Martha e o Doutor logo chegaram em Camelot.

- Nossa. Eu nem acredito!

- Mas é bom você acreditar e se acostumar. – Disse o Doutor rindo

- Você descobriu alguma coisa, não foi?

- Nah! Foram só rumores que eu ouvia quando se mencionavam a história. Além disso, você mesma vai perceber.

- E quando aquele tal de Emrys disse pra procurarmos por esse Merlin, não é o Merlin...

- Sim. É sim. – O Doutor falava com Martha mas olhava atentamente para a cidadela, que era aonde estavam. Haviam três pessoas pobres deitadas em um canto.

- Ai meu Deus. Eu nem acredito!

De repente um vento forte e incomum levou o caos à toda cidadela. Os cidadãos fugiram para dentro dos primeiros alojamentos que tiveram oportunidades. A força do vento aumentava cada vez mais.

- Doutor!

Doutor apenas olhava para os lados procurando algo que pudesse explicar a causa do vento mas não via nada.

- Por aqui.

Um rapaz chamou os dois. Nem o Doutor e nem Martha ficaram ali parados. Logo o seguiram. Vasos voavam para o chão, panos e comidas também acompanhavam o vento. Em pouco tempo, a cidadela estaria tomada pelos fortes ventos.

O Doutor e a Martha entraram num lugar não muito grande, mas aconchegante. Lá estavam o rapaz que lhes chamara e um senhor idoso.

No cômodo, haviam frascos e potes com poções e ingredientes dentro. Havia também muitos livros e pergaminhos sobre a mesa.

- Perdoe-me a falta de gentileza. Sou Gaius e esse é meu aprendiz Merlin.

O Doutor sorriu.

- Olá Gaius. Eu sou o Doutor e essa é Martha. Então Emrys, essa é a sua casa? – O Doutor falou como se estivesse batendo papo com alguém que conhecia à muito tempo olhando em volta do cômodo.

Martha olhou curiosa para Merlin. Estava começando a entender aonde o Doutor queria chegar.

- Me desculpe, mas meu nome é Merlin. Você deve estar me confundindo.

- Ah saquei. Você prefere que eu te chame de Merlin, certo. Tudo bem Emrys, quero dizer, Merlin... – Gaius e Merlin se entreolharam – Diga-me aquelas pessoas que estavam jogadas no chão. Elas tem alguma doença ou algo assim?

- Com licença, senhor. Mas eu as diagnostiquei e elas não apresentaram nenhuma doença, apenas estão indispostas.

- O senhor é um médico? – Perguntou Martha

- Oh, sim.

- Isso explica todas essas poções, livros e ingredientes. – Comentou o Doutor – Então... ah, Merlin... Gostou da TARDIS? – O Doutor começou a sorrir – Maior por dentro do que por fora... ah, como eu queria estar lá para ver a sua cara.

- Ele esteve na TARDIS? Como ele conseguiu entrar? – Martha deu um tapa de leve na testa enquanto as janelas rebolavam com o vento forte – Magia.

Martha e o Doutor estavam sorrindo olhando para Gaius e Merlin. Os dois também encaravam o Doutor e a Martha, mas não sorriam.

Gaius preparou chá e serviu ao Doutor e à Martha enquanto os quatro conversavam.

- A magia é proibida em Camelot, por isso eu me disfarcei pra salvar vocês.

- Então você sabia que viríamos? – Perguntou Martha

Doutor olhou para ela surpreso e então sorriu.

- Você está aprendendo rápido.

- É o que acontece depois que se conhece Sheakespere.

- Um amigo meu me falou. – Comentou Merlin – Não me dou bem com essa coisa de ver o futuro.

- Acho que já falamos muito sobre nós. Que tal vocês falarem um pouco sobre vocês?

O Doutor e Martha se olharam.

- Bem... – O Doutor suspirou – Normalmente eu não entregaria isso de bandeja mas acho que seria bom se ao menos vocês dois soubessem a verdade.

- A verdade? – Merlin estava confuso

- Eu não sou humano. Eu sou um Senhor do Tempo, eu posso viajar pelo tempo.

- Você é um feiticeiro? – Merlin estava confuso

- Não! Ele é um extraterrestre.

- Martha!

- Que foi?

- Você acabou de inventar essa palavra anos antes! Bem antes.

- Ai, o maldito paradoxo do tempo. Olha esquece o que eu falei.

- É melhor você deixar eu cuidar disso.

- Ok. – Martha levantou os braços

Merlin e Gaius estavam mais do que confusos.

- Veja. Eu posso viajar pelo tempo, mas eu não uso magia como você. De onde nós viemos a magia não existe.

- E de onde vocês vieram? Ou melhor: De quando? – Perguntou Gaius

- Do futuro.

Ouviu se um som vindo do céu. A todos parecia ser uma águia gigante. Os quatro saíram rapidamente para ver o que era. O vento cessara e no céu, sobre Camelot, voava uma enorme criatura com cabeça e penas no corpo, mas o corpo em si, lembrava o de um leão.

- O que é aquilo? Eu lembro de ver em livros, mas não sei o nome – Comentou Martha

- Aquilo é um Grifo. – Respondeu Merlin. – Sinal de mal agouro.

Minutos depois, a criatura havia desaparecido e todos voltaram com seus afazeres. Os quatro voltaram para dentro para terminarem de se conhecer.

- Essa ventania que teve pouco antes do Grifo, isso é normal acontecer aqui?

- Não. – Respondeu Merlin

- Mas é a segunda vez no dia que ele passou. – Falou Gaius olhando para a janela

- Você está pensando em alguma coisa, Doutor? – Perguntou Martha, desonfiando. Ele sempre estava pensando em alguma coisa.

- Bem, se esse reino vai mesmo precisar de nós, eu me arriscaria dizer que chegamos na hora certa.

- Ah, eu não queria atrapalhar, mas Merlin. Você tem visitas. – Gaius ainda olhava pela janela.

Poucos segundos depois, a porta fora aberta. Ninguém bateu. Claro, um rei não bate na porta da casa dos súditos quando entra. Ele não precisa.

- Merlin!

- Arthur.