The Song of the sun - A canção do sol
1 Capítulo 1
O céu estava ainda escuro quando arranquei o carro da garagem com Kaden roncando no banco do passageiro, uma ideia estúpida e idiota de visitar as pedras de Tairseach para fazer seus “feitiços”, nunca fui muito religiosa, meus pais nunca deram muita bola para religiões e eu cresci assim também -mesmo eu os vendo raramente e ficando sempre com uma babá- Kaden fez um barulho com a boca resmungando algo, éramos amigas desde os quinze anos de idade, com dezessete ela me procurou dizendo que recebeu um chamado e que agora havia se “convertido” a bruxaria, desde esse dia ela me arrastava para matas, praias para fazer orações para os deuses e tinha um altar no seu quarto.
A estrada estava úmida indicando que havia chovido por algumas horas, estava vazia poucos caminhões cruzavam nosso caminho, liguei a música no volume baixo para tirar aquele silêncio do ar, a neblina cobria a estrada dando um ar fantasmagórico.
Eu estudava numa das melhores faculdades do estado, não por questões de dinheiro mas por conta de uma bolsa que eu havia ganhado com um concurso de redação oferecido, Kaden era rica de família estudava artes depois de uma longa discussão com seus pais, mas tudo ocorria bem.
Dirigi por duas horas na ST-11, o GPS tagarelando sobre o trânsito, o mar brilhava no horizonte, e os acostamento com areia já indicavam uma praia ali perto, tínhamos ainda mais cinco horas de viagem cruzando a ponte que ligava uma cidade a outra pelo mar.
Kaden acordou com um sobressalto quando um jeep businou para uma moto, o cabelo cacheado meio loiro caídos no rosto enfeitando como se fosse uma juba bela e selvagem, ela respirou fundo e limpou a babinha no canto da boca murmurando algo como “malditos"
“Bom dia" falei rindo
“Só me dê bom dia a noite" ela respondeu.
“Não roube minhas falas, pela!” reclamei entre risos, Kaden murmurou algo sobre tomar café da manhã, iam dar sete da manhã ainda e eu estava com azia, disse a ela que pararia em trinta minutos em Fort Beach para abastecer e comermos algo antes de pegar a ponte.
Fort Beach era uma cidade hippie na beira do mar, cercada de mais sete cidades também marítimas, a entrada da cidade era feita de madeira com produtos recicláveis formando baleias, peixes e tartarugas, tratava -Se da maior reserva de preservação do país, abrigava muitas espécies e tinha uma grande campainha de conscientização sobre lixo -principalmente jogado nos mares- A cidade estava lotada de turistas e nem era época de férias ou feriado importante, homens passavam com roupas de banho no meio da cidade, mulheres de biquíni ou usando saídas de banho, vendedores de miçangas sentados no chão vendendo colares, pulseiras e brincos.
Parei num restaurante que dizia “café da manhã em promoção” Kaden saiu do carro mal humorada, era típico dela ter mal humor da suas próprias ideias cujo ela se arrependia bem no meio, o sol estava tímido no horizonte como se estivesse com preguiça de se revelar ou que fosse chover novamente, Kade se arrastou para dentro do restaurante e se jogou numa cadeira pegando o cardápio, sentei do outro lado da mesa pegando o outro cardápio, era uma simples folha escrita na frente e no verso.
Escolhi o meu clássico, de longe o meu café da manhã favorito-completamente estranho para quem me conhecia e não conhecia-
Torta de maracujá com café amargo.
A garçonete veio andando até nos, usava um colar com um pingente de um sol com raios largos cada um em movimento contrário um ao outro, os cabelos loiros e bem lisos, caindo em camadas por seus ombros, os olhos dela eram bem verdes mas sua pele era morena -como se estivesse passado horas no sol todos os dias se bronzeando-
Fiz meu pedido enquanto Kade, olhava ainda para o cardápio, a garçonete esperava ela escolher com o papel e a caneta nas mãos, a mulher olhou para mim e sorriu, sorri de volta.
“Vocês vão ficar na cidade?” perguntou “Tenho ótimas dicas de lugares para visitar!”
Kade não me olhou, continuou focada no cardápio.
“Não pretendemos ficar aqui" respondi “Só demos uma parada para o café!”
Ela sorriu.
“Ah que pena" disse “É um belo lugar”
Concordei com a cabeça.
“Suco de laranja e pão com queijo” Kade disse colocando o cardápio na mesa, a garçonete anotou o pedido e saiu para levá-los a cozinha.
“Você está interessada” ela exclamou.
Arregalei os olhos para ela que olhou sorrindo levantando as sobrancelhas.
“Kaden" disse “Ser bissexual não quer dizer que eu vá ver uma mulher e deseja-la!”
Ela riu de mim.
“Eu vi para onde você olhou" ela respondeu jogando os cabelos para trás e a apontando pra o os seios
“Para o colar dela?” falei “ Sim"
“Ela tem pernas sexy" falou rindo mais ainda atraindo a atenção de um casal de idosos sentado ao lado
“Você precisa de um namorado ou namorada” ela disse segurando a minha mão e sacudindo.
“São oito da manhã e você já está falando besteira, cadê aquilo de poupar energia para a noite?” perguntei.
Kade – como eu a chamava carinhosamente – estava toda de preto, ela dizia ser para economizar energia e poupa-la para o momento que ela fosse se conectar com os deuses, saiu levando várias velas e minha única preocupação era que ela podia tocar fogo na floresta antes mesmo de começar a oração, levava um pêndulo de cristal no pescoço que eu mesma dei de presente a ela.
“Estou com energia suficiente para encher o seu saco!” Respondeu me dando língua.
“Você avisou para o seu chefe que iria faltar hoje?” perguntei esticando os braços bocejando.
“Não” ela respondeu “Meu chefe é o meu pai, e eu odeio ele, e ele não pode me demitir da vida dele, e a confeitaria?”
“Deixei todos os bolos confeitados ontem” respondi “Todas as encomendas estavam prontas somente faltavam ser entregues, deixei as chaves com minha chefe e ela vai distribuir aos entregadores e recolher o dinheiro!”
“Você é uma escrava daquela mulher” disse olhando a paisagem lá fora.
Minha chefe era dona de uma confeitaria, popular, mas não muito, eu era responsável pelo trabalho sujo: Fazer o bolo, confeitar o bolo, distribuir para as entregas, recolher dinheiro e fazer a contagem, enquanto minha chefe ficava em casa aninhada nos braços do amante -não que isso fosse da minha conta- mas os prejuízos que ela mesmo causava eram descontados no meu salário, um dia contei tudo isso a Kade e ela disse que me ajudaria a montar minha própria confeitaria, já que as pessoas compravam somente por que os bolos e os doces eram meus, pensei na ideia por um tempo mas a ideia foi por água a baixo quando entrei na faculdade e todo meu tempo foi somente se dedicar aos estudos e algumas horinhas ao emprego.
Nosso café chegou e Kaden deu um risinho baixo, comi minha torta de maracujá com aquela cobertura deliciosa e bebi o café bem quente esquentando minha garganta.
“Da última vez que eu fiz isso" ela disse “Que comi essa mistura, eu tive dores o dia inteiro!”
Revirei os olhos para ela.
De fato, qualquer pessoa conseguiria me ganhar com uma fatia de torta de maracujá.
Era divino
Notas finais
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