The Song Of The Love
13 You should have told me before
Notas iniciais
– Emma, é muito cedo. Eu acho que o cinema ainda está fechado.
Regina comentou assim que as duas entraram no shopping.
– Nada que eu não possa resolver.
Emma piscou e elas andaram até o cinema, encontrando-o fechado, como previsto.
– Só um minutinho.
A loira pegou seu celular e digitou algumas coisas. Dentro de um tempo extremamente curto, um homem elegante, loiro, de aparentemente 40/45 anos, surgiu ao lado delas.
– Emma, que saudade!
O homem abraçou-a.
– Eu também estava com saudade, Matthew.
Emma falou com um sorriso, apresentando Regina para o amigo logo em seguida.
– Então, você só precisa de uma sala?
– Aham. E eu prometo que nós estaremos fora de lá antes que o cinema abra.
– Sem problemas. Aqui está a chave.
– Muito obrigada, Matthew.
– Ainda sabe como ligar os aparelhos?
O loiro perguntou em um tom de zoação.
– Claro que sei.
Emma lhe mostrou a língua, fazendo-o rir.
– Agora vai lá. Aproveitem.
Matthew sorriu e se distanciou.
– Viu? Eu disse que daria um jeito.
– Ainda estou surpresa com a facilidade que você conseguiu.
– Vantagens de ter amigos donos de cinemas.
As duas riram e Emma abriu a porta, fechando-a novamente após Regina ter se juntando a ela.
– E aí, qual filme você quer ver?
– Tudo menos comédia romântica, por favor.
– O que acha de Quero Matar Meu Chefe 2?
– Pode ser. Eu ouvi falar que é muito bom.
– Então vamos.
***
Depois do cinema, elas almoçaram no shopping mesmo e Emma resolveu levar Regina até o Central Park. Assim que chegaram lá, a cantora logo avistou um carrinho de sorvete e foi correndo, feito uma criancinha, comprar.
– Aqui.
Emma exclamou entregando uma casquinha para a repórter.
– Eu acho que você está me mimando demais.
– Ah, você merece.
A loira sorriu, o que fez Regina sorrir também. As duas andaram até o banco mais próximo e ficaram observando a paisagem. Não havia muitas pessoas no local, apesar do belo dia ensolarado.
– Obrigada por estar fazendo isso por mim, Emma, de verdade.
– Não precisa me agradecer, Regina.
Emma segurou a mão da morena.
– Eu quero que você fique bem, só isso.
A cantora deu uma breve pausa.
– Mas eu também quero te fazer rir.
Assim que disse isso, Emma lambuzou o rosto da mais velha com o seu sorvete.
– Não acredito que fez isso!
Regina falou com falsa indignação na voz, entrando na brincadeira e fazendo Emma gargalhar cada vez mais. Mas antes mesmo que a loira tirasse mais sarro da situação, Regina também lambuzou o rosto dela, pegando-a totalmente de surpresa. Emma parou de rir e encarou a repórter, que lhe mostrou a língua.
– E eu não acredito que você fez isso!
Emma também falou indignada.
– Mereceu!
– Ah é?
– Totalmente.
Quando Emma faz menção de tentar sujar Regina novamente com o seu sorvete, a mesma se levantou e começou a se afastar.
– Pode voltar já pra cá! Quero revanche!
A cantora exclamou também se levantando.
– Só se você conseguir me pegar.
Regina começou a correr pelo parque, indo em direção as árvores, na intenção de despistar Emma. Elas correram tanto que a essa altura seus sorvetes já tinham escapado de suas mãos.
– Te peguei!
Emma disse abraçando a cintura da morena por trás, que não hesitou em relaxar naquele abraço, mesmo que o objetivo da brincadeira fosse fugir da loira. Só que de repente, Emma pisou em falso e acabou derrubando Regina na grama, caindo em cima dela, mas sem machucá-la.
– Ai meu Deus! Você está bem?
A cantora perguntou se erguendo em cima de Regina, colocando um braço de cada lado da repórter e uma de suas pernas entre as dela.
– Estou.
Regina respondeu rindo da preocupação exagerada de Emma.
– Bom, não é que você me pegou mesmo.
– Eu disse que pegaria.
Emma deu uma piscadinha para Regina, que sorriu.
Elas ficaram naquela posição por um tempo, se encarando fixamente e se perdendo uma no olhar da outra. Sem perceber, Emma foi se aproximando do rosto de Regina, que por nenhum momento tentou desviar ou sair dali. Quando a morena já conseguia sentir a respiração de Emma, o celular da mesma começou a tocar e isso pareceu ser o bastante para despertá-la, fazendo com que se afastasse, saísse de cima de Regina, sentasse ao seu lado e atendesse o celular um pouco atordoada.
Ligação On:
– Alô?
– Emma, onde você está?!
Scott gritou do outro lado da linha.
– Oi para você também.
– Não vem com essa de "Oi para você também". Então eu deixo você bonitinha e quietinha lá no seu quarto e quando eu volto você não está mais lá.
– Scott.
– Não, me deixa terminar. Você sai, não me avisa e ainda deixa o celular desligado. Quantas vezes eu já não pedi pra você não fazer mais isso, Emma?
– Desculpa Scott.
A loira falou em um tom arrependido. A conversa era observada atentamente por Regina, que agora também se encontrava sentada.
– Eu devia ter te avisado que iria sair.
– Devia mesmo. Podia ter deixado um bilhete, qualquer coisa.
O empresário suspirou cansado.
– Aliás, onde você está?
– No Central Park.
– No Central Park? Com quem?
– Com a Regina.
Emma deu um meio sorriso e olhou pro lado, encontrando também um sorriso, que ela não soube explicar o por que, mas fez um bem enorme para seu coração.
– Graças a Deus! Pelo menos você não está sozinha ou com má companhia.
Scott exclamou aliviado.
– Olha, uma amostra do seu perfume chegou e a Danielle quer saber o que você acha do produto final. Esteja aqui em meia hora.
– Pode deixar comandante Dallas.
A loira falou em um tom brincalhão.
– Sem piadinhas, ainda estou bravo. Não demora.
– Pode deixar.
– Tchau.
– Beijo.
Ligação Off.
– Me deixa advinhar, Scott surtou.
– Exato.
– Desculpa Emma, a culpa é toda minha.
– Claro que não, Regina. Eu que devia ter avisado que iria sair. Deveria saber que ele ficaria preocupado.
– Eu acho tão bonito esse cuidado que ele tem com você. Algumas vezes pode ser até exagerado...
As duas riram.
– ...mas ele se importa de verdade com você.
– Eu sou muito grata por ter o Scott na minha vida. Ele está comigo desde o meu primeiro show, em um barzinho aqui de Nova York.
– Sério?
– Uhum. Ele é como um segundo pai pra mim.
Emma sorriu.
– E como todo bom pai, ele acabou de me dar mais uma ordem.
– Que seria?
– Voltar em meia hora para o hotel para ver como ficou meu perfume.
– Então vamos! Não quero que você se atrase.
Assim que falou isso, Regina se levantou da grama, mas devido ao movimento rápido, sentiu seu corpo hesitar e sua visão ficar meio turva. Sua cabeça girava e a última coisa que conseguiu ver foi o rosto preocupado de Emma antes de apagar completamente. Quando Regina acordou, logo percebeu que não estava mais no Central Park e sim em uma sala branca, pouco decorada. Seus olhos, ainda não totalmente abertos, percorrem pelo local e encontraram os de Emma.
– Em...ma, onde estamos?
A morena perguntou em um tom de voz baixo.
– No hospital.
– O que houve?
– Você desmaiou, mas já está tudo bem.
Emma sorriu aliviada e foi chamar o médico, que rapidamente chegou até lá.
– Boa tarde senhorita Mills.
– Boa tarde.
– Você está melhor?
O homem de meia idade perguntou se aproximando da cama.
– Estou sim.
– Que bom! Então você vai poder ter alta daqui a pouco, mas nada de muito esforço, pelo menos por hoje. Apenas atividades leves.
– Tudo bem, doutor. Mas o que causou esse desmaio?
– Eu não sei ao certo, mas nós já fizemos os devidos exames para descobrir. Eles ficarão prontos amanhã.
– Sem problemas. Eu virei aqui buscá-los.
– Certo. Daqui a uns quinze minutinhos você já estará liberada, ok?
– Tá bom. Obrigada.
– Por nada.
O médico sorriu e saiu do quarto, voltando a deixar Regina e Emma a sós.
– Emma, eu nem sei com que cara olhar para você agora. Hoje eu me superei no quesito “te dar trabalho”, não é possível.
Regina falou escondendo seu rosto entre as mãos, fazendo a loira rir.
– Regina, deixa disso. Não foi trabalho nenhum, só que eu admito que fiquei um pouco desesperada.
Emma comentou sentando-se na beirada da cama.
– Quando você desmaiou, eu te trouxe correndo para cá. Graças a Deus te atenderam rápido, caso contrário, quem iria desmaiar era eu.
As duas riram.
– Meu Deus! Você não devia estar aqui! E o Scott? Ele não tinha pedido para você voltar direto para o hotel? Ele ficou bravo com você?
– Ei, calma.
A cantora deu um sorriso de lado e alcançou a mão de Regina.
– Eu já falei com o Scott. Inclusive, ele está lá na recepção, ficou preocupado quando eu disse que você estava aqui. E será que eu posso saber por que a senhora não me contou que teve uma tontura lá na rádio?
– Emma, eu não queria te atrapalhar, muito menos te preocupar.
– Mas Regina, eu já me importo o suficiente com você para me preocupar com o seu bem estar mesmo sem você querer isso.
Emma falou de um jeito doce, fazendo Regina ficar mais encantada do que normalmente ficava quando estava com a loira.
– Me promete uma coisa?
– Claro.
– Promete que não vai esconder mais nada de mim?
– Eu prometo, Emma.
As duas sorriram e a cantora deu um beijo na mão da repórter, fazendo seu coração bater mais rápido.
***
Depois que saíram do hospital, Emma tratou de levar Regina direto para seu apartamento. Com medo de que Killian estivesse lá, a morena decidiu ir até o apartamento de Tinker, mas esse não era o único motivo de sua decisão.
– Tinker!
Regina exclamou abrindo a porta e encontrando a amiga sentada no sofá, com seu notebook na mão.
– Jesus, que susto!
Tinker exclamou colocando a mão no coração.
– Desculpa amiga. É que eu queria conversar com você. Está ocupada?
– Não, eu só estava terminando de organizar algumas fotos para um álbum de quinze anos. Senta!
A loira sorriu e fechou seu notebook, colocando-o em cima de uma pequena mesa que tinha em frente ao sofá.
– O que houve?
Regina então preferiu ir por partes e começou com a mais dolorosa, que foi a traição de Killian.
– Aquele safado! Regina, você tem que ir agora ao seu apartamento e expulsá-lo de lá!
Tinker falou com raiva, se levantando do sofá abruptamente.
– Tinker, calma.
– Calma nada! Se você não for, eu vou!
– Tinker.
A repórter pegou a mão da amiga e a fez sentar novamente.
– Eu ainda tenho algumas coisas para te contar.
Alguns minutos depois, Tinker parecia que iria explodir de tanto ódio.
– Regina, eu não acredito! Por que você não me contou que passou mal mais vezes depois da corrida? Você prometeu!
– Desculpa, desculpa, mas eu não queria te deixar preocupada.
– Eu sou sua melhor amiga, sem essa.
– Desculpa.
Regina disse em um tom de voz baixo, percebendo que realmente tinha deixado Tinker magoada.
– Tudo bem.
A loira soltou um suspiro cansado.
– E o que deu lá no hospital?
– Eu não sei, o médico falou que era pra ir buscar os resultados amanhã. Espero que não seja nada de mais.
Como se uma luz tivesse iluminado a cabeça de Tinker, ela percebeu o óbvio.
– Regina, eu acho que você está grávida.
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