The Simple Plan
1 Eric Mendes - O novato
Notas iniciais
Memórias –Paolla Santana.
Talvez seja mesmo clichê a forma que irei contar minha história com ele, mas não me importo. Ser clichê às vezes é bom! E tecnicamente amar é clichê. É engraçado como quando todo relacionamento chega ao fim nós passamos a pensar no começo, naquele primeiro olhar, na primeira troca de palavras, o primeiro beijo, e tentamos analisar porque não dera certo. São tantos pensamentos!
A primeira vez que eu o vi, Eric Mendes estava entrando na sala atrasado, o professor que lecionava na hora fingiu não vê-lo, e Eric também não se importou em chegar atrasado. Aquele estranho garoto sentou-se atrás de mim, esticando a perna e encostando seu pé no meu. “abusado!” – pensei, afastando meus pés.
Tiago, meu amigo que sentava ao meu lado riu baixinho.
- Sabe quem é esse? — Perguntou num sussurro próximo ao meu ouvido, a voz mesclada de admiração e surpresa.
- Não. Eu deveria?
- Ele e o irmão mudaram pra cá ontem, são os irmãos Mendes, ele é o Eric, e o outro, que ta no 1º, é o Eduardo.
- Hum, porque essa empolgação? — Tiago revirou os olhos para mim.
- Você é tão cheia de cortar barato, parece o Breno. — sorrio levemente ao ouvir o nome de nosso outro amigo, que não veio hoje por estar suspenso pela direção.
- Obrigada!!
Ouvi o tal Eric bufar, eu o olhei por canto de olho.
- Hey, me empresta a borracha? Eu perdi a minha, acho que o retardado do meu irmão pegou. — eu me virei rápido demais, e com certeza esquecendo que o limite de espaço entre nossas cadeiras era pequeno.
Eu me afastei na mesma hora e visualizei melhor a cor de seus olhos, eram de um castanho tão claro que beirava o verde. Lindo.
-Claro. — peguei meu estojo ignorando os risinhos de Tiago. – Aqui!
Passei a borracha para ele, que sorriu agradecido.
- Hum, valeu... — ele apagou o que parecia ser um desenho, não tive tempo de ver o que era. – Qual é o seu nome?
Eu admito que me surpreendi com a pergunta. Não sou do tipo que cria amizades com facilidade, e muito menos era daquelas que chamavam a atenção para ser amiga... Será que...? Não, porque eu? Não, eu não sou bonita.
- Paolla. E esse... — apontei com a cabeça para Tiago. – É Tiago, meu amigo.
- Prazer, meu nome é Eric. -eu instantaneamente olhei para o lado. – Eric, ou Emilio, tanto faz. -ele explicou como se tivesse ouvido a minha conversa com Tiago. – Pow, essa aula não acaba não? Já cheguei atrasado pensando em não fazer nada...
Tiago sorriu em cumplicidade.
- É a aula mais chata e também a mais longa, meu jovem... É matemática.
Suspiramos em conjunto.
Eu não gostava de matemática, não simplesmente por usar números e etc, era simplesmente porque nada relacionada a ela me entrava na mente.
A amizade entre Eric e Tiago crescera rápido, rápido demais e no intervalo eles já conversavam sobre garotas que ficaram e as mais bonitas da escola. Encolhi-me ao pensar quem seria a escolhida de Eric e franzi o cenho ao perceber que já estava me importando com a opinião dele – ridículo.
- Hey, vou ao banheiro. -Tiago se levantou, me deu uma olhada e sorriu.
- Paolla!! -A voz de Eric soou próxima ao meu ouvido, eu tremi –idiota,idiota,idiota!! – e mesmo sem ver tive a sensação de que ele sorrirá. – Posso me sentar ai?
-Ahn... claro.
Maldita voz doce, maldita voz doce.
E ele se sentou na cadeira que Tiago ocupava sabendo que já estava me deixando tonta só com sua voz, e usando disso para seu bel-prazer.
- Você é quieta assim mesmo ou o Tiago que não lhe deixa falar? -ele perguntou, olhando-me nos olhos. O cabelo dele era tão liso e brilhante.
- Hum... — desviei o olhar. – Não, eu não sou muito de falar.
Mentira! Eu falo sim, às vezes até demais, minha avó fala que eu pareço uma matraca. Só ele não precisa saber disso, precisa?
- Percebi. Você tem 17 anos, certo? — ah ele esta perguntando a minha idade, a minha idade, porra. Pra que?
- Sim, por quê?
- Só pra saber! Uma forma de criar assunto sabe? Odeio silêncio...
Ta, eu tinha que falar, sério, a carinha de bebê que ele fez foi linda.
- Porque você mudou pra cá no meio do semestre? — perguntei né? Era mais uma curiosidade, e um assunto que daria horas de conversa.
- A escola particular já estava me dando nos nervos, sabe? As mesmas pessoas irritantes e mesquinhas, os mesmos professores que só puxam seu saco por você ser rico e tal... É uma merda. Tem hora que não dá não...
Eu franzi o cenho.
-E você acha que aqui não encontrará disso? -Eric sorriu. – Bom, desculpe te desiludir, mas em escola pública é muito pior.
Voltei a me concentrar no trabalho de português, foi então que ele disse, como um “toma essa”.
- Lá, eu não tinha amigos, e aqui, eu sei que irei encontrar.
Eu ia responder. Ia mesmo sabe? Mas Tiago chegou, e Eric voltou para o seu lugar, que era a última carteira da fileira da parede da porta.
Ele era tão diferente...
O sinal para a hora da saída bateu e enquanto guardava meus materiais vi um garoto parecidíssimo com Eric entrar na sala. Ele era alto como o irmão, o cabelo dele era ainda mais liso e rebeldemente arrumado. Aquele era Eduardo Mendes, o mais novo.
- Eric! – ele disse, a voz calma demais. – Avise a mãe que eu irei na casa da Carla, chegarei um pouco mais tarde.
Eric suspirou e olhou o irmão com um ódio que me assustou.
- Avise você.
- O que custa, idiota? -Hum, eu disse que Eduardo era calmo? Esqueçam.
Querendo evitar uma briga e me sentindo a madre Teresa de Calcutá, eu me pus entre os dois (ato esse que muito me prejudica hoje). Sorri para Eduardo, que me mediu antes de me encarar sério. Abusadinho ele.
-Relaxa... -dei um tapa na mão de Eric ao sentir sua mão em minha cintura. – Seu irmão avisará sim a sua mãe que você vai à casa da coleguinha! — eu disse coleguinha? Ahn? Ahn? ME MATEM! Eu estou tratando um garoto de 15 anos como criança?
- Ahn... Ta! — ele deu um sorriso lindo, (é de família, fato) e deve ter achado louca, claro, todos me acham. – Valeu.
E ele saiu rapidinho.
- Não digam nada, esse tipo de idiotice acontece sempre comigo.
-Ah, é verdade. — meu bom amigo Tiago concordou, sempre prestativo.
Eric me olhava com atenção.
- O que foi? -perguntei, sentindo as bochechas corarem.
- Nada, hum, tem algum lugar para comer por aqui?
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