The Soul Of Witch And The Dragon Fire
4 Velho amigo
O dia me pareceu bem agradável naquele dia. Minhas forças havia enfim retornado. Sentei-me na cama em que estava e só reparando levemente notei que estava em uma enfermaria. Não era para menos depois de ter perdido a consciência mais cedo.
Eu já esperava que algo assim aconteceria mais cedo ou mais tarde. Após eu ter conseguido destruir um Quetzalcoatl, não consegui um minuto de descanso... Era óbvio que eu morreria se continuasse com aquela missão insana.
Quetzalcoatl são raríssimos e nada amigáveis. Não frequentam mundos e preferem viver em brechas de tempo e espaço, tornando-os como "deuses". Assemelham-se como enormes serpentes de afiados dentes e diversas asas ao longo do corpo, deixando ainda mais impossível abatê-lo. Eu vivi entre batalhas e fugas. Quando um de nós estava ferido, recuávamos. Não quero que ninguém tenha ideia de como é passar anos desse modo. E foi em uma das minhas altas que a criatura retornou para Earthland para escapar de mim que o derrotei por fim. Minha missão nada mais se consistia em provar que estranhas criaturas começavam a aparecer nesta dimensão e com a morte do Quetzalcoatl isso foi comprovado.
Meu corpo ainda pesava demais. Estava dolorido, mas nada que eu não podia aguentar. Eu já estava para me levantar da cama quando vi a porta do cômodo se abrir e uma pequena jovem passar por ela. Tinha longos cabelos azuis com olhos de mesma cor. Ela pareceu assustada de me ver consciente, mas ao sorrir para ela isso pareceu acalmá-la.
– Como se sente? — perguntou.
– Apenas cansada... Apaguei por quanto tempo?
– Quatro dias.
– Certo... — suspirei. — Desculpe ter preocupado a todos vocês.
– Não se preocupe com isso. — disse a pequena. — O mestre nos contou tudo o que você passou e não podíamos esperar que estivesse muito bem. Você realmente é incrível.
– Eu não fiz nada para ser elogiada. — encarei-a um pouco triste. — Eu não vejo o que valeu a pena em ter aceitado aquela missão. Na verdade, eu me arrependo, às vezes.
– Rei-san... — a jovem se aproximou e com um doce sorriso, disse. — Não fique triste. Você fez muito mais do que se era esperado.
– Qual o seu nome, jovenzinha?
– Wendy... Wendy Marvel.
– Obrigada pelos seus cuidados, Wendy. Deve ter um poder de cura quase formada para uma Dragon Slayer.
– Hum? — esta se assustou. — Como você sabe que sou uma Dragon Slayer?
– Não é difícil quando sua magia é analisada. Dragons Slayers têm poderes bem mais complexos que qualquer outro mago.
– Isso é surpreendente.
– Ah... Sinto como se tivesse sendo esmagada por uma montanha. — queixei-me e levantei-me.
– Não se levante! — protestou Wendy, porém a desobedeci. — Devia descansar mais.
– Acho que não terei este hábito por um tempo, se me entende. — dirigi-me para a saída, mas lhe expliquei o que queria dizer com aquilo. — Depois de viver anos em adrenalina, não creio que poderei facilmente manter uma rotina mais calma...
Saí do recinto. Peguei-me sendo notada por todos os que estavam ali e o silêncio se fez. As expressões dos membros variavam de espanto e admiração ao mesmo tempo. Tentei não me importar com os olhares que recebia já que nunca gostei de ser alvo das atenções do povo, contudo ao alcançar o balção da guild e ver que eles ainda mantinham olhos focados em mim, só encarei a todos com nervosismo e posso dizer que com timidez.
– O que estão olhando?! — exclamei irritada.
Eles não disseram nada e "voltaram" a fazer o que realizavam antes. Sentei-me e alisei meus cabelos com força. Minha mente já começava a rodar e o suor frio que eu tinha era forte. Eu estava piorando aos poucos e mais minha mente se tornava branda. Respirando fundo para não decair ali novamente, mordi minha mão até que a perfurasse levemente e o sangue começasse a escorrer por meus lábios. Era um dos métodos que eu utilizava para manter-me em perfeito juízo e sem contar que o sabor de ferro, para mim, era delicioso.
– Rei-san?! — Mirajane veio em minha direção rapidamente e tirando a mãos de minha boca. — O que está fazendo?
– Nada de mais... — respondi atordoada e com a consciência a rodar. — Poderia me ver um copo de água e rápido? — ela entendeu que não me sentia bem e correu para me atender.
– Está tudo bem? — perguntou alguém com a voz feminina até que conhecida.
– Vou estar.
– Erza, chame a Wendy, sim?... — pediu Mirajane que trazia meu copo. — Rei-san parece estar muito fraca.
– Não é necessário. — intervi. — Passe-me a água.
Entregando-me, vasculhei meus bolsos do shorts vermelho que vestia-me e logo puxei de um deles um pequeno saco com cápsulas negras. Rapidamente, coloquei uma delas em minha boca e tomei todo o conteúdo do recipiente que eu pedi a Mirajane. O efeito da droga fora imediato como esperado. Eu arfava com dificuldade com o corpo a tremer como se sentisse frio e debrucei-me sobre o balcão sentindo minha garganta em chamas ardentes.
– O que é isso? — perguntou a tal Erza.
– Meus "medicamentos". — expliquei. — Eu sobrevivi por causa desses componentes. São fortes doses de anestésicos e adrenalina.
– Mas isso não te fará melhor. — repreendeu a jovem de cabelos albinos.
– É o que preciso até chegar em casa e me cuidar. — gemi com o calor que me queimava por dentro. — Isto é apenas um suplemento de batalha...
– Ei, se não é a Rei. — alguém se aproximava de nós, porém já não sabia dizer quem era. — O que houve? — a pessoa pareceu-me preocupada.
– Ela não esta bem, Natsu. — Erza falou calmamente. — Wendy! Venha aqui, por favor.
– Ela não está bem, não é? Eu disse pra ela não se levantar.
– Eu estou bem. — menti e levantei-me para encarar todos com um forçado sorriso. — Eu agradeço a preocupação, mas estou melh...
E assim, eu perdi o equilíbrio e caí ao chão de joelhos. Minha cabeça mais que pesava e minhas mãos formigavam. A visão começava a ficar turva e eu lutei para não desmaiar outra vez na guild. Eu estava pior do que eu imaginava.
– Ei! — senti alguém pegando em meu ombro. Talvez fosse Natsu.
– Ela tem que descansar. — Wendy explicou.
– Eu a levarei para casa...
Fazia anos que não ouvia aquela voz e, por isso, choquei-me. Forçando-me a erguer a face para confirmar se era quem eu acreditava que era, fiquei feliz por estar certa. Como era bom rever rostos familiares.
– Terei que te carregar, Rei? — perguntou o homem a minha frente e com um carinhoso sorriso no rosto já adulto e com algumas rugas devido ao tempo percorrido.
– Creio que sim, Gildarts... — sussurrei o suficiente para todos ouvirem.
– Gildarts, você já a conhecia? — perguntou Erza.
– Fomos companheiros por pouco tempo antes dela ir para o último serviço...
– Eu posso levá-la! — exclamou Natsu.
– Por acaso, sabe onde ela mora? — o homem pegou-me no colo e vi melhor a cara sem graça do rapaz de cabelos rosados. Parecia chateado por assumir sua ignorância ao se tratar de minha morada. — Eu sei onde fica, mas acho que seria bom vocês virem comigo para arrumar aquela casa, não acha Rei?
– Imagino o quanto deve estar suja. — vi uma garota de cabelos loiros se aproximar junto de mais um pequeno grupo, onde três eram gatos. — Vamos ajudar.
– Não há necessidade.
– Sua casa é enorme, Rei. — contrariou Gildarts. — E a sujeira não a ajudará se recuperar tão facilmente. Quem vai querem me dar uma mão? Cana?
– Estou ocupada. — apesar da minha visão prejudicada, notei que uma mulher respondera com um enorme barril de cerveja em seu colo.
– Natsu, Lucy, Gray, Juvia, Levy, Wendy e Elfman. Vocês veem comigo para a casa da Rei. — afirmou Erza de modo autoritário, mas ninguém pareceu incomodado com isso.
– Vamos Happy? — perguntou Natsu.
– Aye, sir! — exclamou o gato azulado e os outros dois felinos ao seu lado pareceram quer participarem também, por isso, assentiram com um sorriso.
E assim, o grupo que se apresentou para me ajudar acompanhou Gildarts para fora da Fairy Tail.
– Não precisa se incomodar, meu velho amigo. — em tom apenas para nós dois ouvirmos, eu disse a ele.
– Eu fico feliz que tenha voltado... — ignorou-me. — Quando soube de sua chegada, vim o mais rápido que pude, mas estava desacordada quando cheguei. Imagino o quanto foi difícil.
– Você não imagina. — protestei. — Não queira saber como é.
– Desculpa... Agora, descanse. Você está em casa agora.
– Casa... — minhas pálpebras se fechavam involuntariamente. — Quantos anos me foram tomados antes de ouvir esta palavra novamente?
Não consegui aguentar para ver se ele tinha dito algo, pois logo que meus olhos se fecharam eu adormeci profundamente
Fale com o autor