The Sound Of 2 Hearts
35 33.
Notas iniciais
- Miranda
— Você vai usar isso? – Tyler segurava o riso.
— Vou. Qual é... Esse suéter é bonitinho...
— Você não cresceu mesmo... A gente usou isso quando tínhamos 14 anos! A vovó nos obrigou a usar isso para a foto da família. Lembra? – Ele perguntou. Coloquei uma mecha de cabelo atrás da orelha e inclinei minha cabeça para me analisar.
— Ficou legal, ok? – Respondi, sentando na cama e cruzando os braços. – E eu cresci sim!
Tyler deixou escapar uma risada alta e sentou-se ao meu lado, me abraçando de lado.
— Ei, o que você vai me dar de natal? – Perguntei, animada.
— Um suéter novo, com certeza. – Debochou e riu. Empurrei seu braço e me afastei dele.
— Sai do quarto. – Resmunguei.
— Ah... Qual é!
— Sai! – Falei e fiquei de costas para ele.
O quarto ficou em silêncio.
— Ei, baixinha. – Ouvi um sussurro. Meu coração disparou e eu abri um sorriso automaticamente. Virei-me e vi somente Tyler lá. – Que foi? Parece decepcionada...
— Ah, é que o Justin me chama assim. – Comentei, baixando o tom de voz.
— Ah, claro. O Justin. – Ele revirou os olhos. – Não passou tempo suficiente com ele noite passada?
— Não. – Abri um sorrisinho travesso.
— Vou te esperar lá embaixo. – Ele levantou e saiu. Tinha alguma coisa estranha na voz dele... Ignorei aquela sensação e calcei a minha bota.
Dei uma última olhada no espelho, analisando o suéter. Suspirei e saí do quarto.
— Aí está ela! E com o suéter que a vovó fez! Onde está o seu, Ty? – Minha tia perguntou, quando me viu descer as escadas.
— Num aterro sanitário, provavelmente. – Murmurou e me puxou para sentar ao seu lado.
— Daqui a pouco a ceia estará pronta. Os adultos vão tomar um vinho... – Meu pai propôs.
E logo só ficamos eu e Tyler, em silêncio. De novo a sensação de algo errado me invadiu e o fitei.
— O que foi? Estou irresistivelmente lindo? – Ele piscou, quando notou que eu o olhava.
— Aconteceu algo?
— Hein?
— Você está diferente...
— Você sempre sabe, não é? – Ele suspirou.
— Não, eu não sei. O que houve?
— Não posso...
— Não pode o quê?
— Te dizer... Não posso fazer isso. – Ele balançou a cabeça, negativamente.
— Claro que pode, Ty! Eu sou sua amiga! Pode me contar tudo! – Passei o braço pelos seus ombros largos.
— Primeiro: pare com isso. – Ele afastou meu braço e esse caiu no sofá. Pisquei, confusa.
— Por quê? Ty, você está muito estranho! – Falei, levantando. Ele levantou também, olhando em meus olhos.
— Desculpe! Não é nada! Eu juro! – Ele sorriu forçado. – Vamos esquecer isso, ok?
— Tudo bem. – Franzi o cenho, achando aquilo muito esquisito.
— Esse suéter é estranho, mas ficou ótimo em você. – Ele sorriu, fitando a roupa.
— Obrigada. E não acredito que tenha jogado o seu no lixo. Nós até cantamos Jingle Bells! – Sorri mais ainda, lembrando-me daquele natal.
— Pois é. Você cantou muito bem e eu desafinei muito. – Lembrou, fazendo-me rir.
~x~
O som da campainha interrompeu todos que estavam à mesa. Meu pai levantou e foi atender. Logo voltou, com uma expressão não muito boa.
— É o... – Ele começou a dizer e eu logo levantei, apressada e passei por ele, com um grande sorriso no rosto.
Ele estava na porta, agasalhado por um quilo de roupa e um sorriso lindo no rosto. Joguei-me em cima dele. Que me rodou e me levou para fora de casa.
— Feliz natal! – Sussurrou ele, mostrando o celular, que já marcava 00:01.
— Feliz natal! – Respondi, dando um selinho nele. Ainda estávamos abraçados; estava muito frio ali fora.
— O seu presente... Queria poder colocar embaixo da árvore, mas... Acho que seu pai não vai me deixar entrar hoje. – Ele riu fraco e tirou uma caixinha do bolso.
— Ah! Justin, eu ainda não comprei o seu presente...
— Besteira. Abre. – Ele sorriu. Peguei a caixinha e a abri. Era um pingente em formato de coração e nele tinha um JB escrito em caligrafia elegante. – Você aceita?
— Hein? – Desviei os olhos do pingente e fitei seus olhos castanhos.
— Aceita o meu coração? – Ele abriu um sorriso tímido. Abracei-o mais forte ainda e dei um beijinho nele. – Sabia que havia escolhido a garota certa. – Ele parecia aliviado.
— Garota certa? – Perguntei, confusa.
— Nada, esquece. – Ele tombou a cabeça para trás e riu. – Ei. O que é isso?
Olhei para cima e um sorriso brotou em meus lábios. Estava nevando. Aquilo era... Tão mágico. Justin era mágico.
— Que timing, hein?
— Juro que não tenho nada a ver com isso! – Ele levantou a mão, dando sua palavra.
— Ok... – Aproximei nossos lábios e a porta de casa foi aberta. A luz forte quase me cegou. Era meu pai, claro. – Eu te vejo depois. – Dei um selinho nele. – Feliz natal.
— Te amo. – Sussurrou em meu ouvido antes que eu me afastasse.
Entrei em casa, ainda meio em transe. Como ele conseguia fazer aquilo comigo? Suspirei.
— O que ele queria? – Meu pai perguntou. Mostrei o pingente para ele. – Hm, vamos voltar ao jantar.
— Será que um dia você vai gostar do Justin, pai? – Perguntei, mais para mim mesma.
— Quem sabe. – Falou, dando de ombros... Eu não daria muita esperança.
— Justin
Dei meia volta quando a porta foi fechada ruidosamente pelo pai dela. Nem me importava mais que meu sogrão não gostasse de mim... Eu amava sua filha.
Voltei correndo para o carro. Estava congelando ali. A neve já formava montinhos no meio fio... Depois que Jasmine havia feito aquela pergunta, a resposta martelava em minha cabeça. Pensei tanto naquilo. Eu não podia e dar ao luxo de me perguntar se Miranda era ou não a garota certa. Não podia.
— Jus? – Minha mãe me chamou quando cheguei a casa. – Como foi? Ela gostou?
— Gostou. Foi bom... Mas acho que o pai dela não gosta de mim...
— Essas coisas levam tempo, Jus. Relaxe. Vamos abrir os presentes? – Ela perguntou aos meus avós.
— Eba, presentes! – Comemorei, parecendo uma criança.
~x~
— Nossa, Biebs. Esse Xbox é muito irado! – Ryan comentou, enquanto fazia os movimentos na frente do aparelho.
— Quem fala irado ainda? – Chris perguntou, fazendo careta.
— O mané do Ryan, né. – Chaz respondeu.
— Você vai ver quem é o mané aqui. – Ryan se jogou em cima do Chaz e eles começaram uma espécie de luta. Fiquei observando, meio passado.
— Ei, Biebs, o que você deu para Miranda? – Chris perguntou, assim como eu, ignorando os dois idiotas se atracando agora do chão.
— Um pingente. – Respondi, tentando parecer indiferente.
— Oun, que bonitinho! – Ouvi Chaz comentar; de repente eles pararam de brigar e prestaram atenção no que eu disse. Joguei um tênis nele.
— E ela gostou? – Ryan perguntou.
Apenas assenti.
— Com licença? – Uma voz feminina chamou a atenção de todos e olhamos automaticamente para a porta. Era Victoria. – Posso falar com o Justin, por um momentinho?
Todos pareceram sair de um transe e se movimentaram rápido para sair do quarto. Olhei em volta e me ajeitei na cadeira da escrivaninha.
— Feliz natal! – Disse, sentando-se na cama bagunçada.
— Para você também. – Murmurei de volta.
— Não te dei o meu presente. – Ela sorriu. Engoli em seco, ficando apreensivo.
— Hm, não precisa, Vick. – Tentei falar do modo mais gentil possível.
— Ah! Precisa sim!
— Não, não precisa. – Falei, agora sendo rude e grosseiro. Ela me fazia perder a paciência.
— Justin você sabe que você já me quis, você já gostou de mim... – E ela foi chegando mais perto.
— Sim eu gostava de você, até você estragar tudo, depois que você se tornou obsessiva e possessiva... Vick, mas hoje é época de natal... Não vamos brigar – Disse, me afastando.
— Bem lembrado Jus, hoje não devemos brigar, nem nada. E se é natal não podem faltar presentes e aqui está o seu! Gostaria que esse fosse o nosso natal. – Ela me entregou dois convites para ir ao jogo de basquete do meu time favorito dali três dias que vem e depois ela pegou outra caixa que tinha... Fotos nossas.
— Bom Vick, obrigado. – Disse a ela. Victoria realmente me surpreendeu ali.
— De nada Jus, leve a Miranda com você, divirta-se. E bom as fotos é pra você saber que sempre estarei aqui esperando por você! – Ela sorriu fraco e saiu do quarto.
Juro que se não a conhecesse bem diria que estou louco.
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