa no braço.
— Não reclame, e me ligue quando chegar ao hotel.
— Lydia eu só vou amanhã.
— É, mas eu já estou sentindo falta_ Passei meus braços em volta do seu corpo e a abracei.
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