The Stone Of Destruction
5 Capítulo 05 - Missão
Notas iniciais
A noite passou rápida. Quando Kurime percebeu, estava sentado na mesa da cozinha, tomando seu café feito na hora. A companhia era de Paid, que estava com olheiras gigantescas. Umiho e Dankora se encontravam roncando ainda.
– Estou preocupado, Kurime. – falou ele observando o jovem engolir um grande gole de café. O mesmo desceu na garganta jovial queimando tudo. Kurime tossiu e perguntou:
– Porque, Paid-sama?
O espadachim olhou para o quarto de seus companheiros de organização. Estavam ferrados no sono com certeza. Assim, sabia que podia explicar a situação para Kurime.
– Quando eu te encontrei, estava voltando de uma missão, na qual toda a nossa organização se envolvia. Era tecnicamente fácil. Tivemos que fazer uma negociação com um povoado canibal que estava tornando-se muito perigoso. Se isto acontecesse, as vilas poderiam entrar em sério risco. Por isso, precisávamos destruí-los. – explicou Paid, bastante nervoso, sempre mexendo rapidamente os indicadores. – Só que os outros três dos seis espadachins ainda não voltaram. Tenho certeza que foram capturados ou mortos.
A palavra mortos perturbou o jovem rapaz ali sentado, que quase deixou cair café de sua boca pequena. Ele fechou os olhos e fitou Paid.
– Você quer ir para lá? – perguntou, tirando palavras da boca do outro sentado.
– Na verdade, sim. Mas não posso ser acompanhado de Umiho e Dankora. – explicou novamente, levantando-se da cadeira e baixando a cabeça, fixando o olhar no chão de concreto. – Demonstrarei minha falha para eles e serei humilhado por minha própria consciência.
Kurime ficou olhando para Paid em tom sério. Esperava mais alguma fala, mas ela não veio.
– Está querendo dizer que... é para nós dois irmos resgatá-los? – perguntou de supetão, levantando-se rapidamente e largando a xícara na mesa.
– É um treinamento para você. Se a situação piorar, chamamos Umiho e Dankora pelo meu rádio comunicador. – falou mostrando o objeto pequeno no seu bolso direito. Retirou-o por alguns instantes. Era preto, com pedaços em dourado.
– Legal, vamos logo! – exclamou excitado.
Parecia que nem ele nem Paid sabiam da gravidade do que seria aquilo. O jovem sabia manusear muito pouco uma espada, o que faria dele um alvo fácil, sem falar que não tinha o conhecimento de nenhuma técnica de Ryuk. Seria um desastre.
"Eu preciso dele... senão... eles irão morrer..." pensou o espadachim trêmulo, saindo com o garoto ao lado. Kurime estava nervoso, com o estômago embrulhado. Mesmo assim tinha bastante vontade de ir para uma missão junto de seu mestre.
– Então... vou assim, sem nenhum tipo de arma? – perguntou olhando nos olhos de Paid. O mesmo virou-se rapidamente. Fora interrompido em seus pensamentos. Sem dar muita atenção, pegou uma katana de madeira pequena, mas com uma parte metálica e afiada durante sua parte esquerda. O jovem ficou boquiaberto. Na sua roupa, até tinha feito uma espécie de bainha, um emaranhado de fios que seguravam qualquer coisa em suas costas.
Eles foram correndo por algum tempo. Saíram do deserto escaldante em torno de vinte e cinco minutos. Logo depois disso, se localizaram num campo aberto, muito perigoso para o rapaz.
– Sabe... se alguém me ver aqui, estarei morto, não? – perguntou um pouco assustado, enquanto saltava sobre um galho estranhamente maior do que qualquer um.
– Não. – respondeu seriamente Paid, – Além de estar comigo, um dos seis espadachins que trazem a segurança ao mundo, eu tenho alguns truques para não te reconhecerem. – terminou, virando o rosto para o lado e fazendo uma curva brusca, em que entrava numa espécie de gruta de pedra.
Nela, estavam fotos de algumas pessoas de todos os tipos. Eles passaram tranquilamente por ali, quando uma espécie de fumaça saltou das pedras unidas que formavam uma das paredes.
– O que...? – tentou perguntar Kurime, mas foi parado ao receber um choque grande do braço de seu mestre.
– Calma, ele não irá te fazer mal. – explicou Paid, fazendo uma cara de poucos amigos para a fumaça, que tomava uma força fantasmagórica. Ela avançou sem dó nem piedade e Paid erguer a espada, que em um segundo estava fora da bainha.
– Saia daqui! – gritou mostrando os dentes.
A fumaça se expandiu e se desintegrou, indo para todos os lados. Kurime ficou observando, enquanto seu coração parava de bater rapidamente.
– O que seria isso? – indagou ao voltar para a corrida. Paid havia apertado o passo. Estava escondendo algo que o jovem desconhecia. Mesmo assim, não achou oportuno perguntar naquele momento.
– Era um monstro descobridor. Este espectro feito de poeira aparece quando a pessoa está escondendo um segredo. – explicou o homem, torcendo para o seu aprendiz se calar.
Kurime não sabia o que dizer. Aquele seria um bom momento para perguntar, mas já havia enchido bastante o espadachim. Decidiu ficar quieto, apenas concentrando-se no caminho.
Meia-hora depois do encontro com o espectro, estavam frente a frente com uma montanha rochosa. Era tão alta que desaparecia nas nuvens. Parecia interminável.
Os dois começaram a escalar com cuidado. Já havia sido feita uma trilha que a subia tranquilamente. Mesmo assim, algumas partes ainda se resumiam a espaços para escalada. Vendo ela de baixo era realmente assustador, mas no meio é como se já estivessem chegado.
Segundos depois, estavam de pé, observando a paisagem lindíssima da região: Num canto, uma enorme floresta de árvores com mais de dez metros. Havia também um lago gigantesco, com deques de madeira onde se localizavam casas e pessoas por todo o lado. Devia ser uma das vilas do planeta. Era um povoado gigantesco. Além disso, novas montanhas se encontravam além do lago, mostrando uma cachoeira com duas pedras a cortando no meio. Havia vários antílopes correndo, touros brigando e descansando e cavalos sendo laçados para servirem ao povoado.
– O que acha? – perguntou Paid, sorrindo.
– Demais... – sussurrou Kurime. Foi à única frase que saiu da sua minúscula boca. Ele até havia se esquecido do cansado por aqueles quilômetros rodados até chegar ali.
Apontando com o dedo, Paid mostrou ao rapaz mais de uma dúzia de casas localizadas ao lado da floresta. Lá, pessoas cortavam carne e preparavam-na para assar. Só de ver a cena e lembrar-se do verdadeiro objetivo de visitar a montanha, Kurime conseguia saber quem era: Os Canibais.
– Devem estar apenas se preparando e logo vão atacar a Vila de Gyouko – explicou com muita raiva. Seu rosto ficou vermelho de repente. – Nós vamos ficar escondidos e ter certeza de que os espadachins estão lá.
Kurime assentiu com a cabeça e os dois foram correndo por uma trilha larga, protegida por uma parede de pedras. O jovem foi praticamente deslizando com a sola de suas sandálias velhas. Aos poucos, iam avançando metros. Após uma eternidade, se encontrava caminhando furtivos, em cima de galhos grandes e firmes das poucas árvores do local.
Com um sinal, Paid mandou Kurime ir para uma espécie de pomar, cheio de frutas, alguns metros mais longe do pequeno povoado canibal. Assim, poderiam ir melhor escondidos, mas com uma maior chance de serem pegos.
O tempo parecia passar rápido e devagar em diferentes momentos.
– Não deixe que vejam seu rosto, apesar de eu achar que se te pegarem, não vão se importar com a pedra. – explicou Paid, entregando para Kurime um capuz arrancado de um casaco, com fios grossos. Assim, poderia amarrar nas suas vestes, escondendo totalmente a face.
Os dois chegaram bem perto da vila, ficando dentro de arbustos, enquanto escutavam a conversa de um homem com uma mulher.
– Estou louco de fome, porra! – exclamou ele bravo, observando a carne assar. Não tinha gordura nenhuma. O fogo crepitava na fogueira improvisada feita pelo grupo.
– Cala a sua boca, seu louco barrigudo. – disse a mulher, levantando o punho para ele, – nós estamos gastando muito tempo para arranjar comida a você. – terminou virando-se de costas.
– Olha quem fala! – zombou, sentando-se numa pedra, – Não Matem o meu marido! Ele não fez nada! – exclamava com uma voz feminina, enquanto ria sozinho de suas próprias gracinhas. Ele se referia a uma vez em que o marido da mulher que conversava havia matado o líder do povoado na época para comer a sua carne. Acabou horrivelmente morto, decapitado e mutilado. Depois, fizeram um bom churrasquinho com ele.
– Eu vou te matar, seu obeso de merda! – ameaçou ela puxando uma faca do pequeno casaco que usava. Seus cabelos escuros e pele bronzeada foram atingidos por raios fortes de sol. O gordo sentado sorriu novamente. Os cabelos estavam muito mal arrumados. Eram castanhos e espetados.
– Olha só... quer fazer igual ao marido... devo te lembrar que eu capturei aqueles espadachins idiotas quando eles tentaram te matar. – disse o gordo em tom de desafio, ficando de pé repentinamente.
Paid e Kurime se entreolharam. Seus rostos ficaram pálidos. Seus corações aceleraram, principalmente o de Paid.
– Três fugiram... – lembrou ela.
– ...Mas os outros três estão presos e logo, logo vão ser assados, minha querida. – terminou com o tom de voz elevado.
Paid fez um sinal que Kurime não conhecia. Estava fervendo de raiva. Queria matar os dois. Puxou a espada cautelosamente. Tentava se controlar, não agir com a emoção, mas não tinha tanta certeza que conseguiria...
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