The Song Of The Love
40 The time is passing and we're getting closer
Notas iniciais
O médico havia dito que Emma deveria permanecer em repouso e o adequado seria sair de casa só a partir da terceira semana. Como ainda não tinha atingido o prazo, a cantora não acompanhou Zelena até o aeroporto, mas a modelo se encarregou de fazer uma marcante despedida na noite anterior. Depois que a namorada se foi, Emma ficou sozinha na sala, pensativa, quando escutou passos se aproximando.
– Emma, hora dos curativos.
Regina veio com um sorriso no rosto e a loira não conseguiu se controlar e sorriu de volta, fazendo com que seus olhares se cruzassem, desviando segundos após, com o rosto vermelho.
– Você já deve estar cansada de mim.
– De você? Claro que não.
A morena falou em um tom divertido, se sentando no sofá onde Emma estava e fazendo-a rir.
– Tenho certeza de que está dizendo isso só para me agradar.
– Então quer dizer que é essa imagem que você tem de mim?
Regina perguntou indignada, enquanto tirava algumas coisas de seu quite.
– É brincadeira.
Emma fez uma careta e as duas riram. A repórter começou a trocar os curativos, primeiro das pernas, depois dos braços e finalmente da cabeça de sua amada.
– Você tem sentido alguma dor?
– Não, estou excelente! Graças a você.
A loira praticamente sussurrou a última parte, abrindo aquele sorriso que só ela sabia dar e fazendo com que sua respiração batesse contra o rosto de Regina, que estava muito próximo do seu. Aquele ato desestruturou por completo a mais velha, que não sabia da onde estava tirando tanto autocontrole e disciplina.
– Er...é só o meu trabalho.
– Você é incrível!
Emma disse em um tom doce, o que fez Regina sorrir, mesmo que nervosamente, afinal, seu corpo ainda não estava totalmente recuperado ao simples fato que tinha acontecido há segundos atrás.
– Tenho certeza que seu namorado é um cara de sorte. Sua filhinha também vai ser.
A cantora falou de repente, se surpreendo mais do que surpreendeu Regina, que diante daquilo, não sabia como reagir, muito menos o que responder.
– Obrigada, Emma! Isso foi extremamente adorável!
Regina precisou ter força para não se aproximar de Emma, abraça-la de forma apertada e enchê-la de beijos. Era inacreditável como a loira, mesmo sem memória, não tinha mudado nada e Regina sentia que as duas já estavam bastante próximas, não tanto como da vez que se conheceram e nem tão rápido, mas isso se devia ao fato de até um pouco mais cedo, Zelena ainda se encontrar no apartamento e não permitir que elas ficassem sozinhas em momento algum, tirando na hora dos curativos. Só que agora a modelo não estava mais lá e isso iria ajudar. Muito.
– Mas eu não tenho namorado.
– Ah, não?
– Não. A minha namorada está viajando.
Ao ver a expressão surpresa de Emma ao escutar aquela frase, a repórter soltou uma risada.
– O que foi?
– Eu não pensei que você...bom, eu...
A garota se atrapalhou toda com as palavras e corou, fazendo Regina ter uma overdose de fofura.
– Acabamos por hoje, mocinha.
– Obrigada.
Quando Regina pretendia se levantar para voltar para o seu quarto, que era onde ficava a maior parte do tempo, Emma a segurou pela mão carinhosamente.
– Espera. Fica aqui.
Emma sorriu, com as bochechas ainda vermelhas.
– Eu gosto da sua companhia.
– Eu também gosto da sua companhia, Emma.
A repórter assentiu com a cabeça e voltou a se aconchegar no sofá, onde ela e Emma ficaram conversando por horas e horas, apenas aproveitando aquele tempo, que simplesmente não sentiram passar, para se “conhecerem melhor”.
***
Depois de pedirem uma pizza para o jantar, Emma ajudou sua “enfermeira particular” com a louça e cada uma foi para o seu quarto. Assim que terminou de checar alguns e-mails, Regina decidiu tomar um banho. O sorriso não tinha deixado seu rosto nenhum segundo se quer. A tarde que havia passado com Emma, apesar de simples, para ela tinha sido incrível. Não conseguindo nem descrever a felicidade que sentia naquele momento. Após ter fechado o chuveiro, a morena escutou algumas batidas na porta. Enrolou-se rapidamente na toalha e gritou um “entra”.
– Regina, eu...
Emma não conseguiu continuar a frase, pois ela simplesmente paralisou. Sua boca secou e suas mãos ficaram suadas. Ela não acreditava que Regina estava apenas de toalha e toda molhada na sua frente.
– Me desculpe por estar desse jeito.
A repórter falou visivelmente envergonhada ao perceber o olhar de Emma.
– Não precisa se desculpar. Se quiser eu volto daqui a pouco.
– Não, pode ficar. Mas o que houve? Está precisando de alguma?
– Para falar a verdade, sim. Minha cabeça está doendo um pouco.
Emma franziu o cenho.
– Será que você tem algum remédio?
– Claro, mas antes me deixa dar uma olhada nos seus curativos, você pode ter molhado sem querer no banho. Senta.
Regina disse com um meio sorriso, apontando sua cama arrumada. A loira não demorou a fazer o que ela havia pedido. A mais velha então se aproximou de Emma e tocou gentilmente o curativo que ficava ao canto direito de sua testa, um pouco acima da sobrancelha. Regina o abriu e notou que estava um pouco mais inchado do que notara mais cedo e resolveu colocar outro. Desta vez, Emma estava particularmente tensa. O cheiro da morena a inebriava e a garota não conseguia parar de admirá-la, não deixando escapar nenhum detalhe se quer.
– Como você pode ser tão linda?
Emma falou de repente, deixando a repórter surpresa e ao mesmo tempo corada com o elogio.
– Eu falei mesmo isso em voz alta? Que vergonha!
A loira perguntou se martirizando por dentro, enquanto a única coisa que Regina conseguia fazer era sorrir.
– Você fica extremamente fofa quando está com vergonha.
Regina disse de uma forma carinhosa, terminando de fazer o curativo e tomando a liberdade de arrumar o cabelo de Emma para trás da orelha dela, que abriu um sorriso com aquele ato.
– Pronto. Toma esse remédio também. Vai ajudar com as dores.
Regina retirou uma cartelinha de comprimidos do seu quite de primeiro socorros e estendeu para a cantora, que a pegou prontamente.
– Muito obrigada, Regina.
Emma se levantou e antes que a morena pudesse falar qualquer coisa, a garota lhe deu um beijinho estalado na bochecha.
– Se precisar de alguma coisa, pode me chamar.
Foi a única coisa decente que Regina conseguiu dizer, sorrindo para a loira, que andou até a porta e sussurrou um “boa noite” antes de sair.
***
– Hey!
Emma exclamou com um sorriso de canto de boca, assim que encostou no batente da porta da cozinha.
– Oi, Emma!
Um sorriso instantâneo surgiu no rosto de Regina ao ouvir a voz da loira.
– Bom dia.
– Na verdade, boa tarde.
– Ai, meu Deus! Que horas são?
– Quase meio-dia.
A repórter riu diante do desespero da garota.
– Acho que dormi demais.
– Efeito do remédio. Hm, você gosta de lasanha?
Regina perguntou como se não soubesse a resposta.
– Você está brincando? Eu amo lasanha!
Emma falou animada e se aproximou da onde a mais velha estava.
– Precisa de ajuda?
– Não, está tudo sob controle, mas obrigada.
– Então eu coloco a mesa.
– Se você insiste.
Assim que Emma se direcionou ao armário para pegar os pratos, o celular de Regina começou a tocar e ela foi até a sala para atender. Era Tinker, que queria saber como iam as coisas. A morena falou tudo de forma bem rápida, usando um tom baixo e alguns códigos para que Emma não desconfiasse. Depois de poucos minutos, Regina retornou a cozinha, encontrando-a sentada à mesa.
– Desculpe.
– Não tem problema. Era sua...namorada?
Emma não soube explicar o por que, mas aquela última palavra tinha lhe dado um certo desconforto, porém, preferiu ignorar.
– Não. Uma amiga.
– Ah, tá. Mas então, o que ela faz?
– Minha amiga ou minha namorada?
Regina riu ao perceber que a cantora estava com uma pintada de interesse naquele assunto em especial.
– A sua namorada.
– Ela trabalha com música.
– Sério? Que legal!
A loira abriu um sorriso.
– Eu adoraria conhece-la.
– Quando ela voltar de viagem nós marcamos algo, pode ser?
– Claro.
As duas ficaram conversando por mais um tempo, até que a lasanha ficou pronta. Regina se levantou e retirou da travessa do forno, enquanto Emma pegava uma garrafa de suco na geladeira.
– E então, está gostosa?
A morena perguntou assim que a garota a sua frente colocou um pedaço na boca.
– Simplesmente maravilhosa!
Emma soltou um suspiro de satisfação.
– Você não tem noção do quanto eu estava precisando comer uma comida de verdade. Que a Zelena não me ouça, mas ela cozinha muito mal.
A cantora falou em um tom divertido, o que fez Regina começar a rir.
– Bom, estou lisonjeada depois desses elogios.
– Só falei a verdade.
Emma sorriu e tomou um gole de seu suco, não conseguindo desviar seu olhar de sua “enfermeira”. Depois que terminaram de comer, Emma recolheu tudo e insistiu em lavar a louça, alegando que Regina já havia cozinhado, portanto, era mais que sua obrigação.
– Vem comigo, eu quero te mostrar uma coisa.
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