The Sims
1 O casamento do ano
Notas iniciais
Vladmir Caixão era atualmente o homem mais rico de toda Sim City, mas isso não o impedia de estar trancado no gigantesco quarto de sua mansão, entristecido, chorando, sentado em sua cama com lençois de cetim egipcio e bebendo uma taça de seu melhor vinho italiano. Em suas mãos, segurava um retrato de uma mulher, emoldurado em ouro maciço.
Vladmir (olhando para o retrato) — Oh, minha querida Laura. Como eu queria que você estivesse comigo agora. Já faz tempo desde que você desapareceu e desde então, não sou mais o mesmo homem. Não é a mesma coisa morar nessa gigantesca mansão, na qual gastei bilhões de simoleons¹ e não ter você ao meu lado. Até coisas basicas como banhar-se em uma piscina de dinheiro eu evito fazer, pois tudo isso me faz lembrar você. Nossa filha Cassandra está prestes a se casar. O noivo não é um homem tão rico quanto nós, é claro, já que isso é basicamente impossivel. Mas ele é um bom rapaz e pelo menos sabe o que é caviar, ao contrario da maioria dos pobres que nunca viu, nem comeu e só ouviu falar. O nome dele é Don Lotário. Acredito que você nunca o conheceu, afinal você desapareceu antes mesmo de Cassandra conhece-lo.
Uma lagrima escorreu dos olhos de Vladmir e caiu sobre a foto, bem sobre o rosto de Laura. O velho homem então, guardou o retrato dentro de uma das gavetas de seu criado-mudo feito em prata com maçaneta de diamante, levantou-se e deixou o seu quarto, fechando a porta lentamente ao passar. Porta essa que era toda feita em madeira. Sim. Madeira comum mesmo. Algum problema nisso?
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Cassandra Caixão estava na sala de jantar da mansão. Sentados na longa mesa, estavam seus amigos, o casal John e Jenifer Suburbio e sua filhinha Lucia, seu amigo Dario nas Nuvens, a empregada Catarina Langerak e seu irmão caçula, Alexandre Caixão. Ela era a própria personificação do gótico, com seu longo vestido roxo, maquiagem preta, os cabelos esculos presos em maria-chiquinhas e um tom de voz que parecia que ela estava sempre entediada.
Cassandra — Vamos começar. Chamei vocês aqui para acertar os ultimos preparativos para o meu casamento com o Don, que deve acontecer em uma semana. Primeiramente, defini que John e Jenifer serão meus padrinhos.
John — Sério?
Jenifer — Estamos lisonjeados.
Cassandra — Tenham isso como uma troca de favores. Eu fui a madrinha do casamento de vocês e agora vocês serão os padrinhos no meu.
Jenifer — Isso é tão romantico.
John (em tom sedutor) — Romantico hein? Quer ver uma coisa romantica?
John agarrou a esposa e tascou-lhe um beijo que fez Jenifer quase cair da cadeira. Todos na sala observaram os dois, com expressoes alegres nos rostos, afinal não era sempre que se encontravam casais tão apaixonados. porém, os minutos foram se passando e John e Jenifer ainda continuavam a se beijam, fazendo com que a expressão dos demais presentes mudasse de felizes, para entediados. Por fim, quando John e Jenifer cairam da cadeira e mesmo assim continuaram com os amassos, Cassandra convenceu-se de que isso ainda ia demorar, revirou os olhos e decidiu continuar com seu discurso inicial.
Cassandra — Seguindo com o planejamento, eu gostaria que vocês, Lucia e Alexandre, fossem o meu casalzinho de honra.
Lucia (alegre) — Jura? Ai, eu vou amar fazer isso. As damas de honra usam vestidos lindissimos! Mal posso esperar para escolher o meu...
Cassandra— Tudo bem, mas só não vá brilhar mais que a noiva, hein!
Lucia (com voz demoniaca) — Me obrigue!
Cassandra lançou um olhar assustado antes de dirigir-se ao irmão. Alexandre tinha a mesma idade de Lucia, por volta de 10 anos, e certamente o membro mais inteligente da familia Caixão.
Cassandra — Tudo bem pra você?
Alexandre — Não me agrada muito a ideia de usar terno, mas eu abro essa excessão por você, minha irmãzinha querida...
Cassandra (comovida) — Ooh...
Alexandre — ... se eu receber um cachê para isso.
Cassandra — O quê?
Alexandre — Aprendi ontem que as celebridades cobram cachê para fazer presença VIP nos eventos.
Cassandra — E desde quando você é celebridades?
Alexandre — Desde quando posamos para a revista Rolando Pedra² como a familia mais rica de Sim City.
Cassandra — Mas eu sou sua irmã. Como pode querer me cobrar cachê.
Alexandre (suspirando fundo)— Também preciso de uma compensação financeira caso o casamento dar errado. Afinal, o trauma dessa humilhação vai me perseguir por toda a minha vida.
Cassandra — Do que está falando? Meu casamento não vai dar errado.
Alexandre — Na verdade, se analisarmos os dados estatísticos sobre casamentos, a probabilidade de um casamento dar errado é surpreendentemente alta. Aproximadamente 40% a 50% dos casamentos nos Estados Unidos terminam em divórcio, e a taxa global não é muito diferente. Isso pode parecer alarmante, mas faz sentido quando pensamos na complexidade das relações humanas e...
Cassandra— Lá vem você com mais alguma loucura nerd...
Lucia— E do ponto de vista probabilístico, o casamento é uma união de duas variáveis altamente voláteis: personalidades individuais. Cada pessoa evolui ao longo do tempo, e, conforme os valores, interesses e até circunstâncias externas mudam, o grau de compatibilidade original pode se deteriorar. É como tentar calcular a trajetória de duas partículas em constante movimento, qualquer pequena alteração nas condições iniciais pode resultar em grandes desvios com o tempo.
Cassandra— Vocês dois são bem parecidos, não? Vocês falam até a mesma língua.
Lucia— Não tão atoa sou a aluna número 1 da nossa turma.
Alexandre— Se houvesse mesmo um ranking, o que obviamente não existe, certamente eu seria o número 1.
Lucia— Só nos seus pensamentos...
Cassandra observou os dois se fuzilarem com o olhar antes de decidir se voltar para a empregada.
Cassandra — Catarina, cuide para que tudo esteja estupidamente limpo até o dia do casamento. A cerimônia vai ser realizada no jardim e não quero que uma unica folha seca esteja no chão.
Catarina — Sim senhora.
Catarina Langerak era uma mulher jovem e bonita. Não precisaria medir esforços se quisesse arrumar um bom emprego, nada que um teste do sofá não resolvesse. Porém, ao invés disso, decidiu se tornar uma empregada doméstica por algum motivo não revelado. Não que essa seja uma profissão ruim. Ela trabalhava para praticamente todos os moradores de Sim City. Era competente, apesar de usar um uniforme cujo vestido era exageradamente curto.
Cassandra — E por ultimo e não menos importante, meu querido amigo Dario!
Dario nas Nuvens era o melhor amigo de Cassandra desde os tempos de escola. Era viuvo e pai de um adolescente chamado Duque.
Cassandra — A você caberá uma das funções mais prestigiadas de toda a cerimonia...
Dario — Levar a noiva até o altar?
Cassandra — Err... acho que isso é função do meu pai...
Dario — Conduzir os convidados até seus devidos lugares nas mesas da festa??
Cassandra — Contratei um pessoal para isso...
Dario — Ser o padre???
Cassandra (confusa) — Mais hein? E desde quando você é padre.
Dario — Desculpe. Me exautei. Pois diga: qual a minha função?
Cassandra — Entregar as alianças.
Dario não escondeu sua decepção, mas deu um sorriso escandalosamente falso para encobrir o vexame. Isso é a sua grande função de prestigio? Entregar as alianças? Isso era algo que dura em media 5 segundos. Provavelmente ninguem nem notaria que eles estava lá. E ele tambem não fazia questão nenhuma de levar as alianças para Cassandra e o cretino do noivo dela, Don.
Cassandra — Enfim, era isso que tinhamos para falar. Estão dispensados.
Todos deixaram a sala de jantar, exceto John e Jenifer que ainda se beijavam no chão (que folego!). Do lado, de fora, Dario era esperado pelo filho Duque. O rapaz não perdeu tempo e foi logo correndo de encontro ao pai, curioso para saber o que se passara na reuniao.
Duque — E aí? O que ela queria?
Dario — Definir nossas funções na cerimonia.
Duque — É mesmo? E o que você vai fazer? Levar a noiva até o altar? Conduzir os até suas mesas? Ser o padre?
Dario (envergonhado) — Levar as alianças até o altar.
O homem teve de esperar cerca de meia hora, até que o filho parasse de rir, e só então prosseguiu.
Dario — Cassandra considera uma função de prestigio.
Duque — Com certeza você será muito prestigiado. Isso se alguem notar que você está lá.
Dario — Tudo bem! Chega! Vamos pra casa.
Dario saiu em disparada, querendo deixar a mansão o mais rapido possivel. porem, seu filho Duque não se moveu. Ficou parado, encarando o pai com um expressão de ternura que quase beirava a pena.
Dario — Que foi?
Duque — Ah, papai. Quando é que você vai assumir.
Dario — Assumir o que?
Duque — Que você é apaixonado pela Cassandra...
Dario (espantado) — Shhh... fale baixo...
Duque — ... que você não quer carregar as alianças...
Dario — Shh...
Duque — ... que você quer ser o noivo dela...
Dario — Shh...
Duque — ... que quer ter filhos com ela...
Dario — Chega! Parou por aí!
Duque — Cria coragem pai. Diz para ela tudo o que sente!
Dario — Como farei isso se ela vai se casar em uma semana?
Duque — Então impeça esse casamento!
Dario — Jamais faria algo para magoar a Cassandra!
Duque — Covarde.
Dario — O quê?!
Duque (fazendo gestos corporais que lembram uma galinha) — Pó! Pó! Pó! Pó...
Dario — Tudo bem, tudo bem! Me convenceu. Eu vou impedir esse casamento ou não me chamo Dario nas Nuvens! E tambem vou te provar que não sou nenhum frangote.
Duque — Pó, pó?
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No dia seguinte, Vladmir acompanhou o filho Alexandre até a loja de roupas da cidade, onde encontraram com Don Lotário e seguiram juntos para escolher os ternos que usariam na cerimonia. Vladmir logo pegou em mãos o terno que havia encomendado: braco, com botoes de rubi e um gravata de linho. Em seguida, ajudou Alexandre a escolher um terno tambem.
Don — Já que vocês já escolheram seus trajes, podiam me ajudar tambem, ãh?
Don Lotário era sem duvida, o homem mais desejado da cidade. Era o tipico boa pinta, galante, vaidoso e com um grande topete que só não ultrapassava o tamanho de seu ego.
Vladmir— Dispenso. Prefiro admirar o arsenal de joais que eles tem expostos em uma das sessões da loja.
O velhote se retirou, restando a Alexandre apenas acompanhar seu futuro cunhado até o provador. Don provou uma série de terno, dispensando varios por julga-los "incondizentes com um homem de sua índole". Como sua opinião claramente não estava valendo nada, Alexandre foi até a maquina de lanche pegar uma batatinhas para comer e quando voltou, encontrou Don conversando como uma bela vendedora.
Don (entregando um terno à vendedora) — Pode me trazer outro modelo, Dina?
Dina — Pois não... vai ficar o dia inteiro só experimentando roupas?
Don — Fazer o que? Tenho um casamento em poucos dias. Quero estar perfeito.
Dina (com voz sedutora) — Não temos só roupas nessa loja sabia?
Don — Então me mostre o que mais vocês tem por aqui.
Os dois se atracaram em um beijo selvagem. Estupefato, Alexandre derrubou suas batatinhas no chão e sacou seu celular Galaxia S23³e os fotografou no ato. A vendedora se retirou em seguida, toda assanhadinha e Alexandre se escondeu para não ser notado. O garoto já estava prestes a sair correndo e mostrar a foto ao pai e a irma quando uma nova vendedora entrou na sala com Don, que no momento em questão penteava seu topete perfeito.
Don — Ah, olá Nina. Sua irmã acabou de sair daqui.
Nina — É mesmo? E sobre o que vocês conversaram?
Don — Sobre esse provador. Ele é tão apertado e desconfortavel.
Nina — Sério? Deixe-me ver.
A vendedora entrou no provador que claramente tinha espaço suficiente para confortar duas pessoas com obesidade morbida. Don logo se juntou a ela no provador e tambem se atracaram num louco beijo. Alexandre mais uma vez fotografou tudo.
Nina se retirou, dando uma ultima piscadela ao amante. Alexandre estava prestes a sair de seu esconderijo atras de uma arara de roupas quando mais uma mulher entro na sala com Don: a empregada Catarina.
Don — O que faz aqui?
Catarina — Sou faxineira de praticamente todos nessa cidade. Não leu minha descrição no começo desse capitulo?
Ela começou a espanar os poucos moveis da sala enquanto Don observa toda a sua "aBUNDAncia" de tras. Não demorou muito e os dois estavam se beijando tambem. Alexandre, como sempre, fotografou.
Don — Faz tempo que você não passa na minha casa. Está imunda precisando de uma faxina urgente.
Catarina — Por que será... ah, lembrei! Deve ser porque o senhor não paga minhas diarias a meses.
Don — Juro que pago da proxima vez. Pago até a mais se você me fizer aquela massagem que eu gosto.
Catarina — Pensarei no seu caso.
A empregada deixou a sala, enquanto acenava para o amante com seu espanador em mãos. Alexandre finalmente saiu de seu esconderijo e tratou de se afastar rapidamente, antes que Don se atracasse com outra mulher.
Alexandre (para si mesmo) — Que canalha! Enganando a minha irmã esse tempo todo! Eu tenho que abrir os os olhos dela! Tenho que impedi-la de casar.
Porém, tornou-se quase impossivel para Alexandre encontrar com a irmã, pois nos dias seguintes ela estava tão ocupada que ele nem chegavam a se encontrar.
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Dario estava realmente tentando contar de seus sentimentos à Cassandra e para isso, tornara-se a sombra delas nos dias que antecediam o casamento, seguindo-a onde quer que ela fosse. Exceto no banheiro.
*1ª Tentativa: Cassandra enfeitava o jardim com alguns bandeiras pretas e lanternas de papel. Dario a ajudou, subindo na escada para pendurar os enfeites mais altos e logo observou com estranheza a decoração gótica com tons predominantemente pretos e cinzas que mais lembravam um funeral.
Dario— Essas cores são tão... diferentes...
Cassandra— Você me conhece bem. Eu gosto do obscuro.
Dario — Cassandra, tem uma coisa que preciso muito tem contar.
Cassandra — Pois fale.
Dario — Você não pode se casar com o Don!
Cassandra — Mas por quê?
Dario — Porque eu...
Antes que ele conseguisse terminar sua fala, um gato adentrou correndo no jardim, sendo perseguido por um cão. Os animais esbarraram perigosamente na escada, fazendo-a balançar e por fim, cair. Dario tentou se segurar na corda com as bandeiras estendida sobre o jardim, mas esta na aguentou seu peso e ele caiu dentro da piscina.
Cassandra — Dario! Está tudo bem?
Dario (cuspindo um pouco de água) — Acho que sim...
Cassandra — Vá para casa se secar. Deixa que eu cuido de montar os enfeites novamente.
*2ª Tentativa: Cassandra estava comendo no restaurante após uma tarde de trabalho duro com os preparativos. Dario a acompanhava. Não podia haver momento mais ideal para que ele fizesse sua grande declaração.
Dario — Cassandra, tem uma coisa que preciso muito tem contar.
Cassandra — Pois fale.
Dario — Você não pode se casar com o Don!!
Cassandra — Mas por quê??
Dario — Porque eu...
Novamente, antes que ele pudesse terminar sua fala, John e Jenifer sairam de dentro do restaurante, abraçados e se beijando loucamente como já era de costume. Estavam tão concentrados que nem perceberam o quanto se aproximavam da mesa qu Dario e Cassandra estavam. O casal simplesmente se deitou sobre a mesa e continuaram o ato sem nenhuma preocupação. Jenifer ainda esbarrou seu pé num prato de macarronada, que voou na cara de Dario.
Dario — Ai! Cuidado! Que Droga...
Cassandra (abafando um risinho) — Vá para casa se limpar. Eu tambem já tenho que ir para a minha casa, afinal, perdi o apetite só de ver essa cena.
*3ª Tentativa: Cassandra estava experimentando seu vestido de noiva, um belo exemplar preto com longa cauda e grinalda. Havia uma costureira ajustando o vestido ao corpo da moça e fazendo as devidas marcações com alfinetes. Além delas, apenas Dario estava na loja, acompanhando a amiga. Parecia um bom momento para se declarar.
Dario — Cassandra, tem uma coisa que preciso muito tem contar.
Ele só não contava com a costureira descuidada, que a todo momento espetava Cassandra, que soltava oportunos gritinhos histéricos de dor.
Cassandra — Ai! Ui! Cuidado moça! O que você disse Dario?
Dario — Você não pode se casar com o Don!!
Cassandra — Ai! Ui! O que?
Dario — EU TE AM...
Cassandra — AAAH!
Ao levar uma espetada um pouco mais dolorosa, Cassandra gritou e levantou os braços, esbarrando na caixa de alfinetes que voou pela loja e caiu na perna de Dario, que saiu pulando de dor e precisou da ajuda de outras lojistas para retirar todos os alfinetes.
4ª Tentativa: Cassandra estava com o vestido perfeitamente ajustado e um buquê na mão, prestes a fazer sua grande entrada, atravessar o tapete vermelho estendido no jardim ao lado do pai e encontrar Don no altar. Ela deu uma espiadinha e viu que todos os convidados já estavam em seu devidos lugares, prontos para recebe-la. Vladmir se aproximou da filha, prestes a leva-la ao altar quando Dario se aproximou dela. Não era o momento mais adequado, mas precisava ser feito. Precisava impedir o casamento e revelar seus sentimentos à Cassandra. tentará de todas as formas possiveis nos dias anteriores mas fracassara miseravelmente graças a intromissão de fatores externos.
Dario — Espere!
Vladmir — Temos que ir!
Dario — Não!
Cassandra — Sim! Estivemos a semana toda preparando isso lembra?
Dario — Eu sei, mas... me ouça! Você não pode se casar!
Cassandra — Por que?
Dario — Porque eu...
Alexandre — CASSANDRA!
Dario dobrou a lingua para não gritar um palavrão. Mais uma vez fora interrompido em sua tentativa de confessar seu amor. Dessa vez era o irmãozinho da noiva que vinha correndo com o celular na mão.
Cassandra — O que houve?
Alexandre — Você não pode se casar!
Vladmir — O que há com vocês?
Cassandre — Eu tenho que me casar! Estão todos me esprando.
Dario e Alexandre— NÃO!
Cassandra e Vladmir— SIM!
Alexandre — Eu tenho que te mostrar uma fotos...
Já irritada, Cassandra empurrou o irmão e o amigo para o lado e seguiu para o altar, acompanhada pelo pai e ao som da marcha nupcial. Dario e Alexandre largaram-se em duas cadeiras, arrasados.
Dario — Eu tentei impedi-la de todas as formas...
Alexandre — Tentou? Então você tambem descobriu sobre o Don?
Dario (intrigado) — Descobriu o que?
Rapidamente, Alexandre explicou o que vira à Dario e mostrou as fotos comprometedoras que tirara de Don e suas amantes.
Dario — Ai meu Deus! Cassandra precisa ver isso!
Alexandre — Já é tarde! Ela já está se casando!
Dario — Vem comigo!
Dario puxou o garoto até o outro lado do jardim, onde havia um telão e uma mesa com um notebook.
Dario — A Cassandra tinha planejado passar umas fotos de casal nesse telão. Vamos usa-lo para passar essas suas fotos do Don!
Alexandre — Então seja rapido!
Sem delongas, Dario passou as fotos para o notebook e as exibiu no telão, para que todos vissem. Um sonoro "Ooh!" foi dito por todos os convidados. Don engoliu a seco, ajeitando a gravata desconfortavelmente. Ao perceber o que se passava, Cassandra começou a bater em Don com o seu buquê. O rapaz saiu correndo, debaixo de uma ovação geral. A noiva se jogou no chão, chorosa, enquanto os convidados iam se dissipando, murmurando sobre o babado que acabaram de presenciar.
Logo, o jardim da mansão estava vazio.
Vladmir e Alexandre tentaram consolar Cassandra com algumas palavras, mas ele sequer os ouviu. Com vestido de noiva e tudo, ela saiu vagando pela rua, chorando por ter sido traida e abandonada no altar. Ela sentou-se na grande escadaria de uma igreja e voltou a se lamentar. Comovido com sua tristeza, Dario, o ultimo que deixara a mansão dos Caixão após o escândalo, se juntou à amiga, que encostou a cabeça em seu ombro delicadamente.
Dario — Sinto muito.
Cassandra — Não precisa. Eu que fui uma burra. Fui enganada pelo Don.
Dario — Vai ficar tudo bem. Um dia você vai encontrar alguém que te mereça.
Ela sorriu e isso fez Dario se encher de coragem.
Cassandra ergueu sua cabeça e olhou para o amigo, curiosa.
Cassandra — Você esteve a semana todas tentando me contar alguma coisa. O que era mesmo?
A mente de Dario formou as palavras "Eu te amo!", mas ele não conseguiu dize-las. Ao invés disso, ele simplesmente abraçou Cassandra e murmurou.
Dario — Nada não. Temos a vida inteira pela frente para poder falar sobre isso.
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