Notas iniciais
Mais um para vocês, estou amando os comentários, leio sorrindo, continuem me dizendo o que estão achando.

“ Qualquer um que deseje que um sonho se realize sabe como estou me sentindo. Tudo o que consigo pensar é em você e eu fazendo as coisas que desejo fazer”.

Roxette — Anyone

Um dos momentos mais tensos da minha vida foi conhecer Constance Isles, eu ouvi falar sobre ela, Maura contava uma coisa ou outra, nunca algo agradável, eu e a Lydia sabíamos que seriamos pegas, não dava para pular o quintal de uma casa constantemente e não ser pega pelos donos, quase sempre dormíamos na casa da Maura fosse para fazer atividades e trabalhos da escola ou porque a gente gostava de dormir na casa dela, Maura também adorava esses momentos, ela era solitária e de repente se vê com duas amigas, para ela éramos as pessoas mais importantes em sua vida, depois do pai dela, até ele magoar a Maura.

Eu e a Lydia pulamos o quintal e estávamos prestes a subir a árvores quando ouvimos alguém pigarrear, olhei para lado e vi a silhueta de uma mulher com ambas as mãos na cintura, ela batia o pé na grama, estava muito brava, toquei o ombro de Lydia e ela olhou para a mulher, Constance foi se aproximando de nós e podemos vê-la sob a luz que havia ali.

— Posso saber o que fazem aqui?_ Ela disse claramente irritada.

Pensei em correr antes que ela chamasse a polícia, mas talvez se eu dissesse quem eu era ela entendesse.

— Somos...Amigas da Maura, nos conhecemos na escola.

— Então porque não entram pela porta da frente? Porque pular a cerca e subir a árvore? A Maura não me falou sobre vocês.

Eu ia falar novamente, mas Lydia se antecipou, eu sabia que ela falaria algo estúpido, era a cara dela.

— É porque ela não quer que saiba sobre nós, você não é muito popular sabia?

Constance riu_ Hora vejam só, você invade a minha casa e ainda é atrevida.

Eu senti que a qualquer momento iria urinar na calça, olhei para cima e vi Maura olhando através da janela, alguns minutos depois ela estava lá em baixo nos defendendo.

— Mamãe, essa é a Jane e essa é a Lydia, elas são minhas amigas.

Constance desviou seu olhar de nós e fitou Maura.

— Então porque não me falou sobre elas? Faz alguns dias que venho observado movimentos estranhos a noite, eu poderia ter chamado a polícia.

Maura baixou a cabeça.

— Entrem, quietas e não façam barulho, eu gosto do silêncio, e de agora em diante entrem pela porta da frente e não como duas marginais_ Constance olhou novamente para Maura_ Que seja a última vez que você me esconde algo Maura Isles.

Ela deu as costas e andou até a porta da frente só então eu pude respirar, Lydia estava com um cara de “nem me importo” e Maura estava mais branca do que papel, olhei para elas e só pude dizer_ Eu preciso ir no banheiro urgente_ Achei que elas iriam rir, mas em vez disso as duas disseram “Eu também”.

***

Acordei cedo e decidi fazer alguns exercícios abdominais, tenho que cuidar desse corpo, para o meu trabalho e para me manter atraente, tomei um analgésico e decidi tomar o café da manhã em uma padaria, consegui o número da garçonete, ela tem um lindo sorriso e seios enormes, me obriguei a pensar em outra coisa quando senti meu corpo quente e alguém animado, faltavam poucas semanas para o natal, como sempre eu ficaria com a minha família e no Ano-Novo acharia alguém para tomar champanhe comigo e transar, era tradição começar o ano com alguém na minha cama, mas antes eu preciso fechar um caso que está me dando bastante trabalho. Cheguei ao departamento, falei com o Frankie e o Korsak, pedi para ser avisada de qualquer novidade e segui para o necrotério, lá estava a Susie cobrindo o George que ainda não havia chegado, ela ainda não havia vestido o jaleco, estava com um vestido florido alegre, nem parecia uma legista e sim essas mães de comercial de sabão em pó, entrei e sorri para ela.

— Susie, você está muito bonita, algum evento especial?

— Rizzoli você sabe que seus elogios são os melhores que recebo, mas a minha resposta ainda é não.

— Acho que tenho que lidar com um não, o primeiro não que recebo em anos_ Ambas rimos_ Alguma pista?

Ela balançou a cabeça_ Nada ainda Jane, isso está mais difícil de resolver do que a minha vida amorosa.

Suspirei_ Acho que vamos passar o natal nesse departamento. Onde está o George?

— Imagino que na casa dele, avisou que só viria à tarde.

— Não vejo a hora de esse substituto começar a trabalhar, George está abusando da minha boa vontade.

— Enquanto isso eu irei esterilizar todos os instrumentos cirúrgicos e você pode ficar aqui comigo, olhar todas aquela papelada não irá ajudar, Jane... _ Eu sabia o que Susie queria me falar, lidar com um caso envolvendo um serial killer me faziam lembrar de Charles Hoyt, minhas cicatrizes começaram a coçar, ótimo é tudo o que eu preciso agora.

— Eu estou bem Susie, obrigada por se preocupar, o que eu quero mesmo saber, é onde você estava, porque esse vestido e esse sorriso não me engana.

— Hoje eu irei conhecer a família do meu namorado, eles são um pouco tradicionais, então escolhi algo mais alegre, espero que eles não se alarmem quando eu disser que trabalho em um necrotério.

— Claro que não, basta você não falar muito sobre o trabalho, ninguém quer falar sobre sangue e intestinos enquanto estão comendo. Susie, isso quer dizer que ele está interessado em um compromisso sério.

— Eu sei, por isso estou nervosa_ Olhei bem pra ela e percebi seu rosto corado.

— Respira Susie, respira.

— Jane...

—Hum.

— Você já conheceu os pais de alguma namorada sua?

— Uma vez, o meu primeiro e único relacionamento sério.

— E o que aconteceu, vocês terminaram.

— Eu não gosto muito de falar sobre isso Susie, mas talvez um dia eu te conte_ George entrou pela porta e nos encarou, ele olhou para o vestido de Susie e balançou a cabeça negativamente, mas não comentou nada_ Susie, o ambiente acabou de ficar desagradável, qualquer novidade me avise_ Sai de lá e sentei em minha cadeira, resolvi ler novamente os relatório do caso, podia ser que eu tivesse deixado passar algo.

No intervalo do almoço minha mãe me chamou para almoçar com ela, queria falar sobre o natal e sobre uma filha de uma amiga dela.

— Jane, Elizabeth é uma ótima pessoa, educada, fina, ela estava estudando na Inglaterra, irei convidar a mãe dela para o jantar no natal e ela virá também, tenho certeza que vocês irão se dar bem.

— Mãe, eu já disse que não preciso que você fique tentando me arranjar uma namorada, eu não quero um relacionamento sério, acabei de terminar com a Ellen e vi que foi um engano tentar novamente, é melhor assim.

— Assim sozinha?

— Eu nunca estou sozinha, por exemplo hoje irei sair com alguém.

— Quem? Se é que eu posso saber.

— Não, não pode, porque nem eu sei, irei para um barzinho, e lá eu vou conhecer a pessoa, basta olhar para o lado e encontrar uma mulher bonita.

— Jane você não cansa disso? Sempre estar com alguém diferente todas as noites?

— Não, eu não canso, como você disse sempre é uma pessoa diferente, não dá tempo cansar dela.

— Tudo bem, não irei insistir, mas quero que conheça a Elizabeth.

Balancei a cabeça concordando, Angela Rizzoli sempre está certa.

Voltei para o departamento e fiquei esperando o resultado da autopsia, queria saber se uma amostra de DNA, ou algo diferente foi achado no corpo, apesar de saber que era quase impossível, o assassino não deixava pistas.

Comecei a pensar sobre o que Susie me perguntou, se eu já havia conhecido os pais de alguma namorada. Lembrei novamente da noite que conheci Constance e também conheci o pai de Maura. Entramos na casa da loira caladas, evitando fazer qualquer tipo de barulho, tiramos até os calçados, estávamos subindo os degraus da escada, quando o Dr. Isles baixou o jornal e olhou para nós três.

— Ei, aonde vão tão caladas?

— Estamos subindo para o meu quarto pai, a mamãe disse para não fazer barulho.

— Besteira, Constance está amarga hoje, aliás, sempre_ Ele riu, eu e a Lydia também_ Venham aqui, quero conhecer essas duas jovens.

Nos aproximamos lentamente, coloquei minhas mãos nos bolsos e fechei a minha cara, não por irritação, mas porque eu não sabia muito sobre ele, o pai da Maura vivia viajando, eu sempre odiei não saber nada sobre alguém, era um terreno totalmente novo, nunca dá pra saber quando você pisar se o seu pé vai ficar firme ou afundar.

— Como se chamam?

— Jane Rizzoli, é um prazer conhece-lo senhor.

— Igualmente senhorita Rizzoli.

— Eu sou a Lydia Sparks.

— Muito bom conhece-la senhorita. Vocês são colegas da escola da Maura?

— Sim_ Eu respondi_ Nos conhecemos na escola, mas somos amigas.

— Veja Maura, eu disse que faria amigos_ Olhei para Maura e a vi sorrindo, e que sorriso! O sorriso dela sempre foi lindo_ Mas porque estão aqui?

— Pai, elas vieram dormir aqui, já fizeram isso algumas vezes, mas foi sem a mamãe saber.

— Não estou falando nesse sentido Maura, vocês são jovens, não deveriam estar em uma lanchonete, ou na praça, sei lá.

— Mas e a...

— Eu me entendo com a sua mãe, leve uma mochila, assim pode dormir na casa de uma das suas amigas_ Maura o abraçou e subimos correndo, ela fez uma mochila com uma muda de roupa, deixou na minha casa e fomos para a praça.

Tomamos sorvete, deitamos na grama e olhamos as estrelas, cantamos músicas, principalmente as da Cyndi Lauper que a Maura já havia aprendido as letras, depois apareceu um cara alto, com o cabelo grande, ele sentou com a gente em um banco, Maura estava me explicando porque o céu era azul, enquanto Lydia beijava o cara, ela estava sentada no colo dele, com os braços envolta do pescoço do cara, acho que se alguém incendiasse a grama em baixo dos nosso pés Lydia nem notaria.

— E é por isso que o céu tem essa coloração_ Maura terminou e sorriu para mim.

— Podemos ir para outro banco?_ Maura não entendeu o porque da minha pergunta, até virar e ver Lydia se pegando com o cabeludo.

— Vamos, melhor deixar eles sozinhos.

Eu e a Maura decidimos andar um pouco, Lydia parecia que iria demorar e a gente não queria atrapalhar, um menino da escola nos acompanhou, eu olhei para ele e ele recuou, mas não se afastou, estava interessado na Maura.

— Oi, Maura não é?

— Sim_ Ela respondeu, com um sorriso sem mostrar os dentes.

— Meu nome é Brian_ A Maura não perguntou, só pra deixar claro_ Estudamos na mesma escola, mas eu sou de outra turma, que pena gostaria de estudar com você_ Permaneci calada esperando Maura responder o tal Brian, isso lá é nome de gente.

— Não sei se realmente gostaria, pergunte a Jane, eu sou uma nerd, sempre estou com a cara nos livros_ Balancei a cabeça e continuei olhando para frente.

— Tá admito, eu gostaria mesmo de sentar ao seu lado, mas não iria conseguir me concentrar na aula, principalmente quando você olhasse para mim, você é muito linda Maura.

Eu já estava um pouco longe dos dois, nem pensar que ficaria ali para ver o casal se beijar, continuei andando e nem olhei para trás, gostaria de achar alguém bebendo só para pegar a garrafa e tomar um pouco também, alguns minutos depois senti uma mão se encaixando na minha, os dedos entrelaçando-se aos meus, olhei para o lado e vi Maura.

— Ei_ Eu disse.

— Ei_ Ela respondeu.

— Você não estava com o Brian?

— Não poderia deixar você sozinha, nos beijamos e foi legal, mas... Ele não é interessante.

— Não é a pessoa mais inteligente, mas os burrinhos sabem beijar muito bem, você poderia ter ficado com ele.

— Não consigo só beijar, tenho que conversar com a pessoa, sobre o que iriamos falar? Sobre como ele tem braços fortes? Ou o fato do cabelo dele ser mais arrumado do que o meu?

— Você também percebeu?

— Ele mexia no cabelo a cada cinco segundos Jane_ Acabamos rindo.

Passamos por uma menina com uma mechas azuis no cabelo, ela ia com a sua namorada, ainda assim sorriu para mim e piscou o olho.

— Você conhece?_ Maura perguntou, achei que era hora dela saber, Maura não me julgaria por isso, como também não me julgou quando descobriu sobre o meu pênis.

— Já ficamos, Lydia foi convidada para uma festa e me levou, ela sumiu e me deixou só, então a Jessica me deu um banho de cerveja, depois me ajudou a limpar a minha roupa e... O resto você pode imaginar.

— Então você gosta de meninas e meninos.

— Não, só garotas mesmo, eu só beijei um cara e foi a pior coisa do mundo_ Fiz uma cara de nojo e Maura riu.

— Hum..._ Ela disse, mas o que significa “hum”, odeio isso, você nunca sabe o que pode ser_ Por isso seu beijo foi bom, não foi igual ao da Lydia, porque você já havia beijado outras garotas_ Eu podia ter desmaiado ali, minhas mãos começaram a suar e o meu coração, parecia que eu havia corrido uma maratona, continuamos andando caladas. Lydia chegou por trás rindo e abraçou nós duas.

— Querem ficar mais um pouco aqui, ou já vão pra casa da Jane?

— Espera, você não vai dormir na minha casa?

— Não, estou naqueles dias, prefiro ficar em casa, você sabe_ Era mentira, Lydia reclamou de cólicas na semana passada, ela olhou para mim e piscou o olho, beijou meu rosto e depois o de Maura_ Boa noite para as duas, nos vemos amanhã no parque.

Maura acenou para ela.

— Melhor irmos, Lydia vai nos chamar cedo pra andar de bicicleta.

— Sim, vamos_ Eu não sei se a Maura estava nervosa, mas eu estava, contava com a Lydia para quebrar o clima, agora eu e a Maura iríamos para a minha casa, dormir no mesmo quarto, eu pensei que não iria sobreviver aquilo.

***

Passei em casa, troquei de roupa e tomei um banho, a autopsia não revelou nada muito novo, então não fazia sentido continuar lendo e relendo o caso, precisava sair para se divertir, vesti uma calça jeans, uma camiseta de uma banda de rock e uma jaqueta, prendi o cabelo eu não costumo fazer isso, mas é bom mudar ás vezes, procurei o tênis mais novo que tenho e fui para um bar, sentei em uma banqueta e pedi um whiskey, enquanto olhava as pessoas ao meu redor, procurando alguém interessante.

Entrou uma morena vestida de um jeito formal, blazer, uma camisa branca e um óculos, comecei a usar minhas habilidades como detetive para saber qual a profissão dela, não era detetive, isso eu descartei logo de cara, parecia jornalista, olhei para ela e vi que ela estava olhando para um cantor no canto do bar bebendo com três mulheres, ela se aproximou dele com um gravador e ele levantou da cadeira, deixou o dinheiro na mesa e foi embora, mas antes disso ele xingou ela, a jornalista sentou ao meu lado.

— Noite difícil?_ Perguntei.

— Você nem imagina quanto_ Ela respondeu suspirando.

— O que você quer beber?

Perguntei sorrindo e ela retribuiu o sorriso, agora estou aqui coberta por um lençol nua, com a jornalista na minha cama, pela manhã ela irá embora e ficamos bem, na verdade nenhuma de nós ficará bem, mas será por motivos diferentes.