The Spring - Castiel
1 The Spring
Notas iniciais
Boa Leitura!!!
Assim que meus olhos encontram os dela é como se tudo volta-se a aquele exato dia, o dia em que a vi pela primeira vez, um dia qualquer em meio a primavera. Justamente, aquele dia em que pensei que nunca mais a veria de novo...
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O ensaio da banda havia recém terminado, por mais que nosso nível de sucesso já era o suficiente para encher um estádio, os ensaios nunca deveriam parar, pois, buscar melhorar e aperfeiçoar no que fazemos são coisas que nunca devem deixar de ser prioridade.
Depois de arrumar tudo, me despeço brevemente dos meus colegas de banda e saio do local. O vento de primavera me atinge assim que coloco meus pés para o lado de fora do prédio, nunca fui de reparar naquelas coisas, mas algo de diferente pairava pelo ar.
Enfio minhas mãos dentro da jaqueta de couro preto que uso e começo a andar até o parque, onde eu deveria o atravessar, rumo ao meu apartamento.
Haviam poucas pessoas no parque, e por mais colorido que tudo parecia por conta das flores e do típico “poder” da primavera, tudo na minha visão parecia ter um tom acinzentado. Era algo que acontecia com frequência, era como se só ao estar tocando guitarra e/ou cantando a minha volta tivesse cor, contudo, quando a música parava, tudo voltava a monotonia depreciativa da vida.
— Cerberus, espera! – Grita uma voz feminina tirando-me dos meus pensamentos.
Quando decido virar a cabeça para tentar compreender o que a mulher estava dizendo, encontro um cachorro correndo em minha direção. Em um relance de olhos, aquele cachorro me lembra do meu falecido amigo, Dragon, entretanto, essa semelhança foi tão breve quanto meu pensamento, por mais que eu ainda sinta falta dele, a dor da perda nunca vai desaparecer.
— E aí, cara. – Digo para o cachorro que levanta uma orelha e abana o rabo.
— Peguei você. – Diz a mulher que engata a guia em seu cachorro que continua me encarando com curiosidade.
Conduzo meus olhos do cachorro para a mulher que estava atrás do mesmo. Algo nela parecia se iluminar, mas talvez fosse só a iluminação do sol que batia encantadora e calorosamente nela. A mulher aparentava ser um pouco mais nova que eu, tinha cabelos longos loiros e olhos azuis esverdeados, sua pele era clara e usava um vestido longo preto com mangas curtas caídas.
— Não sei o que você fez, mas muito obrigada por parar meu cachorro. – Agradece ela com um sorriso enorme no rosto, mostrando suas covinhas.
— Não foi nada. – Respondo dando de ombros, pois realmente não havia feito nada para que o cachorro dela ficasse “calmo”.
— Você tem uma voz familiar, já não nos conhecemos antes? – Pergunta a garota arqueando uma sobrancelha em uma expressão de que estava confusa.
— Provavelmente você só a tenha escutado antes. – Respondo secamente, não estava com vontade de lidar com fãs histéricas.
Por mais que eu agradeço aos meus fãs, tem vezes que toda aquela “histeria” me enche o saco. Sou apenas uma pessoa normal que canta, não deveria ser tratado como se fosse um “deus na terra”, não que eu acredite que isso exista.
— Bem, foi um prazer te conhecer voz misteriosa. Até mais. – Diz ela passando por mim com seu cachorro ainda me olhando.
Balanço minha cabeça sem entender a atitude daquela garota. Ela só vai aceitar minha resposta? Não vai tentar descobrir nem nada?
A verdade é que eu gostaria de chamá-la de volta, contudo, apenas a deixo tomar seu rumo, enquanto fico parado no meio do parque. Realmente, algo estranho está pelo ar, ou talvez eu finalmente tenha enlouquecido.
— É ele? – Pergunta uma voz.
— Acho que sim. – Responde outra.
— É claro que é ele! – Uma terceira afirma.
Por algum motivo, aquela conversa parecia ser sobre mim e eu prefiro não esperar para confirmar minha hipótese, então, bem dizer saio correndo dali. Logo escuto vários gritos e tentativas de chamar a minha atenção. Assim que atravesso a ponte para o outro lado do parque uma mão me puxa me derrubando na grama macia.
— Abre isso no seu rosto. – Diz a pessoa que me puxou me entregando um livro.
Sem questionar, faço o que foi me dito. Escuto vários passos e perguntas como “onde ele foi?”, mas permaneço do jeito que estou.
— Elas já foram.
Abaixo o livro dando de cara com a mesma garota do cachorro.
Por mais estranho que estava achando, de que apenas um livro não seria capaz de me deixar “irreconhecível”, percebo que não tinha sido apenas isso. A garota estava tapando metade da visão que teriam de mim de quem passasse, e seu cachorro havia deitado do meu outro lado, parecendo que realmente eu fosse seu dono, o livro apenas havia “tapado” meus cabelos e meu rosto.
— Então você que é o vocalista da banda Crowstorm? – Pergunta a loira arqueando uma sobrancelha parecendo intrigada.
— Acho que minhas fãs me entregaram. Você descobriu. – Digo nem um pouco animado.
— Na realidade, depois do nosso encontro eu resolvi escutar música e a primeira que estava tocando era sua. Me senti boba de não perceber que o vocalista da banda que eu mais estou ouvindo no momento passou despercebido por mim, mas para minha defesa, eu só escutei as músicas, nunca procurei uma foto dos integrantes da banda. – Explica ela, me fazendo rir.
— Minha banda é a que você mais escuta e você nunca resolveu procurar como somos? – Arqueio a sobrancelha, e ela dá de ombros com um sorriso sincero e divertido.
— Acho que o que importa é a música, não a aparência.
— Bem, as vezes parece que o que mais importa para muitas “fãs” é como aparentamos ser. – Digo a ela que revira os olhos.
— Fã de verdade curte sua música e não sua aparência. Não sei nada de vocês, mas escuto suas músicas de verdade, isso me torna menos fã? – Pergunta de modo provocativo.
— Isso depende de se você é fã da banda ou do cantor. – Rebato, e ela solta uma risada espontânea.
— Minha nossa! Não acredito que o cantor mais desejado do momento está flertando descaradamente comigo. Achei que você tinha mais charme. – Brinca a loira com um sorriso de lado me provando.
— Ei, assim você fere meus sentimentos! – Exclamo fingindo estar “magoado”.
— Relaxa, seu ego aguenta. – Ela pisca para mim me fazendo sorrir, fazia tempo que eu não me sentia relaxado e a vontade com alguém que não fosse algum conhecido meu.
— Já que você sabe quem eu sou, gostaria de saber o seu nome.
— É Margot, mas sinceramente, não sei qual seu nome. Só sei o nome da sua banda. – A garota a minha frente cora e dá um sorriso tímido.
— Você realmente é estranha. – Digo, e a outra me dá um tapa de leve no meu braço. – Calma, é no bom sentido. – Rio da atitude espontânea dela. – Pode me chamar de Castiel.
— Castiel, hum... Nome bacana, mas esperava algo mais impactante. Sei lá, tipo Damon, Cameron, Blake.
— Acho que vai ter que reclamar isso com minha mãe. – A provoco tirando uma risada verdadeira da mesma.
— Não quis dizer que é um nome ruim, na verdade, achei legal. Quebrou minhas expectativas, gosto disso. – Margot dá uma piscadinha para mim e se levanta pegando o livro que estava em minha mão ainda.
— Já está de saída? – Pergunto vendo-a guardar seu livro na bolsa preta, objeto ao qual reparo pela primeira vez.
— Já. – Responde pegando a guia de seu cachorro.
— Espera. – Chamo-a depois de levantar. – Preciso retribuir o favor que você me fez, o que acha de ir a uma cafeteria que tem aqui perto?
— Olha, por mais que eu não ache que precisa retribuir, estou tentada a aceitar... – Ela faz uma breve pausa. – Mas só por conta que não resisto a cafeterias.
— Certo. – Dou uma risada e começo a guiá-la para a cafeteria perto da faculdade.
Durante o caminho, conversamos sobre várias coisas, principalmente sobre nossos gostos pelas coisas. Eu não me cansava de conhecer mais sobre ela... E pela primeira vez, depois de muito tempo, uma garota queria me conhecer de verdade e nem tentava se dar ao trabalho de parecer que “sabe tudo” sobre mim.
— O que você vai querer? – Pergunto para a garota a minha frente que olhava encantada para o cardápio.
Optamos pelas mesas de fora da cafeteria por conta do cachorro da Margot, que tranquilamente deitou nos pés de sua dona, algo incomum para mim, ao lembrar do meu antigo cachorro.
— Tem tanta coisa gostosa! – Exclama animada, mas depois resmunga em frustração. – Por que eu tenho que amar tanto comida? Isso sempre me faz ficar confusa com o que escolher...
— Bem, sempre terá uma outra oportunidade para escolher provar mais do cardápio. – Digo a ela que me encara com um sorriso malicioso.
— Está me convidando para outro encontro, Senhor Castiel? – Ela arqueia a sobrancelha me fazendo ficar sério ao mesmo tempo que sem palavras. – Estou brincando. – Margot solta uma risada tão alta que era impossível não perceber que a mesma estava apenas “tirando uma com minha cara”.
— E se eu quisesse te chamar novamente? – Rebato olhando fixamente nela com uma sobrancelha arqueada.
— Não acho que chamaria. – Responde ela corada desviando seus olhos azuis esverdeados para o cardápio.
— Por que não? – Pergunto curioso do motivo.
— Digamos que alguém como você, se entediaria com alguém como eu. – Seus olhos me encaram com uma certeza, por mais que a sua fala apresentava tamanha insegurança, ela buscava todas as forças que possuía para não parecer insegura.
— Você é intrigante. – Digo fixando meu olhar no dela, era claro que nenhum de nós queria desviar.
— Gostariam de pedir? – Pergunta a atendente fazendo com que desviássemos nossos olhos.
— Eu gostaria de um chocolate quente com sorvete.
— Quero um Latte Macchiato.
Assim que a atendente anota nosso pedido, ela se retira para dentro da cafeteria em direção a cozinha.
— Por que você pediu um chocolate quente se vai ficar gelado por conta do sorvete? – Pergunto curioso com a escolha dela.
— Não sei explicar, é diferente do que um achocolatado com sorvete, acho que só provando para entender a resposta. – A loira dá um sorriso e começa a reparar no local, nas ruas e até mesmo dentro da cafeteria, através da janela ao lado da mesa que estávamos.
— Nunca veio aqui? – Pergunto, e ela afirma com a cabeça.
— Nunca, mas parece ser uma boa cafeteria.
— Eu até que gosto. – Dou de ombros.
Nossos pedidos não demoram muito, contudo, acabamos conversando menos do que quando estávamos vindo até a cafeteria. Após, eu pagar nosso pedido enquanto Margot esperava na mesa, caminhamos de volta para o parque.
— Agradeço pelo convite da cafeteria, foi divertido. – Ela agradece sinceramente com um sorriso.
— Eu que agradeço pela ajuda. – Retribuo o sorriso.
— Bem, até mais. – Diz acenando, contudo, assim que Margot se virou para ir, um ciclista passa rápido perto dela.
Como que por reflexo a puxo para perto de mim fazendo nossos corpos se colarem e nossos rostos ficarem próximos. Sem ter ideia do que estava fazendo, acaricio o rosto dela, a mesma fecha seus olhos. Sem pensar duas vezes, a beijo como se não existisse ninguém além de nós, nossos lábios se tocam com leveza, mas ao mesmo tempo, nosso beijo parecia um completo furacão repleto de sentimentos e desejos inconscientes.
O vento da primavera parecia uma promessa de eternizar o momento em que nos encontrávamos, contudo, assim que o mesmo se foi, nos afastamos de olhos fechados. Ao abrir meus olhos, encontro os dela brilhando, suas bochechas coradas e um sorriso leve tentando se esconder.
— Até algum dia, Castiel... – Sussurra ela se afastando com cuidado.
Alguma coisa me dizia para não a deixar ir, mas eu apenas a deixo se afastar.
— Até algum dia, Margot. – Digo, e logo a vejo andar para longe de mim, a acompanho até que meus olhos não possam mais a vê-la, desaparecendo junto da brisa da primavera.
Tento me convencer de que ela era apenas uma garota que eu havia encontrado por acaso, de que o beijo foi algo apenas momentâneo, mas de algum jeito, eu conseguia ver as cores novamente ao meu redor, e de algum jeito, eu me sentia mais inspirado. No entanto, era apenas um dia de primavera, e foi apenas um encontro que nunca mais irá se repetir.
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Pensei que depois daquele dia nunca mais a veria, contudo, ela estava ali, parada a minha frente, mais linda do que nunca. Meus amigos pensaram que eu estava ficando louco em querer encontrar o “fantasma” de uma pessoa, mas de algum jeito, Margot voltou para mim tão de repente e misteriosamente como no dia em que a conheci.
— Enfim, nos reencontramos, Castiel... – Sussurra ela com um sorriso radiante.
— E dessa vez, você não escapará. – Digo a puxando para mim, dessa vez... eu não a deixaria nunca mais ir...
E desse modo...
A brisa da primavera nunca mais seria a mesma para nós.
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